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Radar: Sssiv, Body Type, Kehlani, Foo Fighters – e mais!

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Sssiv (Foto: Divulgação)

O segundo Radar internacional deu aquela atrasada, a edição da newsletter que deveria ter saído ontem também vai atrasar um pouco… Mas beleza, deu tempo de ouvir mais música e de conferir mais lançamentos. Dessa vez abrimos viajando até a Dinamarca e trazendo de lá o som sonhador do Sssiv. Mas tem até Foo Fighters, Kehlani… do mais indie ao mais popular. Ouça no volume máximo.

Texto: Ricardo Schott – Foto Sssiv: Divulgação

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SSSIV, “ALL THE TIME”. Dia 8 de maio sai o próximo EP dessa banda de Copenhague, Sssiv 2. Uma banda ligada ao dream pop e à neo-psicodelia, formada por três integrantes, todos com letra “s” na inicial: Sara (bateria), Stephen (baixo, guitarra) e Sasha (guitarra e baixo). Os três também se responsabilizam pelos vocais – às vezes em coral – e por uma sonoridade que classificam como “espontânea, espiritual, doce; sonhadora e otimista”. Esse é o som de All the time, single que anuncia o disco.

O material do trio costuma sair de improvisações ao vivo, sempre referenciadas por bandas como Galaxie 500, Low, Yo La Tengo e Big Thief – o que já dá uma ideia do nível de criatividade e loucura da turma. “Nós amamos as imperfeições, amamos estragar tudo de um jeito lindo que só os humanos conseguem”, contam eles que, nem precisa falar, não estão nem aí pra IA e outras coisas.

BODY TYPE, “AND WHAT ELSE?”. Criada pela banda King Gizzard & The Lizard Wizard, a p(doom) Records acaba de acrescentar ao seu elenco essa banda do Canadá, formada por quatro mulheres. O Body Type dividiu palco com bandas como Sleater-Kinney, Warpaint, Pixies e Wolf Alice e depois deu um tempo pra fazer trabalhos paralelos. Voltaram em 2024 e And what else? é o primeiro lançamento da nova fase – sai pela Poison City Records na Austrália e Nova Zelândia, com distribuição da p(doom) nos Estados Unidos, Reino Unido e Europa.

O som da nova música é punk altamente cantarolável, com beat sessentista e guitarras simples, cheias de clima – além de vocais bastante melódicos no coral. Já a letra fala sobre a necessidade de validação que leva muita gente à insegurança total num relacionamento. “Aquelas reviravoltas mentais que o cérebro dá quando declarações de adoração fazem você se sentir cético e indigno, mas ao mesmo tempo ávido por mais dessa doçura”, diz a vocalista e guitarrista Sophie McComish. Já tem até clipe!

KEHLANI feat MISSY ELLIOTT, “BACK AND FORTH”.  Superstar do r&b, Kehlani lança seu novo disco, epônimo, dia 24 de abril – e Back and forth é o último lance antes do álbum chegar às plataformas. O som da faixa tem algo de anos 1990: lembra daquela época em que o pop bom tinha um ar doce, um beat irresistível, vocais que grudavam e um rap que grudava mais ainda?

Pois bem: Kehlani convidou a veterana Missy Elliott para participar e ficou maravilhoso. A letra, por sua vez, fala da realidade de muitas mulheres: a convivência com a insegurança e os ciúmes alheios – que acabam gerando mais insegurança. A letra tem versos como “deixe suas inseguranças de lado, deixe-as na porta de casa / acho que agora te vejo de um jeito diferente, a culpa é minha / todo o seu orgulho e ciúme / vão me fazer te deixar em paz”.
Kehlani, o disco, vai trazer também os singles Folded e Out the window. Agora, é aguardar.

FOO FIGHTERS, “OF ALL PEOPLE”. Não dá pra dizer que o release da nova faixa do FF mente quando compara a nova música da banda com Hüsker Dü. Of all people tinha sido apresentada ao vivo pela primeira vez no dia 22 de fevereiro, na Irlanda, e chega agora nas plataformas. Mais uma música em que o grupo volta ao seu início, com clima entre o grunge e o punk – mas vamos ver como vai ficar todo o disco quando Your favorite toy, o próximo de Dave Grohl e cia, chegar às plataformas, no dia 24 de abril.

