Cultura Pop
Teve aniversário de Black Celebration, do Depeche Mode

Black celebration, quinto disco do Depeche Mode (opa, o aniversário foi há pouquinho tempo, dia 17 de março) ajudou, mais do que tudo, a dar uma cara própria para a união de pós-punk, música eletrônica e som pesado. Se você conhece um monte de gente que beira os 50 anos e ama os três estilos, possivelmente a culpa é desse disco profundamente enraizado no tecnopop, mas cheio de climas densos e deprês. Uma “coisa” sonora que ajudou a levar o darkwave para as massas, e ajudou na formatação, por exemplo, do Nine Inch Nails (Trent Reznor é fã).
O quinto álbum do grupo de Alan Wilder, Andrew Fletcher (o popular Fletch), Dave Gahan e Martin L. Gore deu trabalho para todos os envolvidos – incluídos aí os produtores Daniel Miller e Gareth Jones. O Depeche era desde o começo uma banda que “não era” uma banda. Todos se responsabilizavam por teclados, programações e outros detalhes. Gore compunha todo o material, mas nem sempre curtia o fato de não cantar algumas das faixas – Dave Gahan ficava com o material menos leve dos discos.
Além da sobreposição de papéis, havia discussões entre os integrantes, e entre a banda e Daniel Miller, que tomaram conta das gravações – com alguns dos depeches achando que o relacionamento do grupo com o produtor já havia ficado estagnado. Mas na elaboração do disco havia tempo até mesmo para várias experimentações. Que incluíram uma obsessão por mixar e remixar o álbum, e também uma ou outra maluquice, como os samplers de fogos de artifício usados como percussão eletrônica (!) no fim de Stripped.
Black celebration abriu mais ainda as portas do sucesso para o Depeche Mode. A turnê do álbum foi bastante concorrida e movimentada, lotando estádios. E o álbum criou um universo musical diferente para o grupo, com canções mais texturizadas e detalhes que dão mais beleza às faixas. Como por exemplo as vozes sampleadas que dão o ritmo de It doesn’t matter two, ou clima meio Lou Reed de A question of lust. Ou tom quase melodramático da faixa título, um rock tocado apenas com instrumentos eletrônicos. E ainda tem os destaques Here is the house e New dress, e o bônus de algumas edições com But not tonight (lançada em single).
Nas internas do Depeche Mode, o tédio das turnês começava a ser reduzido com alguns excessos – inicialmente era só bebida, bem antes da heroína. Apesar da paixão por traquitanas eletrônicas, o Depeche ainda era de certa forma uma banda de rock, que volta e meia usava guitarras e baterias nas músicas. Como revelam no papo acima, com a MTV em 1986, no qual aproveitam para contar que Martin Gore costumava, às vezes, gravar alguns vocais sem roupa – e que já havia assustado uma engenheira de gravação do Hansa Studios, em Berlim, por causa desse hábito.
O próximo passo na carreira do Depeche Mode sairia em 1987: Music for the masses, sexto álbum, era o disco de Strangelove, fez mais sucesso ainda (no Brasil, inclusive) e ajudou a transformar o grupo, cada vez mais, em mania. E em vários países. DA Pennebaker, que já havia feito filmes com Bob Dylan, filmou em 1988 o documentário 101, sobre o Depeche, e até se assustou com a fidelidade dos fãs da banda. Mas essa é outra história.
Cultura Pop
George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)
Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube
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“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).
O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).
Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.
A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.
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A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.
Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.
Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.
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Cultura Pop
No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.
Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)
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Cultura Pop
No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).
Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.
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