Lançamentos
Radar: Trabalhos Espaciais Manuais, Julieta Social, Synx, Vanguart, Dramma

O primeiro Radar nacional da semana já chega dentro da nossa nova meta: falar das músicas o mais perto possível de seus lançamentos — para deixar tudo mais dinâmico e atual. As novidades da banda gaúcha Trabalhos Espaciais Manuais e do grupo paulistano Julieta Social acabaram de aterrissar nas plataformas. E não dava para deixar passar o belíssimo e emocionante single duplo do Vanguart, lançado no dia 19. Dê o play e compartilhe!
Texto: Ricardo Schott – Foto (Trabalhos Especiais Manuais): Ricardo Ara/Divulgação
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TRABALHOS ESPACIAIS MANUAIS, “PONTO DE CURVA”. O TEM vem do Rio Grande do Sul e é uma banda instrumental – um grupo que sempre valorizou o uso de metais, e que nos dias de hoje une esse clima vibrante a teclados e sons eletrônicos em geral (incluindo synth bass e pads de percussão eletrônica). Lembranças de estilos como drum’n bass e jazz também surgem na música do octeto, que prepara para novembro seu álbum de estreia, Ponto de curva (Frase Records), e abre os trabalhos com o single de mesmo nome. Uma música épica, que chega a soar progressiva em alguns momentos – embora seja marcada por um flerte fixo com o dub.
“É simbólico pensar que essa faixa foi a primeira a surgir já dentro da ideia do disco e da nova formação da banda — e seu nome acaba por selar esse momento de virada”, conta Gabriel Sacks, baterista, compositor, fundador e designer do grupo, revelando o que há por trás da escolha de Ponto de curva como primeiro single e faixa-título do disco.
JULIETA SOCIAL, “ASTRONAUTA”. “É uma carta de despedida de alguns problemas, aceitando contradições e conversando com o tempo, algo que fala muito com a gente”, resume o vocalista Rafael Bastos a respeito do novo single da banda paulistana Julieta Social – por sinal o último single antes de sair o primeiro álbum do grupo, previsto para breve. Astronauta é uma música luminosa – do tipo que chama a atenção pelas guitarras, pela melodia alegre e contemplativa, e pela assertividade da letra, que propõe um diálogo com a própria vida.
SYNX, “DESAGUAR”. Essa banda goiana faz um som que, em alguns momentos do novo single Desaguar, é quase post-rock, com riffs ecoando, teclados celestiais e ruídos que parecem vir de um sonho bem estranho. As referências deles estão em estilos como shoegaze, mas é o tipo de som que mais faz vir imagens na mente do que paredes de guitarra nos ouvidos. Para dar um clima mais vintage para a música, Renata Servato (voz, synth e guitarra), Pedro Mendes (guitarra e voz), Matheus Campos (baixo e voz) e Lucas Radí (bateria) usaram os microfones de fita da marca Oldbox (sem merchan!), o que transforma Desaguar numa experiência sonora. E em breve sai o novo EP do grupo, pela Monstro Discos.
VANGUART, “ESTAÇÃO LIBERDADE” / “A VIDA É UM TREM CHEIO DE GENTE DIZENDO TCHAU”. Entre a tristeza e a liberdade, há vários estados de espírito – todos narrados pelo Vanguart em seu novo single duplo, que traz essas duas músicas. O som une folk rock, MPB, rock triste e o cuidado habitual que o grupo sempre teve com suas composições – e o disco adianta o próximo álbum do grupo, que sai em breve pela Deck.
“A vida… parece nos relembrar que a vida está em constante movimento, que tudo e todos irão passar e cabe a nós aproveitar os momentos na estação ou tomar o trem e também partir”, comenta Hélio Flanders. Estação Liberdade, por sua vez, é outro papo. “Uma espécie de canção autorreferente, uma canção que se despede, para depois se reencontrar em outra forma. É de certa forma um caminho que a própria banda fez, após a pandemia e um hiato de tempo indeterminado que se seguiu”, diz.