Segundo Grohl, a inspiração para a música veio do reencontro com um antigo amigo. “Encontrei um traficante dos anos 90 que estava deixando todo mundo chapado de heroína”, contou ele na famigerada entrevista que concedeu recentemente ao The Guardian. “Eu não o via há 30 anos, e ele está vivo, saudável e sóbrio. Fiquei tão feliz que essa pessoa sobreviveu, ao mesmo tempo em que estava devastado, por causa de todas as pessoas que conheço que perdemos exatamente para essa droga”. Grohl pode ter ficado feliz, mas escreveu versos cortantes como “de todas as pessoas, você sobreviveu / quando ninguém mais conseguiu sobreviver / você sabe que deveria estar morto / mas, em vez disso, está vivo”.

PURITY RING, “LEMONLIME”. Quem gosta de rótulos malucos vai ficar feliz em saber que a nova música desse duo canadense já vem sendo chamada por aí de “glitch-haze” – na real nem há muitos glitches (defeitos especiais) na nova canção deles, Lemonlime, mas sim um clima de neo-psicodelia eletrônica e espacial, bastante luminosa. A faixa é uma sobra do disco Purity Ring, de 2025 – foi a última faixa a ser composta e não entrou no álbum, saindo só agora em single.

ISAIAH RASHAD, “SAME SH!T”. Tinha um tempinho que não saía nada novo desse criativo rapper – o último disco, The house is burning, é de 2021. De lá pra cá, algumas coisas aconteceram: ele teve uma sex tape vazada, e chegou a abordar o caso em entrevistas. Em 2022, abriu seu show no Coachella com vídeos em que apareciam frases como “o objetivo era envergonhar Isaiah. No entanto, o tiro saiu pela culatra” e “cara, por que você está tão preocupado com o que outro homem está fazendo?”.

Dessa vez, ele anuncia o disco It’s been awful para o dia 1º de maio e acaba de soltar Same sh!t, um boombap levinho e bacana. Uma faixa que, diz Isaiah, “reflete o que mais importa para mim: minha família, cuidar de mim mesmo e a rotina diária. Em sua essência, trata-se de batalhar, estar presente e trabalhar duro todos os dias”.

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Radar: Slippers, American Football e Brendan Yates, Suki Waterhouse – e mais!

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Slippers (Foto: Divulgação)

No Radar internacional de hoje (fazia tempo que não rolava um, né?) nos pentenciamos por termos passado direto pelo single novo da ídala Suki Waterhouse – e ele tá aqui. Tem também a nova do American Football (com Brendan Yates, do Turnstile) e, abrindo os trabalhos, o indie rock com cara power pop do Slippers, que prepara disco para breve. Ouça bem alto!!

Texto: Ricardo Schott – Foto Slippers: Divulgação.

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SLIPPERS, “FOOL IN YOUR ROOM”. “Não consigo encontrar minha carteira ou chaves / acho que vou cancelar todos os meus cartões”. E assim, a vida adulta, entre boletos, cartões, chaves perdidas e problemas que exigem soluções meio rápidas, vai passando. Esse é o tema de Fool in your room, a nova música dos Slippers, uma banda que surfa no punk e no power pop, e que prepara o disco Slippers 08 para o dia 5 de junho. O disco já havia sido anunciado pelo single Wants for everyone.

Em Fool in your room, destaque para os vocais e para o carisma de Madeline Babuka Black, que mais parece uma garota dos anos 1970 no clipe da faixa – filmado em Super 8 numa casa-canguru de subúrbio, daquelas que têm de tudo, até um quartinho de ferramentas.

AMERICAN FOOTBALL feat BRENDAN YATES, “NO FEELING”. Como dissemos há algumas semanas, se o Turnstile some um pouco da mídia, acabam arrumando motivo para essa banda punk altamente variada reaparecer. Nem que sejam motivos altamente loucos, como aconteceu há alguns dias, quando o ex-guitarrista do grupo, Brady Ebert, foi preso, acusado de tentar matar o pai do vocalista Brendan Yates.

Agora, Brendan dá aquela força no retorno de uma das bandas mais influentes da nova geração do emo e do hardcore: o American Football prepara um quarto álbum epônimo para o dia 1º de maio, pela Polyvinyl, e Yates dá as caras na sensível e sombria No feeling, um emo + post-rock de fazer chorar escorregando pela parede, e que já ganhou até clipe.

Com American Football, o próximo disco (e o primeiro em sete anos!), o grupo deverá ganhar finalmente o reconhecimento que merece. Um perfil da banda recentemente publicado na revista GQ mostra que nem tudo são flores no front do grupo: excessos, ansiedade, autossabotagem e questões emocionais sérias fazem parte do dia a dia do AF. É esperar pra ver. Recentemente a banda lançou um single épico de oito minutos, Bad moons.

