Cultura Pop
Dez + 1 clássicos de John Entwistle no The Who

O The Who, que vem pro Rock In Rio, funcionou desta forma por anos: Pete Towshend era o filósofo, poeta, compositor e rei das palavras de ordem do Who. Roger Daltrey era o vocalista carismático, com pegada de ator e pinta de gatão das gatinhas. Keith Moon era o baterista demolidor, autodestrutivo e insano. E o que sobrava para John Entwistle, baixista da banda, cuja morte completou quinze anos nesta terça (27)?
Bom, sobraram a fama de cara quieto (incomodava tanto o músico que ele fez uma canção sobre o assunto) e de sujeito irônico, dono de um humor negro e bizarro (basta ver o cenário de terror da capa de seu primeiro disco solo, Smash your head against the wall, de 1971). E sobrou também a função de, com seu baixo, funcionar simultaneamente como baixo e guitarra nos shows da banda – para cobrir o buraco dos overdubs de guitarra de Townshend e aumentar a massa sonora dos shows do grupo.
Para quem prestou a devida atenção no trabalho de Entwistle – que sempre ganhava uma ou duas faixas solo nos discos do Who e roubava a cena – rolaram também outras impressões: compositor afiado, letrista observador e irônico, sujeito perspicaz e quase tão performático quanto Daltrey, Moon e Townshend, mas a seu modo. Confira abaixo dez músicas dele feitas para os álbuns do Who (mais um bônus). Todas elas, você tem que ouvir. E agora!
“WHISKEY MAN” (do LP A quick one/Happy Jack, de 1966). Rock psicodélico com estrutura de cantiga infantil – e letra narrando a história de um alcoólatra que tem um amigo imaginário, o Whiskey Man, e acaba internado. Daria um filme que até hoje ninguém dirigiu. Em 1981, no disco Pleasant dreams, os Ramones (Joey Ramone, na verdade) usaram o refrão da música numa passagem de It’s not my place (In the 9 to 5 world).
“MEDAC” (do LP The who sell out, de 1967). Entwistle musicando o imusicável – a história de um garoto cheio de espinhas (e sofredor de bullying) que usava um remédio para a pele (o Medac do título, que existe de verdade) e terminava a canção falando: “Meu rosto está parecendo bumbum de neném”. Rende várias risadas.
“SOMEONE’S COMING” (single, 1968). Canção alegrinha, com estrutura de power pop, e metais tocados pelo próprio Entwistle. Saiu só no lado B do compacto norte-americano de Magic bus, e na coletânea subsequente, Magic Bus: The Who on tour (e anos depois no CD expandido de The Who sell out).
“COUSIN KEVIN” (do LP Tommy, de 1969). Mesmo compondo um trabalho extremamente pessoal – que foi o caso da ópera-rock Tommy – Towshend solicitou ao amigo Entwistle que compusesse duas canções para o disco. Ambas, por sinal, repletas de humor negro e histórias sombrias: Cousin Kevin descreve o relacionamento do personagem título com um primo abusivo, que o amarra na cadeira e o estupra. A outra, Fiddle about, põe na história o tio pedófilo Ernie.
“MY WIFE” (do LP Who’s next, de 1971). O lado B do single Baba O’Riley não estava no projeto original do amalucado disco conceitual Lifehouse, que gerou Who’s next, quinto álbum do Who. John chegou com a história de um cara que desapareceu de casa e estava com medo da esposa (a ponto de resolver comprar uma arma e contratar um segurança faixa-preta de judô), e acabou fazendo de tudo na música: cantou, tocou baixo, piano e metais.
“WHEN I WAS A BOY” (single, 1971). Lado B do compacto Let’s see action – nenhuma das duas músicas saiu em LP, só em algumas coletâneas – é o momento Elton John de Entwistle, uma triste balada sobre dores de crescimento e desencanto com a idade adulta.
“SUCCESS STORY” (do LP The Who by numbers, de 1975). Coube a Entwistle dar um momento de respiro num dos discos mais angustiados e tristes do Who (composto por Townshend, segundo o próprio, “doidão e me esvaindo em lágrimas”). Na letra, comentários sobre as armadilhas do sucesso, sobre rock e religião. O clipe da música, no filme The kids are alright (1979), mostrava Entwistle brincando de tiro ao alvo com discos de ouro.
“POSTCARD” (do LP Odds & sods, 1974). Um lado A de compacto composto por Entwistle: raridade. Saiu em 1974, foi incluída logo depois na coletânea Odds & sods – criada pelo próprio John para conter o mercado de discos piratas – e, na letra, trazia detalhes irônicos e sórdidos das turnês do Who.
“HAD ENOUGH” (do LP Who are you, 1978). John Entwistle, quem diria, tinha um projeto de ópera-rock, 905, que nunca saiu do papel. Há quem diga que a grande inspiração dele nessa época foi a romancista judaico-russa Ayn Rand, também queridinha do baterista e letrista do Rush, Neil Peart. A história girava em torno de um sujeito chamado 905, que tinha um roommate chamado 503. “E os dois eram absolutamente idênticos”, chegou a afirmar Entwistle. Who are you, o último disco da banda com Keith Moon, ganhou duas sobras desse projeto conceitual de Entwistle: 905 e Had enough. Essa última, cujos vocais são feitos pelo próprio Roger Daltrey, vazou para o lado B do single de Who are you e ganhou alguma projeção no rádio (e não tem nada a ver com I’ve had enough, música de Pete Townshend feita para Quadrophenia, de 1973).
“THE QUIET ONE” (do LP Face dances, de 1981). Cansado de cantar My wife e Boris the spider (outro hit de Entwistle no Who, que você possivelmente já conhece e nem colocamos nessa lista) nas turnês, o baixista decidiu fazer uma música nova só para substituí-la. Igualmente farto de ser considerado “o cara quieto” da banda, escreveu algumas palavras de desprezo para certas pessoas (jornalistas, inimigos, colegas) com os quais esbarrava na estrada. “Não sou quieto, todo mundo é que fala alto demais”, cantou.
https://www.youtube.com/watch?v=swy0SQriWAk
E + 1:
“MY SIZE” (música solo, do LP Smash your head against the wall, de 1971). Estreando em carreira solo no mesmo ano de Who’s next, John Entwistle surgia em tons um tanto mais sombrios e (em certos momentos) mais pesados do que os de sua banda de origem – a faixa de abertura, que continua o nome da música em um dos versos, parecia coisa do Black Sabbath. Muito impressionante.
Cultura Pop
George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)
Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube
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“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).
O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).
Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.
A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.
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A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.
Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.
Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.
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Cultura Pop
No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.
Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)
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Cultura Pop
No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).
Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
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