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Cultura Pop

Big Science, de Laurie Anderson, de volta em vinil vermelho

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Big Science, de Laurie Anderson, de volta em vinil vermelho

Para um disco tão pouco digerível quanto Big science (1982) dá para dizer que Laurie Anderson conseguiu bastante sucesso. O álbum, estreia dela, saiu pela grandalhona Warner. E mesmo vendendo modestamente (pouco mais de 150 mil cópias) manteve a artista na gravadora. Aliás, gerou mais e mais interesse sobre seu trabalho, bastante desafiador e repleto de referências.

A novidade é que Big science acabou de ganhar um relançamento, só que dessa vez em vinil vermelho. O álbum chega às lojas com o som da remasterização de 2007. Incluindo (claro) o hit O superman, que havia sido lançado em single. E cujo sucesso no Reino Unido, inclusive, surpreendeu bastante a cantora.

O som ouvido em Big science, vale dizer, não era de todo estranho a quem acompanhava o mundo pop-rock mas tinha o ouvido aberto a coisas mais malucas. Brian Eno, Yoko Ono e boa parte da fase Berlim de David Bowie são as referências-guia mais tranquilas. Por acaso, Laurie Anderson também não era de todo estranha ao mundo pop e ao mercado fonográfico.

>>> Veja também no POP FANTASMA: Puppet Motel: o game de Laurie Anderson

Bem antes do primeiro disco, ela já tinha feito uma sinfonia baseada em buzinas de automóveis (!), ilustrara revistas em quadrinhos (uma delas publicada pelo pai do ator Leonardo DiCaprio) e costumava se apresentar em Nova York fazendo performances. Também lançara trabalhos nos discos da Giorno Poetry Systems, um canal de poesias por telefone criado pelo poeta John Giorno, e que volta e meia lançava compilações em vinil (você já leu sobre isso no POP FANTASMA).

Tudo considerado, Laurie era mais uma artista ligada ao que havia sobrado da contracultura dos anos 1960/1970 do que exatamente um nome do pop-rock. Só que ela decidiu lançar um single com a tal música O Superman, inicialmente por intermédio de um selo chamado One Ten Records. O selo havia sido criado pelo seu diretor de palco, B. George, que pôs em disco várias aventuras musicais de artistas visuais de Nova York.

O Superman foi lançada originalmente como “uma canção visual e também musical”. Afinal, nos shows, Laurie fazia sombras numa tela atrás dela com a mão esquerda (enquanto tocava teclado com a direita). Parecia uma canção sofisticada demais, mas foi amplamente divulgada pelo DJ britânico John Peel, da BBC, e virou um sucesso inesperado. Aliás, tão inesperado que a Warner acabou procurando Laurie e oferecendo um contrato de gravação.

>>> Veja também no POP FANTASMA: Tirando onda: aprenda a tocar flex-a-tone

Tanto o disco Big science quanto O Superman traziam mais uma salada de referências. Aliás, ambos eram pequenas referências no meio de um enorme universo que faria todos os autores de óperas-rock roerem os cotovelos de inveja.

O single trazia trechos chupados da ópera El Cid, de Jules Massenet, do Tao Te King e, segundo Laurie, dava para achar ali até referências até ao escândalo dos Irã-Contras (quando figurões do governo do americano Ronald Reagan venderam armas ao governo do Aiatolá Khomeini). Já o disco de estreia de Laurie era o resumo de uma espetáculo de oito (oi-to!) horas chamado United States Live, apresentado em duas noites e depois resumido numa caixa de cinco LPs lançada em 1985.

Depois da estreia, a carreira de Laurie foi migrando para outras expressões artísticas, como o cinema (o show Home of the brave, de 1985, virou filme e disco em 1986). E ganhou contornos menos experimentais em Strange angels, disco de 1989 que tinha sua música de maior apelo comercial já lançada, Babydoll, além de uma sonoridade que lembrava um Tom Waits mais sóbrio. Nos últimos tempos Laurie Anderson vem gravando bem pouco, sumiu dos palcos justificadamente por causa da pandemia, e vem fazendo uma série de palestras online. E, enfim, Big science está de volta.

Ricardo Schott é jornalista, radialista, editor e principal colaborador do POP FANTASMA.

Cultura Pop

George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

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George Harrison (Reprodução YouTube)

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)

Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube

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“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).

O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).

Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.

A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.

A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.

Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.

Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.

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Cultura Pop

No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

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Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.

Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)

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Cultura Pop

No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

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No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a "Jagged little pill"

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).

Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.

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