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Pic-Nic: banda carioca fala sobre a redescoberta de CD gravado em 2007

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Pic-Nic: banda carioca fala sobre a redescoberta de CD gravado em 2007

Guidi (voz), Miguel (guitarra), Paulinho (guitarra), Chokkito (baixo) e Robson (bateria), mais conhecidos como Pic-Nic, fizeram diversos shows pelo cenário carioca de rock no começo do século 21. O som, apontando para o punk e para o power pop (e para o som que alguns críticos musicais chamaram de pós-grunge, com canções bastante melódicas e guitarras altas), despertou a atenção de novos fãs e o grupo gravou três CDs antes de encerrar atividades. O último desses álbuns, porém, estava nos guardados da banda até hoje, e não saiu justamente por causa do fim da banda.

2007 (com título fazendo referência ao ano em que foi gravado) sai agora nas plataformas digitais, no ano em que a banda completa duas décadas. E vai marcar a volta do grupo, que já fez uma live de lançamento em novembro e faz show no Audio Rebel (Botafogo) dia 19 de janeiro, em noite dividida com Badke (vocal e guitarra do Carbona, em carreira solo).

Batemos um papo com a banda sobre a redescoberta do disco, que você ouve aí embaixo.

O disco sai no ano em que a banda comemora 20 anos. Quais são suas lembranças do começo do grupo? Moravam perto, estudavam juntos?

Guidi: Eu tinha 18 anos em novembro de 2001, quando a banda foi formada. Os outros três integrantes (Paulinho, Chokkito e Victor, o baterista à época) são uns dez anos mais velhos. A lembrança mais forte que tenho do iniciozinho é muito boa: nós quatro criando canções na sala da casa do Paulinho, era um espaço muito agradável, e estes ensaios de criação aconteciam muitas vezes no fim da tarde, era delicioso. O primeiro CD foi todo feito com estas composições, que tinham um clima bem delicado.

Eu morava na Barra da Tijuca, mas a banda toda era de Copacabana/Leme. Eu e Paulinho namorávamos, então eu estava sempre na casa dele. Chokkito e Paulinho tocavam juntos na banda Oh! Valerie, e Victor tinha sido baterista dessa mesma banda. Miguel (guitarrista), que entrou um ano depois, também tocava no Oh! Valerie e também era de Copacabana.

O que vocês mais ouviam no começo do grupo e o que motivou vocês a começar?

Paulinho: Air.

Miguel: Strokes, White Stripes.

Chokkito: Belle & Sebastian, Strokes.

Guidi: Fountains of Wayne, Teenage Fanclub, Charlatans. O que nos motivou a tocarmos juntos eu acho que foi o acaso: o baterista, Victor, encontrou Paulinho, ex-colega de banda, e eu estava junto. Foi na porta do CEP 20.000, no Espaço Cultural Sergio Porto, que eu me lembre. Paulinho mencionou que eu cantava e Victor logo pensou no Chokkito para o baixo. Acho que foi obra do acaso, mesmo! Mas essa familiaridade musical entre Chokkito, Victor e Paulinho foi importante, acredito.

Por que o nome Pic-Nic?

Guidi: Fizemos um ‘brainstorming’, na realidade algumas vezes. Ficamos sem nome um tempo até chegarmos a um nome que soasse bem e que tivesse a ver com a delicadeza do que fazíamos à época, a sonoridade que está registrada no primeiro CD.

O disco começa com uma música chamada Grunge e o som pode ser colocado tranquilamente na gaveta do pós-grunge, que estava em voga em 2007. Olhando em retrospecto, vocês acham que esse disco seria devidamente bem ouvido naquela época?

Guidi: Eu imagino que sim, mesmo tendo a impressão de que exatamente no ano de 2007 houve um arrefecimento do interesse do público pelo que se fazia no underground. Mas eu considero esse o nosso CD mais bem feito e mais completo, com mais vozes, com letras melhores, com um trabalho mais caprichado de gravação, então penso que as pessoas que gostavam do Pic-Nic, que nos acompanhavam, iam ajudar a espalhá-lo por aí, e talvez ele chegasse bem mais longe do que os CDs anteriores.

