Urgente
Rita Lee, city pop e boogie: Orfeu Menino estreia com “Imagina”

Quando uma banda diz que quer fazer todo mundo dançar, normalmente convém desconfiar. No caso da paulistana Orfeu Menino, porém, a conversa faz sentido. O quinteto estreia com Imagina, um single que mergulha sem vergonha no boogie brasileiro dos anos 1980, mas evita a armadilha da nostalgia plastificada. Em vez de soar como uma coleção de referências vintage, a faixa parece mais interessada em descobrir o que ainda pulsa naquele universo.
Formada por Luíza Villa (voz), Pedro Abujamra (teclados), Tommy Coelho (bateria e percussão), João Chão (baixo) e João Vaz (guitarra), a banda passou os últimos anos lapidando o repertório nos palcos de São Paulo antes de entrar em estúdio. Dá para perceber. Em Imagina os instrumentos conversam o tempo inteiro: piano elétrico, guitarras e sintetizadores disputam espaço sem atropelar a cozinha.
Nomes como Rita Lee, Roberto de Carvalho e Lincoln Olivetti são citados pela banda como referências, bem como a sonoridade urbana e dançante do city pop (o piano da abertura remete direto a Lança perfume, de Rita e Roberto, por sinal, e a algo que passa por Garota de Ipanema, de Tom Jobim e Vinicius de Moraes). Já a letra fala de “um romance / na divisa, na contramão”, algo que talvez nem fosse para acontecer.
“Os shows são um ambiente muito criativo pra gente, estamos há quatro anos tocando juntos. Por isso, quando fomos para o estúdio, gravar as bases ao vivo era praticamente uma obrigação”, diz a vocalista Luíza. “Vejo nossa música como uma miscelânea, uma colcha de retalhos. Estar em um show nosso é como ir mudando as estações de rádio para ver o que tem de bom em cada uma”, reflete Tommy, baterista.
“Cada um de nós coloca um elemento diferente no conjunto, mas acho que o principal é que fazemos a música que gostamos de fazer e que nos dá tesão, independente de qual seja”, complementa Abu, tecladista do grupo. E nessa de “elementos diferentes”, a banda aproveitou a produção de Gustavo Ruiz Chagas – conhecido pelos trabalhos com Tulipa Ruiz e Liniker – para fugir do que parecia mais básico.
“O Gus foi fundamental. Teve coisas que ele sugeriu e nós nunca tínhamos pensado. Isso resultou em mudanças super importantes nos arranjos”, diz Luíza. “A primeira coisa que fizemos quando entramos no estúdio pra gravar com ele foi tocar a música um tom acima, por exemplo. Isso trouxe outro clima. É muito bom ter essa visão de fora e a gente sentia falta dessa direção artística externa”.
Foto: Luíza Villa e Olívia Albergaria
Urgente
Sand Jar: folk, dream pop e shoegaze em música sobre saudade

RESUMO: Em Still so far, Sand Jar estreia ao lado da cantora indiana yashwi, misturando indie folk, dream pop e shoegaze. Uma canção sobre saudade e términos, com ecos de Big Thief, Beach House e Slowdive.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Divulgação
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Fim de relacionamento, saudade e aquela dificuldade de tirar alguém da cabeça. É disso que fala Still so far, single de estreia de Sand Jar, artista que mistura indie folk, dream pop e shoegaze numa música que começa intimista e vai ganhando peso até chegar a um crescendo de guitarras.
A faixa tem duas vozes, e a outra é a da cantora e compositora yashwi, de Mumbai, na Índia. As duas se alternam sobre guitarras com slide e camadas de efeitos, numa sonoridade que lembra tanto o lado mais delicado de Big Thief e Alex G quanto as atmosferas de Beach House e Slowdive.
“Você está nos cantos da minha mente, onde guardei um lugar para você / seus olhos atravessam a decadência, mas você está tão longe”, diz um trecho da letra, que acompanha as lembranças de uma relação encerrada. A música vai ficando mais intensa, com as vozes ganhando força em meio aos instrumentos, até terminar num clima de alívio.
Sand Jar compõe, canta, toca guitarra e produz suas próprias músicas. Entre suas referências estão Bon Iver, pelo lado folk, e Black Country, New Road, especialmente o álbum Ants from up there (2022). O interesse pelo shoegaze aparece no uso de guitarras cheias de efeitos e na construção de ambientes sonoros que vão mudando ao longo da faixa.
Já yashwi trabalha com referências de R&B, pop e jazz pop, influenciada por artistas como Laufey, Raye e Naïka. A cantora também atua como diretora de arte e escreve músicas em inglês e hindi.
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Urgente
Blondie volta com “Spectral eyes” e anuncia primeiro disco em dez anos

