Cowpunk, punk blues, rockabilly e outras definições não dão conta de um fato: nos anos 1980, a banda angelena The Gun Club era uma das preferidas dos surfistas e dos skatistas, pelo menos aqui no Rio. Músicas como She’s like heroin to me, Carry home, Mother of Earth e várias outras, estavam entre as preferidas da galera que dropava nas ondas e no asfalto. Um clima geração-saúde que nada tinha a ver com o dia a dia do líder da banda, Jeffrey Lee Pierce, que passou vários maus bocados com drogas e álcool, tinha hepatite, e morreu de hemorragia cerebral aos 37 anos, em 1996.

Tinha o comecinho da banda, que permanece até hoje uma enorme lenda – durante o qual a turma tinha como guitarrista principal Brian Tristan, que depois adotaria o codinome Kid Congo Powers e viraria músico dos Cramps. Naquele momento, 1979, Pierce era o cabeça do fã clube do Blondie, e tinha Debbie Harry como principal inspiração. Tristan, por sua vez, chefiava uma agremiação angelena de fãs dos Ramones.

No pré-Gun Club, a turma – tinha ainda Don Snowden (baixo) e Brad Dunning (bateria) – tocava ainda covers de Bo Diddley, Marvin Gaye e Burning Spear, além de ouvir incessantemenete o jazz de Ornette Coleman. E a galera era mais chegada a um tom gótico do que à surf music, já que a banda se chamava Creeping Ritual (“ritual assustador”). Um período que não chegou a ser gravado.

“Tocamos um primeiro show, uma oportunidade que foi dada pelos Blasters, ou talvez pelo Keith Morris, do Circle Jerks. Não me lembro, mas lembro que nosso primeiro show foi no Café Hong Kong, em Chinatown. E nós éramos realmente terríveis”, disse Kid Congo ao New York Night Train, numa história oral da banda. “Isso foi provavelmente no final do ano de 1979, quando fizemos este primeiro show e demos nossa cara barulhenta, gótica, reggae e blues. Nossos amigos que tinham bandas realmente adoraram, mas eu acho que o público realmente odiou”. O músico chegou a afirmar também que se tratava de uma fase “muito arty para pessoas do rock, muito rock para pessoas da arte, muito doidona para a platéia do blues e também muito americana para o punk”.

Na sequência, Keith Morris ofereceu o nome The Gun Club ao grupo. Segundo Kid, em troca de uma colaboração – que Jeffrey realizou coescrevendo Group sex , faixa título do primeiro disco dos Jerks de 1980.

E aqui, toda a felicidade que era o Gun Club ao vivo, no Haçienda, em Manchester, com Fire of love. Pega aí.

Com infos também de The New Perfect Collection e Lounge