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Cultura Pop

Lembra daquela vez em que o Black Sabbath fez rap com Ice-T?

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Lembra daquela vez em que o Black Sabbath fez rap com Ice-T?

Os fãs do Black Sabbath podiam respirar mais ou menos aliviados em 1994, já que a banda parecia finalmente ter se acertado com o vocalista Tony Martin. O grupo lançava um disco bem interessante, Cross purposes, e vinha ao Brasil como parte integrante do festival Philips Monsters Of Rock.

https://www.youtube.com/watch?v=qcD1HFD2TUM

O show em São Paulo (único da banda por aqui, na época), aconteceu em 27 de agosto daquele ano e dava um mimo aos fãs: a presença na cozinha do Black Sabbath de ninguém menos que o baterista da fase áurea do grupo, Bill Ward, em substituição a Bobby Rondinelli, que gravara Cross purposes. Olha a apresentação aí embaixo.

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Agora corta para 1995, ano em que o Black Sabbath lançou um de seus discos mais estranhos, Forbidden. Geezer Butler, baixista e fundador, tinha deixado o Sabbath por ter ficado chateado com Cross purposes e montou o projeto GZR. Mesmo tendo gente como Cozy Powell (bateria) e Neil Murray (baixo) na formação, o Sabbath – completado pelo líder Tony Iommi (guitarra), por Geoff Nicholls (teclados) e por, claro, Tony Martin (vocal) – conseguiu realizar um álbum que crítica e público consideram o pior da banda. E que os músicos da formação da época costumam variar entre falar que é “muito ruim” e “não é tão ruim assim”.

Para afastar a zica ligada ao disco, Tony Iommi está trabalhando desde o ano passado num remaster de Forbidden. A ideia é ressaltar as qualidades do álbum – que, vá lá, são muitas. “Eu sei que Cozy (Powell) nunca ficou feliz com seu som de bateria, e nenhum de nós estava realmente feliz com o som daquele álbum. Então espero que agora tudo soe melhor”, chegou a afirmar Iommi. Martin. por sua vez, confessou que chegou a chamar o disco de “porcaria”, mas admitiu que as músicas funcionaram bem nos ensaios e o material soava bom. Só que, na mesma época, já começaram a circular rumores de uma reunião dos músicos da formação clássica do Black Sabbath com Ozzy Osbourne, que deixaram uma pulga enorme atrás da orelha do vocalista (e a tal reunião, de fato, aconteceria em breve).

Metaaaaal!: Ice-T cabeludão em 1989

Na época, Martin chegou a apelidar o disco de “Rap Sabbath”. Tudo porque a gravadora IRS teve a ideia inicial de produzir uma espécie de reedição do encontro do Run DMC com o Aerosmith no disco novo do Sabbath. E tanto tentaram que conseguiram: o selo sugeriu – segundo Iommi – que a banda tivesse uma participação do rapper Ice-T no disco.

Olha aí The illusion of power, a contribuição ame-ou-odeie do rapper, cantor e ator (da série Law and order) Ice-T.

Além de fazer um rap de dezesseis segundos na canção, Ice-T acabou levando ninguém menos que seu colega no grupo de heavy metal Body Count, o guitarrista Ernie C., para produzir o disco. Martin deu uma entrevista certa vez falando que curtiu o trabalho com Ice T – até por não se tratar de um rap “comum” – e com Ernie. Só que no começo complicou um pouco.

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“Não sabíamos o que Ice-T ia cantar… Na verdade, ele não sabia o que nós íamos escrever, e nós não sabíamos o que ele ia fazer rap! Então foi meio rap pelo correio, se você quiser pode chamar assim. Nós fizemos as músicas no Reino Unido, mandamos uma delas para ele, ele participou e mandou de volta. Ficou muito bom”, contou aqui.

Já Cozy Powell, no mesmo papo, afirmou que apesar da exigência da gravadora de que Ice e Ernie estivessem em Forbidden, o que mais interessava à banda era que os dois tinham sido influenciados pelo Black Sabbath, e não a possibilidade de fazer um disco de rap. Seja como for, o próprio Iommi já declarou em entrevistas – dadas bem próximo do lançamento de Forbidden, por sinal – que não ficou satisfeito com o resultado do disco, até porque a banda não permaneceu unida durante a gravação, nem participou do resultado final.

Aliás, aproveita e pega aí Ice-T revelando que o Black Sabbath foi, de fato, uma grande influência para que ele montasse o Body Count. Cross purposes e Forbidden estão, só para registro, fora dos serviços de streaming.

 

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Cultura Pop

Raridade: recuperaram papo de Ian MacKaye para a revista Panacea, em 1994

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Auto-intitulada “a revista brasileira de quadrinhos (e outros bichos)” a revista Panacea fez muitas cabeças nos anos 1990 – na verdade, foi um zine transformado em revista, pela jornalista Gabriela Dias. hoje colunista da Revista Caju. E foi ela quem conduziu um papo com Ian MacKaye (Fugazi, Minor Threat) em 1994, quando o grupo se apresentou no desbravador festival Belo Horizonte Rock Independente Fest (o popular BHRIF).

Encontrar algum número da Panacea dando sopa é complicado – volta e meia aparece algum à venda no Mercado Livre. Em compensação, pegaram a tal entrevista de Ian MacKaye, bateram tudo e subiram no site Issuu. “Em 2003 copiei o texto, diagramei, imprimi e distribui entre alguns amigos. Na época eu não revisei, também não sabia diagramar e muito menos o que era leiturabilidade”, diz a pessoa, que passou horas batendo a conversa.

