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Cultura Pop

Um disco bem estranho do Venom

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Com o coisa-ruim não se brinca, já diz o ditado. Aparentemente, Henry Rollins, quando foi vocalista do Black Flag, e seu amigo Joe Cole, que foi roadie da banda, não estavam nem aí. Quando o Black Flag abriu um show para o Venom em Trenton, Nova Jersey, em 2 de abril de 1986, os dois aproveitaram para zoar bastante (pelas costas…) o conceito satânico da banda. Fizeram bullying com Cronos, Mantas e Abbadon (o trio do Venom) para o público, para outros integrantes da equipe, nos camarins, etc.

Aliás, ainda teve coisa mais complexa. Cole tinha conseguido uma gravação boa do show do Venom e decidiu produzir um disco pirata do show dos colegas. Só que não era um bootleg normal. Cole separou apenas as besteiras que o baixista e vocalista Cronos falava entre uma música e outra, além de algumas introduções de músicas. Inclusive, esse disquinho foi lançado em compacto simples em 1991, ganhou o nome de Venom Live! e saiu por um selinho comandado por ninguém menos que Thurston Moore (Sonic Youth) o Ectastic Peace!. O compactinho saiu com 300 cópias.

Aliás, essa gravação fez tanto sucesso (em termos…) que os Beastie Boys deram uma sampleada nela para Mark on the bus, do disco Check your head (1992).

>>> Veja também no POP FANTASMA: O Natal de King Diamond e Venom

Joe, muita gente se lembra, morreu durante um assalto à mão armada em 18 de dezembro de 1991. Rollins, amicíssimo dele, escreveu músicas e textos em sua homenagem. O Sonic Youth escreveu JC e 100% para ele. Aliás, colocou uma foto sua no encarte do disco Dirty (1992).

O assassinato nunca foi solucionado pela polícia. Rollins havia sido agredido pelos assaltantes junto com Cole. Mas escapou de coisa pior justamente porque havia conseguido fugir da cena para chamar a polícia. Só que quando os policiais chegaram, segundo o músico, ainda houve uma estranha preocupação em saber se os dois amigos estavam consumindo drogas. “Não, idiotas, eles mataram meu amigo”, afirmou o cantor.

Em 1997, Rollins reuniu trechos do diário de Cole escrito justamente nessa turnê e publicou com o nome de Planet Joe. Não apenas é um relato da tour, como também é uma descrição das cenas mais estapafúrdias do giro. “O show desta noite com o Venom foi como o Spinal Tap de verdade. Eles tocam ‘black metal’. Estrelas do rock satânicas! Eles agiram como se estivessem tocando no Madison Square Garden”, escreveu.

>>> Veja também no POP FANTASMA: Tem isso: unblack metal, o black metal de Cristo

“O mais Spinal Tap de todos, porém, foi o cantor e baixista, Cronos. Ele disse à multidão que eles eram selvagens. ‘Aaaaaahhhh, aaaaaaahhhh!!! Vocês são selvagens! Você quer ouvir algo que vai chutar suas bolas?'”, zoou. Num dado momento, Cole e Rollins desenharam pentagramas e o número 666 nas palmas das mãos e mostraram para os colegas.

Já no livro Get in the van, Henry Rollins é mais prático em relação a detalhes técnicos. Reclamou que a banda usava o PA do Black Flag e se atrasava para shows (chegaram a perder um voo). Também disse que “Kronos” (sic) mostrava a língua e arrumava o cabelo toda hora, e que Venom era uma banda ruim.

>>> Veja também no POP FANTASMA: As dez regras de Henry Rollins para atingir o sucesso

“Venom é uma merda. Eles são tão cheios de merda. Uma piada de mau gosto. Eles não suam e provavelmente nem fodem”, xingou. Num dos shows, Rolling chegou a soltar um “me deem um ‘s’, me deem um ‘A'”, até formar a palavra “satã”, além de fazer raps sacaneando a banda. Mas aparentemente não houve nenhuma briga entre os dois grupos nos bastidores. “Todos os gerentes e roadies do Venom estavam lá e nós estávamos olhando para eles, rindo e fazendo rap do Spinal Tap / Venom. Eles ficaram muito chateados, mas não disseram nada”, disse Rollins.

 

Cultura Pop

George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

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George Harrison (Reprodução YouTube)

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)

Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube

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“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).

O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).

Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.

A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.

A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.

Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.

Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.

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Cultura Pop

No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

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Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.

Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)

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Cultura Pop

No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

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No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a "Jagged little pill"

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).

Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.

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