Connect with us

Cultura Pop

Quarenta clássicos pop da música infantil

Published

on

Quarenta clássicos pop da música infantil

Arca de noé (1980/1981) é um puta disco. A trilha de Sítio do Pica-Pau Amarelo (1977) também. Mas não há nada deles aqui, porque de modo geral, eles são álbuns que trazem a fina flor da MPB fazendo música infantil. A lua, hit do MPB 4, é pop pra burro – mas também ficou de fora. Na lista abaixo, em comemoração ao Dia da Criança, quarenta hits e não-hits dos tempos em que fãs dos Beatles, gente ligada em novidades pop, em rock dos anos 50/60/70/80, cantores mirins, astros da TV, etc, dominaram as paradas fazendo som para a criançada e para os pré-adolescentes. Curte aí. Leia e ouça.

“FUNGA FUNGA” – TRIO SONECA (Vila Sésamo, Som Livre, 1974). Convidados para fazer a trilha do programa infantil Vila Sésamo, Marcos Valle e o irmão letrista Paulo Sergio Valle tiveram reuniões com vários psicólogos e pedagogos. “A ideia era que o disco tivesse uma mensagem como: ‘Acredite em você, você pode derrubar a ditadura!'”, contou. Depois, trancou-se num estúdio caseiro com alguns músicos (o baixista Novelli entre eles). E de lá saiu com várias músicas que pouco lembravam seu passado na bossa nova – a inspiração parecia vir dos Beatles e do soul, em músicas como essa.

“A LENDA DA CONCHINHA” – VELUDO AZUL (O mundo é da criança, Som Livre, 1977). Sucesso entre pais e filhos no fim dos anos 70 (até por vir com um pôster cheio de desenhos de animais), esse disco gravado por um grupo de proveta da Som Livre tinha O pato (hit de João Gilberto) em versão samba-rock, Papai Walt Disney (hit infantil do Grupo Farroupilha) em tons psicodélicos e, fechando, a alegre releitura desse sucesso de Celly Campello.

“NÃO EMPURRE, NÃO FORCE” – A PATOTINHA (Ao sucesso com a Patotinha, RCA, 1980). No quarto álbum, o grupo infantil de proveta vinha com alguns sucessos infantis misturados com versões de disco music e até alguns hits adultos regravados (coisas como Abri a porta, de A Cor do Som, e Menino do Rio, de Caetano Veloso). A versão de Don’t push, don’t force it, de Leon Haywood, vinha com o subtítulo Melô dos patins e versos formidáveis como “estamos de patins/se você nos empurra/acho que vamos cair”.

“RAIMUNDO QUER VOAR” – DANIEL AZULAY (Turma do lambe-lambe, CBS, 1980). Bem antes de começar a compor com Ronaldo Bastos, o cantor, compositor e guitarrista Celso Fonseca ajudou a dar cara soul-pop ao primeiro álbum do desenhista Azulay feito para o programa Turma do lambe lambe (Rede Bandeirantes).

“O ELEFANTE” – ROBERTINHO DE RECIFE (Satisfação, Philips, 1981). Em shows do projeto metaleiro Metal Mania e do neoclássico-rocker Rapsódia rock, o herói da guitarra pernambucano precisava aturar um monte de gente na plateia berrando “toca O elefante!”. Perdido num dos álbuns mais roqueiros do músico, esse tema infantil com corinho de crianças marcou época.

“MEU BUMERANGUE NÃO QUER MAIS VOLTAR” – ERASMO CARLOS (Amar pra viver ou morrer de amor, Polydor, 1982). Animado com a vida em família, Erasmo Carlos já havia conquistado o público infantil com a animada Pega na mentira, em 1981. Meu bumerangue… foi logo adotada pelas crianças e até regravada pela Xuxa no disco Xuxa e seus amigos, de 1985. O sucesso com a molecada fez Erasmo ser convidado para o filme O cavalinho azul (1984), baseado em peça de Maria Clara Machado.

“BRINCADEIRAS DE CRIANÇA” – BOZO (Bozo, RCA, 1982). Que John Lennon revire-se na tumba e Paul McCartney chame os advogados: o Bozo (sim, o próprio) gravou uma versão de Ob-la-di, Ob-la-da, dos Beatles, em seu primeiro álbum…

“NARIZINHO” – BOZO (Bozo, RCA, 1982) … e, mais pop que isso impossível: gravou uma marchinha de carnaval que tem o “patrão” Silvio Santos como um dos autores. Narizinho observa que “criança que gosta do Bozo é muito feliz/criança que gosta do Bozo sabe onde tem o nariz” (sic).

“O INCRÍVEL HULK” – JUNINHO BILL (Festival Internacional da Criança, RCA, 1983). Você não deve lembrar, mas Juninho, depois um dos integrantes do Trem da Alegria, começou sua carreira com essa música, no álbum do festival criado pelo SBT – e que também lançou as carreiras, em separado, de Patricia Marx (então conhecida como Patricia Marques) e Luciano. O disco vendeu bem e algumas músicas pegaram mais do que praga de piolho em jardim de infância.