Paulinho: Acho que, à época, o disco poderia até ser ouvido, mas teria muito nariz torcido, porque na época tinha isso. Em vez de as pessoas se ajudarem, para crescerem junto, a gente via essa divisão dentro da cena, bairrismos, preconceitos com outros segmentos. Alguns grupos de bandas até eram unidos, mas não a maioria. Mas nos jornais e revistas de música, acho que a recepção seria boa, e por isso seríamos ser bem ouvidos.

Ele soa melhor aos ouvidos de vocês hoje? Como é revisitar essa versão antiga de vocês?

Robson: Na minha visão, é algo além de revisitar, é fechar um ciclo, cumprir uma etapa. Para mim, o disco soa atual, não ficou datado, por mais que remeta a 2007. Em outras palavras, diria que o disco envelheceu como um bom vinho, e hoje está aí para todos degustarem.

Paulinho: A gente terminou um processo que começou em 2007. Acho que, como estávamos ainda no processo de finalização de gravação, nós teríamos terminado diversas coisas de outras formas, principalmente backing vocals. Mas hoje soa como um trabalho terminado, não o acho datado. A gente nunca quis ficar muito ligado no que “deveria” ser tocado, o que a época “pedia”, não sentíamos essa obrigação com o que estava em voga, com as tendências. Sempre foi uma colcha de retalhos de todas as diferentes influências de cada um. Mas o mais legal desse disco é a gente ter voltado como banda, esse foi o grande barato. A melhor parte do disco 2007 foi ele ter feito com que nós voltássemos a tocar juntos.

Chokkito: Da minha parte nunca teve um “reouvir”, pois eu tinha um CD com as faixas. Eu nunca tive um distanciamento dessas faixas, pois vez ou outra eu as ouvia. Mas tinha, sim, a sensação de que essas músicas precisavam ver a luz do sol, por mostrarem um bom avanço e um crescimento nosso como banda, de modo geral, nas composições, nos timbres. E acho legal e engraçado ver como as letras continuam atuais, e também o quanto o disco é “rock”, digo isso porque à época havia muitas bandas de hardcore, punk, bubblegum, e nós éramos mais pop em relação a essas bandas do underground. Como hoje em dia diversas dessas bandas acabaram, a impressão curiosa que fica é de que nós ficamos ainda mais “rock”.

Por que o disco não foi lançado? Havia alguma gravadora na história ou seria um lançamento independente?

Guidi: Não havia perspectiva de gravadora, seria um lançamento independente, mesmo. O disco só não foi lançado porque a banda acabou. Apesar de Miguel ter tentado inúmeras vezes que finalizássemos aquilo, não conseguimos. Ele sempre batia na tecla de “finalizar o que começamos”, e não me surpreende que tenha sido ele quem trouxe a banda de volta, pois foi quem quis mexer no HD e nas canções não mixadas. Quatorze anos depois, estávamos prontos para fazer isso, finalmente. Todo mundo quis.

O material chegou a ficar perdido?

Miguel: Ficou perdido na casa do Paulinho. Eu achei um DVDdata, que tinha Ano-novo, e aí o Paulinho começou a procurar o HD até encontrá-lo no sótão dele, com o resto das músicas. E aí a gente foi trabalhando uma a uma.

Deus e o diabo relata uma situação de abuso infantil. Como foi tratar desse tema em 2007? Chegaram a achar a música forte demais na época?

Guidi: Foi importante fazer e cantar esta letra, e não acho que nenhum de nós achou estranho abordar isso em alto e bom som. Este ano, quando fomos remexer o passado e vimos a letra desta canção, nos atentamos para ver se ela estava tratando o assunto com o devido respeito.

Na época, vocês lançaram dois discos que tiveram boa recepção, apareceram em programas de TV, etc. O mundo ao redor de vocês estava mais interessado em pop-rock brasileiro e artistas novos do que hoje em dia?

Guidi: Eu não sei dizer o que aconteceu, mas parece que exatamente em 2007 as bandas foram desaparecendo, terminando, dando pausas. Daí o publico naturalmente foi se desinteressando, ou melhor, foi achando outros estilos e linguagens para se interessar. Essa é a minha impressão. Acho que hoje há, sim um interesse gigantesco por artistas novos, uma verdadeira sanha por novidades, mas em relação a artistas de outros estilos, como rap, pop, dance, eletrônico. Acho que esse interesse pelo rock que existia está voltando aos poucos.

