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Crítica

Ouvimos: Grace Inspace – “Heavy hair” (EP)

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EP Heavy hair, de Grace Inspace, mistura alt-pop introspectivo, referências indie e letras pessoais sobre peso emocional e fragilidade.

RESENHA: EP Heavy hair, de Grace Inspace, mistura alt-pop introspectivo, referências indie e letras pessoais sobre peso emocional e fragilidade.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8
Gravadora: TODO
Lançamento: 27 de fevereiro de 2026

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Existe uma noção de “viagem pop”, que passa necessariamente pela introspecção, e que surge em Heavy hair, EP novo da cantora e compositora de alt-pop Grace Inspace. Sunshine kid, seu disco anterior (vendido pelas plataformas digitais como álbum, embora seja na prática pouco maior que Heavy hair), também ia na mesma onda, mas ainda era um disco totalmente associável ao indie rock e uma noção mais (digamos) “tranquila” de pop alternativo.

Heavy hair veio de um desenho que ela fez de si própria quando criança, com uma cabeleira tão enorme que parecia deixar sua cabeça pesada – e que parecia concentrar nos fios um peso emocional enorme. Parece um bom contraste com o nome de uma cantora que se diz “Grace no espaço”, e não é por acaso que ela abre o EP com Helium balloom, canção de voz e violão cuja letra é uma metáfora para algo que fica pairando, mas que já não tem o mesmo peso e significado que tinha antes. Meteor, com participação de Luna Li, tem vocal meio jazzístico, clima bittersweet e cordas.

Unirivaled parece trazer elementos de Weezer, Pixies e Velvet Underground para o disco, numa onda meio sixties. A letra parece trazer um diálogo entre duas pessoas que veem a mesma situação de fragilidade de formas diferentes, sendo que uma delas parece bastante traumatizada (“você disse que deixa todo mundo te intimidar / é irônico, mas é verdade / duvidam da minha força até ela ficar dormente e subutilizada”). Climas lembrando os discos solo de Kim Gordon e as viagens pop underground de Beck tomam conta das ruidosas Emergency contact e Blurry.

Keeper, no final, é um curioso folk de ninar, em que Grace convida alguém a entrar na sua vida, mesmo que a pessoa não possa entender tudo que ela já viveu (“alguns momentos nebulosos na minha memória / coisas que eu preferiria não ver”). Se musicalmente ainda há ajustes a fazer nas viagens pop de Grace, liricamente ela conseguiu arrumar maneiras bem originais de colocar suas questões pessoais em música.

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Ouvimos: School Drugs – “Funeral arrangements”

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Resenha: School Drugs – “Funeral arrangements”

RESENHA: Hardcore sombrio e sem alívio: o School Drugs mistura punk, grunge e peso metálico em Funeral arrangements, disco de clima fúnebre.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8,5
Gravadora: Indecision Records
Lançamento: 24 de outubro de 2025

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A música do School Drugs não foi feita para os momentos, er, felizes da vida – pelo contrário, você talvez demore para escutar um punk rock que seja tão deprê, e que não se roce na estileira emo. O som varia entre hardcore e metal, mas não é “metalcore”: soa na maior parte do tempo como um posto avançado da berraria brutal e da consciência de classe do Exploited, já que o School Drugs tem evidentes influências de grunge e exibe outras referências.

Modern medicine (2019), a estreia do School Drugs, era até mais old-school em relação ao hardcore do que Funeral arrangements, que é o segundo álbum. O disco ficou sendo trabalhado em fragmentos por quatro anos, e começou a se organizar aos poucos em torno de uma paleta sombria, bastante inspirada pela pandemia (discos causados ou influenciados por ela vão sair até 2030, nem duvide disso).

  • Ouvimos: Blackwater Holylight – Not here, not gone

Esse clima funéreo gerou faixas como Dead vine, hardcore gritado e desesperado, subindo pelas paredes, cuja letra fala sobre vidas perdidas e danos que jamais serão remediados. Can’t slow down vai na veia das ansiedades que brotaram com força em 2020 – e que permanecem vívidas. Plastic promise abre em clima quase metálico e ganha ares punk. Músicas como No taste, Cold hearted e Brave, repletas de peso e clima sinistro, tentam achar respostas em meio às babaquices e escrotidões do mundo.

