Ideia boa, a do Bruno Eduardo, criador do site Rock On Board. De tanto ver por aí canais especializados em “crianças reagem a…” (tem um muito bom aqui no Brasil, o Janela Da Rua), ele resolveu criar uma série de vídeos no mesmo estilo. Só que mostrando crianças reagindo a bandas de rock. Para o primeiro vídeo, pegou a filha dele, Mariana (9 anos), e botou a menina para ouvir o som da banda brasileira Far From Alaska.

Mariana já é youtuber e tem um canal chamado Princesa Rubro-Negra – por causa do canal, já deu entrevista pra Fox Sports. A desenvoltura da filha animou Bruno a continuar a série, que é publicada no canal do Rock On Board no YouTube, e que deve trazer agora outras crianças com ela. E focar mais em bandas novas, já que o objetivo é mostrar quais são os clássicos do rock das gerações mais recentes.

Você sabia que tem pais que implicam com o fato dos filhos pequenos ouvirem bandas como Muse, The Killers e Florence & The Machine? Bruno diz que isso aí existe sim, e que esse desgosto de pais roqueiros foi uma das motivações do canal.

“Sou da tese de que tem que ter renovação no rock. Estava conversando com colegas jornalistas, falando sobre bandas atuais. E muitos criticavam as bandas que os filhos ouvem, diziam que os filhos tinham que ouvir Pink Floyd, Led Zeppelin, Black Sabbath. Mas nossos filhos têm que gostar de bandas da geração deles. Até porque quando tiverem idade para ir a show, eles nunca vão poder ir a um show do Black Sabbath ou do AC/DC porque essas bandas já acabaram!”, conta Bruno, falando com a gente. “Fora que muitas vezes o filho não tem rock na rua, nem na escola. A maioria das crianças está inserida em música mais popular, tem desenho da Anitta na TV! A ideia é arrumar um jeito do rock colar no universo dessas crianças”.

Aquele papo saudosista de pais trintões e quarentões, de “ah, meu filho só fica na internet”, também entra na equação. “Muitas vezes os filhos não têm incentivo para verem as bandas que gostam. Escolhi o Far From Alaska porque é uma banda nova e a mais relevante do cenário de rock. Fazem turnês internacionais, têm dois discos ótimos, tem mulher cantando. Tem muito gancho para incentivar uma criança a gostar”, conta Bruno, que pretende fazer vídeos com bandas mais antigas. “Mas os vídeos vão ser principalmente de bandas nacionais e independentes”.

O canal do Rock On Board está servindo como um complemento bem interessante do site, trazendo o áudio de entrevistas feitas por telefone e vídeos sobre discos clássicos, como The real thing, do Faith No More, um dos discos da vida de Bruno – que certa vez quase trouxe Chuck Mosley, ex-vocalista do FNM, para um show no Brasil.