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O Cientista Perdido: o amor queer como ele é, em “Te sonho de verdade”

O Cientista Perdido segue desenhando o caminho para seu próximo trabalho. Depois de lançar Cair, faixa que tratava da ausência e do abandono, o projeto do brasiliense Rodrigo Saminêz retorna com Te sonho de verdade, um single que mergulha nas incertezas do desejo queer e na falta de modelos afetivos fora da lógica heteronormativa.
Produzida inteiramente pelo próprio artista, a música combina R&B, funk brasileiro e synth pop com batidas marcadas para construir um clima de instabilidade que acompanha a letra. O foco está menos nas respostas e mais nas perguntas. “de onde a gente tira o que é real e o que não é? / quem dá a chancela pra nós dois aqui de pé?”, canta Saminêz.
Se Cair olhava para o abandono como uma experiência compartilhada dentro da vivência LGBTQIAPN+, Te sonho de verdade amplia essa conversa. A música fala sobre o que acontece quando faltam modelos para entender o amor, o desejo e a intimidade — e como, justamente por isso, também existe espaço para inventar novas maneiras de viver essas relações.
Radicado em São Paulo, Rodrigo Saminêz vem consolidando O Cientista Perdido como um projeto que cruza pop experimental, música eletrônica e referências brasileiras para transformar experiências íntimas em canções que dialogam com questões coletivas – como rola na música nova.
Foto: Dranilo / Divulgação
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Tem robô aí! Raye enfrenta 1,8 milhão de inscrições para show de 5 mil lugares (!)

RESUMO: Raye tenta separar fãs reais de cambistas e bots após receber 1,8 milhão de inscrições para um show de 5 mil lugares. O caso lembra a polêmica dos supostos fãs artificiais do Geese.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução
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A cantora pop Raye virou uma história de sucesso daquelas que dão até gosto de acompanhar. Depois de brigar com sua antiga gravadora porque não conseguia lançar um álbum, a cantora britânica resolveu seguir por conta própria, estourou nas paradas, ganhou seis Brit Awards numa noite só e virou uma das grandes estrelas do pop atual. Agora, está descobrindo um dos lados mais irritantes dessa popularidade: tentar vender ingressos para fãs de verdade num mundo cheio de cambistas e robôs.
A confusão começou com o anúncio de This symphony may contain hope, apresentação especial marcada para 23 de outubro no Royal Albert Hall, em Londres – e que faz parte do ciclo de divulgação do disco This music may contain hope (resenhado aqui). São apenas 5 mil ingressos disponíveis. O problema? Mais de 1,8 milhão de pessoas se inscreveram para tentar comprar uma entrada. Sim, você leu certo.
Raye, cujo nome verdadeiro é Rachel Keen, contou nesta terça (13) que ela e sua equipe estão precisando analisar manualmente as inscrições para tentar separar os fãs reais dos cambistas e das contas automatizadas. A ideia era justamente evitar uma pré-venda tradicional, que poderia facilitar a vida de quem compra ingressos aos montes para revendê-los por preços absurdos.
“É um mundo novo em que estamos vivendo. Nunca tinha visto robôs nessa escala”, escreveu a cantora no Instagram (via The Independent). “Não sei o que o futuro reserva para a venda de ingressos, mas sei que essa experiência abriu muito meus olhos.”
Ela também prometeu discutir novas maneiras de lidar com o problema. “Eu e minha equipe vamos pensar muito seriamente no que podemos fazer no futuro”.
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Os fãs selecionados receberão por e-mail um link e um código para participar da pré-venda. Se sobrarem ingressos, eles serão oferecidos ao público em geral. A preocupação de Raye é que as entradas cheguem às mãos de quem realmente pretende assistir ao show, pagando o preço original.
E olha que o sucesso dela não veio exatamente de bandeja. Depois de anos enfrentando dificuldades com sua gravadora, a cantora rompeu o contrato e lançou My 21st century blues em 2023. O disco chegou ao segundo lugar da parada britânica, entrou na lista do Mercury Prize e rendeu seis troféus no Brit Awards de 2024, incluindo o de álbum do ano.
De lá para cá, Raye emplacou mais um número um com Where is my husband!, depois do sucesso de Escapism, e foi atração principal dos festivais Reading e Leeds. Seu segundo álbum, This music may contain hope, mistura soul, blues, jazz, R&B, hip-hop e pop, com 17 faixas que falam de desilusões amorosas, autoestima e esperança, num clima de filme musical das antigas. É esse repertório que vai aparecer no Royal Albert Hall.
Aliás, a história de Raye lembra outra discussão recente, só que com uma diferença importante. No caso da cantora, os robôs são suspeitos de atrapalhar a venda de ingressos. Já o Geese, banda estadunidense que virou uma das grandes sensações do indie rock, precisou responder a suspeitas de que contas artificiais estariam ajudando a fabricar sua popularidade.
A confusão envolveu a Chaotic Good, empresa de marketing digital que trabalhou em campanhas para o Geese e para a carreira solo do vocalista Cameron Winter. A companhia utilizava redes de perfis e publicações no TikTok para aumentar a circulação de conteúdos musicais. Quando a história veio à tona, começaram as perguntas sobre quantos daqueles fãs eram reais.
Em entrevista à Rolling Stone, Winter resolveu brincar com a situação. “Parecia uma explicação razoável. A gente ficou tipo: ‘Meu Deus, tudo isso é falso’. Estávamos em pânico. Aí fomos até nossa gravadora por e-mail e perguntamos: ‘Há quanto tempo todos os nossos fãs são falsos, seus filhos da puta?’”
Segundo o cantor, a explicação recebida foi que a Chaotic Good havia sido contratada para divulgar vídeos de shows, e não para criar comentários ou fãs falsos. “Eram posts de baixa qualidade no TikTok, usados para impulsionar o algoritmo. Eles nos mostraram alguns exemplos, e isso me fez sentir melhor porque eram muito ruins”, contou. Já o baixista Dominic DiGesu foi ainda mais direto: “Venham ao show e me digam quantos bots vocês viram”.
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Janeiro Industrial desacelera e explora lado contemplativo em “Recado relojoeiro”

