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Radar: Temples, Guided By Voices, The Claypool Lennon Delirium, Astra Vaga, The New Pornographers, Morrissey

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Foto (Temples): Jimmy Fontaine / Divulgação

Nem sempre o Radar vai em cima do som que saiu hoje: a ideia aqui é pegar coisas que saíram recentemente e foram parar em nossa playlist pessoal. Mas claro que, sempre que possível, é pra estar super em dia, ver o que foi lançado hoje, ontem, durante a semana, na última sexta – aliás nossa newsletter agora tem um apanhado de lançamentos semanais – e adiantar coisas que chegam logo logo às plataformas. O disco que vem por aí do Temples, por exemplo, já está sendo aguardadíssimo por aqui. E tem mais coisas legais no Radar de hoje.

Texto: Ricardo Schott – Foto (Temples): Jimmy Fontaine / Divulgação

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TEMPLES, “JET STREAM HEART”. A volta do Temples acontece com essa faixa que aponta para a pista sem abandonar a lisergia que moldou a banda de Kettering, Inglaterra. O baixo pulsa firme, a bateria empurra tudo adiante e riffs de clima marroquino cruzam a música. Os vocais apontam para algo etéreo.

O grupo fala em “euforia melancólica” para definir a nova fase, e faz sentido: a canção trata da sedução da música, desse ímã que arrasta o corpo para dentro do som, como num clube em que cada batida parece ligada direto aos nervos. Jet stream heart antecipa Bliss, álbum que sai em 26 de junho de 2026 pela V2.

GUIDED BY VOICES, “WE OUTLAST THEM ALL”. Um amigo disse: “a melhor música que o GBV lança em anos”. Outro falou uma frase que nós, fãs de Robert Pollard, assinamos embaixo: “se todos que fazem dezenas e dezenas de discos fossem iguais ao Guided by Voices!”. O fato é que se você achava que Pollard e seus colaboradores estavam muito quietinhos, vem por aí o novo álbum do Guided: Crawlspace of the pantheon sai no dia 29 de maio pela  Guided By Voices Inc.

Crawlspace já começa com polêmica: a Wikipedia diz que Thick, rich and delicious, disco anterior do grupo (resenhado aqui pela gente) era o 42º álbum – Pollard em pessoa vem afirmando que o próximo disco é o 44º da banda. O ótimo single We outlast them all investe no lado The Who do grupo, e traz o criador do grupo mirando a grandiosidade épica. “Ela poderia ser o nosso We are the champions, mas não é necessariamente sobre nós. Poderia ser sobre qualquer casal, grupo de pessoas ou organização que persevera por um longo período de tempo”, conta ele, que diz ter trabalhado as letras de Crawlspace foram trabalhadas de forma “diligente”.

THE CLAYPOOL LENNON DELIRIUM, “THE GOLDEN EGG OF EMPATHY” (feat Willow) /  “WAP (WHAT A PREDICAMENT)”. Saiu single duplo do projeto que une Sean Lennon (o próprio) e Les Claypool (baixista do Primus). O projeto estava parado desde 2019, quando saiu o segundo álbum, South of reality – e agora saem The golden egg e WAP (What a predicament), que adiantam o álbum The great parrot-ox and the golden egg of empathy.

São duas músicas entre o progressivo, a psicodelia e a onda experimental – a primeira num clima mais funky, cortesia do baixo de Claypool, e dos vocais de Willow, ligada a rock, pop e r&b; e a segunda tendo algo a ver com os próprios Beatles, e com bandas como Small Faces.

Segundo Sean, o terceiro disco, previsto para o dia 1º de maio, é um “álbum conceitual de 14 músicas que reflete sobre moralidade, mortalidade e os alertas da inteligência artificial”, disse. “É a história de uma tecnocracia eclipsada por clipes de papel; um jovem destinado a desvendar a trama da loucura de seu pai; e uma deusa sagrada emplumada, que detém a chave em forma de ovo para o futuro deles”. Vai saber o que vem por aí…

ASTRA VAGA, “NINGUÉM ME VÊ”. Depois do álbum Unção honrosa, a banda portuguesa Astra Vaga lança o clipe de Ninguém me vê como um mini-doc sobre o nascimento do projeto musical — da composição e gravação das músicas aos ensaios da banda e shows realizados em várias cidades de Portugal. O vídeo segue Pedro Ledo (que é o nome por trás do AV) entre composições, gravações, ensaios e shows – e revisita as casas onde o disco nasceu, costurando bastidores e memórias.