“ROCK DA LANCHONETE” – LUCIANO DI FRANCO (Festival Internacional da Criança, RCA, 1983). Parece que seu toca-discos está com a rotação acelerada, mas é só o então petiz Luciano, futuro Trem da Alegria, fazendo sua estreia em disco no mesmo festival que lançou Juninho Bill.

“LINDO BALÃO AZUL” – MORAES MOREIRA, BABY CONSUELO, BEBEL GILBERTO, RICARDO GRAÇA MELLO (Pirlimpimpim, Som Livre, 1983). Meio sumido do circo pop havia alguns anos (“minha crise do segundo disco foi a do segundo, do terceiro e do quarto”, disse), Guilherme Arantes voltava como compositor de música infantil, graças a esse hit…

“BRINCAR DE VIVER” – MARIA BETHÂNIA (Plunct plact zuuum, Som Livre, 1983). … e a esse, com letra escrita por Guilherme em cima de um tema musical do jazzista britânico Jon Lucien, e que encerrava um dos principais especiais infantis da Globo dos anos 80.

“O CARIMBADOR MALUCO” – RAUL SEIXAS (Plunct plact zuuum, Som Livre, 1983). Após dois anos tentando, Kika Seixas, então esposa de Raul, conseguiu reposicioná-lo no mercado, com um disco pela Eldorado (Raul Seixas, do mesmo ano) e uma participação de peso em Plunct, cantando o tema de abertura. A inspiração da letra veio de um texto do anarquista francês Pierre-Jouseph Proudhon (que falava em “ser governado é: ser guardado à vista, inspecionado, espionado, dirigido, legislado, regulamentado, depositado, doutrinado, instituído, controlado, avaliado, apreciado, censurado, comandado por outros que não têm nem o título, nem a ciência, nem a virtude”).

“SUPERFANTÁSTICO” – TURMA DO BALÃO MÁGICO E DJAVAN (Turma do Balão Mágico, CBS, 1983). Composta inicialmente para Roberto Carlos gravar com a Turma (o primeiro verso deveria ter sido “Roberto Carlos amigo/que bom estar contigo/em nosso balão”), acabou nas vozes dos meninos Tobi, Mike e Simony, e na de Djavan. E virou um dos maiores hits do grupo infantil, inclusive graças ao arranjo de cordas feito pelo mago dos estúdios Lincoln Olivetti.

“É DE CHOCOLATE” – ROBERTINHO DE RECIFE, PATRICIA, LUCIANO E EMILINHA (Clube da criança, RCA, 1984). O sucesso com O elefante credenciou Robertinho e sua guitarra para mais serviços no mercado da música infantil. Esse hit da dupla Michael Sullivan e Paulo Massadas pôs em clipe no Fantástico (e no programa de Xuxa na Manchete, Clube da criança) Patricia Marx e Luciano Nassyn, que entrariam no grupo Trem da Alegria um ano depois.

“VAMOS A LA PLAYA” – BOM BOM (Bom Bom, Epic/CBS, 1984). Hoje multi-instrumentista, produtor e professor de música, Sandro Haick, filho de Netinho (Incríveis, Casa das Máquinas) começou aos 12 anos tocando bateria nesse grupo, que fez sucesso com essa versão em português do duo italiano Righeira. O repertório do primeiro disco trazia de Leo Jaime a letras feitas pelo versionista oficial da Turma do Balão Mágico, Edgard Poças. Ninguém percebeu, mas apesar do alto astral da versão, o original de Vamos a la playa falava dos resultados altamente tóxicos de uma guerra nuclear (você já leu sobre isso no POP FANTASMA).

“XIXI NAS ESTRELAS” – GUILHERME ARANTES (Pirlimpimpim 2, Som Livre, 1984). Quando um conhecido compositor de música pop precisa fazer um disco infantil bacana, que marque época e venda discos, o que ele faz? Bom, a primeira providência de Guilherme Arantes ao ser convidado para escrever Pirlimpimpim 2 foi chamar Julio Barroso, da Gang 90, e o poeta Paulo Lemisnki para dividir as parcerias. O resultado foi uma verdadeira pérola maldita da música infantil oitentista. O hit do álbum, composto com Leminski, foi esse aí.

“É TÃO LINDO” – TURMA DO BALÃO MÁGICO E ROBERTO CARLOS (Turma do Balão Mágico, 1984). Pronto: o Rei finalmente topou participar de uma gravação da Turma – na versão de It`s not easy, do filme da Disney Meu amigo dragão (Pete’s dragon, de 1977).

“SE ENAMORA” – TURMA DO BALÃO MÁGICO (Turma do Balão Mágico, 1984). Versionista de quase todo o repertório da Turma, Edgard Poças conseguiu realmente – e de forma assombrosa – entender o que se passava na cabeça de uma criança dos anos 80 que vivia as agonias de um amor platônico de escola. A música ainda faz muito marmanjo chorar.

