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Cultura Pop

Tem isso: unblack metal, o black metal de Cristo

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Tem isso: unblack metal, o black metal de Cristo

Quem ouve o som da banda americana Vials Of Wrath e não presta atenção nas letras, pode até nem desconfiar. O grupo, que une som extremo e tons ambient, faz a mesma gritaria e o mesmo som pesado de uma banda de black metal. Só que é uma banda cristã. E são considerados expoentes de um gênero musical chamado unblack metal. Olha aí a quilométrica A greater calling, de 2013

O unblack metal é black metal com temática cristã. Sob (quase) as mesmas bases melódicas, mas com letras de louvor. Não é a mesma coisa que o white metal, o metal cristão que fez sucesso após os anos 1980. E que tem expoentes como o Stryper, cujo líder Michael Sweet chegou a fazer um show solo no Brasil ano passado.

Apesar das influências serem basicamente as mesmas das bandas de black metal, a ideia do unblack é fazer uma resposta cristã a grupos como Venom, Empaled Nazarene e Rotting Christ. Boa parte das letras fala de conversão a Cristo, arrependimento, milagres e da luta contra os demônios.

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Uma estação de TV católica da Polônia fez uma reportagem há alguns anos sobre o unblack metal. Tá em duas partes no YouTube. Evidentemente o vídeo é falado em polonês, mas tem legendas em inglês.

Interessante é constatar como algumas pessoas começaram a fazer esse tipo de som (ou a ouvir) por gostarem de heavy metal, mas não se sentirem identificadas com os temas ou o way of life costumeiramente associado ao estilo. “Cresci indo a shows de heavy metal e todo mundo estava bêbado na plateia. A primeira vez que fui a um show desses e voltei para a casa bêbado, prometi que não iria mais fazer isso”, conta um depoente no começo, arrependidíssimo.

Quem conhece o estilo, costuma classificar o disco único da banda-de-um-homem-só Horde como o primeiro álbum de unblack metal do mundo. Hellig usvart saiu em 1994. Vindo de um lugar improvável para o black metal (a Austrália), o Horde era liderado pelo batera Jayson Sherlock, que tinha tocado em bandas locais de black e death metal, mas não se identificava com as letras.

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O músico, que tem álbuns do Gojira e do Sepultura entre seus discos preferidos de metal secular, montou o Horde. Para assinar os discos, adotou o pseudônimo Anonymous. Muita gente não levou nem um pouco a sério a banda. O codinome de Sherlock foi interpretado por uma turma numerosa como zoação com o Euronymous, guitarrista da banda de black metal Mayhem, morto em 1993. Por causa da canção abaixo, Invert the inverted cross (“inverta a cruz invertida”), alguns jornalistas chegaram a achar que o disco era uma paródia do black metal norueguês.

https://www.youtube.com/watch?v=99tpwaZG_wA

Já isso aí são os 47 segundos de Blasphemous abomination of the satanic pentagram. Desnecessário traduzir.

Tem também o Holy Blood, que vem da Ucrânia e traz um pouco de fofura e senso melódico ao tal unblack metal, misturando climas densos e sons folk. Diversidade e tolerância são armas do Holy Blood: o site do grupo anuncia shows em que dividem o palco com bandas cujos nomes não são nada cristãos. Tem o Pregnant Whore (Puta Grávida), Middle Finger (Dedo do Meio), etc.

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Já a banda norueguesa Antestor fez barulho na cena, por alguns motivos: 1) Foi contratada por um selo especializado em black metal formal, o Cacophony, que lançou bandas de tacar pedra na cruz, como Cradle Of Filth e Dimmu Borgir; 2) Recebeu ameaças de bandas satânicas algumas vezes; 3) Deu emprego a um ex-baterista do endiabradíssimo Mayhem, Jan Axel Blomberg, que tocou em The forsaken, disco de 2005.

“Nunca ouvi falar dessa banda”, você pode dizer. Para seu conhecimento, eles já vieram ao Brasil. Olha eles aí no Teatro Odisseia, no Rio.

https://www.youtube.com/watch?v=HJ2pUFG7Hnw

Aliás, na mesma turnê, em Belo Horizonte, “fãs” radicais de metal foram xingar a banda antes de seu show. Observe a turma berrando “fuck you Antestor” e “cambada de ladrão”.

