Cultura Pop
F****odeu, The Who acabou!

Imaginar The Who sem seu principal compositor, Pete Townshend, é uma impossibilidade (bom, a gente defende que banda não é álbum de família, mas nesse caso achamos que é mesmo uma impossibilidade). Em 16 de dezembro de 1983, Roger Daltrey e John Entwistle até poderiam defender seus direitos de continuar na estrada, mas não teve jeito: Townshend anunciou seu desligamento da banda, e o Who encerrou atividades.
Não houve exatamente um climão, mas uma série de acontecimentos que levaram a isso. Para começar, a vida do guitarrista e as questões internas do grupo haviam chegado a um limite. Townshend perdera o casamento por causa da rotina estressante da banda, e começou a beber e a usar heroína – precisou partir para um rehab nos anos 1980. Em setembro de 1978 rolou a morte do baterista Keith Moon. Em 3 de dezembro de 1979, onze fãs da banda foram pisoteados e mortos durante um show em Cincinatti. Tudo aconteceu por causa de um baita corre-corre causado por overbooking e disputa entre fãs por ingressos.
Teve mais: no comecinho dos anos 1980, o The Who voltou repaginado para os tempos de MTV, com Kenney Jones na bateria. Saíram os discos Face dances (1981) e It’s hard (1982), You better, you bet e Emminence front fizeram sucesso, mas a presença de Kenney nunca foi muito bem aceita por Roger Daltrey. “É como ter um roda de Cadillac num Rolls Royce”, costumava dizer o cantor do Who.
O fim (aliás um dos finais, já que o Who voltou depois, e várias vezes) foi o rompimento definitivo em algo que já vinha rolando aos poucos. Pete chegou a começar a compor para um disco que sairia em 1983, e a banda pouco antes disso fez uma turnê de despedida, em 1982, para anunciar que sumiria dos palcos – mas não deixaria de fazer discos. Só que Pete começou a se sentir pressionado por causa da obrigação contratual e a coisa começou a não dar certo.
Com o fim do Who, Pete Townshend decidiu mudar de carreira e foi trabalhar numa editora britânica, a Faber & Faber. A convite do então editor Matthew Evans, o guitarrista do Who passou a supervisionar a aquisição de livros. “O briefing de Townshend na Faber era bastante livre, e ele supervisionou um bom número de novas ficções e não-ficções, mas um de seus entusiasmos especiais era por livros sobre rock e pop”, explica um texto publicado no site da editora. Por causa de Townshend, a editora publicou livros como England’s dreaming, de Jon Savage, e Like punk never happened, de Dave Rimmer.
A fase homem-de-livros de Townshend durou pouco: o Who se reagrupou no fim dos anos 1980 para uma turnê comemorativa de 25 anos de banda. Na época, o grupo já estava virando piada na boca de gente como Keith Richards, que costumava falar que “jamais faria igual ao Who, com várias turnês de despedida” (na real, até aquele momento só tinha sido uma e o retorno tinha data certa para acabar).
E isso era o Who em seu, digamos, último show, em 1982.
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Cultura Pop
George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)
Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube
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“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).
O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).
Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.
A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.
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A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.
Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.
Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.
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Cultura Pop
No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.
Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)
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Cultura Pop
No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).
Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.
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