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Cultura Pop

The Tubes: pop de autoajuda (!) em The Completion Backward Principle

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Adivinha quem tá de volta na praça? A banda californiana The Tubes está em turnê e trouxe novidades durante o mês de maio: estavam tocando na íntegra o repertório de um de seus discos mais malucos, The completion backward principle, lançado em 1981.

Os shows dessa tour abriram com o vocalista Fee Waybill introduzindo o conceito bizarro do disco – que também era narrado na abertura do álbum. Olha aí.

The completion backward principle foi um disco bastante improvável na obra do The Tubes, uma daquelas bandas que acabaram se tornando inviáveis (apesar do sucesso) justamente pela dificuldade de classificar o que eles faziam.

Surgido de vários outros grupos, o septeto que iniciaria os trabalhos com o nome The Tubes apontava tanto para o rock-paródia de Frank Zappa quanto para o senso pop dos Beatles. Com o surgimento do punk, foram jogados simultaneamente na era das bandas proto-punk quanto na vala new wave. E, por acaso, o primeiro hit deles foi a satírica White punks on dope, de 1975. No Brasil, lá por 1975/1976, curtir esse tipo de som era sinônimo de coolzice e de estar por dentro do que se fazia lá fora.

Olha a banda tocando seu hit ao vivo em 1977.

Para aumentar a confusão, os shows dos The Tubes eram tão “visuais” e anárquicos quanto pedia a era do glam rock. Com direito a integrantes fantasiados e maquiados, participações de dançarinas e de atores em pernas de pau, tubos de televisão espalhados pelo palco e gente o suficiente para simular uma orgia na frente do público – sim, volta e meia isso acontecia, de brincadeirinha. O resultado acabava ficando mais próximo de um show de humor do que de um concerto de rock, com referências pop, televisivas e até jornalísticas.

Tanta criatividade e extroversão não fazia do The Tubes uma das bandas mais rentáveis do mundo. Os shows do grupo eram caros, tinham um batalhão de convidados e os álbuns da banda não vendiam o suficiente para manter a banda firme no mainstream. O grupo tentou resolver parte do problema doando os direitos autorais para um fundo da gravadora que financiava as turnês. Não adiantou nada e a A&M, primeira gravadora dos Tubes, mandou a banda ir passear logo na primeira crise.

The completion backward principle foi o sexto disco da banda e o primeiro pela Capitol. A banda voltou com shows mais compactos e disposta a fazer um som mais comercial. Mesmo que isso significasse zoar o que eles próprios entendiam como sendo o conceito de “um som mais comercial”.

O tal “princípio da completude ao contrário” surgiu quando Fee Waybill, vocalista da banda, achou um disco de autoajuda para formação de vendedores (!) numa loja. Por mais que The complete tivesse produção de David Foster (que cuidava de discos do Earth, Wind And Fire), engenharia de som de Humberto Gatica (responsável por uma lista enorme de best sellers) e algumas guitarras feitas por Steve Lukather (Toto), o grupo voltava no mesmo clima. A contracapa do álbum era uma espécie de “missão-visão-valores” de autoajuda dos Tubes, com cada integrante assumindo uma gerência maluca (“análise”, “tendências”, “motivação” e outros nomes).

O disco deu tão certo que Don’t want to wait anymore, primeiro single, virou o primeiro Top 40 do grupo. Talk to ya later (parceria da banda com o produtor e com Steve Lukather) chegou no sexto lugar da parada de sons mainstream de rock da Billboard.

Se você viu o vídeo lá de cima, onde Fee Waybill apresenta o álbum, viu que uma das ideias da banda em relação ao tal conceito de The completion era que “a imaginação completa a realidade”. Era uma onda deles em relação à cultura pop: você já sabia como tudo terminava e “completava” o pacote imaginando como seria. Ou ficava um tanto decepcionado (a) com todo o conjunto e ia completando os espaços vazios.

Isso tudo era empacotado numa teoria de autoajuda que pregava que, se você já tinha confiança no sucesso, a coisa (bom…) ia. E que nosso subsconsciente não conseguia distinguir entre a ação real e a imaginária. “Era uma metáfora para alguém como eu, que cresceu cantando músicas dos Beatles em casa, morrendo de vontade de estar em uma banda”, disse recentemente Waybill.

No videozinho abaixo, rolam mais algumas explicações sobre isso.

E o tal videozinho de cima são dois trechos de… The completion backward principle, o vídeo. Pois é: seguindo a moda dos “discos-visuais” (o Devo aderiu também), os Tubes fizeram um vídeo motivacional de brincadeirinha com seu disco, em que quase todas as faixas ganharam clipes amalucados. Olha ele completinho aí.

Os tais clipes eram repletos de um humor que hoje daria muita dor de cabeça para a banda, como a mulher-polvo de Sushi girl ou a invasão de Fee Waybill, peladão (e com as joias da família balangando) a um vestiário cheio de mulheres em Sports fans. O atrevimento trouxe nova base de fãs e esticou a presença dos Tubes no mainstream até 1985. Naquele ano, após lançarem Love bomb, também acabaram demitidos da Capitol no meio de uma puta crise na gravadora, além de enfrentarem uma porrada de problemas financeiros – a gravadora não financiou uma turnê deles e a banda decidiu tirar dinheiro do próprio bolso para manter os fãs felizes.

Aos trancos e barrancos, os Tubes existem até hoje e, como você viu lá em cima, continuam em turnê. Olha eles aí não faz muitos dias, homenageando David Bowie com Suffragette city (unida com White punks on dope). Fee Waybill, 68 anos de pura travessura, posa de drag queen com saltos enormes (e dá a impressão que vai se estabacar no chão a qualquer momento).

 

Cultura Pop

No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

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Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.

Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)

Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.

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Cultura Pop

No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

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No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a "Jagged little pill"

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).

Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

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Cultura Pop

No nosso podcast, Radiohead do começo até “OK computer”

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Radiohead no nosso podcast, o Pop Fantasma Documento

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. Para abrir essa pequena série, escolhemos falar de uma banda que definiu muita coisa nos anos 1990 – aliás, pra uma turma enorme, uma banda que definiu tudo na década. Enfim, de técnicas de gravação a relacionamento com o mercado, nada foi o mesmo depois que o Radiohead apareceu.

E hoje a gente recorda tudo que andava rolando pelo caminho de Thom Yorke, Jonny Greenwood, Colin Greenwood, Ed O’Brien e Phil Selway, do comecinho do Radiohead até a era do definidor terceiro disco do quinteto, OK computer (1997).

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: reprodução internet). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

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