Da banda britânica Slade, ninguém pode dizer uma coisa: que eles não correram atrás do sucesso. O grupo forçou êxito nos Estados Unidos várias vezes – deu certo nos anos 1980. Antes da fama, conhecidos como ‘N Betweens (e ainda com formação diferente), eram mais devotados ao blues e ao soul. Chegaram a gravar, entre outras canções, uma cover de Security, de Otis Redding. Esse single saiu em 1966 e teve sucesso restrito.

Em 1967, os ‘N Betweens conseguiram uma oportunidade que… bom, à primeira vista parecia o sonho dourado. Gravaram um single no estúdio Abbey Road, sob a direção de Norman Smith. Não deu certo: a música só foi sair em 1994, como out takíssimo da primeiríssima fase da banda. E sim, àquela altura o som do Slade já lembrava demais os Beatles.

Em 1969, já trabalhando com um produtor chamado Roger Allen, o grupo conseguiu um contrato com a Fontana Records. Só que a gravadora detestou o nome N’Betweens. Mudaram pra Ambrose Slade – mistura dos nomes de duas marcas femininas da época – e gravaram Begginings, em 1969, cheio de covers (de Beatles, de Steppenwolf, etc). Não deu certo.

Em 1970, a banda promoveu dois encurtamentos: o nome Ambrose Slade virou apenas Slade, e os cabelos enormes de Noddy Holder (voz, guitarra), Dave Hill (guitarra, voz, baixo), Jim Lea (baixo, voz, teclados) e Don Powell (bateria) foram raspados. Isso aconteceu porque o novo empresário do Slade, Chas Chandler – o cara que tinha lançado Jimi Hendrix – achou que a nova onda do momento, para adolescentes e jovens da classe operária, era o visual skinhead (!).

Slade em 1970: nós, os carecas...

Anos antes de bandas oi gravarem seus primeiros álbuns, o Slade aparecia assim nas fotos de divulgação de seu primeiro verdadeiro disco, Play it loud (1970). Cabelos raspados, suspensórios e um visual que colocava a turma bem mais próxima dos violentos hoolligans, que lotavam os estádios. Lógico que, nessa fase, os shows do Slade sempre tinham a hora da porrada.

Se havia alguém para dizer a Chas algo como “olha, isso pode dar merda…”, esse alguém achou melhor ficar calado. No começo, deu certo a ponto de garantir alguns holofotes para a banda. E muita curiosidade mórbida. Afinal, que tipo de maluco iria raspar a cabeça em plena era hippie?

Slade em 1970: nós, os carecas... Slade em 1970: nós, os carecas... Slade em 1970: nós, os carecas... Slade em 1970: nós, os carecas...

Já esse aí é o Slade que você conheceu, na capa do sucessão Slayed, de 1972.

Slade em 1970: nós, os carecas...

O Slade carecão lançando Wild wing are blowing no Top Of The Pops em 1969. Destaque para o guitarrista Dave Hill, com um penteado que o deixa mais parecido com uma versão amalucada do presidente Michel Temer.

Via Denim Disco.