Quais foram as dificuldades que vocês enfrentaram na época, para manter e divulgar a banda? O quanto o machismo atrapalhou a aceitação de uma banda com uma mulher no vocal, por exemplo?

Guidi: A nossa maior dificuldade era tocar em festivais, eu diria. Nós acabamos conseguindo divulgar a banda em matérias de jornal, sempre com muita insistência, uma insistência que chegava a ser cansativa para nós. Ou era assim, ou não rolava. Conseguimos tocar em lugares que queríamos muito, casas que gostávamos, mas festivais, nunca. Só tocamos no Ruído, em 2007, uns três meses antes da banda acabar. Não conseguimos furar este cerco em outros festivais de rock/música alternativa.

O machismo é presente no rock, sem dúvidas, mas observei que em outros nichos que vim a conhecer e frequentar, depois, é bem pior. Ser uma mulher no vocal não atrapalhou muito, acho que atraía uma simpatia o vocal suave numa banda de rock alternativo. Deve ter havido machismos dos quais eu nunca soube, oportunidades que não tivemos em razão disso, mas não cheguei a perceber à época.

Por que o grupo se separou? Conseguiram manter a amizade após o fim da banda?

Guidi: O grupo terminou basicamente porque eu e Paulinho terminamos, e a banda tentou ensaiar duas vezes após este término, mas não foi possível, não deu certo. Não tive contato nenhum com os outros integrantes durante todo este tempo, apenas casuais, encontros na rua. Robson, Paulinho, Chokk e Miguel se viam com alguma regularidade, a amizade entre eles seguiu, mesmo que se vissem com bem pouca regularidade, pela próprias ocupações que foram surgindo na vida de cada um.

Miguel: Estávamos tentando há muito tempo, o que é cansativo. Houve um desgaste natural, pois banda é um casamento. Estávamos sem horizonte, a cena foi encolhendo, já tínhamos tocado em tudo quanto é lugar… Já não dava mais para fazer o que fazíamos e não termos nenhum retorno, nem financeiro, nem de outro tipo.

Guidi, você depois começou a cantar musica brasileira. Teve alguma fase em que você olhou para o som que fazia como o Pic-Nic como algo que não representava mais você? Costumava ouvir a banda?

Guidi: Como o meu mergulho na MPB foi intenso, e eu praticamente não conhecia música brasileira – só Jorge Ben – fiquei totalmente envolvida com aquilo, querendo ouvir tudo o que não fez parte da minha formação musical. Cresci ouvindo rock, não MPB. E passei a não pensar mais em rock, nem ouvir, fiquei querendo conhecer tudo aquilo que a maioria dos brasileiros já conhecia, os medalhões da nossa música.

Acho que isso aconteceu porque a banda acabou abruptamente, daí eu fui buscar outro universo. Isso me fez muito bem, apesar de não ter sido planejado: eu não queria mais cantar, mas quando fui cantar, foi MPB, por sugestão de um amigo, que se tornou meu namorado à época. Foi estranho ser intérprete, a princípio, mas acabei gostando. Cantar outro tipo de música foi um respiro daquela experiência tão forte que tinha sido ter uma banda durante seis anos, todos nós completamente entregues, dedicados e cheios de sonhos, e depois ver tudo acabar.

Eu entrei em um novo mundo, com o qual me identifiquei e me identifico muito, e que é perceptível no meu trabalho solo. Parecia algo que faltava em mim, essa brasilidade, e hoje tenho essas influências muito fortes na hora de fazer música: rock, MPB e baião. Nunca mais ouvi Pic-Nic, pelas lembranças intensas, mas também porque não gostava de me ouvir, o que é bem comum em cantores em relação a gravações que sejam ligeiramente antigas. Só em 2021 fui ouvir a banda de novo.

Como vai seu trabalho solo?