SUKI WATERHOUSE, “BACK IN LOVE”. E não é que com o tempo a gente foi esquecendo logo da nova música dela? Suki é a autora de um disco que, num mundo perfeito, poderia ter revolucionado o alt-pop, Memoir of a sparklemuffin (resenhado pela gente aqui). Não rolou uma baita revolução, mas ficou claro que a maneira como Suki une música pop, histórias curtas e alguns minutos de vida é caso muito sério. Back in love, novo single, surfa a mesma onda pop- disco-délica do disco anterior, dessa vez falando de uma pessoa que voltou a se apaixonar por si própria. “Para mim, é sobre voltar ao seu senso de identidade após passar por uma mudança”, conta Suki, que aparece como centro das atações num nightclube no clipe da faixa, dirigido por Kaz Firpo.

GENTLY TENDER, “A MOUND A FIELD”. Essa banda britânica tem um som bem curioso: Sam Fryer, o vocalista, tem voz empostada como a de Morrissey – mas o som basicamente mistura psicodelia, soul e climas que variam entre Rolling Stones e a turma de Madchester. É o que você vai encontrar no single A mound a field, um épico de cinco minutos, com flauta, metais, guitarra wah wah e uma onda quase progressiva. O EP novo desse sexteto, This was once fields, sai no dia 22 de maio pela TODO Records.

A letra segue o esquema mais hippie possível: Fryer inspirou-se numa caminhada que fez há dois anos, que iniciou em Hertfordshire (na pequena vila de Ridge) e terminou em Temple, na margem norte do Tâmisa. “A música captura o momento em que você está caminhando pelos campos abertos e, de repente, se depara com a vista da vasta cidade, percebendo as mudanças de emoção, como isso altera sua respiração e como te leva a meditar sobre toda a vida na Terra, como ela se desenvolveu para o bem e para o mal”, conta ele. Tem até clipe, quase tão invernal quanto a própria música.

IMYLIA, “MY VALENTINE”. Achar infos sobre Imylia por aí é meio complexo. Buscando por aí, vê-se que ela tem 25 anos, usa bastante o Discord (é a rede social oferecida como “infos” de seu instagram) e tem uma onda sonora que vem do rap underground, além de inspirações tiradas de nomes como Billie Eilish. Falamos certa vez de Deadbeat, seu álbum mais recente – e um disco com aquela carinha típica de geração Soundcloud, tudo super feito em casa. My valentine, o single novo, é um curioso alt-pop com estrutura de shoegaze: linhas vocais altamente cantaroláveis e paredes esfumaçadas de guitarras.

BLUSH CULTURE, “INFLUENCE”. O Blush Culture é uma daquelas bandas misteriosas que não mostram a cara em fotos de imprensa nem por decreto. Sabe-se que é um grupo que vem de Scranton, na Pensilvânia, e que os integrantes vêm de bandas como Auxilia, Machine Arms e Empire of the Sea (aliás, por integrantes entenda-se Kevin Jacob e Wayne Middleton nos vocais e na guitarra, Michael Flaherty no baixo e Matthew Renaldi na bateria). No dia 17 sai o primeiro EP deles e vai ter até show de lançamento – num bar lá de Scranton, mas vai ter. Influence, o primeiro single, é basicamente post-rock – mas procurando daqui e dali, tem até algo de grunge espalhado, embora seja uma música extensa e de arranjo esparso.

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Radar: Vermelha, Zeh Lucas, Iris da Selva, Tuany – e mais!

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Vermelha (Foto: Cíntia Molter / Divulgação)

Se no Radar de ontem falamos de um disco (a estreia do Vanguart) que pulou do CD pras plataformas digitais, dessa vez o assunto é um disco, o da banda Chuva Negra, que só existia virtualmente – e agora virou vinil. No mais, é a boa e velha variedade musical, que hoje abre com o relax criativo do som do Vermelha. Ouça bem alto.

Texto: Ricardo Schott – Foto Vermelha: Cíntia Molter / Divulgação.

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VERMELHA, “MERGULHO”. Esse é o single de estreia desse trio formado por Le Moreli (voz e guitarra), Zollner (baixo) e Jesa Pop (bateria). Mergulho, música que surgiu de uma jam da banda, tem produção de Paulo Kishimoto (Pitty, Bufo Borealis) e uma sonoridade lenta, psicodélica, próxima do sonho.

A própria letra de Mergulho fala de um dia de contemplação e relaxamento na praia, à beira dela ou no mar, em que o escuro das águas e a luz do sol são o que interessa, e ninguém tem relógio para marcar o tempo – ou seja: sonho puro, do começo ao fim. E o arranjo é bastante criativo: conforme o mar vai ficando mais agitado, com ondas para furar, a música também vai ficando mais distorcida e intranquila.