RESUMO: Em Recado relojoeiro, a Janeiro Industrial mistura emo, indie rock e guitarras atmosféricas para falar de tempo, memória e autocuidado. A faixa antecipa o próximo EP da banda de Sorocaba.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Caio Lourenço / Divulgação
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O tempo passa, as coisas mudam e algumas músicas precisam esperar um pouco até encontrar seu lugar. Foi o que aconteceu com Recado relojoeiro, novo single da Janeiro Industrial, banda de Sorocaba (SP) que vem misturando hardcore melódico, emo e rock alternativo. A faixa, lançada pelo selo Downstage, estava guardada havia um bom tempo e só agora ganhou uma versão definitiva, com banda completa, guitarras cheias de chorus e um clima mais contemplativo.
A própria Janeiro Industrial brinca que Recado relojoeiro é seu lado mais “baladinha”. E até que faz sentido: depois de mostrar uma sonoridade mais urgente em Futebol de segunda, lançada em agosto, o grupo resolveu diminuir um pouco a velocidade. O peso continua por ali, mas divide espaço com guitarras mais atmosféricas e uma aproximação maior com o indie rock.
A letra também acompanha essa mudança de clima. Recado relojoeiro fala sobre autocuidado, vulnerabilidade, memória e a percepção de que ninguém termina de aprender a lidar consigo mesmo. O tempo aparece tanto como assunto da canção quanto na própria história de sua gravação: a composição nasceu no violão, ficou esperando sua vez e ganhou outra cara quando passou a ser trabalhada pelo grupo. O nome da faixa é inspirada em Watchmen, série de quadrinhos de Alan Moore e Dave Gibbons.
Formada em 2021 a partir das composições de Murillo Fogaça, a Janeiro Industrial conta ainda com Felipe Marcon (guitarra), Felipe Fogaça (baixo) e Rafael Malinverni (bateria). Desde o EP Alteridade (2024), a banda vem ampliando suas referências sem abandonar a ligação com o hardcore melódico.
Recado relojoeiro, que chega às plataformas com distribuição da Algohits, também dá uma pista do próximo EP da Janeiro Industrial, previsto para sair em parceria com a Downstage. Pelo que o grupo mostrou nos dois singles mais recentes, a ideia é abrir espaço para outras possibilidades dentro de um som que continua bastante ligado ao emo e ao rock de guitarras.
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Aquele Jon mistura amor, dúvidas existenciais e canção brasileira em “Arte”

RESUMO: Vindo da banda Olho da Cara, Jonston Guerra lança Arte, single sobre amor, identidade e o papel da criação artística nos dias difíceis. A faixa antecipa seu primeiro álbum solo, produzido por Lou Alves.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Divulgação
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O cantor e compositor Jonston Guerra, que passou mais de uma década à frente da banda Olho da Cara, do ABC Paulista, prepara o primeiro álbum de seu projeto solo, Aquele Jon. Enquanto o disco não chega, ele lança Arte, terceiro e último single de uma sequência que começou com Devolva-me e Jogo do bicho.
A nova música fala sobre amor, arte e aquelas perguntas que todo mundo acaba fazendo em algum momento: quem somos, o que significa ter sucesso ou fracassar e como entender o que se passa na nossa cabeça. Na letra, Jonston mistura essas questões a situações mais simples, como observar a lua ao lado de alguém ou conversar sobre deus e a existência. O amor aparece também como uma maneira de dividir dúvidas e descobertas.
“Arte é uma música que transcende as aspirações e também é uma declaração romântica. Ela fala sobre a importância da arte e sobre como, através dela, conseguimos nos questionar sobre quem somos. Mas também fala sobre essa capacidade que a arte tem de trazer uma certa leveza diante dos dias difíceis e de potencializar as nossas relações”, explica o músico.
Os três singles apresentam lados diferentes do trabalho de Jonston. Enquanto Devolva-me trata de ausências e autoconhecimento, Jogo do bicho aborda conflitos internos que acabam prejudicando os relacionamentos. Já Arte fala da possibilidade de encontrar algum conforto na companhia de outra pessoa, mesmo quando as respostas para certas perguntas parecem distantes.
No Olho da Cara, Jonston fez parte da cena underground do ABC Paulista. Agora, em carreira solo, aproxima a canção brasileira de referências do indie contemporâneo. O novo projeto foi gravado no Último Estúdio, com produção de Lou Alves, da banda Walfredo em Busca da Simbiose, e participações de Renan Vasconcelos e Saudade.
Arte já está nas plataformas digitais, com distribuição da Virgin Music Group. O álbum de estreia de Aquele Jon ainda não tem data de lançamento anunciada.
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