“AGULHA NO PALHEIRO” – LUIZ MELODIA (A turma do Pererê, Som Livre, 1984). O especial infantil de Ziraldo, quando levado à tela da TV, trouxe a MPB de Gal Costa (na bela Grande final, de Moraes Moreira), o sertanejo de Sergio Reis (em Canção dos caçadores), um pop infantil que nem parece mas é de Raul Seixas (Canção do vento) e o tom black Rio da canção de Luiz Melodia, que fala da ida do índio Tininim para a cidade grande.

“A VERDADEIRA HISTÓRIA DE ADÃO E EVA” – BLITZ (Plunct plact zuuum II, Som Livre, 1984). A segunda parte do especial infantil falava, em sua maior parte, sobre vivências de pais separados e filhos alijados do próprio lar. Por algum motivo que não lembro mais qual é, o programa começava com essa música da Blitz que não havia sido incluída em disco nenhum do grupo e contava a história da criação do mundo com uma letra cheia de duplos e triplos sentidos (“Adão segura sua cobra/que eu tô com maçã de sobra pra dar”, cantavam as vocalistas). Até no Rock In Rio rolou.

“PAPAI SABE TUDO” – ERASMO CARLOS (Plunct plact zuuum II, Som Livre, 1984). Em alta com o público infantil e prestes a se tornar ele mesmo um pai separado, Erasmo falava sobre o drama do pai que cuidava da vida, da carreira e dos filhos pequenos, tudo ao mesmo tempo, nessa canção de Leo Jaime e Leandro (ex-João Penca e seus Miquinhos Amestrados).

“SUBPRODUTO DE ROCK (GERAÇÃO DO ROCK)” – BARÃO VERMELHO (Plunct plact zuuum II, Som Livre, 1984). O clássico infantil do Barão com Cazuza se tornou popular a ponto de ser executado pela banda em seu show no Rock In Rio I, em 1985 – com um nada infantil “foda-se” anexado na letra.

“MEU URSINHO BLAU BLAU” – ABSYNTHO (Absyntho, RCA, 1984). Er… um estranho encontro entre música infantil + rock brasileiro dos anos 80 + glam rock + psicodelia (era uma banda com repertório infantil que adotou como nome uma bebida alcoólica – quer coisa mais psicodélica que isso?). Marcou época e é até hoje executada em festas Ploc. O vocalista Sylvinho, você deve saber, deve seu atual nome artístico (Sylvinho Blau Blau) ao hit.

“PLANETA MORTO” – TITÃS (A era dos Halley, Som Livre, 1985). A Globo pegou carona na cauda do cometa (ai) Halley, que seria avistado do Planeta Terra em 1986. E bolou esse especial, com participações de nomes como Barão Vermelho (em sua primeira aparição sem Cazuza, com Torre de babel), o ex-mutante Sergio Dias (Anos luz de amor), Baby Consuelo (a radiofônica Que delícia) e os Titãs a poucos meses de Cabeça dinossauro, com Planeta morto, que não apareceria em nenhum disco da banda.

“O SENHOR DA GUERRA” – LEGIÃO URBANA (A era dos Halley, Som Livre, 1985). A Legião também participou do mesmo especial, com uma música que parece um outtake do primeiro disco. O senhor da guerra ficou de fora da discografia do grupo – apenas em Música para acampamentos (1991) surgiria uma versão gravada ao vivo e com o nome mudado para A canção do senhor da guerra. Durante as gravações do vídeo, segundo o guitarrista Dado Villa-Lobos, a banda se assustou bastante com o estilo mandão do diretor Augusto Cesar Vanucci e odiou o figurino (no qual nem apitaram).

“EU NÃO RANGO” – ULTRAJE A RIGOR (Os Trapalhões no rabo do cometa, WEA, 1986). Brigados, os Trapalhões toparam fazer um filme em parceria com a Mauricio de Sousa Produções, em que boa parte do trabalho seria feita em desenho animado. Na trilha, vigorava o rock nacional, com músicas inéditas de Premeditando o Breque (O bruxo e o passarinho), Ira! (1914) e uma versão especial de Eu me amo (Ultraje A Rigor) com o nome modificado para Eu não rango – por causa de uma cena em que um Didi pré-histórico saía buscando comida, sem sucesso, no tempo das cavernas.

“HE-MAN” – TREM DA ALEGRIA (Trem da alegria, RCA, 1986). Michael Sullivan e Paulo Massadas, autores da música, lançaram de vez seus tentáculos para cima do público infantil com essa canção, um estranho e feliz encontro entre metal farofa e trilhas de seriados japoneses. “Das músicas que fiz, é uma das que mais gosto”, chegou a afirmar Sullivan. A gravação envolveu uma trabalheira brutal que incluiu o uso de uma orquestra de cordas apenas para dar uma “sombra” na música – coberta depois com uma camada de sintetizadores.