ZEH LUCAS, “CORRE, VEM VER” / “ENREDO”. Zeh Lucas é cantor, compositor e instrumentista de Garanhuns, no Agreste pernambucano, e faz uma MPB contemporânea que olha pra frente sem largar as raízes. No som e nas letras, aparecem ideias de pertencimento, território e memória, tudo guiado por vocais delicados e melodias que ficam na memória.

Enredo, single do fim de fevereiro, vem com clima de samba, cara de verão e um tempero de soul e jazz – soa carioca, mas com aquela liberdade meio sonhadora que também vem de Pernambuco. Já Corre, vem ver, mais recente, traz um violão que aponta pra Gilberto Gil e vai passeando por reggae, samba-rock e até manguebit. A faixa ainda ganhou clipe, em parceria com o Cordilheira Estúdio. E Zeh já deixou avisado: nesse mês chega o álbum visual Paradeiro.

ÍRIS DA SELVA, “UM LUGAR PRA IR”. Cantor e compositor paraense trans não-binário, Iris já passou por festivais como Psica e Se Rasgum, e prepara seu disco de estreia para maio, explorando sons que vão do folk ao carimbó. Um lugar pra ir é uma canção simples, em que tudo parece bem minimalista, mas os espaços são sempre muito bem ocupados – com a voz doce de Iris, um violão de nylon, o banjo, o tambor curimbó e a flauta transversal.

Na letra de Um lugar pra ir, Iris fala sobre a busca de paz e de cura num lugar em que ele pode “ser a poesia dos seus avós” e “tirar as pedras de dentro”: enfim, a fuga do caos nosso de cada dia. “Meu trabalho traz a territorialidade na lírica e na sonoridade, mas sempre aborda temas universais, diz Iris, que pôs na capa do single uma pintura de Barbara Savannah retratando Icoaraci, distrito de Belém onde ele nasceu.

TUANY, “DEITO E CHORO”. “É muito bom, mas cansativo e às vezes caótico. Ser a artista, diretora, roteirista, produtora tudo ao mesmo tempo pode desviar um pouco o foco. Mas é a forma que eu posso fazer agora, e eu busco extrair o máximo de mim e das pessoas que me ajudam nessas tarefas”, diz a paulista Tuany, que fez de tudo um pouco em seu novo clipe, Deito e choro: produção, direção, edição, imagens… mas com alguns colaboradores (até seus pais captaram algumas cenas).

O punk irônico de Deito e choro fala sobre aqueles momentos em que as emoções acumulam e só resta (como diz o título) deitar e chorar. Já o vídeo traz um passeio pelas ruas de Santo André (SP), incluindo a veterana loja Metal Music, além dela e sua banda tocando no estúdio Lanners, em São Paulo. “Essa música é o estopim final de milhares de emoções ao mesmo tempo”, afirma a cantora.

ISRAEL COSTA BAND, “DORES NAS COSTAS”. Já são 49 músicas no Spotify desse cantor e compositor maranhense, que com a Israel Costa Band vem construindo uma trajetória bem amarrada no groove – e que já rendeu cinco álbuns ao longo do caminho. Um trabalho constante, e cheio de personalidade.

Dores nas costas chega com bom humor, falando de amor, do cansaço no fim do dia e daquela vontade de dividir planos e confidências. O lançamento é praticamente todo independente: Israel cuidou de produção, mix e master, em parceria com o selo Brisa Records. O clipe da faixa, avisa Israel, foi feito de maneira totalmente espontânea: só o cantor circulando por espaços conhecidos de São Luís, capital maranhense, cantando e dançando como quem deixa a música levar.

CHUVA NEGRA, “CHORO E DELÍRIO EM IBIZA”. Essa banda surgida em 2009 na zona norte de São Paulo transitou por vertentes diferentes do punk, e se consolidou ao longo dos anos como parte do que define como “rock não famoso”. Ou seja: é uma banda independente até a medula e investe nesse lado indie, fora do mainstream. Surf, seu disco de 2024, acaba de ganhar lançamento em vinil pela Repetente Records, com masterização específica para o vinil feita por Philippe Fargnoli.

Nas plataformas, Choro e delírio em Ibiza, punk com ar pós-punk + emo (graças às palhetadas e ao riff da abertura) é a mais ouvida, com direito a versos irônicos como “tô com Mauricio Mattar e Edson Celulari / choramingando uma reunião de sóbrios anônimos (…) / estou defecando cacos de vidro que eu não consegui mastigar”. Já o nome do disco é aberto a interpretações. “É o oposto de conceito, mas pode ser um conceito também, depende de quem observa”, afirma o vocalista Rodrigo. “Pode ser o ‘supérfluo’, ‘superficial’ ou ‘não importante’… ‘Surfar’ pode ser ‘andar por cima’ ou ‘viver’. Esse mantra se repete pelo álbum inteiro”.