Na abertura do papo, Gabriela explica que Ian é “obsessivo, gentil, atencioso”, mas “simples, direto e ríspido”. Os dois lados do músico, conhecido pelo mergulho total na atitude punk e pelo “não se vender” levado à máxima potência, ficam bem claros no papo.

>>> Veja também no POP FANTASMA: Quando Guy Picciotto (Fugazi) cantou enfiado numa cesta de basquete

MacKaye recusa-se a dar conselhos aos repórteres sobre como fazer a cena independente funcionar no Brasil (“vocês não precisam de um americano para dizer como fazer as coisas”, esbraveja) e foge de fazer comentários sobre colegas, mesmo que positivos. Mas diz que Henry Rollins, quando foi cantor do Black Flag, foi roubado pelos donos da gravadora SST. E reclama que as majors, uma tentação a qual o Fugazi nunca cedeu, são ambiciosas demais. “A especialidade delas é pegar um pedaço de merda, dar uma polida e fazer um disco”, diz ele, por sinal amigo de Rollins desde a infância.

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“Não é interessante ser parte de uma major. É chato. Às vezes eu penso: ‘Deus, todos os meus amigos são milionários e famosos, e eu sou este carinha que é fiel ao próprio mundo. As pessoas pensam que uma banda como Rage Against The Machine é que é radical. Como se pode ter raiva da máquina quando se é parte dela?”, prega Ian.

Tá aqui a conversa toda. Leia antes que suma.

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Cultura Pop

Bob Dylan elogiando Madonna

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Bob Dylan elogiando Madonna

Em 1991, Bob Dylan afirmava à American Songwriter que desprezava o pop. O cantor, que tinha lançado um ano antes o disco Under the red sky, elogiou compositores como Brian Wilson e Randy Newman, e disse que ninguém deve se guiar pelas canções de um arista pop. Mas falou bem de ninguém menos que Madonna.

“O entretenimento pop não significa nada para mim. Nenhuma coisa. Você sabe, Madonna é boa. Madonna é boa, ela é talentosa, ela une todos os tipos de coisas, ela aprendeu suas coisas … Mas é o tipo de coisa que leva anos e anos da sua vida para você ser capaz de fazer. Você tem que se sacrificar muito para fazer isso. Sacrifício. Se você quer se tornar grande, você tem que sacrificar muito. É tudo igual, é tudo igual”, disse, rindo.

Bob também fez um comentário bem interessante sobre Jim Morrison quando ouviu que o hoje negacionista militante Van Morrison o considerava o maior poeta vivo. “Os poetas costumam ter finais muito infelizes. Veja a vida de Keats. Olhe para Jim Morrison, se você quiser chamá-lo de poeta. Olhe para ele. Embora algumas pessoas digam que ele está realmente nos Andes”, afirmou.

O repórter da revista perguntou se ele achava que isso era verdade e Dylan saiu fora da resposta. “Bom, nunca passou pela minha cabeça pensar de uma forma ou de outra sobre isso, mas você ouve isso por aí. Pegando carona nos Andes. Montando um burro”, disse.

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Uma revelação que Bob fez no papo é a de que ele prefere, no piano, as teclas pretas para trabalhar. “E elas soam melhor na guitarra também. Às vezes, quando uma música tem uma tonalidade bemol, digamos Si bemol, leve para o violão, você pode querer colocá-la em Lá”, diz. “Quando você pega uma música de tecla preta e a coloca no violão, o que significa que você está tocando em lá bemol, muitas pessoas não gostam de tocar nessas teclas. Para mim não importa”.

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Cultura Pop

Quando Syd Barrett fez resenha de David Bowie

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Quando Syd Barrett fez resenha de David Bowie

A Melody Maker, publicação britânica de música, tinha o hábito de pedir a artistas conhecidos que comentassem lançamentos da época. Em 1967, Paul McCartney chegou a fazer uma resenha (falando bem) de Purple haze, single do Jimi Hendrix Experience. E caiu para ninguém menos que o novato (na época) Syd Barrett analisar um single de um cantor mais novato ainda: Love you till tuesday, de David Bowie.

Segundo a Far Out Magazine, algum emissário da revista visitou o Pink Floyd durante a gravação do single Bike, levou a canção para Syd ouvir e extraiu dele várias opiniões sobre o disco. “Sim, é um número de piada. Piadas são boas. Todo mundo gosta de piadas. O Pink Floyd gosta de piadas”, escreveu/falou o cantor da banda. “É muito casual. Se você tocar uma segunda vez, pode ser ainda mais uma piada”.

A animação de Barrett terminou aí. O cantor ainda disse que as pessoas iriam gostar da letra e de suas brincadeiras com os dias da semana. Mas… “Muito alegre, mas não acho que meus dedos do pé estavam batendo”, afirmou. Ironicamente, Barrett era uma das maiores referências de Bowie em sua primeira fase de carreira, e continuaria sendo uma sombra enorme no trabalho dele por vários anos. Olha Bowie nos anos 1970 cantando See Emily play, do Pink Floyd.

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“Syd foi uma grande inspiração para mim Ele era tão carismático e um compositor surpreendentemente original”, afirmou Bowie em 2006, quando Barrett morreu. “Além disso, junto com Anthony Newley, ele foi o primeiro cara que ouvi cantar pop ou rock com sotaque britânico. Seu impacto em meu pensamento foi enorme. Um grande pesar é que nunca o conheci. Um diamante, de fato”.

Seja como for, nem Love you till tuesday nem o primeiro disco de Bowie, The world of David Bowie (1967) fizeram sucesso algum. E olha que o cantor e seu empresário tentaram, já que saiu até um filme com pequenos clipes do disco. A gente falou disso aqui.

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