Guidi: A partir de 2016 o meu trabalho solo se tornou autoral, e essa foi uma das coisas mais valiosas para mim. Depois de lançar o CD Temperos em 2014, como intérprete, senti um vazio, pois eu sabia que gostava de criar minhas melodias e letras, e ali só tinha uma faixa de autoria minha. Em 2020 lancei o Outra língua, que me trouxe a ‘satisfação perdida’, por ser autoral. Agora estou gravando um EP, que vai sair no início de 2022. Pretendo gravar anualmente EPs ou CDs, se possível, e vez ou outra fazer shows. Fiz poucos shows com meu trabalho solo, até agora.

Lançamentos

Radar: Queen, Jacob The Horse, Moon Construction Kit, Laptop, Dead Air Network, The Legal Matters

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Capa do disco Queen II

Acabou 2025! Bom, acabou pra você – no nosso coração ele continua vivo. Mas de qualquer jeito, vai aí o último Radar internacional do ano, destacando até mesmo uma canção natalina do Queen, que adianta um relançamento do grupo – e ainda não foi lançada oficialmente, mas você já ouve aqui. E ainda tem mais. Feliz ano novo!

Texto: Ricardo Schott – Foto (Queen): Capa do discoo Que

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QUEEN, “NOT FOR SALE (POLAR BEAR)”. Queen II, o segundo álbum do grupo britânico, de 1974, vai voltar recauchutado às lojas e plataformas em 2026. O relançamento é adiantado por Not for sale (Polar bear), canção gravada durante as sessões do disco. Trata-se de uma canção feita pelo guitarrista Brian May para o Smile, sua banda pré-Queen – e algumas gravações piratas da canção com o Smile já rolaram por aí. Brian, que lançou a faixa num especial de Natal apresentado por ele na rádio britânica Planet Rock, apresentou a canção falando que “até onde eu sei, ninguém nunca ouviu esta versão”.

Aliás, essa música do Queen é uma canção de Natal. Daí o músico ter ficado na maior pressa para apresentar a canção, que nem sequer está ainda nas plataformas digitais – May disse também que a música ainda era “um trabalho em andamento”, mas “estou colocando isso de surpresa no meu especial da Planet Rock porque fiquei curioso para saber o que as pessoas acham”. Um detalhe curioso é que a letra não faz referência direta ao Natal. A data surge meio como um subtexto, na história da criança que olha vitrines e depara com um urso polar de brinquedo que “não está à venda”.

JACOB THE HORSE, “666 CHICKS”. Numa homenagem ao filme Faster, pussycat! Kill! Kill!, de Russ Meyer, quatro garotas sanguinárias substituem os integrantes da banda punk de Los Angeles Jacob The Horse no clipe de 666 chicks, seu novo single. Não sem antes sequestrar os músicos, subjugá-los e comer os quatro vivos. O guitarrista e cantor Aviv Rubinstien canta que as mulheres “morrerão assassinando homens que tentam mantê-las acorrentadas” e revela uma história de sua família nos versos “minha avó Hannah costumava jogar coquetéis Molotov em nazistas / e eu pago dez dólares por um café / e escrevo poesia ruim / não há esperança para mim” (a avó dele realmente fazia isso – Aviv é judeu esquerdista e muito do repertório do Jacob The Horse é sobre a escalada do fascismo nos Estados Unidos). O irônico álbum At least it’s almost over, o próximo do grupo, sai em 20 de março.

MOON CONSTRUCTION KIT, “CHEMICALS”. O synthpop da Suíça vai bem, obrigado. O Moon Construction Kit é um projeto criado pelo músico Olivier Cornu, cuja sonoridade baseia-se em synths gélidos, algum peso nas guitarras e psicodelia como clima geral a envolver as músicas. Chemicals, o novo single, transita entre David Bowie e uma espécie de boogie art-rock, com arranjo e melodia contemplativos. “Chemicals é o som de sentir demais. Em algum momento, a única forma de lidar com isso é desligar. Eu queria que a faixa refletisse essa luta entre o caos e a necessidade desesperada de quietude”, conta Olivier.