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Radar: Cipó Fogo e Tijuca Dub Club, Libra e Clara Lima, Letto, Vanguart – e mais!

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Cipó Fogo e Tijuca Dub Club (Foto: Divulgação)

Peso, eletrônica, som folk, rap feito entre Brasil e Portugal… O primeiro Radar nacional da semana aponta para vários lados, abrindo com as ousadias musicais, artísticas e políticas do Cipó Fogo e do Tijuca Dub Club, e prosseguindo até com a memória do indie rock brasileiro. Ouça bem alto.

Texto: Ricardo Schott – Foto Cipó Fogo e Tijuca Dub Club: Divulgação.

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CIPÓ FOGO E TIJUCA DUB CLUB, “DIGITAL SLAVES” / “ACAB”. O Tijuca Dub Club vem da eletrônica, o Cipó Fogo puxa pro peso – juntos, soltaram esse single duplo, Digital slaves, com a ideia de que a escravidão nunca acabou, só mudou de forma. Agora, o controle tá com as big techs. Pra ilustrar isso, eles usaram IA recriando obras de Rugendas e Debret, que viraram a capa. A tecnologia entra como crítica: Felipe Vazquez, produtor do Tijuca, resume como “trabalhar pra bilionário brincar de robô”. Já Marcelo Cabral, do Cipó Fogo, deixa claro: ninguém ali é contra tecnologia. “Artistas, sobretudo periféricos, independentes, do underground, com poucos recursos disponiveis, podem e devem utilizar essas ferramentas para se expressar, não substituindo o trabalho criativo, mas complementando o que surge de uma ideia original”, diz.

LIBRA E CLARA LIMA, “NO ONE WILL SAVE YOU”. O rap do Brasil e de Portugal se encontram aqui: Libra, de Lisboa, e Clara Lima, de BH. O single No one will save you foi feito à distância, mas junta duas visões de empoderamento dentro do rap, com versos em inglês e português. Uma música que fala daqueles momentos em que o perigo não vem só de fora – às vezes, vem da própria cabeça. É quando a gente tem que ter coragem de assumir nossa própria força.

LETTO, “LEVANTA MEU BOI”. Depois de rodar o Brasil e absorver várias referências, Letto chegou nesse som inspirado nos folguedos de boi — especialmente o de Natal (RN). A música já vinha sendo testada ao vivo antes de virar gravação. Ele mesmo diz que usa o palco como termômetro e só grava o que já funcionou ali. O single abre caminho pra apresentação junina do projeto Girô, com o qual ele já tem ligação forte, seja como DJ ou cantando carimbó.

VANGUART, “SEMÁFORO”. Memória no Radar: a Deck pôs nas plataformas a estreia epônima do Vanguart, que saiu em 2007 em CD encartado na revista Outracoisa. David Dafré (guitarra e voz), Douglas Godoy (bateria), Hélio Flanders (violão, gaita e voz), Luiz Lazzarotto (piano e órgão) e Reginaldo Lincoln (voz e baixo), que eram a formação na época, ganharam destaque em sites como o Scream & Yell com o álbum, e são lembrados até hoje pelo folk alternativo e MPBístico de músicas como Semáforo e Cachaça. Uma das obras mais importantes do indie nacional do começo do século 21 vai chegar às novas gerações.

BEATRIZ E A FITA, “ESTRELA”. Criada em 2012 por Beatriz Paris Pinheiro, a banda segue numa linha indie mais íntima, entre folk e dream pop. Estrela vai ainda mais nessa vibe: soa quase como uma valsa leve e meio etérea, sobre alguém deslocado, como se não pertencesse a esse mundo. Começa com voz e violão bem na frente e vai ganhando camadas aos poucos.

CHAMELEO, “CURVAS”. Unindo sonoridades do indie pop e do indie rock, Curvas, single novo de Chameleo – composto por Vivian Kuczynski, Pedro Bom e Gabriela Grafolin – tem uma letra bastanta ousada, que fala sobre a ansiedade por novas sensações, novos prazeres, novas experiências, “uma inquietação que atravessa a forma como a gente se relaciona, inclusive no amor. No fim, essa busca toda pode levar a algum lugar… ou não”, diz ele. Até mesmo o impulso de ir de São Paulo ao Rio para viver coisas novas surge na faixa, cujo clipe, dirigido por SCOZ e Lucas Cobucci, foi gravado em locais como o Love Cabaret e o Andar de Cima.

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