Com estética analógica e tom confessional, o filme expõe o processo de criar do zero, as mudanças de rumo, as dúvidas e a tentação de desistir. Ao mesmo tempo, deixa claro que o projeto só existe pela força coletiva de amigos e parceiros, e pela necessidade quase vital de transformar inquietação em música.

“Existe a vontade constante de desistir e o questionamento se afinal tudo valerá a pena. A única resposta que encontrei até hoje para esta pergunta é que não conheço outro jeito de viver a não ser através da expressão artística. Por isso, não criar, seria deixar de existir”, conta Pedro. E tá certíssimo.

THE NEW PORNOGRAPHERS, “SPOOKY ACTION”. O nome “novos pornógrafos” já atrai encrenca e cancelamento, mas para piorar só um pouco, no ano passado Joe Seiders, baterista da banda de power pop na última década, foi preso pela acusação de posse de material de abuso sexual infantil. O grupo rompeu relações com o músico, e talvez uma mudança de nome fosse até apropriada (vá lá). Seja como for, a banda lança no fim do mês o disco The former site of The New Pornographers e já vem adiantando o disco com singles – legais, inclusive. Spooky action fala sobre “a sonda Cassini-Huygens, que orbitou Saturno por anos antes de se chocar contra a superfície do planeta” (eita) e investe no clima psicodélico e espacial do grupo.

MORRISSEY, “AMAZONA”. Shows cancelados, atestados médicos mais estranhos que filme do David Lynch, não-vindas ao Brasil, declarações esquisitas e canceláveis, uma capa em que ele parece uma mescla do Robbie Williams com o Didi Mocó… e até que Make-up is a lie vem sendo adiantado com singles interessantes. Morrissey até se arriscou numa releitura de Amazona, uma das melhores músicas da história do Roxy Music (do disco Stranded, de 1973) – e um clássico da faceta ladies man do vocalista do grupo, Bryan Ferry. Juro, ficou bom. E Make-up is a lie sai nesta sexta (6).

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Radar: Esquema Símio, MC Karlos, Janine, Johnny Monster, Barbudos Malaios, Mundo Alto

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Esquema Símio (Foto: Divulgação)

O nosso Radar voltou devagar na semana passada dando uma olhadinha pras novidades do Groover – como vai acontecer sempre – e retorna agora com mais alguns destaques nacionais das últimas semanas. Aliás não só das últimas semanas: bandas como Esquema Símio e Mundo Alto já estão para brotar aqui há um tempinho. O conceito do Radar é destacar singles que você precisa ouvir, bandas novas que você tem que conhecer e gente que tá ai há um bom tempo e que não para de lançar coisas boas. Divirta-se e use sem moderação.

Texto: Ricardo Schott – Foto (Esquema Símio): Divulgação

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ESQUEMA SÍMIO, “OXALÁ” / “SEBO”. “Um manifesto sonoro entre o desejo e a incerteza, com guitarras densas, clima ritualístico e letra que evoca fé, dúvida e travessia”, diz essa banda baiana ao definir um de seus últimos singles do ano passado, Oxalá. As guitarras pesadas e o beat dançante dessa faixa põem o Esquema Símio direto nos anos 1990, entre o peso do grunge e a emoção do britpop – rock alternativo e espiritualidade urbana caminhando juntos, como eles próprios fazem questão de afirmar.

Aproveite e fique de olho nos singles que a banda vem lançando nas últimas semanas – Sebo, lançada em janeiro, tem guitarras, percussão brasileira e peso dançante, com uma letra que fala sobre o hábito de comprar livros e revistas em livrarias de usados. Vem mais aí.

