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Cinema

Quando Wendy Carlos fez a trilha de Tron, da Disney

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Quando Wendy Carlos fez a trilha de Tron, da Disney

Muita gente lembra de Tron, filme de 1982 que aproximou a Disney do universo da ficção científica e do mundo dos computadores – no Brasil passou com o nome de Tron: Uma odisseia eletrônica.

Algumas pessoas também se recordam de que o filme teve sua trilha sonora feita por ninguém menos que Wendy Carlos, musicista transexual (era conhecida até 1979 como Walter Carlos) que havia se popularizado por discos de música clássica tocados no sintetizador, como Switched-on Bach (1968) e The well tempered synthesizer (1969). E por trilhas como a de Laranja mecânica. Olha o som de Tron aí.

A trilha de Tron é cheia de detalhes sórdidos. O disco original ganhou sequências feitas pela Filarmônica de Londres e até duas faixas inéditas compostas pelo Journey – tudo porque a Disney duvidou que Wendy ia conseguir completar o projeto sozinha. O Journey entrou na história depois que o Supertramp, convidado, declinou.

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Quando Wendy Carlos fez a trilha de Tron, da Disney

Wendy Carlos

Olha aí Only solutions, uma das músicas feitas pelo grupo para Tron.

Agora, quer histórias bizarras, a do relançamento do álbum em CD ganha de todas. A própria Wendy teve que se responsabilizar por mexer em tudo para o lançamento, após ter descoberto que as fitas originais estavam tão deterioradas que seriam destruídas ao serem executadas.

Wendy teve que lançar mão do método de baking tape para conseguir manter a fita em ordem a ponto de ser remasterizada para CD. Traduzindo: o tape teve de ser assado, igual bolo. A experiência levou a musicista a publicar um artigo (em inglês) explicando sobre a oxidação de fitas e demonstrando todo o processo.

“Não tente tocar uma fita ‘vintage’ antes de ler este artigo! A fim de esperar a recuperação completa, as fitas que foram arquivadas por um longo período merecem tratamento especial, assim como um mergulhador deve retornar lentamente à superfície”, escreveu Wendy.

Se você olhou a fita contra a luz e descobriu que ela está translúcida, opaca, tem uma grande chance do material ter mofado. Foi o que aconteceu com o tape de Tron. Para mexer na fita, Wendy chegou a pensar na possibilidade de usar vários secadores de cabelo. Até que o cunhado da artista veio com a ideia salvadora: usar um aparelho de cozinha chamado Snackmaster Pro, um desidratador no qual cabe uma bobina de fita de meia polegada. “A temperatura de cozimento é entre 130 e 140 graus Fahrenheit”, avisou.

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Na hora de rebobinar a fita danificada, há outros truques, como fazer tudo manualmente, sem controle remoto. E ficar atento ao cozimento, que varia de acordo com a largura da fita.

Tem um vídeo de 33 minutos que explica todo o processo, com um aparelho igual ao que Wendy usou. Tente por sua conta e risco, e obviamente não testamos.

Apesar da trabalheira de Wendy, vale dizer que a Disney, que relançou o CD em 2002, o manteve por pouco tempo em catálogo. A Amazon.com vende cópias on demand do álbum – o que significa que eles pegam o disco original, copiam num CD-R e te enviam pelo correio. Aqui, Wendy conta sobre o CD e sobre como as músicas de Tron foram criadas.

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Cinema

Tangarella: uma pornochanchada com Jô Soares e Paulo Coelho (!)

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A carreira de Jô Soares como ator incluiu um filme que pediu para ser trash e ficou três vezes na fila: Tangarella, a tanga de cristal era uma pornochanchada soft lançada em 1976, dirigida e escrita por Lula Campello Torres, e que tinha o humorista interpretando uma espécie de mordomo trapalhão (Erasmo), meio viciado em participar de concursos, que trabalhava para uma família disfuncional e falida, e que complementava a renda trabalhando como consultor sentimental numa revista.

A grande curiosidade é a participação de ninguém menos que Paulo Coelho (!), naquele que talvez seja seu único papel no cinema, interpretando Avelar, um garotão meio vida-torta. Numa das cenas, Paulo aparece sentadão numa poltrona, lendo um exemplar da revista Vampirella. Por acaso, Cachorro urubu, parceria dele com Raul Seixas, aparece na trilha do filme (na interpretação de Raul no disco Krig ha bandolo, de 1973).

Tangarella: pornochanchada de 1975 com Jô Soares e Paulo Coelho (!)