DRAMMA, “AMOR BLASÉ”. Tem algo que parece unir o emo à MPB dos anos 1970 no single novo do Dramma – é um som alternativo com a cara de 2025, mas com uma certa base blues-rock em meio aos vocais e a letra bastante nebulosa, cujos versos falam de situações que deixam muitas dúvidas (“eu nem sei seu nome, nem se é real”, diz a letra). O Dramma, que já se chamou Cigana, veio de Limeira (SP) e lança o novo single pelo selo paulista Lazy Friendzzz.
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Lançamentos
Radar: Queen, Jacob The Horse, Moon Construction Kit, Laptop, Dead Air Network, The Legal Matters

Acabou 2025! Bom, acabou pra você – no nosso coração ele continua vivo. Mas de qualquer jeito, vai aí o último Radar internacional do ano, destacando até mesmo uma canção natalina do Queen, que adianta um relançamento do grupo – e ainda não foi lançada oficialmente, mas você já ouve aqui. E ainda tem mais. Feliz ano novo!
Texto: Ricardo Schott – Foto (Queen): Capa do discoo Que
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QUEEN, “NOT FOR SALE (POLAR BEAR)”. Queen II, o segundo álbum do grupo britânico, de 1974, vai voltar recauchutado às lojas e plataformas em 2026. O relançamento é adiantado por Not for sale (Polar bear), canção gravada durante as sessões do disco. Trata-se de uma canção feita pelo guitarrista Brian May para o Smile, sua banda pré-Queen – e algumas gravações piratas da canção com o Smile já rolaram por aí. Brian, que lançou a faixa num especial de Natal apresentado por ele na rádio britânica Planet Rock, apresentou a canção falando que “até onde eu sei, ninguém nunca ouviu esta versão”.
Aliás, essa música do Queen é uma canção de Natal. Daí o músico ter ficado na maior pressa para apresentar a canção, que nem sequer está ainda nas plataformas digitais – May disse também que a música ainda era “um trabalho em andamento”, mas “estou colocando isso de surpresa no meu especial da Planet Rock porque fiquei curioso para saber o que as pessoas acham”. Um detalhe curioso é que a letra não faz referência direta ao Natal. A data surge meio como um subtexto, na história da criança que olha vitrines e depara com um urso polar de brinquedo que “não está à venda”.
JACOB THE HORSE, “666 CHICKS”. Numa homenagem ao filme Faster, pussycat! Kill! Kill!, de Russ Meyer, quatro garotas sanguinárias substituem os integrantes da banda punk de Los Angeles Jacob The Horse no clipe de 666 chicks, seu novo single. Não sem antes sequestrar os músicos, subjugá-los e comer os quatro vivos. O guitarrista e cantor Aviv Rubinstien canta que as mulheres “morrerão assassinando homens que tentam mantê-las acorrentadas” e revela uma história de sua família nos versos “minha avó Hannah costumava jogar coquetéis Molotov em nazistas / e eu pago dez dólares por um café / e escrevo poesia ruim / não há esperança para mim” (a avó dele realmente fazia isso – Aviv é judeu esquerdista e muito do repertório do Jacob The Horse é sobre a escalada do fascismo nos Estados Unidos). O irônico álbum At least it’s almost over, o próximo do grupo, sai em 20 de março.
MOON CONSTRUCTION KIT, “CHEMICALS”. O synthpop da Suíça vai bem, obrigado. O Moon Construction Kit é um projeto criado pelo músico Olivier Cornu, cuja sonoridade baseia-se em synths gélidos, algum peso nas guitarras e psicodelia como clima geral a envolver as músicas. Chemicals, o novo single, transita entre David Bowie e uma espécie de boogie art-rock, com arranjo e melodia contemplativos. “Chemicals é o som de sentir demais. Em algum momento, a única forma de lidar com isso é desligar. Eu queria que a faixa refletisse essa luta entre o caos e a necessidade desesperada de quietude”, conta Olivier.