MC KARLOS, “LUTAR PARA FICAR EM CASA (PELO FIM DA ESCALA 6X1)”. Esse rapper gaúcho gosta de bater onde dói – já mostramos aqui mesmo no Radar O rock morreu (Graças a deus), em que ele espeta os roqueiros radicais até fazer várias feridas. Lutar para ficar em casa senta a mamona na escala 6×1 e resgata o (quem diria, hein?) passado roqueiro de Karlos.

Ao lado da banda Xupacabras, ele faz uma curiosa versão de You gotta fight for your right to party, dos Beastie Boys, em que os versos originais são substituídos por coisas que deveriam fazer qualquer brasileiro ou brasileira levantar a bunda da cadeira e ir para a rua reclamar pelos seus direitos. “Não, eu não quero implorar pro meu patrão / os direitos garantidos na legislação / os meus colegas de trabalho não são minha família / se eu não fosse obrigado, nem com eles convivia”.

JANINE, “DOROTÁ”. Após lançar o ótimo EP Muda, no ano passado (falamos dele aqui), Janine volta com uma música que é um disco – ou um maxi-single que funciona como uma espécie de suíte progressiva e experimental, formada por faixas belas e curtas. Dorotá tem cinco partes – começando pela parte 0 em vez da 1 – e traz as participações de Ana Clara Martins (Texuga) no baixo e Arthur Xavier (Ente) na bateria. Alice Conduru produziu, gravou, mixou e masterizou tudo em um estudio caseiro, usando uma mesa de mixagem sem entrada (NIMB).

O resultado é formado por excertos musicais que giram em torno do violão de Janine, às vezes lembrando bandas como Focus, em outros momentos lembrando artistas brasileiros que traduziram a linguagem do progressivo para cá. O som ainda capta o entorno – você quase pode ver o apartamento em que o disco foi gravado.

JOHNNY MONSTER E CLEMENTE NASCIMENTO, “TUDO QUE EU PRECISO”. Johnny tinha convidado o amigo Clemente (o próprio, dos Inocentes e da Plebe Rude) para dividir as guitarras no EP Red Star sessions, gravado no estúdio Red Star, em SP, na mesma onda das Peel Sessions, do DJ John Peel. As gravações ficaram com um espírito de recostrução punk do pós-punk, e o material foi todo gravado ao vivo e com poucos overdubs. O rock’n roll Tudo que eu preciso tem algo de The Hives e é som de pista. Red Star sessions teve lançamento na quinta-feira passada no próprio Red Star, durante a Fantástica Festa Pro Clemente, evento beneficente para o músico – que, ao ser internado por causa de problemas cardíacos, ficou sem trabalhar.

BARBUDOS MALAIOS, “QUERO VER ONDE VAI DAR”. Esse negócio de amadurecimento é um problema – quem diz que é tranquilo é porque não tomou pé da situação. A banda niteroiense Barbudos Malaios decidiu falar sobre isso em Quero ver onde vai dar, faixa de abertura de seu EP Ponta vertigem, lançado ano passado.

Com um som bastante psicodélico e cheio de detalhes escondidos, o grupo aborda na música as questões de quem já está ficando nervoso com o movimento frenético da vida atual, e sobre a sensação de estar sempre sendo deixado para trás. O clipe da faixa simboliza isso com imagens de solidão, desespero e sombras, todas encenadas pela atriz Adriana Engelbart. Música tranquilizante, clipe tenso e misterioso.

MUNDO ALTO, “CICATRIZ”. “Estamos finalizando as gravações do nosso novo álbum que sai em 2026. Comecei a escrever músicas novas no comecinho de 2022 e de lá pra cá o repertório foi crescendo: incluímos um cover de Guilherme Arantes no meio, pegamos algumas músicas do meu projeto solo – o Ozla – e as rearranjamos e no final temos cerca de 20 músicas quase prontas. Tá demorando, mas agora é reta final”, avisou há algumas semanas Paulo Senoni, vocal e guitarra da banda paulista Mundo Alto.

