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Cultura Pop

“Vinde a mim as criancinhas”, diz o Templo Satanista dos EUA

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Tempo satanista dos EUA

Deu no site da BBC: desde 2001, a Suprema Corte americana permite que grupos religiosos ofereçam cursos extracurriculares a alunos da rede pública. Por causa disso, há várias igrejas católicas e evangélicas criando “clubes” de evangelização. E por que não os adoradores do tinhoso? Membros do Templo Satanista dos EUA resolveram aproveitar a oportunidade para questionar a onipresença de cursos cristãos nas escolas norte-americanas, e oferecer uma alternativa a crianças e pais.

Tempo Satanista dos EUA

Se você tá pensando que é brincadeira, olha aí o lápis de três pontas, simulando um tridente, que serve de logotipo para o programa After school satan (Satã depois da escola). A diretora do projeto, Chalice Blythe, chegou a falar com a BBC Brasil a respeito: “Se cursos religiosos são permitidos nas escolas, nós queremos espalhar nossos clubes por toda a nação para garantir que múltiplos pontos de vista estejam representados”. No site do programa, a turma faz questão de explicar que, sim, satanismo e escola combinam, e que a prática não pode ser deixada de fora dos mesmos lugares em que o cristianismo entra sem problemas.

Um pequeno vídeo explicando o que é o projeto e mostrando que… satanismo é divertido.

O Templo ainda criou um projeto de proteção ao abuso de crianças nas escolas (o vídeo abaixo contém cenas fortes).

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Livro de atividades das crianças satânicasObviamente o assunto tá gerando uma discussão enorme entre os que são contra e os que são a favor. Chalice Blythe diz que trata-se de uma religião como qualquer outra, e que “não ter crenças ou fundamentos supersticiosos não nos torna menos sinceros em nossas ações e convicções do que aqueles que mantêm a crença em uma divindade” (a tal adoração à imagem do diabo, diz ela, vem porque Satã é “um herege que questiona as leis sagradas e rejeita todas as imposições tirânicas”). O advogado constitucionalista John Eidsmoe diz que vai rolar uma enorme discussão sobre se o satanismo é ou não uma religião. E tem mais gente falando (mal) a respeito. “Este grupo não é legítimo. A única razão para ele existir é se opor aos Clubes de Boas Notícias (de ensino religioso cristão), onde ensinam a moral, o desenvolvimento do caráter, patriotismo e respeito, de um ponto de vista cristão”, afirmou à BBC Mat Staver, fundador do grupo evangélico Liberty Counsel (no tal link da BBC você acompanha toda a discussão).

E se na escolinha infantil você tinha a cartilha Caminho suave, acredite: as aulas das turmas infantis do Templo Satânico têm também um livrinho. Que é O grande livro de atividades das crianças satanistas, esse livrinho aí da capa acima. Olha só uns trechinhos dele aí embaixo. Ele custa US$ 9,95 (não testamos).

Guia de atividades das crianças satânicas Guia de atividades das crianças satânicas Guia de atividades das crianças satânicas

Se você já se amedrontou com a possibilidade de essa turma conseguir espaço em escolas públicas com seus grupos religiosos, por enquanto dá pra relaxar: no tal papo com a BBC, o Templo não confirmou se obteve permissão oficial de alguma escola para a criação dos grupos no próximo ano letivo, que começa em setembro.

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Cultura Pop

A chegada de David Bowie no século 21, no podcast do POP FANTASMA

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A chegada de David Bowie no século 21, no podcast do POP FANTASMA

David Bowie foi o homem que viu o futuro. Mas sempre de olho no que estava deixando para trás. E o que será que ele viu quando chegou no… futuro? Sim, porque afinal, imagina o cara que fez músicas como Starman e Space oddity chegando no século 21. No episódio 20 do Pop Fantasma Documento, nosso podcast, recordamos como andava a vida de Bowie na época do bug do milênio, da web 2.0 e de discos como Heathen (2002) e Reality (2003).