LAPTOP, “CHRISTMAS CARD FROM A HOOKER IN MINNEAPOLIS”. Jesse Hartman é um sujeito experiente: tocou com Richard Hell, teve uma banda de indie rock chamada Sammy (que nos anos 1990 gravou discos na Geffen, e montou depois o Laptop, banda que começou lá pelos anos 2000, e que hoje divide com sseu filho Charlie. O grupo lançou o single Indie hero recentemente, mas despede-se de 2025 com um single natalino: é a versão deles para Christmas card from a hooker in Minneapolis, sucesso de Tom Waits.
“Essa foi a primeira música que me mostrou que dava para misturar tristeza e humor na mesma frase. Ela basicamente me formou. Essa música é a planta-baixa do Laptop, eu sabendo disso ou não”, conta Jesse, que tocava a faixa desde os 13 anos no piano da família, antes de montar qualquer banda.
DEAD AIR NETWORK, “THIS MIGHT HAVE HAPPENED BEFORE”. “O Dead Air Network mistura punk retrô, new wave e influências góticas para criar uma experiência sonora única, que dialoga tanto com fãs nostálgicos quanto com novos ouvintes”, faz questão de esclarecer esse grupo punk de New Jersey, que na faixa This might…, volta esbanjando referências de Hüsker Dü. A música está no EP The fifth of october.
THE LEGAL MATTERS, “EVERYBODY KNOWS”. Muito romantismo e um clima que faz lembrar bandas como Badfinger e Wings – é o som de Everybody knows, música nova dessa banda de power pop do Michigan. Uma música cuja letra fala a respeito de sons que lembram momentos legais do passado e os lugares dos quais você veio – você pode viver para sempre numa lembrança, numa fotografia ou em algo que te lembre coisas boas. Uma canção de Natal, embora nem seja esse o objetivo da banda, já que a data festiva nem é citada.
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Crítica
Os discos nota 10 de 2025 (até agora…)

E vai aí um listão com os discos nota 10 de 2025 até o dia de hoje. O ano foi pródigo em discos excelentes, ninguém pode negar – muita coisa que saiu é muito, mas muito boa de ponta a ponta.
Outros discos nota 10 de 2025 provavelmente virão no comecinho de 2026. Mas por enquanto ficamos com estes aqui. Por enquanto, não separamos entre nacionais e internacionais, nem tiramos álbuns e projetos retrô (ao vivo, box sets, coletâneas). Daí – atenção! – não é a lista de melhores do ano, que sai só em março.
Aqui, você dá uma olhada (e uma ouvida) no que os três primeiros meses de 2025 tiveram de melhor. O segundo trimestre tá aqui. O terceiro trimestre tá aqui. E veja também os 50 melhores discos nacionais e internacionais de 2024. Os melhores EPs do ano passado você confere aqui.
Texto: Ricardo Schott – Arte: Aline Haluch
After Geography – A hundred mixed emotions
Ana Spalter – Coisas vêm e vão
Big Special – National average
The Armed – The future is here and everything needs to be destroyed
Catto – Caminhos selvagens
Congadar – Aprendi com meus antepassados
David Longstreth, Dirty Projectors e Stargaze – Song of the Earth
Dom Salvador – JID024
Don L – Caro vapor II – Qual a forma de pagamento?