O powerpop Cicatriz, primeiro movimento rumo ao disco novo, saiu em outubro de 2025. A banda, responsável pelo ótimo álbum A interminável necessidade de ser (o único deles, lançado em 2015!!), avisa também que vêm outros singles antes do segundo álbum sair. Se forem no clima pesado, aberto e alegre de Cicatriz, vai valer esperar.

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Radar: Crá Croí, Paula T., Marquez de Antas – e mais sons do Groover

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Crá Croí (Foto: Divulgação)

O Pop Fantasma tá na Groover! Por lá, artistas independentes mandam seus sons pra uma rede de curadores – e a gente faz parte desse time. Fizemos hoje uma relação do que tem chegado de legal até a gente por lá – começando com o som do Crá Croí.

O que tem chegado até nós? De tudo um pouco, mas, curiosamente (ou nem tanto), uma leva forte de bandas e projetos mergulhados no pós-punk, darkwave, eletrônico, punk, experimental, no wave e afins.

Texto: Ricardo Schott – Foto (Crá Croí): Divulgação

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CRÁ CROÍ, “FIRES AT DAWN” / “FEEDING THE FEAR”. Essa banda irlandesa (cujo nome, no idioma local, significa algo como “dor de coração” ou “irritação do espírito”) está preparando um álbum para o segundo semestre. O som dos dois singles mais recentes é um pós-punk sombrio que faz lembrar bandas como Interpol, Preoccupations e a fase nova do AFI, com boas guitarras, letras soturnas e vocais graves. Mas Feeding the fear, vale citar, ganha no quesito frieza e depressão, com guitarra quase formando uma novem típica do shoegaze, e vocais gravados como se viessem de uma transmissão radiofônica. Vale esperar o álbum.

PAULA T, “SUGAR TITS”. Com clima sexual e zoeiro embutido na letra e no título de seu novo single, Paula T é uma artista do Brooklyn que se considera uma compositora de canções no estilo “bubblegrunge electropunk”. Sugar tits é uma personagem que ela imaginou quando estava num relacionamento bastante repressivo, “Esta música é para quem vive tentando agradar todo mundo, e para qualquer pessoa que sinta a necessidade de se reprimir por algum motivo”, conta ela.

MARQUEZ DE ANTAS, “AGORA IGNEZ É MORTA”. Duo brasileiro independente de pós-punk/darkwave que estava dando um giro pela Europa no começo do ano – retornam ao Brasil neste mês – o Marquez usa o mito medieval de Inês de Castro (romancista portuguesa cuja morte virou ditado popular e até inspirou trechos de Os lusíadas, de Luís de Camões) para fazer uma canção sombria e inspirada em bandas como Lebanon Hanover.

JRNXLST, “HALO”. Esse músico do Equador, mas radicado nos Estados Unidos (no Brooklyn, aliás) faz um som que une rock e dance-pop, com refrãos fortes e beats pesados – uma onda que faz lembrar bastante bandas como The Killers. Misturando versos em inglês e espanhol, ele faz em Halo, simultaneamente, música pop e ativismo. “A música foi inspirada por uma fotografia hoje famosa de uma criança palestina sendo segurada por uma enfermeira em Gaza. Uma criança que parecia ter mais ossos do que carne”, afirma ele, que como imigrante, sentiu-se particularmente tocado com a imagem.

DREAM BODIES, “OMENS”. Criado por um sujeito chamado Steve Fleet, o Dream Bodies é um projeto bastante produtivo – já até apareceu aqui no Radar outras vezes. Omens é uma canção “joydivisionesca” (a definição é dele) sobre um amor que vai embora e deixa dores de cotovelo, além de um monte de dúvidas existenciais, do tipo “será que isso é o meu destino ou eu mesmo crio meu destino?”. Fãs de The Cure vão achar bastante diversão (e choradeira) aqui também.

