Cultura Pop
E os 40 anos de Feline, dos Stranglers?

A banda indie paulistana dos anos 1980 Fellini adorava Feline, sétimo álbum do grupo britânico Stranglers – tanto que adotaram esse nome, numa homenagem dupla ao cineasta Federico Fellini e ao disco. O álbum (que chegou aos 40 anos no dia 22 de janeiro) não costuma ser um dos mais lembrados quando se fala dos Stranglers. Isso porque quase todo mundo recorda mais da primeira fase do quarteto – a de discos como No more heroes (1977) e Black and white (1978).
Feline está longe de ser um disco “difícil”, mas na época confundiu bastante os fãs. Pode ser considerado uma ruptura de verdade com o passado do grupo, daquelas que bandas e artistas fazem em algum momento da carreira, e que acabam dividindo opiniões. Em seu primeiro disco lançado pela Epic – após passarem pela United Artists e pela EMI – Hugh Cornwell (voz, guitarra), Jean-Jacques Burnel (baixo, voz), Dave Greenfield (teclados) e Jet Black (bateria) eram uma banda menos pesada, repleta de violões e bem mais tranquila do que em discos anteriores.
>> Ei, temos um podcast sobre Stranglers. Ouça aqui.
Hugh Cornwell cantava com menos raiva, Burnel soltava a voz com tranquilidade num dos hits do disco (a romântica European female), e havia uma influência bem mais demarcada da música francesa – por influência do baixista – em canções como Midnight summer dream, Never say goodbye, Let’s tango in Paris (bom, a típica sacanagem dos Stranglers estava lá, sim, mas dosada). E no single Golden Brown, incluído apenas na versão americana do álbum, cujo clipe mostrava a banda fazendo de conta que explorava uma região dos Emirados Árabes Unidos – só que a banda havia sido filmada no Leighton House Museum, em Londres, e enxertou imagens de outros países no meio do bolo.
Já em Paradise, sintetizadores e vocais “robóticos” combinavam-se com bateria e percussão eletrônicas. Além dos tais violões que dominavam o disco, mais como uma opção “cool” (como nos álbuns do The Cure) do que por vontade de fazer um disco verdadeiramente acústico. “Tínhamos novas guitarras acústicas que havíamos usado na música Cruel garden, e depois do disco La folie (de 1981), Jet Black começou a fazer experiências com batidas eletrônicas. Dave começou a usar seu sintetizador waveform e achamos que seria um bom paradoxo termos guitarras acústicas contra baterias eletrônicas e sintetizadores”, contou Hugh Cornwell no livro Stranglers: song by song, escrito ao lado de Jim Drury.
O grupo fazia experimentações com faixas declamadas, como em All roads lead to Rome ou na faixa de abertura, Midnight summer dream, que acabou virando single – nessa, Hugh decidiu falar em vez de cantar, porque achou que seus vocais soavam histriônicos, “como se eu fosse um cantor grego de ópera”, muito embora a versão single tenha trazido menos falas e mais cantos. Houve um clipe da faixa, com um breve aceno ao passado do grupo, já que ele foi filmado no mesmo cenário da capa do primeiro disco, Rattus norvegicus (1977).
Feline não foi exatamente entendido ou querido – as resenhas negativas surgiram na frente. Mesmo sendo um disco “diferente”, hoje vale até como opção para conhecer o grupo, que depois retornaria acompanhado de uma seção de metais (nos álbuns Aural sculpture, de 1984, e Dreamtime, de 1986), sumiria por quatro anos, e voltaria em ritmo de mudanças, com a saída de Hugh Cornwell e a transformação em quinteto.
Hoje, da formação original, só Burnel está na banda. Greenfield lamentavelmente foi uma das primeiras pessoas famosas a morrer de Covid-19, em 2020. Já Jet Black, um quarentão na época em que o grupo gravou seus primeiros álbuns, morreu em dezembro aos 84 anos, de problemas respiratórios. Dos Stranglers, sobraram a lenda e a energia.
Cultura Pop
George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)
Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube
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“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).
O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).
Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.
A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.
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A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.
Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.
Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.
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Cultura Pop
No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.
Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)
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Cultura Pop
No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).
Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.
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