LAPTOP, “CHRISTMAS CARD FROM A HOOKER IN MINNEAPOLIS”. Jesse Hartman é um sujeito experiente: tocou com Richard Hell, teve uma banda de indie rock chamada Sammy (que nos anos 1990 gravou discos na Geffen, e montou depois o Laptop, banda que começou lá pelos anos 2000, e que hoje divide com sseu filho Charlie. O grupo lançou o single Indie hero recentemente, mas despede-se de 2025 com um single natalino: é a versão deles para Christmas card from a hooker in Minneapolis, sucesso de Tom Waits.

“Essa foi a primeira música que me mostrou que dava para misturar tristeza e humor na mesma frase. Ela basicamente me formou. Essa música é a planta-baixa do Laptop, eu sabendo disso ou não”, conta Jesse, que tocava a faixa desde os 13 anos no piano da família, antes de montar qualquer banda.

DEAD AIR NETWORK, “THIS MIGHT HAVE HAPPENED BEFORE”. “O Dead Air Network mistura punk retrô, new wave e influências góticas para criar uma experiência sonora única, que dialoga tanto com fãs nostálgicos quanto com novos ouvintes”, faz questão de esclarecer esse grupo punk de New Jersey, que na faixa This might…, volta esbanjando referências de Hüsker Dü. A música está no EP The fifth of october.

THE LEGAL MATTERS, “EVERYBODY KNOWS”. Muito romantismo e um clima que faz lembrar bandas como Badfinger e Wings – é o som de Everybody knows, música nova dessa banda de power pop do Michigan. Uma música cuja letra fala a respeito de sons que lembram momentos legais do passado e os lugares dos quais você veio – você pode viver para sempre numa lembrança, numa fotografia ou em algo que te lembre coisas boas. Uma canção de Natal, embora nem seja esse o objetivo da banda, já que a data festiva nem é citada.

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Lançamentos

Radar: Ebony, Marina Sena e Psirico, Tenório, Favourite Dealer, SantiYaguo, Zé Manoel

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Foto (Ebony): Emna Cost / Divulgação

Hoje é o último Radar nacional do ano – em 2026 tem mais. O single novo de Ebony, que abre caminho para a versão deluxe do ótimo disco KM2, encabeça a lista, que está variadíssima como sempre. Ouça e passe adiante!

Texto: Ricardo Schott – Foto (Ebony): Emna Cost / Divulgação

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EBONY, “DONA DE CASA”. “Essa foi a primeira música escrita para KM2, e acabou ficando de fora da versão experimental. Ela foi pensada para ser uma forma de interlúdio, mas acabou sendo um dos versos mais potentes que já fiz na vida, e a escolhi para anunciar a versão completa do álbum”, conta Ebony, que lança em breve nas plataformas a versão deluxe de seu ótimo álbum KM2 (resenhado pela gente aqui).

Dona de casa, a tal música que ficou de fora, abre caminho para a nova versão do álbum, e detalha a luta de Ebony para chegar onde chegou – e o “onde chegou”, vale dizer, inclui datas já agendadas para divulgar o KM2 deluxe, levando seu rap feminista e aguerrido adiante. Aliás, confira abaixo as datas da KM2 deluxe, a tour.

 

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MARINA SENA feat PSIRICO, “CARNAVAL”. Em 2025, Marina Sena lançou seu terceiro disco, Coisas naturais – seu melhor lançamento até agora, conforme falamos em nossa resenha. E ela encerra o ano com um lançamento especial de verão, o EP Marinada vol. 1 – projeto multimídia que se estende ao audiovisual, cabendo um videoclipe oficial da versão estendida de Carnaval e cinco lyric videos, todos dirigidos por Marcelo Jarosz e Vito Soares. A tal nova versão de Carnaval ganha a participação de Marcio Vitor (Psirico), e mais foco ainda no batuque e na diversão.

TENÓRIO, “PEGA, MATA E COME”. Jazz também combina com perigo e tensão – a banda Tenório, que une improvisos, solos e experimentalismos, já havia mostrado isso com o single Pedra do rio não sabe que montanha é quente. Com Pega, mata e come, o segundo single, a coisa ganha contornos mais selvagens, soando como um bicho atrás de sua presa. Na formação do Tenório, Filipe Consolini (piano), Henrique Meyer (guitarra), Victor José (baixo) e Felipe Marques (bateria). Em 2026 sai o primeiro álbum.