“FERA NENÉM” – TREM DA ALEGRIA E EVANDRO MESQUITA (Trem da Alegria, RCA, 1986). Mais rock nacional na farra da música infantil dos 80: o ex-O Terço Vinicius Cantuária e o ex-Blitz Evandro Mesquita compuseram essa, cantada por Juninho Bill e que, bem, chocou algumas pessoas por causa dos versos “brinco de médico, ninguém é de ferro” e “acordo feliz quando sonho com a Xuxa”. Ora, vejam só…

“TE CUIDA MEU BEM” – PATRICIA (Patricia, RCA, 1986). Antes, bem antes de descobrir o pop adulto e a música eletrônica, Patricia Marx fazia um raro mix “adolescente-adulto”, influenciado por jovem guarda, soul e bossa nova. A fofa Te cuida meu bem, de Michel Sullivan e Paulo Massadas, foi regravada em ritmo de funk recentemente por MC Marcinho com outra letra e nome modificado para Garota nota cem.

“MIRAGEM VIAGEM” – XUXA (Xou da Xuxa, Som Livre, 1986). Um dos letristas oficiais do Clube da Esquina, responsável pela produção de vários discos de Milton Nascimento, Ronaldo Bastos verteu para o português Black orchid, de Stevie Wonder – da trilha do documentário The secret life of plants, de 1979.

“SHE-RA” – XUXA (Xou da Xuxa, Som Livre, 1986). Joe Euthanazia, parceiro de Neusinha Brizola em Mintchura (e que teve sucessos solo como Me leva pra casa) e Tavinho Paes, parceiro de Lobão (em Rádio blá) e Arnaldo Brandão (em Totalmente demais, do Hanoi Hanoi, e na própria Rádio blá), inacreditavelmente, compuseram um dos maiores hits da Rainha dos Baixinhos. Segundo Tavinho, a música não foi uma encomenda: inicialmente era uma bossa nova feita para sua filha, Dianna. Por causa dessa música, Joe e Tavinho ganharam US$ 15 mil e foram imediatamente para Nova York gastar o dinheiro.

“AS CRIANÇAS E OS ANIMAIS” – ABELHUDOS (Patrulha do coração, EMI, 1987). Formado por dois filhos de Renato Corrêa, dos Golden Boys, esse grupo soava como uma Turma do Balão Mágico mais “crescida” (os integrantes tocavam instrumentos de verdade), pré-adolescente e, graças à influência paterna, mais pós-jovemguardista. Isso tocou muito em rádio.

“CORAÇÃO DE PAPELÃO” – JAIRZINHO E SIMONY (Jairzinho e Simony, CBS, 1987). A versão para Puppy love, de Paul Anka, foi feita por (adivinhe quem?) Edgard Poças. Fez sucesso estrondoso e reabilitou por uns tempos a carreira dos dois ex-A Turma do Balão Mágico. O único disco da dupla tinha ainda participações de Gal Costa (em Oi mundo), Tim Maia (A voz do trovão), a ex-cantora do Metrô, Virginie (numa versão de O vira, do Secos & Molhados) e muitas músicas feitas por Paul Mounsey, um compositor escocês que vivia no Brasil na época e hoje se dedica a trilhas de cinema em Los Angeles.

“PRA VER SE COLA” – TREM DA ALEGRIA (Trem da alegria, RCA, 1988). Marcou as infâncias de muita gente que acabou de passar dos trinta – inclusive a de Marcelo Camelo, que chegou a cantar a música com o Los Hermanos num Luau MTV do grupo.

“DIA DE PARAÍSO” – ABELHUDOS (Dia de paraíso, EMI, 1988). Boa parte do material do terceiro disco dos Abelhudos foi composto por vários autores ao lado do letrista Claudio Rabello – aquele mesmo, de Muito estranho, de Dalto. Essa, de Rabello e Erich Bulling, levou o trio infantil para apresentações no Cassino do Chacrinha, no Clube do Bolinha, no Xou da Xuxa, no Globo de Ouro

“BRUXINHA” – A NOVA TURMA DO BALÃO MÁGICO (A Nova Turma do Balão Mágico, CBS, 1988). Balão Mágico, o programa, saiu do ar em 1986 e deu lugar ao Xou da Xuxa. O antigo quarteto (com Jairzinho) se separou e cada um foi tratar da sua vida. Mas a CBS não perdeu a oportunidade e, sob o mesmo nome, juntou dois anos depois Rodrigo Camargo e as gêmeas Natanna e Tuanny, filhas da cantora Adriana. O grande hit foi esse. Em outras faixas, Edgard Poças, versionista dos primeiros discos, subia de posto e virava co-autor, mas sem muitos sucessos.

“VOU DE TÁXI” – ANGÉLICA (Angélica, CBS, 1988). A versão em português de Joe le taxi, gravada por Vanessa Paradis, foi feita por Byafra e Aloysio Reis mantendo um pouco do tema original (táxis, enfim). “Lembro que o Aloysio chegou em casa dizendo que ia estrear uma lourinha na Rede Manchete. Ele estava chegando de Paris e disse que tinha uma música arrebentando por lá. Era Joe le taxi, da Vanessa Paradis, que falava de uma menina apaixonada pelo motorista de táxi que ia buscá-la na casa dela”, relatou Byafra aqui.

“NÃO FAZ MAL (TÔ CARENTE MAS TÔ LEGAL)” – MARA (Deixa a vida rolar, EMI, 1990). Os créditos dos discos da apresentador e cantora assustam: músicas inéditas de Cecelo Frony, Baby do Brasil, Caramez (ex-empresário e amigo dos Novos Baianos), Fábio Fonseca. Esse hit adolescente foi feito pela dupla de jurados do Astros, Thomas Roth e Arnaldo Saccomani. E você conhece.

