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Cultura Pop

Relembrando: Peter Murphy, “Love hysteria” (1988)

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Relembrando: Peter Murphy, "Love hysteria" (1988)

O universo talvez não estivesse preparado para uma metamorfose dessas: poucos anos após o fim da banda de rock-gótico Bauhaus, lá ia o cantor do grupo, Peter Murphy, atrás do espaço que ele julgava ser seu. Fã milenar de David Bowie, Marc Bolan e Iggy Pop, ele renascia solo num período em que artistas com imagem assustadora e/ou trevosa retornavam em tom mais palatável – inclusive seus próprios ídolos Bowie e Iggy.

Não que fosse uma referência, mas estava no ar: a segunda metade dos anos 1980 acabaria sendo bem interessante para ex-vocalistas de ilustres bandas britânicas dos anos 1970/1980. Era Morrissey (ex-Smiths) faturando, John Lydon (ex-Sex Pistols) virando astro pop enquanto cuspia verdes pelotas no Public Image Ltd, Julian Cope (ex-Teardrop Explodes) tentando virar herói do rock e Ian McCulloch (então um ex-Echo and The Bunnymen) tentando tirar sua casquinha.

Depois de uma experiência mal sucedida comercialmente com a (boa, por sinal) banda Dalis Car, que o unia a um ex-Japan, Mick Karn, Murphy decidiu ousar ver o que é que poderia fazer como artista solo – na real, queria mais controle sobre seu próprio trabalho, sem ter uma banda para se escorar. Apaixonado pelas linhas de baixo dos Talking Heads e pelo lado mais cerebral do pós-punk, soltou a estreia Should the world fail to fall apart (1986) pela mesma gravadora dos Bauhaus, a Beggar’s Banquet. Uma boa colcha de retalhos, partindo do drama gótico e quase chegando ao pop, em faixas como Canvas beauty e The answer is clear, e que ainda incluía versões de Magazine (The light pours out of me) e Pere Ubu (Final solution).

Love hysteria, o segundo álbum (março de 1988), era uma reviravolta que ligava e resolvia os lados diferentes de Peter Murphy. Tinha um lado gótico, quase melodramático, em algumas letras. O vocal de Murphy, a produção (a cargo do ex-The Fall Simon Rogers) e os arranjos ficavam mais próximos do tom chique dos discos solo de Bryan Ferry e, às vezes, até de So, disco solo redefinidor de Peter Gabriel – dois bons exemplos são a introdução progressiva de araque de Time has nothing to do with it, e a abertura oriental e percussiva do disco, com All night long. Quase todo o material foi composto por Murphy ao lado de Paul Statham, músico de uma banda britânica mais chegada ao synth pop do que ao gótico, B-Movie.

O tom solene de belezas como My last two weeks e Socrates the phyton deixava claro que ali estava um dos criadores do rock gótico. His circle and hers meet era o lado meio glam, meio tecnopop do álbum. Como se não bastasse, Love hysteria é o disco do hit romântico, dançante e contemplativo Indigo eyes. E de Dragnet drag, balada gótica na cola tanto do Echo and The Bunnymen do disco epônimo de 1987, quanto da fase pop dos Simple Minds. Fechando o álbum, a versão de Funtime, de David Bowie e Iggy Pop, tributo quase punk à dupla que dera o norte a Peter Murphy.

Love hysteria abriu espaço para Murphy nos Estados Unidos, e abriu caminho para Deep (1989), seu terceiro álbum. O disco foi mais uma parceria de Murphy e Statham, emplacou o hit Cuts you up em college radios e deu outra cara ao som e à imagem pública de Peter, mais poética e gótica do que necessariamente pop ou romântica.

Cultura Pop

George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

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George Harrison (Reprodução YouTube)

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)

Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube

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“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).

O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).

Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.

A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.

A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.

Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.

Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.

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Cultura Pop

No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

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Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.

Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)

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Mais Pop Fantasma Documento aqui.

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Cultura Pop

No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

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No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a "Jagged little pill"

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).

Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.

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