O Pop Fantasma Documento é o podcast semanal do site Pop Fantasma. Episódios novos todas as sextas-feiras. Roteiro, apresentação, edição, produção: Ricardo Schott. Músicas do BG tiradas do disco Jurassic rock, de Leandro Souto Maior. Arte: Aline Haluch.  Estamos no SpotifyDeezerCastbox Mixcloud: escute, siga e compartilhe! Ah, apoia a gente aí: catarse.me/popfantasma.

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Cinema

Versão checa de Alice no País das Maravilhas

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Versão checa de Alice no País das Maravilhas

O cineasta checo Jan Švankmajer (tido como grande influenciador até de nomes como Terry Gilliam, animador do Monty Python) tinha vontade de fazer uma versão de Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carrol, mas sem que o filme parecesse com um conto de fadas. Fez isso em 1988, quando lançou Alice, ou Něco z Alenky (o título original, que significa Algo de Alice). O filme de Jan mistura técnicas de stop motion (com os objetos que cercam Alice) e live action, e dá uma ideia bem louca do que acontecia no mundo de Alice. Mas é um filme para ser visto por crianças – nada a ver com aqueles dois pesadelos envolvendo o mundo da garota que o POP FANTASMA publicou certa vez (veja aqui e aqui).

“Alice é um dos livros mais importantes e surpreendentes produzidos por esta civilização”, afirmou certa vez Jan, que quis preservar a ideia original, de que o texto de Carroll havia sido escrito como um sonho. “Um conto de fadas tem um aspecto educativo: trabalha com a moral do dedo indicador levantado, o bem vence o mal. Já o sonho, como expressão do nosso inconsciente, persegue intransigentemente a realização dos nossos desejos mais secretos, sem considerar as inibições racionais e morais, porque é movido pelo princípio do prazer. Minha Alice é um sonho realizado”, afirmou.

Confira aí embaixo, com legendas em português.

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Cultura Pop

O primeiro disco do Blondie tá fazendo aniversário!

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Tinha muita gente, mas muita gente mesmo, que acreditava que o Blondie, lá por 1976/1977, seria a única banda a sair vitoriosa do CBGB’s – aquele clube de Nova York que na real, acabou revelando não apenas eles, mas também Ramones, Talking Heads, Television e muitas outras atrações. O Blondie era liderado por Debbie Harry (mulheres à frente de bandas eram caso raro naquele período) e, em plena era da cara feia punk, chamava a atenção por sorrir o tempo todo: os ensaios eram felizes, a música era alegre, o show era uma baita zona, o som era “divertido”.

Marty Thau, que contrataria inicialmente a banda para o pequeno selo Instant Records, achava que o grupo iria estourar no mundo todo. Bom, o livro Vidas paralelas, biografia do Blondie escrita por Dick Porter e Kris Needs, conta que Thau também havia falado o mesmo do New York Dolls – que, como é público e notório, não estourou tanto assim. Mas essa felicidade toda ajudou o Blondie a fazer um link musical que partiu do punk, chegou à new wave e atingiu até mesmo a disco music e o funk americano oitentista.

O epônimo primeiro disco do Blondie, que chega aos 45 anos no finzinho de 2021 (saiu em um dia qualquer de dezembro de 1976), foi meio “filho” de outra estreia epônima lançada havia pouco tempo – a dos Ramones. Craig Leon, que produziu o disco de Joey, Johnny, Dee Dee e Marky, fez os arranjos da estreia.

Craig ainda levou o Blondie para gravar no mesmo estúdio em que o Ramones gravaram sua estreia – o Plaza Sound Studios, no Radio City Music Hall, em Manhattan, onde big bands gravavam na época áurea do rádio. Richard Gottehrer, que ajudou a lançar Ramones e Talking Heads na Sire, e havia deixado o selo, produziu Debbie Harry (voz), Chris Stein (guitarra), Gary Valentine (baixo), Jimmy Destri (teclados) e Clem Burke (bateria).

