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Urgente!: Véspera transforma faixa-título de seu álbum em canção densa e espacial

Lembra do Véspera? Uma banda cujo disco Nada será como era antes foi resenhado pela gente no ano passado? O Véspera vem de São Gonçalo (RJ) e faz um rock triste e esperançoso, turbinado por referências de estilos como britpop, post-rock e shoegaze. Na época falamos que é um álbum que fala sobre “ventos que viram de uma hora para outra, relacionamentos que acabam, amizades que esfriam, reencontros azedos e momentos em que, mais do que tudo, você precisa se esforçar para enfrentar o caos e manter a sanidade”.
Pois bem, o Véspera decidiu ampliar o recado da faixa-título do álbum, um tema ambient que abria o disco com uma frase simples na letra: “se tentar vai ver que machuca mais não sair de onde está do que se deixar levar”. Nada será como era antes, a canção, ganhou uma versão alternativa, intitulada Nada será // como era antes, com uma onda mais densa e espacial, revestida de influências de shoegaze e de climas progressivos. Ficou lindo.
“É a mesma música, mas atravessada por outro clima: mais espacial, mais quietinha, mais pra escutar com fone”, avisa o guitarrista e vocalista Igor Barbosa. A banda avisa que o lançamento faz parte de um projeto de “revisitar fonogramas e manter viva a narrativa do disco por outros caminhos sonoros”, o que indica que muita coisa do álbum vai ganhar cara nova.
Foto: Divulgação
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Urgente!: Christine Valença e Caetana unem Jackson do Pandeiro, protesto e 16mm em single e clipe

A carioca Christine Valença e a pernambucana Caetana resolveram finalmente tirar do papel uma ideia antiga: gravar uma música juntas. O encontro virou Coco do recado, faixa recém-lançada acompanhada de clipe.
As duas se conheceram há alguns anos e mantinham a vontade de colaborar. Quando decidiram compor, partiram direto para o coco, guiadas por referências em comum. “Com a melodia em mãos, fomos nos entendendo em nossas referências em comum, principalmente com Jackson do Pandeiro em mente, e assim fomos: nos aventurando em letras, e no que queríamos comunicar, as estruturas que gostaríamos de sacudir”, conta Christine.
“Caetana trouxe elementos do seu dia-a-dia, de questões de transfobia, de embate, rejeição, de momentos em que quis ser bastante assertiva, empoderada. Eu fui pra um lugar mais de de afeto, de memória, de evocar conselhos, encontros, em deixar essas raízes me envolverem. E aí a música foi nascendo em questão de uma a duas horas”, completa.
Produzida por Bruno Danton, da banda El Efecto, a gravação ainda reúne Aline Gonçalves nos sopros e Ná Chuva na percussão, com Christine também tocando órgão Hammond. As influências passam por Selma do Coco, repentistas e manguebeat, chegando até ecos de soul e gospel. O lançamento veio junto de um clipe filmado em 16mm, dirigido pela dupla baiana Espelho Lunar, que puxa imagens do cinema brasileiro e do carnaval nordestino.
Foto: Raiz de Maria / Divulgação
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Urgente!: Livro revisita Joy Division e New Order faixa a faixa e junta Sumner e Hook no mesmo projeto