LUX THE LION, “TERAPIA”. Com o pseudônimo de Lux The Lion, esse compositor que vive entre Brasil, Cabo Verde e Portugal investe em canções que ele diz ser “para a alma, não para o corpo”, e afirma que cantar virou o jeito dele organizar seu dia. Em Terapia, canção com vibe de piano-bar, ele imagina um mundo “sem boleto, celular ou papel” com a futura companhia.

REPTILE TILE feat PERIOD BOMB, “SHOPPING AROUND”. O mundo do consumismo, das aparências e das redes sociais é sacaneado no single novo desse “projeto musical experimental multigênero” de Virginia Beach, Estados Unidos. Shopping around tem um clipe deliberadamente feito na mão de onça, com imagens que parecem tiradas de uma propaganda de TV dos anos 1980, misturadas com zoeira sadomasoquista (olha só o visual da turma). Camila Alvarez, criadora do grupo Period Bomb, solta a voz junto com Roderick Edens, do Reptile Tile.

JANIQ, “COBRA”. Com uma sonoridade pop e dançante, e letras que celebram a liberdade e a sexualidade, Janiq (que vem de Trinidad and Tobago, mas é radicada em Londres) e cai dentro do r&b sexy em Cobra, seu novo single. O tema da faixa, diz ela, é alguém que se torna quase uma paixão hipnótica. “É quase perigoso se envolver com alguém que exerce uma atração tão magnética sobre você que o tempo desacelera quando ele te toca, e você se pega dizendo sim a qualquer coisa que ele sugira. Vocês dois ficam presos nisso, dançando nas bordas da incerteza — mas, se não for algo lúdico, ardente e inebriante, então eu não quero”, conta ela.

SUGAR WORLD, “IN MAGAZINES”. Essa distorcidíssima banda de Los Angeles promete o disco supercassetteworld (assim mesmo, com minúsculas) para lançamento ainda neste ano – recentemente, no último dia de 2025, lançaram um ótimo pirata deles próprios, Live at Little Street Music Hall. In magazines, o novo single, traz várias recordações de como era viver no começo dos anos 2000, quando o foco do marketing era em revistas, e não na internet. “Ela tem muita nostalgia do ambiente midiático dos anos 2000 da minha infância, mas é, na verdade, sobre a vida nos anos 2020”, conta o vocalista Ryan Stanley.

WESTWELL, “VIEW FROM THE BEACH” / “FEAR”. Dois singles recentes dessa banda britânica que tem um pai e um filho na formação. Fear, que saiu no ano passado, é uma música antiguerra, feita pela banda “sobre a esperança de que, quando o amanhã chegar, eu terei sido o homem que deveria ter sido” – uma faixa que eles definem como meio canção, meio oração. View tem referências de The National e The War On Drugs e é definida pelo grupo como uma faixa que “contrasta aqueles que observam em segurança da margem com os corajosos o bastante para mergulhar fundo – e se afogar”.

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Lançamentos

Radar: Queen, Jacob The Horse, Moon Construction Kit, Laptop, Dead Air Network, The Legal Matters

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Capa do disco Queen II

Acabou 2025! Bom, acabou pra você – no nosso coração ele continua vivo. Mas de qualquer jeito, vai aí o último Radar internacional do ano, destacando até mesmo uma canção natalina do Queen, que adianta um relançamento do grupo – e ainda não foi lançada oficialmente, mas você já ouve aqui. E ainda tem mais. Feliz ano novo!

Texto: Ricardo Schott – Foto (Queen): Capa do disco Queen II

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QUEEN, “NOT FOR SALE (POLAR BEAR)”. Queen II, o segundo álbum do grupo britânico, de 1974, vai voltar recauchutado às lojas e plataformas em 2026. O relançamento é adiantado por Not for sale (Polar bear), canção gravada durante as sessões do disco. Trata-se de uma canção feita pelo guitarrista Brian May para o Smile, sua banda pré-Queen – e algumas gravações piratas da canção com o Smile já rolaram por aí. Brian, que lançou a faixa num especial de Natal apresentado por ele na rádio britânica Planet Rock, apresentou a canção falando que “até onde eu sei, ninguém nunca ouviu esta versão”.