“NANA NENÉM” – RAIMUNDOS (single, Warner, 1998). “Quem não calar a boca/vai entrar na chinela”. Os Raimundos, ainda com Rodolfo no vocal, mantinham a fama casca-grossa gravando um jingle para o chinelo Rider que virou hit infantil e saiu em CD-single, com Reggae do manero de b-side. Aparentemente, na época, ninguém se chocou com a letra. A empresa também não se importou muito com o fato de a música fazer referência a usos bem pouco ortodoxos e mais inapropriados de seu produto.

Cultura Pop

Os bastidores do raro “Joy Division – A Malcolm Whitehead Film”, que ganha lançamento oficial

Published

on

Peter Hook: "Roubamos muito o Kraftwerk"

Falamos na semana passada: tá pra sair a caixa Eternal (Live) contendo praticamente tudo que existe do Joy Division ao vivo. O pacote sai em 25 de setembro e é um box com 16 álbuns ao vivo completos, distribuídos em 14 CDs, além de dois DVDs. Um dos DVDs traz uma edição oficial de Joy Division – A Malcolm Whitehead Film, filme raríssimo da banda, feito em 1979, e que virou uma espécie de “figurinha difícil” do álbum do JD.

Malcolm era o chefe da Ikon/FCL, braço cinematográfico da Factory Records. Para fazer Joy Division, que tem 17 minutos de duração, ele compilou imagens em super-8 feitas durante a gravação da estreia Unknown pleasures (1979), e no show dado no Bowden Vale Youth Club em 4 de março de 1979 – por acaso, foi a primeira vez que um show do grupo foi filmado. Há também uma entrevista com a banda.

Se você fizer uma busca no YouTube, acha apenas trechos desse material, em péssima qualidade de som e imagem – alguns trechos estão com outra trilha sobreposta, ou surgem editados em vídeos feitos por fãs. Joy Division – A Malcolm Whitehead Film foi feito apenas para ser exibido em setembro de 1979 na primeira edição do Factory Flick, no cinema Scala, em Londres.

O Factory Flick foi um evento criado por Malcolm e Tom Wilson, dono do selo. A ideia era apresentar bandas da Factory Records em um formato que misturava cinema experimental, videoclipes, documentário e arte de vanguarda. Era algo muito alinhado ao espírito da Factory, que nunca quis ser apenas uma gravadora – e não foi apenas o Joy Division que ganhou seu curta, já que filmes sobre bandas como A Certain Ratio, Orchestral Manoeuvres in the Dark e The Durutti Column estavam também nos programas do evento. Só que, como o JD virou objeto de culto após a morte de Ian Curtis, o filme deles virou lenda.

Não foi só isso que tornou o filme uma lenda: Whitehead não fez um simples filme-concerto e decidiu dar – por conta própria – dimensões políticas ao Joy Division.

Ele enquadrou o Joy Division como uma resposta ao clima social britânico do fim dos anos 1970, à ascensão do thatcherismo e ao autoritarismo. O filme intercala imagens da banda com entrevistas com um sujeito chamado James Anderton, chefe de polícia da Grande Manchester e tido por artistas, jovens e membros da comunidade gay local como um agente da repressão.

Há também referências ao romance House of dolls, de Yehiel Dinur, que popularizou o termo “joy division” (como referência aos grupos de mulheres judias aprisionadas em campos de concentração, que se prostituíam para soldados nazistas durante a Segunda Guerra Mundial). Já era algo que causava polêmica, mas quanto à visão do JD como resposta ao autoritarismo, muita gente reclama que Whitehead impôs um viés político à banda.

Em 2007, o documentário Joy Division, dirigido por Grant Gee, mostrava a história da banda a partir de entrevistas inéditas e imagens nunca vistas ou bem raras. Malcolm não apenas foi um dos entrevistados como também teve imagens de seu curta incluídas no filme.

A revista Arts & Music fez uma entrevista com Malcolm na época, e descreveu Joy Division – A Malcolm Whitehead Film como um retrato de uma “Manchester perdida”. O site FactoryRecords.org resgatou o papo com Malcolm, feito pelo repórter Jamie Holman. E nós reproduzimos abaixo. Pra entender mais o que está por trás do filme, é importantíssimo.

Como surgiu seu filme? Aconteceu porque eu já era amigo do Rob (Gretton) desde que trabalhávamos no aeroporto e depois quando ele era DJ no Rafters. Eu costumava ir lá assistir bandas e o Rob acabou empresariando uma banda chamada The Panik. Eu estava começando como cineasta na época, autodidata, filmando em 8mm.

E começamos um filme que não deu em nada. O show do The Panik na última noite do Electric Circus. Estava muito escuro e a filmagem ficou péssima. Acabou ficando de lado. Aí o Rob me ligou e disse: “Estou empresariando uma banda nova chamada Warsaw e me perguntou se eu queria ir vê-los no The Factory”.