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Se você nunca ouviu Blondie, o álbum, vai descobrir um som que corria o risco de parecer deslocado em 1976. Mas felizmente não foi o que aconteceu. Se os Ramones recauchutavam a surf music da década anterior, Debbie e seus amigos, em várias faixas do debute, davam aquele trato punk no som dos girl groups dos anos 1960. X offender, a primeira faixa, parceria da cantora com o baixista Gary Valentine, poderia ser uma faixa antiga das Ronettes, ou de Nancy Sinatra. Ou das Shangri-Las, que por acaso voltavam naquela mesma época com formação diferente e um show no CBGB’s.

O vespeiro ficava por conta do título e do tema originais da música. A canção se chamava originalmente Sex offender, e a letra falava originalmente da vez em que o Gary quase foi preso, aos 18 anos, por fazer sexo com sua namorada pouco mais nova que ele. O selo Private Stock, que topou lançar o disco (Thau queria um selo maior que a Instant para lançá-lo), pediu que o nome fosse trocado. Além do título, Debbie trocou a letra para algo mais “suave” – bom, Debbie preferiu falar, na letra, sobre o romance de uma prostituta com o policial que a leva para a cadeia.

O Private Stock era um selinho humilde, montado por um executivo chamado Larry Uttal, que sobrevivia basicamente da venda de singles a preços módicos e trabalhava com artistas nostálgicos e desconhecidos. Na prática, era como se a Legião Urbana, no Brasil dos anos 1980, fosse contratada pela Chantecler, e não pela EMI. Uttal, de todo modo, quando finalmente viu o Blondie ao vivo, achou aquele som até parecido com grupos doo wop dos anos 1960, como Rosie & The Originals.

Só que esse selo, pode acreditar, a única esperança para o Blondie, que naquela época era considerado uma “porcaria” por todos os executivos de gravadoras – com direito a comentários do tipo “a banda é boa, mas a vocalista é ruim”, “a vocalista é ótima, mas a banda é horrível”. Ninguém entendia o Blondie, e olha que não era uma banda “cabeça”, como os Talking Heads ou o Television. Paralelo a isso, o próprio casal Debbie-Stein usava os New York Dolls como paradigma de “até onde a gente pode chegar”, já que não havia perspectiva de sucesso real.

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Blondie, o disco, era uma zona – do bem, mas uma zona. O grupo gravou o álbum praticamente ao vivo, em agosto e setembro de 1976, com Goettherer se esforçando para manter a banda focada, já que o Blondie tinha várias influências e várias caras diferentes. O grupo passara por fases diversas até 1976: havia sido influenciado pelo glam rock, pelo rock britânico dos anos 1960, pelo começo da onda hard rock. E Debbie Harry ainda tinha passado por uma fase hippie que rendeu matérias na mídia e um disco com uma de suas primeiras bandas (você já leu sobre isso no POP FANTASMA).

No disco de estreia, o Blondie fazia surf music e proto-new wave (a animadaça In the sun), ameaçava uma mistura de krautrock e balada anos 60 (A shark in jets clothing) e encerrava o disco com uma microopereta punk de terror (The attack of the giant ants). Nomão do pop feminino dos anos 1960 e autora de canções para quase todos os girl groups da época, Ellie Greenwich fez vocais em Man overboard e In the flesh. Para a capa, a gravadora escolheu um clique de Shig Ikeida, com todo mundo sério na foto – mas era só aparência, estavam todos bêbados e Gary, em particular, estava quase caindo.

Com Blondie nas lojas, o grupo conquistou fama, e pouca grana – afinal a Private Stock era um selo pobre, mas logo logo o contrato da banda seria comprado pela Chrysalis, a gravadora de nomes como Jethro Tull. O grupo fechou 1976 com uma apresentação histórica no Max’s Kansas City, que chamou atenção não apenas pelo som, como pelo figurino dos integrantes: trajes na estica dos anos 1960 para os rapazes, e Debbie de vestido zebrado.

Por acaso, a partir daí, o Blondie brigaria diariamente para vender mais música do que imagem, e para não ser engolido pelo sexismo do mercado. Uma briga ao som de hits como One way or another, Hangin on the telephone, Call me, Heart of glass e vários outros.

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