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Cultura Pop

Texas Hotel: selo histórico que quase lançou Michael Stipe solo

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Enquanto terminavam de escrever o disco Green e decidiam sua ida para a Warner, lá por 1988, os rapazes do R.E.M. pararam de dar shows – um ato que muitos fãs e críticos estranharam na época, mas que prenunciou um vácuo de apresentações que aconteceria em determinados momentos da carreira do grupo, posteriormente.

Enquanto isso, numa época em que, por acaso, tinha uma turma enorme acusando a banda de ter “se vendido”, os quatro aproveitavam para se meter em projetos independentes. O guitarrista Peter Buck virou músico da banda de um grande ídolo seu, Robyn Hitchcock, entre um monte de outras atividades. O baixista Mike Mills produziu uma banda chamada Billy James (que gravou o LP Sixes and sevens por um selo de Atlanta, Twilight Records). O baterista Bill Berry lançou até um single “secreto” de country, My bible is the latest TV guide, sob o codinome Thirteen-one-eleven.

Já o cantor Michael Stipe teve um envolvimento bem profundo com o underground nessa época: ficou amigo de Michael Meister, do selo independente Texas Hotel, que apesar do nome, tinha sua sede em Santa Monica, California. Stipe produziu um disco importante que saiu pelo selo: a estreia do Hetch Hetchy, banda de sua irmã, Lynda, além de recomendar outras contratações para a gravadora. E também começou a trabalhar num álbum solo para a gravadora, que talvez se chamasse Field recordings.

O projeto foi bastante adiado e que, à medida que o R.E.M. foi se tornando uma das bandas mais poderosas dos anos 1990, foi finalmente abandonado. Em 1992, a banda confirmava que Stipe tinha gravado algumas faixas solo, mas o vocalista dizia que nem tinha conhecimento desse nome (que aparece até em pelo menos uma bio do R.E.M., Remarks remade: The story Of R.E.M., de Tony Fletcher). Existe até um disco bootleg de Stipe chamado Not R.E.M., not field recordings, mas que tem apenas as gravações oficiais que o cantor fez fora da banda.

Bom, essa introdução meio grande tem duas utilidades: 1) ser reaproveitada numa futura matéria sobre a entrada do R.E.M. na Warner ou sobre os escondidos voos solo de Stipe nos anos 1980; 2) falar do Texas Hotel, um selo bacaninha que começou em 1986 e já teve fama de “selo mais badalado da Califórnia”. O selo surgiu de uma loja de discos, a Texas Records, em Santa Monica, dirigida por Michael Meister, um ex-DJ, e Susan Farrell, que chegou a trabalhar na gestão do Mötley Crüe (!). Stephen Tesluk, outro parceiro, completou o time.

O local vendia vários álbuns independentes e tinha espaço para shows – grupos como 10.000 Maniacs e Concrete Blonde, quando ainda eram indies, tocaram lá. O selo começou com uma grana emprestada dos pais dos donos e muita cara de pau, já que ninguém tinha (segundo uma matéria do LA Times) tanta experiência assim. Começaram gravando bandas como Downy Mildew (um grupo de folk pop que durou até 1995 e depois voltou) e nada menos que a Rollins Band, que gravou por lá o primeiro álbum, Life time (1988).

Olha aí uma reportagem de TV bem interessante com os três donos da gravadora, explicando também sobre como o time trabalhava.

Aliás, antes mesmo da Rollins Band, Henry Rollins, líder do grupo, já havia gravado coisas solo pelo Texas Hotel. Soltou lá o álbum solo Hot animal machine (1986) e o EP Drive by shooting (mesmo ano), creditado ao grupo politicamente incorreto Henrietta Collins and the Wifebeating Childhaters. Esse disco tinha até uma versão de We will rock you, do Queen, com nome mudado para I have come to kill you.

Já o Hetch Hetchy, banda da irmã de Michael Stipe, Lynda, lançou um EP (Make Djibouti, de 1988) e um álbum (Swolen, de 1990) pelo selo. E dois artistas do Texas Hotel se destacaram. Um deles era Vic Chesnutt, um cantautor folk  que tinha ficado paraplégico aos 18 anos, após um acidente de automóvel, e que também foi produzido por Michael Stipe. Vic, que chegou a assinar com a Capitol, morreu em 2009, aos 45 anos.

O outro foi o Poi Dog Pondering, um coletivo multiétnico de músicos fundado no Havaí, que se mudara para Athens, na Geórgia, e fazia pop-rock com instrumentos como clarinete, violino, bandolim e acordeom. O Poi Dog, que existe até hoje, chegou a assinar com a Columbia. O selo, por sua vez, durou até 1996.

Cultura Pop

George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

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George Harrison (Reprodução YouTube)

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)

Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube

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“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).

O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).

Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.

A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.

A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.

Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.

Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.

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Cultura Pop

No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

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Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.

Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)

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Cultura Pop

No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

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No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a "Jagged little pill"

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).

Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.

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