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Aliás II, olha aí o Antestor tocando nada menos que Territory, do Sepultura, em Curitiba. Com direito a uma pessoa fazendo a tradução simultânea das falas do vocalista.

Ricardo Schott é jornalista, radialista, editor e principal colaborador do POP FANTASMA.

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Cinema

Jogaram o documentário musical brasileiro Som Alucinante no YouTube

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Jogaram o documentário musical brasileiro Som Alucinante no YouTube

Som alucinante, filme de Guga de Oliveira (irmão de Boni, ex-todo poderoso da Rede Globo), lançado nos cinemas em 1971, apareceu pela primeira vez na íntegra no YouTube há poucos dias. O filme traz um apanhado de shows do programa Som Livre Exportação, musical exibido pela Rede Globo entre 1970 e 1971. A produção foi feita no espírito do filme do festival de Woodstock, de Michael Wadleigh, com shows misturados a entrevistas com artistas, músicos, a equipe técnica tanto do festival quanto do filme, e com pessoas da plateia.

Logo no começo, o radialista paulistano Walter Silva (o popular Pica-Pau) resolve perguntar a uma mulher da plateia o que ela espera encontrar no show. Como resposta, recebe risos e um “ah, sei lá, dizem que tá bacana, né?”. Bom, de fato, o formato de festival não competitivo – ou de pacote de shows – ainda não era das coisas mais conhecidas aqui no Brasil.

Tudo ali era meio novidade, tanto o fato de tantos nomes estarem reunidos num mesmo evento, quanto o fato de vários nomes “alternativos”, de uma hora para outra, terem virado grandes atrações de um programa da Globo: Ivan Lins (em ascensão e fazendo seu primeiro show em São Paulo), Gonzaguinha, Mutantes, A Bolha, Ademir Lemos e até um deslocadíssimo grupo americano chamado Human Race – que apresentou uma cover de Paranoid, do Grand Funk. Para contrabalancear e garantir mais audiência ao programa, Elis Regina, Wilson Simonal e Roberto Carlos participaram da temporada de 1971 da atração (que mesmo assim continuou sem audiência, mas com sucesso de crítica). O show levado ao ar nessa temporada serviu de fonte para o documentário.

O que mais chama a atenção em Som alucinante, na real, não é nem mesmo a música. Bom, e isso ainda que o filme apresente uma entrevista bem interessante com um iniciante Gonzaguinha (que faz um excelente discurso sobre “não pensar no mercado e ser você mesmo”), uma Rita Lee aparentemente em órbita falando sobre “é bom ganhar dinheiro com o que se faz, né?”, Mutantes tocando José e Ando meio desligado, A Bolha tocando o gospel-lisérgico Matermatéria, Elis Regina dividindo-se entre os papéis de cantora e mestra de cerimônia. E também várias entrevistas com Milton Nascimento que não vão adiante, de tão constrangido que o cantor estava.

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O mais maluco no filme é que a plateia desmaia, e o tempo todo (!). Os fãs começam a empurrar uns aos outros e num determinado momento, a solução da produção é convidar os que estavam em maior situação de vulnerabilidade para subir no palco. Numa cena, um policial carrega uma garota desmaiada e ele próprio quase toma um estabaco.

Jogaram o documentário musical brasileiro Som Alucinante no YouTube

Companhias indesejáveis na plateia do Som Livre Exportação

Em outro momento, os fãs são puxados ao palco por policiais e pessoas da produção com uma tal intensidade, que aquilo fica parecendo uma tragédia bíblica. Ou um evento que estava mais para Altamont do que para Woodstock, porque era evidente que aquilo estava ficando perigoso. Especialmente porque militares circulavam na plateia e aparecem, em determinados momentos, atrás do palco, o que já explica todo aquele estresse.

Ah, sim a parte do “nós estamos todos reunidos nessa grande festa”, dos Mutantes (que aparece no documentário Loki?, sobre Arnaldo Baptista) foi tirada de Som alucinante. E pelo menos um crítico do Jornal do Brasil, Alberto Shatovsky, detestou a linguagem “moderna” do filme.

A sequência de Roberto Carlos no filme.

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E se você não reconheceu o sujeito de bigodes e cabelo black que aparece em alguns momentos no filme, é o Ademir Lemos, do Rap da rapa (lembra?). Era um dos apresentadores do Som Livre Exportação.

