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Crítica

Ouvimos: Radiohead – “Hail to the thief live recordings 2003-2009” (ao vivo)

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Registro ao vivo de Hail to the thief (2003) mostra Radiohead intenso e renovado entre 2003 e 2009, revalorizando o disco original.

RESENHA: Registro ao vivo de Hail to the thief (2003) mostra Radiohead intenso e renovado entre 2003 e 2009, revalorizando o disco original.

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Thom Yorke, líder do Radiohead, nunca se sentiu muito confortável fora da sua casca. De certa forma, mesmo suas opiniões “polêmicas” sempre trouxeram aquela visão abstrata das coisas que costuma brotar em entrevistas de gente acostumada a ser chamada de “gênio” – mesmo que nem seja. Em alguns casos, as opiniões de Thom são ruins, mesmo. Ou simplesmente atabalhoadas, como naquela situação em que ele foi praticamente forçado a expor sua visão sobre Palestina x Israel, protestou contra o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, mas deu um jeito de sair pela tangente.

No caso de Hail to the thief, disco de 2003 do Radiohead, havia algumas coisas para notar assim que ele saiu. O Radiohead havia feito um disco político – ainda que com letras extremamente oblíquas e que se pareciam mais com fábulas estranhas do que com qualquer outra coisa. Livros como 1984, de George Orwell, e discursos do então presidente norte-americano George W. Bush em época de guerra serviram como inspiração. O som do disco, tão dolorido quanto o dos álbuns anteriores, soava como um pós-punk maníaco (ou um progressivo com alfinetes na bochecha, vá lá), em que tudo transpirava pressa.

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Hail to the thief, vale dizer, estava mais para uma espécie de “obra aberta”, na qual cabem diversos entendimentos – aliás, recentemente Yorke retrabalhou todo o conteúdo de Hail para a produção da Royal Shakespeare Company Hamlet hail to the thief, o que já mostra o caráter (vá lá) elástico do álbum. E foi justamente por causa dessa produção que Thom decidiu ouvir gravações ao vivo das faixas de Hail – o que gerou esse Hail to the thief live recordings, com registros entre 2003 e 2009.

A versão ao vivo de Hail está bem longe de ser um caça-níqueis barato. O Radiohead vai no repertório como quem vai atrás de um prato de comida, como comprovado pela audição das releituras de faixas como There there, 2 + 2 = 5, Where I end and you begin, The gloaming e várias outras. Tem um subtexto histórico: o Radiohead de 2003 é diferente existencialmente do de 2009, já que o primeiro ainda era contratado da Parlophone e o segundo, uma banda independente que estava divulgando In rainbows (2007), o disco do “pague o quanto quiser”. Era também uma banda descontente consigo própria, já que Hail foi considerado por eles como um disco grande demais e meio enfadonho.

Musicalmente, é a vitória do rock experimental em tempos incertos, com faixas chorosas como I will sendo aplaudidas por plateias de arena (em Londres, Amsterdã, Buenos Aires e Dublin, lugares onde as gravações foram feitas). Hail to the thief está bem longe de ser o melhor disco do Radiohead, mas sai revalorizado das versões ao vivo.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8,5
Gravadora: XL Recordings
Lançamento: 13 de agosto de 2025

Crítica

Ouvimos: Deep Purple – “Splat!”

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Resenha: Deep Purple – “Splat!”

RESENHA: Splat! resgata a força clássica do Deep Purple com hard rock inspirado, grandes letras e uma banda veterana tocando como se tivesse recomeçado.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 9
Gravadora: earMUSIC
Lançamento: 3 de julho de 2026

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Pode acreditar: ninguém no Deep Purple estava mentindo quando disse que Splat!, o 24º álbum da banda, teria músicas com a energia de antigos clássicos do grupo. Não acrescenta lá muita coisa dizer que é o melhor disco da banda em vários anos (até as piores fases de um grupo têm um “melhor disco”), mas Splat! realmente tem uma energia diferente, uma evocação mais séria do passado e um clima de “clássico”.

Pra começar, o Deep Purple, que sempre teve cuidado com as letras, voltou em tom de renascimento em Splat!. Abrem o disco falando de um certo sujeito medíocre e autoconfiante que chegou ao poder (Arrogant boy), lembram de uma pessoa querida que mudou e virou um serzinho repugnante (The lunatic), inserem momentos felizes na roda de assuntos (The only horse in town, My new movie, The beating of wings, o conto de bebedeira de Jessica’s bra) e dão uma geral na vida de roqueiro fora-da-lei (The rider).

Splat!, no fim das contas, não tem nenhuma teoria estranha – apesar do disco, segundo o cantor Ian Gillan, falar sobre o fim do mundo como “uma transformação”. Isso fica mais como um subtexto em meio a canções que, no fundo, falam mesmo é de gente, abordando os lados bons e péssimos do ser humano. Musicalmente, o Deep Purple parece consciente de que seu som virou uma fórmula matemática presente na musicalidade de bandas de stoner, metal e psicodelia. Vai daí que boa parte de Splat! traz o grupo tocando como se fosse uma banda nova influenciada por eles.