A tal família esquisita era o prato principal do filme. Lucio Tangarella (Jardel Filho), um marido abusivo, viciado em jogo, violento com a mulher e a filha, Sandra – que assiste a todas as brigas dos pais. Ele fica viúvo e casa-se com Luísa Maria (Lidia Mattos), uma dondoca também viúva, que tem três filhos, Âncora (Regina Torres), Alvorada (Fanny Rose) e o tal Avelar. Sem grana por causa do vício em jogo do marido, Luisa sai em busca de um empregado que não saiba fazer nada direito, para que ela possa pagar bem pouco a ele. Erasmo, que mal consegue carregar objetos sem se atrapalhar, é contratado.

O que a madame não contava era que Lucio desaparecesse e deixasse a esposa com o três filhos, com o mordomo e… com a filha Sandra, já adolescente (e interpretada por Alcione Mazzeo). Ela sofre bullying da família e é tratada como uma criada. Até que surge na história um garotão interiorano, rico e meio outsider, Muniz Palacio (interpretado pelo designer de capas de discos e editor do jornal alternativo Presença, Antonio Henrique Nitzche) e algumas coisas mudam.

Tangarella foi lançado discretamente, em cinemas do Rio e de São Paulo, e foi considerado um filme “leve”, liberado para jovens de 14 anos. É uma produção que dá vontade de socar as paredes de tão trash, mas é um filme bem legal – aliás é uma boa indicação para quem curte ver imagens antigas do Rio de Janeiro, já que aparecem lugares como a Lapa, o Largo da Carioca, o Túnel do Pasmado (mesmo local em que o personagem de Roberto Carlos já havia entrado com um helicóptero no filme Em ritmo de aventura, de 1967) e até o Carnaval carioca (que dá sentido à tal “tanga de cristal” do título).

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Lula Campello Torres é um cineasta sobre o qual há bem pouca informação – na Globo, em 1991, ele escreveu uma minissérie chamada Meu marido, ao lado de Euclydes Marinho, que foi assistente de direção em Tangarella. O filme foi todo montado como se fosse uma espécie de documentário ou novelinha de rádio “com imagens”, já que um narrador (Aloysio Oliveira, dublador de filmes da Disney e criador do selo bossa-nova Elenco) vai explicando toda a história. As aparições do já saudoso Jô Soares são quase sempre de rolar de rir, especialmente quando ele participa de uma maratona de corredores sambistas, ou quando se veste de fada madrinha para ajudar Sandra.

Pega aí antes que tirem do YouTube.

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Vai sair caixa com as trilhas sonoras dos filmes de John Hughes

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Vai sair caixa com as trilhas sonoras dos filmes de John Hughes

O site Brooklyn Vegan, quando noticiou a caixa Life moves pretty fast – The John Hughes mixtapes, com o repertório dos filmes do diretor norte-americano, lembrou bem: “Algumas pessoas podem argumentar que as trilhas sonoras dos filmes de John Hughes resistiram melhor do que os próprios filmes”. Maldade com o diretor que melhor conseguiu sintetizar a angústia jovem dos anos 1980, em filmes como Gatinhas e gatões, Clube dos cinco e Curtindo a vida adoidado.

A “década perdida” (pelo menos para os países da América Latina, como dizem alguns economistas) pedia um novo tipo de filme jovem, em que até as picardias de produções como Porky’s, do canadense Bob Clark (1981), tinham seu tempo e lugar, desde que reembaladas e exibidas com um verniz mais existencial e (vá lá) inclusivo.

Ainda que se possa alegar que algumas situações envelheceram (e algumas envelheceram muito), que não havia diversidade racial, etc, tinha espaço para o jovem zoeiro e audacioso de Curtindo a vida adoidado, para o choque de tribos de Clube dos cinco e A garota de rosa shocking (este, dirigido por Howard Detch e roteirizado por Hughes), para a decepção com a vidinha besta e burguesa de Ela vai ter um bebê. Eram criações bastante originais para a época, tudo fruto do trabalho de Hughes, um ex-publicitário e ex-colaborador da revista de humor National Lampoon. Tudo embalado pela sensação de que a vida é, sim, apenas um piscar de olhos – como o próprio Ferris Bueller (Matthew Broderick) sentenciou em Curtindo a vida adoidado.

>>> Leia também no Pop Fantasma: Quando teve uma sitcom do Ferris Bueller

Live moves pretty fast, a caixa em questão, é a primeira compilação oficial de músicas de todos os filmes de John Hughes, incluindo aqueles que ele dirigiu ou apenas escreveu o roteiro. Sai em 11 de novembro pela Demon Music e vai ser vendida em vários formatos: box com LPs, CDs, etc, incluindo canções que estavam nos filmes mas acabaram não aparecendo nas trilhas sonoras.