Jogaram o documentário musical brasileiro Som Alucinante no YouTube

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Cultura Pop

O 1967 dos Beatles no podcast do Pop Fantasma

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Da mesma forma que uma década muitas vezes não começa no ano em que ela se inicia (já havia um “anos 1990” encartado no fim da década anterior), as mudanças vividas pelos Beatles em 1967, ano do disco Sgt Pepper’s Lonely Hearts Club Band, começaram pelo menos uns dois anos antes.

Mas para todos os efeitos, foi há 55 anos que John, Paul, George e Ringo lançaram um dos discos mais desafiadores da história da cultura pop, tramaram sua volta ao cinema, fizeram duas aparições significativas na televisão (numa delas, lançaram um telefilme que deixou sensação de entalo nas gargantas de muitos fãs), realizaram montes de experiências de estúdio, perderam tragicamente seu empresário e começaram a dar passos rumo à independência. E, ah, graças a um certo composto químico de três letras, sintonizaram dimensões bem diferentes das que os pobres mortais estavam acostumados naquela época.

O último episódio da segunda temporada do Pop Fantasma Documento levanta os causos de uma das épocas mais movimentadas do dia a dia dos quatro de Liverpool. Aumente o volume, ligue-se e sintonize!

Nomes novos que recomendamos e que complementam o podcast: Turn Me On Dead Man, Trudy and The Romance, Dario Julio & Os Franciscanos.

Estamos no Castbox, no Mixcloud, no Spotify, no Deezer e no Google Podcasts. 

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Edição, roteiro, narração: Ricardo Schott. Arte: Aline Haluch. Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Estamos aqui toda sexta!

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Cultura Pop

Devo: no YouTube, tem versão “rascunho” do filme The Men Who Make The Music

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Devo: no YouTube, tem versão "rascunho" do filme The Men Who Make The Music

Raridade por vários anos para muitos fãs do Devo, o filme The men who make the music (1981), realizado pela banda, foi lançado sob o rótulo maluco de “vídeo-LP”. A produção combina imagens de shows do Devo (focando bastante na turnê de 1978) com textos irônicos sobre a indústria da música, além de aparições do controverso personagem General Boy (interpretado por Robert Mothersbaugh Sr, pai dos irmãos Mark e Bob).

Devo: no YouTube, tem versão "rascunho" do filme The Men Who Make The Music

O tal conteúdo “anarquista” do vídeo fez com que ele ficasse arquivado por uns dois anos, já que The men who make the music foi terminado em 1979. O lançamento deveria ter acontecido em paralelo com o disco Duty now for the future, tanto que o LP original anuncia um endereço para os fãs comprarem um produto chamado Devo-vision, que sairia pela Time-Life (empresa responsável por arquivar o filme por dois anos, irritada com as mensagens anti-indústria da música do vídeo).

O material ainda aparece intercalado com imagens bem antigas do Devo. O grupo aparece tocando Jocko homo em 1976, em imagens do primeiro curta do Devo, The truth about de-evolution – que também incluía o clipe do grupo em 1974 tocando Secret agent man, igualmente incluído em The men. Nessa época, o Devo tinha uma formação bastante variável. Com pelo menos cinco ou seis músicos gravitando em volta (incluídos aí três irmãos Mothersbaugh), a banda virou quarteto no clipe de Secret agent man.

The men who make the music, por sinal, teve ainda uma versão demo, feita com produção amadora, em 1977. Tá no YouTube. Foi dirigida por Jerry Casale e produzido por Marina Yakubic, que era namorada de Mark na época.

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O vídeo (sim, é vídeo, produzido com câmeras de TV) tem diferenças nos diálogos, nos cenários, na qualidade de som e de imagem (bastante rascunhadas) e no fato de que as músicas não aparecem em clipes. Todas são gravadas em versões extremamente cruas, ao vivo num palco.

Uma surpresa para os fãs é que, originalmente, a versão do grupo para (I can’t get no) Satisfaction, dos Rolling Stones, era quase um blues maníaco e lembrava Captain Beefheart. Muito diferente do que se imagina do Devo.

Aproveita e pega The men who make the music, a versão oficial, que também tá no YouTube.

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