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Cultura Pop

“Church of anthrax”, John Cale & Terry Riley (1971) – descubra!

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"Church of anthrax", John Cale & Terry Riley (1971) - descubra!

A origem da música que você vai ouvir em “Church of anthrax”, disco de John Cale (ex-violista e guitarrista do Velvet Undeground) e o músico experimental Terry Riley, tem origem no período em que os dois trabalhavam com o Theatre of Eternal Music, dirigido no meio dos anos 1960 pelo músico LaMonte Young. Inspirada pelo movimento dadaísta e por texturas musicais feitas com poucos acordes, repetidos intermitentemente e de efeito vertiginoso (drone music, enfim), essa turma fazia shows com amplificação alta, usos de distorções e muita experimentação musical. E isso na época em que os Beatles nem sonhavam com “Sgt Pepper’s”.

https://www.youtube.com/watch?v=_8kpwVtlPcg

Eles também compunham músicas instrumentais com títulos como “The tortoise recalling the drone of the holy numbers as they were revealed in the dreams of the whirlwind and the obsidian gong, illuminated by the sawmill, the green sawtooth ocelot and the high-tension line stepdown transformer”. Olha um trecho aí.

Claro que isso influenciou muito o Velvet Underground, banda da qual Cale participaria após 1966. E vá lá, quem ama loucamente bandas de som “cerebral” como King Crimson também não vai estranhar nada do que vier dessa rapaziada aí. Sem a influência desse período ao lado de LaMonte Young (que era ligado ao mesmo movimento artístico do qual Yoko Ono fez parte, a turma novaiorquina do Fluxus), um som maníaco como “Venus in furs”, do Velvet Underground, jamais teria sido gravado desse jeito, em 1967. Dá para escutar bem alto a viola elétrica, com cordas de guitarra, de John Cale.

https://www.youtube.com/watch?v=iLQzaLr1enE

Vale citar que após 1970, LaMonte cairia de cabeça no universo da música indiana, assim como seu eterno aluno Terry Riley. Olha os dois aí, junto com o mestre indiano Pandit Pran Nath, ao lado de outra integrante do Theatre, Marian Zazeela .

Em 1970, com Cale já fora havia bastante tempo do Velvet, ele descolou um contrato com a Columbia Records – aparentemente para fazer o que quisesse. Pouco antes de lançar seu primeiro disco solo, “Vintage violence”, Cale conseguiu gravar um disco ao lado do seu amigo Riley, por sugestão da gravadora, e seguindo fielmente as ideias desenvolvidas na época em que trabalhavam com LaMonte. Era “Church of anthrax”. “Foi uma ideia da companhia: colocar nós dois no estúdio e ver o que acontecia”, contou John Cale aqui. “Fizemos como uma peça de piano e colocamos dois bateristas nela. Terry tinha o lance de colocar blues e ragtime juntos, e criar peças cujos tempos não combinavam. Era como se ele pusesse um metrônomo na mão esquerda e outro na direita, ambos com pausas diferentes”.

Olha o disco aí. Se você nunca ouviu “Church of anthrax”, é a chance. No disco, Cale toca piano, harpiscórdio, viola elétrica, guitarra, baixo e órgão. Riley toca piano, órgão e sax soprano. Nas baterias, Bobby Colomby e Bobby Gregg. Nos vocais da única faixa cantada do disco, “The soul of Patrick Lee”, Adam Miller.

https://www.youtube.com/watch?v=unyEmu2gdV8&t=1530s

Vale citar que Terry Riley é o homenageado no título de nada menos que “Baba O’Riley”, do The Who (que também tem uma introdução de sintetizador bastante circular e meditativa).

Cale já tinha procurado a mesma Columbia, por meio de sua subdivisão de música clássica, para tentar fazer um LP com a obra de La Monte Young. Não rolou. “Eles falaram: ‘Sim, conheço a obra de LaMonte, mas o problema é que ela é restrira a um círculo que vai ficando cada vez menor, não maior’. Não fui muito persuasivo”, continuou. O próprio “Church…” ficaria preso nos arquivos da gravadora por quase um ano e só sairia em 10 de fevereiro de 1971. Em março de 1970, Cale lançava seu primeiro disco solo, “Vintage violence”, que soava quase pop se comparado ao Velvet e ao disco com Riley – era um som básico de rock, nada nem tão diferente do que Lou Reed faria em certos discos solo. OIha aí.

Drone music de meter medo: Cale produziu o controverso segundo disco da chanteuse do Velvet Underground, Nico. “Marble index” saiu em 1968 e trazia basicamente música de vanguarda, mântrica, com poucos acordes, tocada num harmônio. O resultado de músicas como “Lawns of dawns” era, digamos, bastante perturbador. O disco saiu por um selo de alto porte, a Elektra, mas fracassou e deixou Nico no limbo. Ao questionar o amigo Cale sobre as baixas vendagens, ouviu do produtor a pergunta: “Nico, você acha possível vender o suicídio?”.

E aqui, todo o minimalismo de Terry Riley num clássico disco seu de 1969 que saiu até antes de “A church…”, “A rainbow in curved air”. Esse disco foi reeditado recentemente em formato digital.

Olha aí Cale fazendo comentários recentes sobre Trump (antes da eleição do presidente, que ele classificou como “amedrontador”) e sobre a morte do amigo David Bowie (ocorrida poucos meses antes desse vídeo). O vídeo de “Lazarus”, ele disse ser “perturbador”.

E olha Terry Riley aí, em 2015, num concerto com amigos músicos em Amsterdã. Uma hora

Cultura Pop

George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

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George Harrison (Reprodução YouTube)

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)

Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube

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“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).

O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).

Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.

A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.

A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.

Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.

Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.

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Cultura Pop

No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

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Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.

Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)

Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.

Mais Pop Fantasma Documento aqui.

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No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

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No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a "Jagged little pill"

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).

Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.

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