Crítica
Ouvimos: Afonso Antunes – “Filho único e convidados” (ao vivo)

RESENHA: Disco ao vivo de Afonso Antunes relê seu álbum solo Filho único em clima folk/blues, com banda e convidados, reinventando faixas e revisitando sua banda Alpargatos.
Texto: Ricardo Schott
Nota: 8,5
Gravadora: Frase Records
Lançamento: 21 de novembro de 2025
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Gravado ao vivo no Café Fon Fon, em Porto Alegre, ao lado de Paola Kirst, Pedro Cassel, Hebert Moah, Nego Joca e Lorenzo Flach (este último, na guitarra em todas as faixas), Filho único e convidados é a contrapartida ao vivo de Filho único, primeiro álbum solo do cantor e compositor gaúcho Afonso Antunes.
A ideia aqui foi trazer todo o repertório do álbum relido de maneira despojada e modificada, numa onda mais próxima do folk e do blues. Tanto que quase tudo de Filho único ganha uma cara levemente roqueira e experimental no disco ao vivo. Nesse clima, tem Se eu morresse amanhã, destacando os efeitos quase percussivos da guitarra de Flach (e com Paola Kirst nos vocais), o clima agridoce da balada Tanta coisa, o tom “perdido” e distante da faixa-título, de Pelas seis, e de Topografia – cuja letra retorna ao ciclo inicial do álbum, da linha do tempo começando na infância (“bem perto daquele menino que falava errado/e via tão certo”).
O resultado é que Filho único e convidados oferece mesmo uma segunda leitura do repertório, e não apenas uma lembrancinha para os fãs conquistados com o primeiro disco. Afonso ainda recorda a intensa Há vulcões em Porto Alegre (com Paola nos vocais, assim como já rolava na versão de estúdio), lançada apenas em single, e volta ao repertório de sua banda Alpargatos, relendo Pombais (bastante fiel ao original) e Confluência.
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Crítica
Ouvimos: Pabllo Vittar – “Prazer, Mamãe Noel” (EP)

RESENHA: No EP Prazer, Mamãe Noel, Pabllo Vittar cria um Natal divertido: tecnobrega, xote, dance e forró, com militância, amor livre e até ecos de emo e Queen — tudo em clima festivo.
Texto: Ricardo Schott
Nota:7,5
Gravadora: MTDRS
Lançamento: 20 de novembro de 2025
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Tem até militância LGBTQIAP+ em Prazer, Mamãe Noel, EP de Natal de Pabllo Vittar – mas o forte aqui é a criação de um disco divertido ligado a uma data que já recebeu um monte de discos-tributo cafonas. Tanto que o disco abre com Exatamente igual, tecnobrega-forró eletrônico zoeiro escrito como uma carta para Papai Noel (“só não me comportei em fevereiro”, avisa ela), e em seguida, vem um xote de Natal, A ceia (único feat do miniálbum, com participação de Dupê).
- Ouvimos: Capital Inicial – Movimento (EP)
A faixa-título é o lado dance music do trabalho – na real é uma versão do tema tradicional Jingle bells. Infinito abre como synthpop e cai dentro do forró, e é a única música que fala sobre amor e liberdade no disco (“tem espaço para nós dois / o medo de ontem já não sinto mais”). A curiosidade aqui é Não se esqueça de nós, canção pop que tem muito de emo, e do lado “rock sinfônico” do Queen.
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Crítica
Ouvimos: Lupino – “Esquinas”

RESENHA: Lupino mistura math rock com pop-rock 90s e ecos de emo, samba e pós-punk em Esquinas, criando um disco versátil, pesado e surpreendentemente melódico.
Texto: Ricardo Schott
Nota: 7,5
Gravadora: Independente
Lançamento: 3 de novembro de 2025
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Vindo de Florianópolis (SC), o Lupino faz uma interessante e incomum fusão de math rock com a vibe do pop-rock nacional dos anos 1990. Esquinas, primeiro álbum do grupo, tem ritmos quebradiços, climas musicais aprochegados do emo (como no romantismo de Melhor de ti, a faixa de abertura), mas volta e meia surgem até batidas de samba e ritmos funkeados em algumas faixas.
- Ouvimos: Flerte Flamingo – Dói ter
Mar calmo, por exemplo, tudo considerado, é math rock – mas tem peso, vibe lembrando Skank e entra até algo herdado de Jagged little pill (1995), de Alanis Morissette. Músicas como Noites de domingo, Chuva de verão e Abismo de começos unem a musicalidade do grupo com algum balanço nacional. Já Promessa de retorno varia entre riff circular de guitarra e melodia própria do emocore, e Cotidiano tem algo do pós-punk e da new wave nacionais dos anos 1980 na melodia e no arranjo.
A música, digamos, mais radiofônica de Esquinas é Submerso – chega a lembrar Adriana Calcanhotto, mas com sonoridade filtrada pelo pós-punk. Universos sonoros próximos do pós-hardcore surgem na melódica Inversão. E Muros ganha uma ambiência fria dada pelos teclados, além de um segmento eletrônico, com beats programados, que evoca o Turnstile.
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Crítica
Ouvimos: Clara Ribeiro e Chediak – “Desabafos” (EP)

RESENHA: Clara Ribeiro mergulha em beats eletrônicos e clima noturno em Desabafos, EP experimental feito com Chediak, entre r&b, folk texturizado e drum’n bass.
Texto: Ricardo Schott
Nota: 8
Gravadora: Speedtest / Deck
Lançamento: 14 de novembro de 2025
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Clara Ribeiro estreou em janeiro com o EP Amor para além do Atlântico Sul, lançamento do selo Banidos, de Duque de Caxias, Baixada Fluminense (RJ). Um disco entre o pop com cara marítima (e em tom levemente baiano), e o neo-soul, que pintava como uma tag forte em vários momentos. O novo EP, Desabafos, surge por mais um selo indie, Speedtest – só que dessa vez unido com a gravadora Deck.
- Ouvimos: Clara Ribeiro – Amor para além do Atlântico Sul
Dessa vez, Clara une seu som à “música elétrica” do compositor alternativo carioca Chediak, um cara cujo som passeia por vários elementos do som eletrônico. Chediak moldou composições, beats e arranjos ao lado dela, além de ter produzido as quatro faixas do disco – todas seguindo um clima mais experimental do que em Amor para além do Atlântico Sul. Na abertura, Escudo, um reggae que fala sobre mágoas que não se afogam (“o medo de pegar essa raiva no ar”) varia do dub ao drum’n bass e ganha a voz de Kbrum no rap.
Essa variação até o drum’n bass se torna a cara de Desabafos – mesmo o que parece mais tranquilo e acústico vai sendo enfeitado com beats intermitentes, como rola no folk texturizado de Minha estrela e no r&b gélido de Segredos. Lágrimas abre como balada r&b e faz lembrar a trip neo-soul do primeiro EP, mas com espaço para experimentar coisas novas, e um clima bem mais noturno.
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