Cultura Pop
Quando o REM tocou um monte de covers para irritar um fã que xingava a banda da plateia

No começo da carreira, não era nem um pouco estranho que o REM fizesse várias releituras no palco. Músicas como (I’m not your) Stepping stone (Monkees), There she goes again (Velvet Underground) e Pills (de Bo Diddley, mas na versão imortalizada pelos New York Dolls) surgiram em vários shows do grupo, entre 1980 e 1987, ano em que a banda deixou de ser um sucesso cult para fazer barulho de verdade nas paradas.
Já em 1985, época do disco Fables of the reconstruction (que abiscoitou o 28º lugar nas paradas da Billboard), o REM usou sua habilidade com covers para (er) punir um “fã” que xingava a banda da plateia.
Foi durante a apresentação do quarteto em 17 de agosto no Barrymore’s Music Hall, em Ottawa, Ontário. O REM estava em plena turnê Reconstruction I e subiu no palco apresentando canções de Fables e de seus primeiros discos, incluindo o sucesso recente Can’t get there from here e duas covers, Pills (Bo Diddley) e Have you ever seen the rain? (Creedence Clearwater Revival).
O problema todo aconteceu quando a banda voltou para o bis e resolveu começar tudo com uma versão de… Moon river, tema composto por Henry Mancini e imortalizado pelo filme Bonequinha de luxo. Assim que a banda tocou a canção, um sujeito começou a gritar “foda-se!” na plateia. O baixista Mike Mills já queria sentar a mão na cara do hater.
A solução que a banda arrumou para se vingar do brigão foi fazer um set interminável com várias covers, incluindo, I can’t control myself (Troggs), Smokin’ in the boys room (Brownsville Station), Secret agent man (Johnny Rivers) e coisas que ninguém imaginaria ouvir na voz do grupo, como The lion sleeps tonight (The Tokens) e Sweet home Alabama (Lynyrd Skynyrd). Ainda assim, algumas músicas depois, o guitarrista Peter Buck deu mostras de que não havia engolido a história e berrou: “O cara que gritou ‘Foda-se’ durante ‘Moon River’: Encontre-me nos bastidores, seu idiota”, gritou.
E o show tá inteirinho aí.
Pega o set list.
1. Feeling gravitys pull
2. Radio Free Europe
3. Letter never sent
4. Pills [Bo Diddley/New York Dolls]
5. Can’t het there from here
6. 7 chinese bros.
7. Laughing
8. Driver 8
9. Maps and legends
10. Fall on me
11. Have you ever seen the rain? [Creedence Clearwater Revival]
12. West of the fields
13. Auctioneer (Another Engine)
14. Old man kensey
15. Pretty persuasion
16. Moral kiosk
17. Life and how to live it
Bis:
1. Moon river [Audrey Hepburn/Andy Williams]
2. I can’t control myself [The Troggs]
3. 1,000,000 — includes Fascists Eat Donuts [Pop-O-Pies]
4. I can only give you everything [Them/The Troggs]
5. Tired of singing trouble/Boy (Go) [Golden Palominos]/Paint it black [Rolling Stones]
6. In the year 2525 [Zager and Evans]
7. Smokin’ in the boys’ room [Brownsville Station]
8. Sweet Home Alabama [Lynyrd Skynyrd]
9. (I’m not your) Stepping stone [Paul Revere & The Raiders/The Monkees] — includes 1 2 X U [Wire]
10. Secret agent man [Johnny Rivers]
11. The lion sleeps tonight [The Tokens]
12. God save the Queen [Sex Pistols]
13. Roadrunner [The Modern Lovers] — includes 1 2 X U [Wire]
14. 20th century boy [T.Rex]
15. Skank
16. Carnival of sorts (Boxcars)
Cultura Pop
George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)
Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube
- Quer receber nossas descobertas musicais direto no e-mail? Assine a newsletter do Pop Fantasma e não perca nada.
“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).
O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).
Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.
A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.
Ver essa foto no Instagram
A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.
Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.
Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.
- Gostou do texto? Seu apoio mantém o Pop Fantasma funcionando todo dia. Apoie aqui.
- E se ainda não assinou, dá tempo: assine a newsletter e receba nossos posts direto no e-mail.
Cultura Pop
No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.
Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)
Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.
Mais Pop Fantasma Documento aqui.
Cultura Pop
No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).
Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.
Mais Pop Fantasma Documento aqui.






