Aliás, essa música do Queen é uma canção de Natal. Daí o músico ter ficado na maior pressa para apresentar a canção, que nem sequer está ainda nas plataformas digitais – May disse também que a música ainda era “um trabalho em andamento”, mas “estou colocando isso de surpresa no meu especial da Planet Rock porque fiquei curioso para saber o que as pessoas acham”. Um detalhe curioso é que a letra não faz referência direta ao Natal. A data surge meio como um subtexto, na história da criança que olha vitrines e depara com um urso polar de brinquedo que “não está à venda”.

JACOB THE HORSE, “666 CHICKS”. Numa homenagem ao filme Faster, pussycat! Kill! Kill!, de Russ Meyer, quatro garotas sanguinárias substituem os integrantes da banda punk de Los Angeles Jacob The Horse no clipe de 666 chicks, seu novo single. Não sem antes sequestrar os músicos, subjugá-los e comer os quatro vivos. O guitarrista e cantor Aviv Rubinstien canta que as mulheres “morrerão assassinando homens que tentam mantê-las acorrentadas” e revela uma história de sua família nos versos “minha avó Hannah costumava jogar coquetéis Molotov em nazistas / e eu pago dez dólares por um café / e escrevo poesia ruim / não há esperança para mim” (a avó dele realmente fazia isso – Aviv é judeu esquerdista e muito do repertório do Jacob The Horse é sobre a escalada do fascismo nos Estados Unidos). O irônico álbum At least it’s almost over, o próximo do grupo, sai em 20 de março.

MOON CONSTRUCTION KIT, “CHEMICALS”. O synthpop da Suíça vai bem, obrigado. O Moon Construction Kit é um projeto criado pelo músico Olivier Cornu, cuja sonoridade baseia-se em synths gélidos, algum peso nas guitarras e psicodelia como clima geral a envolver as músicas. Chemicals, o novo single, transita entre David Bowie e uma espécie de boogie art-rock, com arranjo e melodia contemplativos. “Chemicals é o som de sentir demais. Em algum momento, a única forma de lidar com isso é desligar. Eu queria que a faixa refletisse essa luta entre o caos e a necessidade desesperada de quietude”, conta Olivier.

LAPTOP, “CHRISTMAS CARD FROM A HOOKER IN MINNEAPOLIS”. Jesse Hartman é um sujeito experiente: tocou com Richard Hell, teve uma banda de indie rock chamada Sammy (que nos anos 1990 gravou discos na Geffen), e montou depois o Laptop – uma banda que começou lá pelos anos 2000, e que hoje Jesse divide com seu filho Charlie. O grupo lançou recentemente o single Indie hero, mas despede-se de 2025 com um single natalino: é a versão deles para Christmas card from a hooker in Minneapolis, sucesso de Tom Waits.

“Essa foi a primeira música que me mostrou que dava para misturar tristeza e humor na mesma frase. Ela basicamente me formou. Essa música é a planta-baixa do Laptop, eu sabendo disso ou não”, conta Jesse, que tocava a faixa desde os 13 anos no piano da família, antes de montar qualquer banda.

DEAD AIR NETWORK, “THIS MIGHT HAVE HAPPENED BEFORE”. “O Dead Air Network mistura punk retrô, new wave e influências góticas para criar uma experiência sonora única, que dialoga tanto com fãs nostálgicos quanto com novos ouvintes”, faz questão de esclarecer esse grupo punk de New Jersey, que na faixa This might…, volta esbanjando referências de Hüsker Dü. A música está no EP The fifth of october.

THE LEGAL MATTERS, “EVERYBODY KNOWS”. Muito romantismo e um clima que faz lembrar bandas como Badfinger e Wings – é o som de Everybody knows, música nova dessa banda de power pop do Michigan. Uma música cuja letra fala a respeito de sons que lembram momentos legais do passado e os lugares dos quais você veio – você pode viver para sempre numa lembrança, numa fotografia ou em algo que te lembre coisas boas. Uma canção de Natal, embora nem seja esse o objetivo da banda, já que a data festiva nem é citada.

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