Não, Millie Jackson nada tem a ver com a família de Michael Jackson. A cantora de soul e disco music Mildred Virginia Jackson nasceu em 1944 em Thomson, Georgia – a turma dos Jackson 5 veio de Gary, Indiana. Ex-modelo, ela seguiu pelos anos 1970 e 1980 emplacando hits, gravando colaborações certeiras (com nomes como Isaac Hayes e Elton John) e realizando shows em que misturava humor e música, com vários textos falados em meio às canções.

Em 1989, lançou um de seus discos mais conhecidos, o ao vivo Back to the s**t, que muita gente conhece das listas de álbuns com capas bizarras, que volta e meia circulam na web. É o da capa abaixo.

Aquela vez em que Millie Jackson mandou todo mundo se f...

“Pô, que legal, sempre vi a capa desse disco mas nunca ouvi”, você pode estar dizendo. Vai lá.

Esse álbum prenunciou uma fase de menor regularidade de lançamentos de Millie, e trazia músicas gozadoras como Love stinks (não é aquela canção irônica da J. Geils Band) e o segmento falado Muffle that fart (“abafe aquele peido”).

Pouco antes disso, em 1983, ela tinha lançado E.S.P. (Extra Sexual Persuasion), disco tomado por zoações sexuais. A onda fitness que tomava conta do dia a dia de garotos e garotas – e que levara até mesmo Arnold Schwarzenegger a soltar um LP de exercícios para manter a forma – era devidamente sacaneada nas duas partes de Sexercise.

Isso porque em 1979, ela tinha lançado um disco duplo ao vivo, Live & uncensored, já apontando para o fato de que seus shows eram repletos de piadas de baixo calão e zoações para todos os lados. Tanto que Millie não viu o menor problema em incluir em seu show uma paródia de temas das música clássica, em que a única frase da letra é “fuck you”. Para não ofender fãs mais conservadores, batizou o lance como Phuck U symphony.

Olha ela aí apresentando sua obra ao vivo em 1980 em Londres. Se hoje palavrões causam horror em muitos conservadores, tinha uma época em que só a proximidade de um “fuck” fazia todo mundo peidar de rir.

Pega o disco inteiro aí. De nada.