Entre as bandas que apareciam nas trilhas, New Order, The Smiths, Echo & The Bunnymen, Simple Minds, Oingo Boingo, OMD, The Psychedelic Furs, Simple Minds, e várias outras que, muitas vezes, chegaram ao grande público por aparecem num filme dele. Ou já estavam virando “tendência” e foram pinçadas quando as agendas bateram, como foi o caso do New Order com Shellshock e Elegia em A garota de rosa shocking – um filme que ainda tinha na trilha Smiths com Please, please, let me get what I want e Echo & The Bunnymen com Bring on the dancing horses, gravada especialmemte para a trilha.

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Teve também o caso de Don’t you forget about me, da trilha de Clube dos cinco – aquela famosa música que o Simple Minds não queria gravar de jeito nenhum, mas acabou gravando. E virou o maior hit deles. Você já leu sobre isso aqui.

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Aquela vez em que Christiane F. virou cantora

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Aquela vez em que Christiane F. virou cantora

Lembra daquela adoração que Christiane Felscherinow, a popular Christiane F, tinha por David Bowie? E que ocupa algumas páginas do livro Eu, Christiane F, 13 anos, drogada e prostituída, dos jornalistas Kai Hermann e Horst Rieck? Aliás, ocupa também vários minutos do filme de mesmo nome, dirigido por Uli Edel (e que, impossível você não saber, acaba de ser relançado nos cinemas)?

Foi pro saco. Pelo menos é o que ela contou no livro Eu, Christiane F.: A vida apesar de tudo, escrito por ela ao lado de Sonja Vukovic. Quando o filme estava sendo feito, Christiane – já com 19 anos, longe da prostituição e pegando tão leve quanto possível nas substâncias ilícitas – foi chamada para assistir o copião do filme e dar sugestões. E a tal cabine aconteceria em Lausanne, na Suíça, na casa de… David Bowie, que também daria seus pitacos.

Só que Chris ficou extremamente decepcionada ao ver que seu ídolo era baixinho, magrelo, ensimesmado e usava bigode – sim, ele usou um no comecinho dos anos 1980. E sentiu-se mais vendida ainda quando Bowie fez a virada para o pop maduro no disco Let’s dance (1983). “Eu tinha gostado do artista, o homem-cão exótico da capa de Diamond dogs. O louco fora das normas. Mas isso tudo tinha passado, e ele não era mais o que a garotinha que fui havia visto nele”, recorda, dando voz a uma decepção que muita gente também sentiu, mas não contou pra ninguém.

Bom, seja lá como for, Bowie e Christiane F foram colegas de profissão (!) durante um curto período no começo dos anos 1980. Primeiro porque, vivendo em Hamburgo num apartamento onde havia um estúdio de alta rotatividade, ela começou a ficar amiga de vários nomes importantes das cenas punk e industrial da Alemanha, inclusive integrantes de grupos como Einstürzende Neubauten. Com o filme lançado, Christiane foi aos EUA fazer divulgação e acabou sendo entrevistada no programa de rádio do DJ Rodney Bingenheimer – diz ela que apresentou Nena e o hit 99 luftbaloons a ele, o que colaborou para o estouro do grupo fora da Alemanha. E o contato com tanta gente da música acabou deixando-a animada para virar cantora.

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Olha aí as músicas do EP Final church, lançado por ela em 1982 com o nome artístico de Christiana. Nesse disco ela contou com a colaboração de músicos como o guitarrista Alexander Von Borsig, integrante de bandas como Mekanik Destruektiw Komandoe. O som lembra Public Image Ltd do começo e tem os dois pés no dub e na manipulação de tapes.

No mesmo ano saiu o EP Gesundheit!, com essa pérola synthpop cantada em inglês e alemão, Wunderbar.

O EP tinha também esse pesadelinho pós-punk-robótico, que mais parece um desdobramento experimental do Joy Division, Heimweh.

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No livro, Christiane F recorda que o material de Gesundheit! foi gravado durante uma temporada alegre em Pasadena, região de Los Angeles, para onde havia ido com uns novos amigos que conhecera em Berlim. O enrosco com a música não durou muito, não, já que ela diz nem ter levado nada a sério. “Eu sabia que não era nenhuma supercantora ou uma atriz genial”, disse. Mas, na época, Suchtig, a primeira faixa do EP Final church, ganhou até clipe.

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