Fui vê-los no antigo Russell Club e eles foram absolutamente incríveis; me arrepiaram. Quis fazer algo com eles naquele instante. Fui falar com o dono da loja de discos local e contei a ele sobre o clube Bowden Vale em Altrincham, onde eu tinha visto inúmeras bandas em 1963-64, e disse que ele deveria voltar a promover shows.

Mais tarde, apresentei-o ao Rob, que tinha um monte de cópias do primeiro EP da banda que sobraram. Eles estavam sem dinheiro, então venderam tudo para o dono da loja de discos, e ele as colocou para tocar em Bowden Vale. E era isso que eu queria desde o início, sabe? Eu queria filmar a banda. Então, aluguei alguns andaimes e equipamentos e fiz tudo.

Com que equipamento você filmou? Bom, tudo custou setenta e duas libras, o que eu achei um absurdo! (risos) Filmei com uma câmera de cinema Hannimex baratinha, a primeira câmera que tive. Usei um filme da Agfa que lançaram na época, que tinha uma faixa de som, mas vinha num cartucho silencioso e o som era adicionado depois, no projetor. Então filmei sem som e gravei o áudio num gravador de rolo. Era para sincronizar depois, mas não funcionou! Filmei a vinte e quatro quadros por segundo, mas só funcionou a dezoito.

Só descobri depois! Filmei tudo com uma câmera e só tinha dinheiro para três cartuchos. Cerca de nove minutos. Filmei duas músicas e meia de uma vez e depois fiz cortes, tentando não incluir instrumentos para poder inseri-los como cenas adicionais sobre o que já tinha filmado. Então, fiquei com os três cartuchos e uma fita de rolo com o show inteiro. Eu já tinha começado as outras partes do filme antes do show.

Isso é a parte técnica da atuação. Mas qual é o significado do filme como um todo? O que você estava tentando fazer? Começa com New dawn fades. Você sabe, essa é a música que está tocando, e ela simboliza esse novo amanhecer do fascismo com James Anderton, o chefe de polícia de Manchester na época. Ele foi um precursor de Thatcher, pois era de extrema-direita, religioso e queria reprimir os jovens.

Então o filme passa de “O Desvanecimento de uma Nova Aurora” para o tema nazista. Mas não era uma nova aurora, era um retorno ao passado. Ouvimos discursos de Adolf Hitler misturados com Anderton falando sobre campos de trabalho forçado em uma entrevista que ele deu a Tony Wilson, curiosamente (o criador da Factory era apresentador de talk shows na TV). Ele dizia coisas como: “Eles serão obrigados a trabalhar como nunca trabalharam antes”, e isso leva a uma montagem de anúncios e cenas de ruas do centro de Manchester. Este é o consumismo – o novo fascismo! Nesse ponto, era algo local, mas dava a sensação de que algo muito ruim estava acontecendo e que se tornaria maior.

Então você tem essa coisa de lei e ordem, esse fascismo corporativo, e aí eu corto para a banda na sala de ensaio. Parece ótimo, bem underground. Sabe, underground no sentido político, tipo a resistência francesa. Mas esse era um underground cultural. Eles eram a resistência contra tudo isso lá fora.

O que era que havia de tão especial no Joy Division? Eles eram simplesmente poderosos demais. Eu sabia que eles iam bombar. Não havia motivo para pensar isso, na verdade, só tinha umas dez pessoas no Factory Club. Eu não conseguia acreditar. Eu simplesmente sabia que aquilo era a nova onda. Era isso. Eles eram muito mais do que o punk tinha se tornado, que basicamente era só uma banda para substituir as bandas de pub rock. Aquilo era algo maior e artisticamente mais significativo do que o punk. Pelo menos para mim.

O que aconteceu com o filme quando foi editado e sincronizado? Foi exibido pela primeira vez no antigo cinema Scala, em Londres – um cinema de verdade!

Qual foi a reação a isso? Bem, eles fizeram três exibições ao longo de um dia, e todas estavam lotadas; houve aplausos e tudo mais, o que foi estranho, já que eu nunca tinha exibido um filme em público. Foi realmente emocionante.

Onde mais foi exibido? Bem, um cara me ligou de Berlim e, honestamente, eu era tão inocente na época que mandei o filme para ele. Não dava para fazer cópias decentes. Então ele foi para Berlim, e tinha gente fazendo fila na porta para assistir. Eles exibiram e exibiram, sabe-se lá quantas vezes. Por sorte, eu tinha coberto o filme com preservativo e antirrisco. Tinha umas perfurações amassadas quando recebi de volta, mas não era nada demais. Na verdade, não causou problemas de verdade até bem recentemente, quando restaurei o filme com Brian Nicholson (associado de longa data da Ikon, ‘confidente e cúmplice’; ‘guardião do que alguns chamam de arquivo’).

Há alguma filmagem ou trilha sonora que não entrou no filme? Tem o áudio completo do show, exceto New dawn fades, porque eu estava ajustando os níveis naquele momento. Também tem uma tentativa de entrevista que deu errado porque eles não queriam falar! Então eu gravei essa parte, já que o filme era muito caro e não dá para desperdiçar. Tem também uns trinta minutos de áudio da sala de ensaio. Eu também entrevistei o Rob no meu apartamento. Essa entrevista está em uma fita cassete, acho que tem trinta minutos.

