Cultura Pop
“Ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais, que bom!”

Nos anos 1980, tinha uma propaganda da Alternativa, antiga marca de roupas, que mostrava vários “jovens” (vestidos com roupas da marca) numa mesa de trabalho, como numa reunião. Não vou me lembrar do texto integral do comercial, que apareceu em um monte de revistas e jornais, mas era um textão falando que os jovens queriam fazer tudo igual aos mais velhos, mas de forma diferente – uma espécie de revisão de valores caretas, neoconservadorismo, ou como quer que o lance todo fosse chamado. Esse “tudo” poderia, quem sabe, incluir coisas que se você quisesse realmente “fazer diferente”, não poderia nem pensar em fazer, mesmo que fosse de forma diferente – mas aí já é interpretação de texto demais.
O fator “fazer igual aos mais velhos, mas forma diferente”, apareceu rondando de forma diferente (olha!) o comercial de uma conhecida marca de automóveis que foi ao ar nesta terça (4). Maria Rita, filha de Elis Regina, e uma Elis recriada com Inteligência Artificial aparecem dirigindo numa estrada – a cantora de Samba meu numa ID.Buzz (equivalente atual, e elétrico, da antiga kombi), a de Fascinação “guiando” um utilitário vintage, numa aparição bastante… enfim, artificial. As duas dirigem lado a lado na estrada, cantando Como nossos pais, de Belchior, sucesso de Elis. Por sinal uma música que nunca falou sobre encontro de gerações: a letra fala sobre jovens que encaretaram e sobre padrões que não são mais questionados, e nada mais do que isso.
Em meio às aparições das duas, tem de tudo: jovens hipsters usando camisas com o rosto de Belchior, fazendo uma espécie de rave praiana com corrida de TLs; uma espécie de luau no teto de kombi; uma Brasília amarela lotada de instrumentos (referência aos Mamonas Assassinas, aparentemente); imagens unindo famílias, amigos, crianças, gols e fuscas. A ideia é comemorar 70 anos da empresa no Brasil e mostrar que a marca atravessou gerações. Mas se tem algum “fazer diferente” aí, ele só aparece rondando – e como na tal propaganda da Alternativa, passou bem longe da marca do gol.
O “ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais” da letra nunca representou o mesmo que a letra de Pais e filhos, da Legião Urbana. Aliás, sempre representou uma falta de contestação e um marasmo existencial do qual ninguém devia se orgulhar. A não ser que você ache que a ausência de conflito de gerações seja indício de maturidade, e claro que você está errado. Num comercial não há espaço para contestação, a não ser que essa contestação ajude a vender mais – o que não aconteceria no caso de um reclame cuja ideia é vender uma empresa como algo que “atravessa gerações”.
Para quem apenas é fã das duas cantoras, fã de Belchior e fã da canção, ficou só a impressão de que alguém não entendeu direito a letra e que Como nossos pais corre o risco de ser entendida no futuro de maneira completamente errada. Quase como um “ainda vivemos como nossos pais, que bom!”. E esse “fazer diferente” aí complicou.
Foto: Reprodução do YouTube
Cultura Pop
George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)
Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube
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“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).
O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).
Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.
A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.
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A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.
Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.
Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.
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Cultura Pop
No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.
Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)
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Cultura Pop
No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).
Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.
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