RESUMO: O Blondie anuncia High noon, primeiro álbum de inéditas em dez anos, e lança Spectral eyes, com Johnny Marr. O disco resgata o pop dos anos 1970 e traz as últimas gravações do baterista Clem Burke.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Maddy Rotman / Divulgação
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O Blondie já estava lá quando o punk ainda engatinhava no CBGB, em Nova York, lá pela metade dos anos 1970. Cinquenta anos depois, Debbie Harry e companhia continuam lançando música nova — e sem muita preocupação em parecer uma banda de museu. O grupo anunciou High noon, seu 12º álbum de estúdio, que chega em 26 de fevereiro de 2027 pela BMG. É o primeiro disco de inéditas desde Pollinator (2017), e já tem single novo circulando: Spectral eyes, com participação de Johnny Marr, ex-Smiths.
A música tem aquela onda alegre e ligeiramente despretensiosa do Blondie dos anos 1970, com guitarras próximas do power pop e um refrão que parece feito para grudar na cabeça. A letra, por outro lado, vai por um caminho menos ensolarado: parece falar de alguém que se perdeu entre excessos e fantasias, afastou-se da realidade e virou uma presença quase fantasmagórica para quem tenta se aproximar. Uma música com cara de festa e assunto bem menos divertido, portanto.
“É um clássico disco do Blondie — uma fusão de todas as nossas diferentes influências e épocas em algo novo”, contou o guitarrista e cofundador Chris Stein sobre High noon. “A música parece estar ancorada no presente, moldada por quem somos e como estamos vivendo agora”, acrescentou. E, pelo primeiro single, parece que a banda não está particularmente interessada em esconder suas origens.
O álbum também terá um significado especial: será o último trabalho do Blondie com o baterista Clem Burke, morto em abril de 2025, aos 70 anos, após enfrentar um câncer. Burke entrou no grupo em 1975 e foi peça fundamental naquele som que conseguia juntar punk, pop, disco music e new wave sem precisar escolher um lado. Recentemente, o disco Apples for Isaac, do Echo and The Bunnymen (resenhado aqui) trouxe também baterias de Burke.
Aliás, esse disco está demorando para chegar. Em junho de 2024, Debbie Harry e Stein já falavam à BBC Radio 6 Music sobre um novo álbum previsto para 2025. Em novembro daquele ano, Stein publicou imagens de Debbie no estúdio e anunciou, com um certo humor: “Tanto faz. Álbum do Blondie no ano que vem. A sorte está lançada”. Depois, High noon chegou a ser prometido para 2026, até finalmente ganhar a data de fevereiro de 2027.
O Blondie atual tem Debbie Harry nos vocais, Chris Stein na guitarra, Leigh Foxx no baixo, Matt Katz-Bohen nos teclados e Tommy Kessler na guitarra. Stein continua envolvido com o grupo, embora tenha deixado de acompanhar as turnês em 2019 por causa de seus problemas no coração. Além de Marr, o disco tem participações de Glen Matlock, dos Sex Pistols, e Zach Condon, do Beirut, entre outros convidados.
E é curioso pensar que uma banda surgida no mesmo ambiente que revelou Ramones, Television e Patti Smith ainda esteja por aí, fazendo discos. Mais curioso ainda é ouvir Spectral eyes e perceber que, mesmo depois de meio século, o Blondie continua sabendo fazer uma música pop soar simples, divertida e um pouquinho esquisita. Velhos truques, novas músicas.
E abaixo, você confere Spectral eyes, a capa do disco e os nomes das faixas.
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LISTA DE FAIXAS
01. Spectral eyes
02. Heartbreak kid
03. Come back home
04. Tambo tambo
05. Man who had no face
06. The end
07. Little metal drummer
08. Sleepwalking
09. Whistle into the wind
10. Antifreeze
11. East of Eden
12. Bad underwear
13. Ah, sunflower, weary of time
Urgente
Inimigos do Rei mostram lado sombrio em “Vício”, com Fausto Fawcett

RESUMO: Longe do humor de Uma barata chamada Kafka, os Inimigos do Rei exploram compulsões, dependência e busca por prazer imediato em Vício, novo single com Fausto Fawcett. A banda segue em turnê pelo Brasil.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Divulgação
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Lembra dos dois discos lançados pelos Inimigos do Rei entre os anos 1980 e 1990? Bom, a banda apanhou bastante da crítica em 1989 por causa de Uma barata chamada Kafka, música bem humorada lançada numa época em que o rock nacional tendia à seriedade. O lance é que se você pegar Inimigos do Rei (1989) e Amantes da rainha (1990), os dois discos, vai descobrir uma banda bem mais maldita e sinistra em vários momentos – em faixas como Crime, São Business, Garotinha do front e várias outras.
De volta, o grupo tem investido nesse lado, em singles novos como Medo e o novo Vício, que tem participação de Fausto Fawcett. Uma música que “fala sobre uma sociedade que estimula desejos e incentiva a busca por conforto e alívio imediatos. Através de comportamentos compulsivos, qualquer opção pode ser tornar uma via sem volta. A dependência da dopamina fácil, o conforto recorrente, a química que gera euforia ou alienação diante da realidade”, diz a banda, que elenca efeitos, falhas, maus hábitos, manias, vícios de linguagem, “em redes sociais, videogames, compras e sexo”.
O grupo tem rodado o país com a turnê Vem Kafka comigo. A formação da volta inclui a turma da banda em 1991: Luiz Guilherme (voz e letrista), Luiz Nicolau (voz), Lourival Franco (teclados), Marcelo Crelier (baixo), Marcelo Marques (bateria) e Marcus Lyrio (guitarra), além do recém chegado Mário Vitor (guitarra).
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