A banda viu isso? O Ian adorou; o resto da banda não entendeu muito bem. Eles desceram para falar com um amigo meu, mas o Ian ficou e depois disse que tinha entendido e achado ótimo, e isso significou muito, já que era o Ian que eu queria para dar o aval. Quando foi transferido para vídeo, nós o exibimos algumas vezes em shows — A Certain Ratio — e a primeira versão, que é uma porcaria, é o bootleg que você vê na internet. É realmente uma porcaria, essa cópia, e só tem a performance do Joy Division.

Por que nunca foi lançado pela Factory ou pela Ikon? Por que não está na Here are the young men? (coletânea de vídeos do grupo). Bem, este era o meu filme. Não era um filme do Joy Division nesse sentido. Era o meu filme e eu nunca pensei que estivesse terminado; ele seria muito mais longo. E havia um problema com a questão nazista. A banda estava farta disso, e eu não ia tirar. Significava algo. Eles estavam cansados ​​de serem associados ao fascismo. Mas eles não eram, sabe? O nome sugere o que eles realmente eram: antifascistas. E então o assunto não foi discutido por mais de vinte anos.

Então, quem é o proprietário agora? A Cherry Red Records comprou. Quer dizer, não me importa quem seja o dono, eu só queria que fosse restaurado corretamente.

Quem o restaurou? Eu e Brian Nicholson. Eu e Brian trabalhamos juntos como uma parceria cinematográfica há vinte e seis anos. Ele restaurou e transferiu o filme para a emissora Granada, e eu o reeditei e o estendi para incluir três músicas completas.

Você algum dia vai se livrar do Joy Division e seguir em frente? Bem, senti essa responsabilidade ao longo dos anos e espero poder passar todo o resto adiante. E com o lançamento do novo documentário, pelo menos sei que parte dele finalmente está sendo visto e que existe uma cópia remasterizada decente por aí.

Continue Reading

Cultura Pop

“Salt of the Earth”: o filme que surge no clipe de Tom Morello

Published

on

“Salt of the Earth”: o filme que surge no clipe de Tom Morello

Quem assistiu ao clipe de Adjourn it, single novo de Tom Morello (que tem participações de seu filho Roman Morello, na guitarra, e do cantor do System Of A Down, Serj Tankian, nos vocais) reparou que há várias cenas em preto e branco, com greves, manifestações e gente sendo presa. Dirigido por Isabella Margolis, o clipe intercala cenas do trio em estúdio, com trechos do filme Salt of the Earth, lançado em 1954, e que conta a história real de mineiros mexicano-americanos que lutaram contra a opressão e o racismo.

Salt of the Earth tem muita história: para começar, ele foi dirigido por Herbert Biberman (1900-1971), um cineasta que fazia parte da lista dos “dez de Hollywood” – um grupo de dez roteiristas e cineastas de esquerda, que estava sendo vítima de uma caça às bruxas. Ou melhor, de uma caça a supostos comunistas, realizada no começo da guerra ideológica entre Estados Unidos e União Soviética.

Biberman chegou a ficar encarcerado durante seis meses, e ao sair da prisão, decidiu dirigir um filme ficcional sobre a greve dos mineiros do Condado de Grant, no Novo México. O tal filme acabou ganhando roteiro de Michael Wilson e produção de Paul Jarrico – e ele é justamente Salt of the Earth, uma produção que já inovava por ser totalmente independente, off-Hollywood.

O filme acabou sendo uma das principais aparições na telona da atriz mexicana Rosaura Revueltas – por sinal, durante as filmagens, ela foi presa por uma suposta violação de passaporte e acabou sendo proibida de trabalhar nos Estados Unidos, um baque nunca superado em sua carreira. Ela interpreta Esperanza Quintero, a esposa de um mineiro, que faz parte de um grupo de manifestantes mexicano-americanos – a queixa deles era que a Delaware Zinc, Inc, para a qual trabalhavam, não dava a eles a mesmas condições que dava aos mineiros anglo-saxões.

Pra acompanhar a história é melhor ver o filme (tá no YouTube), mas vale dizer que Esperanza fica grávida, seu marido acaba preso e ela se junta a um grupo de esposas de mineiros, que faz piquete no lugar dos maridos. Um detalhe importante sobre Salt of the Earth é que só cinco atores profissionais estavam no elenco: Biberman e a produção convocaram mineiros de verdade, além de moradores do Condado. Nas cenas que você vê no filme, muita gente viveu aquilo de verdade.

Se você está achando que isso foi uma ideia para dar mais veracidade ao filme, não foi nada disso: os sindicatos de atores e de profissionais de Hollywood simplesmente proibiram seus associados de ter qualquer relação com Salt of the Earth, e a equipe ficou sem ter com quem contar. Houve quem notasse que aquela situação era absurda, já que eram sindicatos prejudicando um filme que fazia basicamente uma apologia ao movimento sindical. Mas isso não ajudou em nada, até porque veículos como Hollywood Reporter e Newsweek já estavam falando barbaridades como “filme de comunistas anti-americanos” e outras babaquices.