Sai em 30 de março o livro Joy Division and New Order: Album by album, do jornalista Mayer Nissim, pela editora White Owl (capa abaixo). A proposta é passar faixa a faixa pela história, começando no peso cinza do Joy Division e chegando à fase dançante que colocou o New Order no mapa pop do planeta. Tem curiosidades de gravação e pequenas histórias de turnê espalhadas pelo caminho.
O chamariz maior é o fato de Bernard Sumner (voz, guitarra) e Peter Hook (baixo) terem topado colaborar com o livro e terem dado longas entrevistas – eles estão separados e brigados desde 2007, o que só aumenta o interesse dos fãs. No livro, eles relembram a travessia depois da morte de Ian Curtis (vocalista do JD) e como a banda trocou a ansiedade das guitarras por máquinas, pistas e um novo público nos anos 1980. Há memórias de estúdio, brigas e acordos realizados na pressão.
O texto abre o foco e chama gente de fora. Aparecem Peter Saville (designer gráfico da Factory Records, que lançou Joy Divison e New Order), Stephen Street (produtor), Ana Matronic (cantora do Scissor Sisters, soltou a voz com o New Order no hit Jetstream, de 2005) e o engenheiro Michael Johnson (o técnico de gravação que trabalhou no segundo disco, Power, corruption and lies, de 1983, e viu o New Order se libertar da herança do Joy Division, adotando synths e programações).
Essa turma aí fala da importância das duas bandas, das mudanças estéticas, e conta causos da Factory. Peter Saville reforça o coro da turma (Peter Hook incluído aí) que diz que Tony Wilson, dono da Factory, era um empreendedor pra lá de confuso. “A Factory nunca conseguiu funcionar como uma empresa”, diz, segundo o site Music-News. Stephen Street se revela feliz pelo fato do Joy Division ter se transformado em New Order, e não ter continuado sem Ian Curtis, o vocalista morto em 1980 (quem ouviu o episódio do nosso podcast Pop Fantasma Documento sobre o Joy Division, descobriu lá que eles bem que tentaram).
Para quem acompanha de perto, sobra a pergunta óbvia: rola reunião? Não há promessa nenhuma, claro: o New Order segue sem Peter e ele segue tocando material das duas bandas ao vivo. Mas que Joy Division and New Order: Album by album já sai com cara de livro definitivo, sai sim – inclusive porque a história dessas duas bandas tem mais furo que muito tijolo, e parece que muita coisa tá devidamente respondida aí.
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Urgente!: Flea lança single com releitura de Frank Ocean e antecipa mais uma vez disco solo de jazz

Tinha gente que nem sabia que Flea, o baixista dos Red Hot Chili Peppers, toca trompete – ele é enteado do músico de jazz Walter Urban e toca o instrumento desde criança. Aliás, nessa época, ele mal se interessava por rock e amava jazz. E, você já deve ter lido por aí, esse é o estilo que vai balizar Honora, disco solo de estreia do músico, que sai dia 27 de março pelo selo Nonesuch.
A ideia do álbum não é recente. Flea comenta esse projeto há décadas, quase como uma obsessão paralela mantida enquanto a agenda dos Chili Peppers engolia qualquer respiro. O resultado não tenta ser um “disco de baixista famoso”: é basicamente um trabalho de jazz centrado no trompete, o instrumento com o qual ele começou a se relacionar com música de forma séria.
Algumas prévias já circularam. A abertura, A plea, apresentou um clima jazzistico e experimental, bem distante da imagem funk-rock associada a ele (e já foi notícia aqui). E há também Traffic lights, feita com Thom Yorke — do Radiohead, e parceiro de Flea no Atoms For Peace — que aparece mais como participante de uma sessão do que como convidado pop. Agora tem nada menos que Thinkin bout you, do Frank Ocean, com Flea transformando o hit do disco Channel orange, de 2012, numa balada instrumental lenta e melancólica.
“Quando Channel orange saiu, me impressionou demais. Ouvi um milhão de vezes. Era algo que eu simplesmente não conseguia parar de ouvir. Eu amei muito e ainda amo. Foi um daqueles discos que marcaram um momento decisivo para mim”, disse o músico.
A música, aliás, foi uma das primeiras coisas que ele publicou ao criar seu canal no YouTube: um vídeo tocando para o filho Darius (acima). No disco, a faixa ganha arranjo de cordas assinado por Nate Walcott, do Bright Eyes. Ele próprio grava trompete e baixo elétrico, enquanto a australiana Anna Butterss segura o contrabaixo acústico. Outras releituras passeiam por territórios ainda mais improváveis, como Maggot brain, do Funkadelic, e Wichita lineman, clássico country gravado por uma porrada de gente, e eternizado por Glen Campbell.
Mais do que curiosidade lateral na carreira, Honora parece funcionar como um retorno a uma identidade anterior ao Red Hot Chili Peppers. Em vez de ruptura, soa como uma correção de rota: o disco que provavelmente teria existido se o adolescente Michael Balzary (seu nome verdadeiro) tivesse continuado apenas naquele primeiro amor pelo jazz.


