De impressionar, tem Epicedum, tema instrumental que começa tremendo o chão, em vibe pós-punk e marcial, e migra pra um tom britpop. Tem também o fato do School Drugs ter resolvido incrementar seu som com cordas em faixas como Haunted, além do funeral musicado da faixa-título, que dura cinco minutos e soa como uma cerimônia punk-gótica. As ferozes Feel like shit e Work forever, por sua vez, falam do tratamento dispensado pelo mundo a uma pá de gente da classe trabalhadora.

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Ouvimos: Morro Fuji – “Ainda nem doeu”

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Resenha: Morro Fuji – “Ainda nem doeu”

RESENHA: Morro Fuji estreia com sua MPBaze no álbum Ainda nem doeu: MPB, shoegaze e pop sonhador em canções melódicas, nostálgicas e cheias de boas guitarras.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 9
Gravadora: MoFu Records / Shake Music
Lançamento: 28 de maio de 2026

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O Morro Fuji vem do ABC paulista, surgiu no ano anterior à pandemia, e define seu som como MPBaze – uma mistura de MPB e shoegaze, mostrando que a onda de bandas referenciadas nas paredes e nuvens de guitarra é caso sério a ponto de haver misturas bem diferentes do trivial.

Ouvindo com atenção Ainda nem doeu, álbum de estreia do grupo, outras coisas entram em jogo. O Morro Fuji é basicamente uma banda saudosa da época em que o rock nacional não se prendia a padrões e privilegiava a melodia (por mais que a gente tenha Paralamas do Sucesso e Legião Urbana, grooves, beats e vibrações meio formulaicas acabam, muitas vezes, chegando na frente por serem mais fáceis de reproduzir ou de imitar – e isso acontece no mundo todo). O shoegaze entra mais como uma senha melódica, uma cláusula de introspecção – o som não é emparedado e denso, como num disco do My Bloody Valentine.

  • Ouvimos: Graham Coxon – Castle Park

Um outro detalhe é que o som de Angela Destro (voz), Leonardo Pacheco (guitarra), Nícolas Farias (voz e guitarra), Natan Bertolino (bateria) e Pietro Demarchi (baixo) une o design melódico de Rita Lee e mumunhas sonoras herdadas de Lô Borges e dos Novos Baianos, às vibrações de bandas como The Sundays e Chapterhouse, além do Ride e o Blur do começo. Eram grupos que, mais do que fazerem “shoegaze”, eram especializados em música sonhadora, em canções que davam a real sensação de estar acima do chão.

O Morro Fuji une todos esses universos, além de guitarras que lembram bastante Smiths e Echo and The Bunnymen, em canções como as estradeiras Brisa e Ação e reação, o pop-rock adulto Agridoce, o soft rock Memorável, a balada voadora Nuvens espirais (Larara), a bossa pop Eu do futuro, o pop de câmara Asa de cera. Nas letras de Ainda nem doeu, o mesmo clima bittersweet de várias bandas dos anos 1980 e 1990 que caminhavam embaixo das nuvens e sentiam ruídos na mente e no coração. Uma música que alude a sonhos, mesmo que às vezes fale sobre como é duro acordar deles.

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Ouvimos: Rivermind – “Rivermind” (EP)

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Resenha: Rivermind – “Rivermind” (EP)

RESENHA: Pós-punk suíço com ecos de stoner, indie e U2. O Rivermind lança EP com boas músicas,  e cuidados nos arranjos – falta só mais originalidade

Texto: Ricardo Schott

Nota: 7,5
Gravadora: Independente
Lançamento: 13 de junho de 2026

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O Rivermind vem da Suíça e engrossa as fileira dos revivalistas do pós-punk que investem em uma sujeira a mais, ou uma atmosfera a mais – as guitarras têm uma distorção ou outra herdada do stoner, os vocais têm aquela limpeza “climática” que vem de bandas como Muse, há uma onde indie-pop que surge em alguns momentos. Imagine, a faixa de abertura do EP Rivermind, traz climas mais pesados – e as duas seguintes, Nightlight e Honey, trazem um clima de pop alternativo confessional.

Em Honey, há guitarras que lembram o U2 e climas ligeiramente herdados do Royal Blood (o duo é citado na lista de influências do Rivermind). Nevermind, a melhor faixa do EP, soa como um pós-punk mais pop, e mais ligado aos climas indies dos anos 2000. O final, com Sunfire, é diretamente herdado do rock marcial do começo dos anos 1980 – e também dá pra lembrar do U2 ouvindo essa. Só um começo, em que ainda é preciso correr atrás de mais originalidade, mas já existe bastante cuidado com composições e arranjos.

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