Claro que a pós-produção e o lançamento de Salt of the Earth não foram nada tranquilos: a equipe teve dificuldade de achar laboratórios que terminassem o filme e ele foi censurado e incluído na lista anti-comunismo dos EUA (foi o único filme incluído lá, aliás). Pauline Kael, uma dessas críticas de cinema que tiravam o sono dos cineastas, desprezou o filme e ainda escreveu que ele não passava de “uma peça de propaganda comunista tão clara quanto qualquer outra que tivemos em muitos anos”. Com o tempo, o filme foi sendo descoberto, e ganhou lançamentos em formatos como laserdisc e DVD. Uma matéria recente do The Guardian traz uma declaração de Biberman dizendo que ele foi “o primeiro longa-metragem já realizado nos EUA pelos trabalhadores, sobre os trabalhadores e para os trabalhadores”.

Salt of the Earth foi um poderoso ato de desafio em sua época e, mais de meio século depois, seus temas continuam a ressoar no cenário político atual. Adjourn it canaliza o legado de resistência do filme, reforçando a importância da solidariedade para unir as pessoas contra o medo e a divisão”, escreveu Tom Morello num dos textos de divulgação do clipe. E os dois (clipe e filme) estão aí embaixo.

Continue Reading

Cultura Pop

Chapterhouse: “O termo shoegaze era depreciativo”

Published

on

O Jesus and Mary Chain deu uma de Padre Quevedo indie e explicou numa entrevista ao site Stereogum que isso aí de shoegaze “não existe” – para Jim Reid, em particular, isso não passa de invenção de “algum palhaço do New Musical Express“. Pois bem, num papo com a newsletter First Revival, Stephen Patman, guitarrista, vocalista e fundador do Chapterhouse, uma espécie de “banda de shoegaze original” (que por sinal vem ao Brasil em setembro), deu mais detalhes sobre a origem do termo. E ainda lembrou que não era exatamente um orgulho ser chamado de “olhador de sapato” (shoegazer significa exatamente isso em português).

“O termo shoegaze era um comentário depreciativo, uma provocação”, recorda ele, lembrando que inicialmente, um jornalista chamado Steve Sutherland, da Melody Maker, escreveu que o Chapterhouse e bandas como Moose e Lush eram “a cena que celebra a si própria”. “Basicamente, porque tínhamos o mesmo empresário que o Moose e o Lush (Howard Gough), então saíamos bastante com eles e íamos aos shows uns dos outros. Também conhecíamos o Ride e o Swervedriver de Oxford, porque era bem perto de Reading”, contou.

Ele lembra de uma nomenclatura de tiro curto que surgiu: “Antes disso, chamavam de ‘cena do Vale do Tâmisa’, que incluía nós, Ride, Swervedriver e Slowdive. Então, era assim que chamavam, depois ‘a cena que se celebra'”, diz. “E aí o Andy Ross , que era o chefe da Food Records, estava assistindo ao show do Moose, e os quatro estavam lá parados olhando para baixo. Foi ele quem criou o termo ‘shoegaze’. A Polly (Birkbeck), assessora de imprensa da Food, provavelmente comentou com alguém, e a notícia chegou à imprensa musical, e aí eles começaram a usar o termo”.

Só que o termo – surgido, na prática, de uma postura tímida e mal-ajambrada de palco – acabou se revelando um feitiço que se virou contra um monte de feiticeiros do barulho. “Quando houve uma espécie de mudança na imprensa musical após a euforia inicial de 1991 em torno de tudo, eles (os jornalistas) de repente se voltaram contra nós, e passaram um ano inteiro zombando de nós. E como também saíamos juntos, os jornalistas nos viam reunidos e escreviam colunas de fofoca tirando sarro de nós de alguma forma”, continua. “Foi aí que ouvi o termo shoegaze pela primeira vez, e era um comentário depreciativo, uma provocação”.

“Mas, de certa forma, ele foi ressignificado ao longo dos anos e se tornou um gênero, o que eu acho bem curioso. Nós nunca nos consideramos uma banda shoegaze. Para ser sincero, não somos exatamente fãs de shoegaze. Não ouvimos esse tipo de música”, diz Patman. “Mas principalmente porque a maioria era de artistas contemporâneos, dos quais você não se torna fã por ser amigo. Então, sim, era um termo pejorativo que chegou à imprensa e eles começaram a usá-lo”.

“E agora o conceito se expandiu, com tantas bandas que nem de longe eram consideradas shoegaze, como The Verve, Kitchens of Distinction e Catherine Wheel, agora são consideradas assim. Eles até chamam The Jesus and Mary Chain e Cocteau Twins de shoegaze”, continua Stephen, que também não gosta do termo dream pop para definir qualquer tipo de música com alguma distorção e reverb. “É ainda mais repugante”.

E pra saber mais sobre o show do Chapterhouse no Brasil, só ir aqui.

Continue Reading

Acompanhe pos RSS