Eliana Pittman – Nem lágrima nem dor
Fito Páez – Novela
Francis Hime – Não navego pra chegar
Funeral Macaco – Idade do pássaro (EP)
Gal Costa – As várias pontas de uma estrela (Ao vivo no Coala Festival)
Gal Costa – Buenos Aires En vivo (ao vivo – gravado em 1978)
Glenn Hughes – Chosen
The Hausplants – Into equilibrium (EP)
Hayley Williams – Ego death at a bachelorette party
Hifi Sean & David McAlmont – Twilight
Home Front – Watch it die
Husker Dü – 1985: The miracle year (box set)
Hyldon e Adrian Younge – JID023
Jehnny Beth – You heartbreaker, you
Joaquim – Varanda dos palpites
Kali Uchis – Sincerely,
Karnak – Karnak mesozóico
Katy da Voz e As Abusadas – A visita
The Mars Volta – Lucro sucio; Los ojos del vacio
Marshall Allen – New dawn
Mateus Aleluia – Mateus Aleluia
Mateus Moura – A imitação do vento
Miragem – Outros delírios (Fim de festa) (EP ao vivo)
Miami Horror – We always had tomorrow
The Melody Chamber – The Melody Chamber
Mundo Livre S/A – Sessões Selo Sesc #15 (ao vivo)
The Near Jazz Experience – Tritone
Nyron Higor – Nyron Higor
Paul McCartney e Wings – Wings (coletânea)
Paulinho da Viola – 80 anos (ao vivo)
Pélico – A universa me sorriu – Minhas canções com Ronaldo Bastos
Peter Gabriel – Live at WOMAD 1982 (ao vivo)
Peter Gabriel – In the Big Room (ao vivo)
Phil Lynott’s Grand Slam – Orebro 1983
Pulp – More
Rhiannon Giddens & Justin Robinson – What did the blackbird say to the crow
Sacred Paws – Jump into life
Sault – 10
The Spells – The night has eyes
Sprints – All that is over
The Stargazer Lilies – Love pedals
Stereolab – Instant holograms on metal film
Steven Wilson – The overview
Suzanne Vega – Flying with angels
Teago Oliveira – Canções do velho mundo
Tony Njoku – All our knives are always sharp
Tunde Adebimpe – Thee black boltz
Ty Segall – Possession
The Who – Live at The Oval 1971 (ao vivo)
White Lies – Night light
Wire – Nine sevens (box set)
Zécarlos Ribeiro – (Todos os Homens)º = 1
Crítica
Ouvimos: The Last Dinner Party – “From the Pyre”

RESENHA: From the pyre aposta no glam-barroco performático do The Last Dinner Party, com ótimos momentos, mas perde equilíbrio e força na segunda metade.
Texto: Ricardo Schott
Nota: 7,5
Gravadora: Island
Lançamento: 17 de outubro de 2025
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Muita gente teve certa má vontade com a estreia do The Last Dinner Party, Prelude to ecstasy (2024), encarando (de forma machista, vale dizer) o quinteto londrino como uma miragem musical ou algo do tipo. Depois que Prelude saiu, o rock barroco feito por mulheres ganhou um nível de atenção bem bacana: Folk Bitch Trio e The New Eves lançaram álbuns que cruzam vibes elaboradas, climas sagrados, Velvet Underground (e Nico) e bittersweet. Florence + The Machine, por sua vez, voltou com a catarse pesada de Everybody scream – um disco surgido de um lugar de dor, trauma e expiação.
Prelude tinha muito de Florence Welch (foi a referência citada por dez entre dez pessoas quando o disco saiu), mas o TLDP sempre foi além disso, focando numa onda quase glam-barroca. From the pyre, o segundo álbum, traz Abigail Morris (vocais), Lizzie Mayland (vocais, guitarra), Emily Roberts (guitarra solo, mandolin, flauta), Georgia Davies (baixo) e Aurora Nishevci (teclados, vocais) embarcando num clima até mais performático e glam-rocker que na estreia, pelo menos na primeira metade do disco. Agnus Dei, na abertura, soa como a união exata de Queen, ABBA e Sparks. Count the ways tem clima lúgubre e sombrio como nas músicas do T. Rex. E a belíssima Second best tem vocais patinantes e algo que remete ao Sweet e ao David Bowie do disco Hunky Dory (1971)
Esse primeiro terço do disco é continuado no single This is the killer speaking (basicamente uma canção metade ABBA, metade Velvet Underground) e no tom clássico, sofisticado e glam de Rifle. O lado B de From the pyre, no entanto, dá uma ligeira desandada, com sons mais próximos dos punhos de renda do que dos climas glam. De memorável na segunda metade, tem os vocais maravilhosos de I hold your anger e o arranjo de orquestra crescente de Woman is a tree. Mas falta o equilíbrio da estreia, sobrando o encavalamento da pianística Sail away ao lado de dois sons mais próximos do soft rock, The scythe e Inferno, que usam referências boas (Kate Bush, Stevie Nicks, Bonnie Tyler), mas não acrescentam muito. No geral: bom, mas poderia ser bem melhor.
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