  • Ouvimos: The Pretty Reckless – Dear god

O Deep Purple de 2026 é uma banda de hard rock com tendências ao progressivismo, em especial nos Hammonds e Moogs de Don Airey – o fino em faixas como Arrogant boy e Diablo. Mas também em composições quase celestiais, como The only horse in town. Rockões durões como Sacred land e Guilt trippin’ ganham beleza especial por causa dos teclados, e pela combinação altamente ágil de guitarra, baixo e bateria. Simon McBride, irlandês nascido em 1979, é um grande guitarrista, por sinal. Ian Paice, na bateria, e Roger Glover, no baixo, criaram a norma culta do rock pesado – e prosseguem mostrando que não há nada mais desafiador que criar sua própria fórmula.

No trio básico de bandas britânicas setentistas da pauleira, o Led Zeppelin tinha a magia, o Black Sabbath tinha o caos existencial e o Deep Purple tem até hoje o posto de testemunha ocular da história. Splat!, mais que um disco, é um orgulho do rock.

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Crítica

Ouvimos: The Pretty Reckless – “Dear god”

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Resenha: The Pretty Reckless – “Dear god”

RESENHA: Prepare-se para virar fã de Taylor Momsen no novo disco do Pretty Reckless, Dear god. Isso apesar da banda estar um tanto mais conservadora musicalmente.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 6,5
Gravadora: Fearless / Concord
Lançamento: 26 de junho de 2026

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Lá pela época do disco As quatro estações (1989), tava na moda aparecer gente reclamando que a Legião Urbana usava a música como apenas um meio para as pregações de Renato Russo. O lance é que bandas com vocalistas-letristas carismáticos sofrem desse tipo de problema vez por outra: de The Doors a Echo & The Bunnymen, todo mundo já encheu linguiça para o cantor brilhar.

O Pretty Reckless, por exemplo, é um veículo para a voz e o carisma de Taylor Momsen, e em Dear god, novo disco, isso fica claro como nunca. Com outra vocalista, o som do grupo seria apenas um rock pesado, às vezes com altos teores, às vezes parecendo meio igual a quase todo mundo que seguiu a receita do peso a la Hole, com maximalismo punk + glam a perder de vista.

Dear god é um disco focado nas dores da vida, e no que fazer delas. Taylor fala do estilo de vida rock’n roll, das tentações encontradas pelo caminho, das depressões e ameaças do dia a dia. Como letrista e cantora, ela promove uma catarse sonora, brigando por atenção em músicas como Spell on you, For I am death, Love me e na ótima faixa-título. Musicalmente, o PR vai de punk rocks certeiros e hard rocks brigões a músicas que parecem descartes dos Red Hot Chili Peppers, como rola em Rollercoaster of life.

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  • Ouvimos: Deep Purple – Splat!

O disco novo vai mexer com muita gente? Vai, especialmente em músicas como Dark days, que descortinam o lado soft rock que a galera dos anos 1990 sempre teve (de Hole a Nirvana, todo mundo teve sua hora de querer parecer o Fleetwood Mac). As letras são do tipo que provocam identificação imediata, especialmente porque Taylor faz o estilo forte-e-vulnerável, especialmente ao falar de desilusões pessoais, como em Devil in disguise (Michelle’s song) – ou quando falta de grana e crises pessoais se misturam (Eye of the storm é isso).

Death by rock’n roll, o disco de 2021, podia até mexer com um receituário já manjado do rock – mas musicalmente, soava menos conservador e mais variado. O lance é que com Dear god e sua coleção de desilusões musicadas, nunca fez tanto sentido amar Taylor Momsen. E vai continuar fazendo.

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Crítica

Ouvimos: The High Curbs – “High speed”

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Resenha: The High Curbs – “High speed”

RESENHA: The High Curbs une punk, power pop, shoegaze e emo em High speed, álbum curto, coeso e cheio de melodias que soam como uma única viagem.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8,5
Gravadora: Lauren Records
Lançamento: 1 de maio de 2026

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Banda da Califórnia que existe desde 2013, o The High Curbs faz punk rock mas… não só isso. High speed, terceiro álbum deles, passa pelo power pop, até pelo shoegaze – e tem como grande arma o fato de funcionar quase como uma música só. Ou melhor: dá pra ver que são várias músicas, mas tudo é tão ligadinho que soa como uma faixa de várias partes.

  • Ouvimos: Data Animal – Future of ghosts

High speed tem até uma curiosa neopsicodelia, quase britpop, na voz-e-guitarra de Interlude, que vem antes do tom power pop de Racer #25. Mas o trio de faixas da abertura é que dá o tom geral do álbum, no indie rock de Chain, no sessentismo de Til the end (que lembra Ramones + Cheap Trick) e no punk surf de Get bit. Já Promise (gravada ao lado da banda Red Pears) e Crash out season são o tal lado shoegaze do grupo, nuvem sonora pura.

Tem ainda na retíssima final o lado emo do grupo, com a tristeza e a melodia de Same heart e I guess. Tá aí uma banda bem variada – e que consegue manter uma coesão bem bacana ao longo dos 22 minutos (!) de High speed.

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