FAVOURITE DEALER, “WAVES”. Destaque de uma cena de bandas nacionais que revitalizam o shoegaze, esse grupo curitibano já havia lançado dois singles em 2025, Frustrating e Drowning. O ano encerra para eles com Waves, faixa que destaca os vocais tranquilos, o clima quase psicodélico e as guitarras sujas – algo no meio do caminho entre o stoner e sons mais melódicos. E já tem clipe.

SANTIYAGUO, “T.O.C.”. Voltado para o metal + hard rock de terror, SantiYaguo (ou Santiago Miquelino, seu nome verdadeiro) pegou um blues-rock feito por ele com Tiago Teixeira, transformou em metal, e lá veio o single T.O.C.. A música ganhou um clipe bastante criativo, dirigido por Fabiano Soares, em que uma mulher é exorcizada por um padre fã de Black Sabbath (que usa Iron man, autobiografia de Tony Iommi, como Bíblia Sagrada).

ZÉ MANOEL, “CORAL” (CLIPE). Patrimônio Vivo de Pernambuco, o Samba de Véio da Ilha do Massangano surge em Coral, contrapartida audiovisual da faixa-título do novo disco de Zé Manoel – é até bem mais do que um clipe, com uma linguagem de curta-metragem. No vídeo, dirigido por Tiago Di Mauro, Zé Manoel chama a atenção para o corpo como território sagrado, casa da voz e da memória ancestral. “O corpo é o meu primeiro instrumento. Antes de qualquer canto, há o silêncio e o som da pele. O clipe de Coral é um ato de reconciliação com a própria natureza. É um renascimento, uma oferenda às águas e às minhas origens”, afirma. Tudo é bastante sensorial, e a água surge de maneira quase ritualizada ao longo do clipe (e resenhamos o álbum Coral aqui).

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Lançamentos

Radar: Alex Vanderville, The Dreaming Void, I Smell Burning – e mais sons do Groover

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Foto (Alex Vanderville): Divulgação

O Pop Fantasma tá na Groover! Por lá, artistas independentes mandam seus sons pra uma rede de curadores – e a gente faz parte desse time. Fizemos hoje uma relação do que tem chegado de legal até a gente por lá – começando com o som de Alex Vanderville

O que tem chegado até nós? De tudo um pouco, mas, curiosamente (ou nem tanto), uma leva forte de bandas e projetos mergulhados no pós-punk, darkwave, eletrônico, punk, experimental, no wave e afins.

Texto: Ricardo Schott – Foto (Alex Vanderville): Divulgação

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ALEX VANDERVILLE, “LOBOS”. Vindo do México, Alex faz rock enérgico, influenciado por punk, grunge e sons oitentistas (nomes como Nirvana, Nine Inch Nails, Soundgarden, Jeff Buckley, Stone Temple Pilots, INXS e Duran Duran estão entre suas referências), mas que busca nunca escapar do pop na hora de fazer melodias. O single Lobos tem até um ar gótico no arranjo e até mesmo no clipe – e une punk e synthpop.

THE DREAMING VOID, “DANGEROUS TOYS”. Essa banda britânica tem muito do pós-britpop em seu sóm – mas sem deixar de lado as referências do pós-punk e dos anos 1980. Dangerous toys, um de seus novos singles, tem dois segmentos, e une a tranquilidade de bandas como Starsailor e R.E.M. a um clima gelado que faz às vezes lembrar The Cure e Echo & The Bunnymen. Destaque para a voz de Amy Hart.

I SMELL BURNING, “BLUE PARADE”. Esse misterioso grupo-projeto britânico soa como um David Bowie meio sombrio e metálico, no single Blue parade – uma faixa que eles afirmam ser uma das favoritas dos fãs nos shows. A vibe meio soul da música (que tem andamento lembrando Heroes, de Bowie) com certeza deve dar uma bela animada nas plateias da banda.

DIMA ZOUCHINSKI, “LATER FATE”. Compositor e cantor que diz ter mais de cem canções compostas, Dima é filho de pais russos, mas nasceu na Inglaterra e sempre viveu por lá. Ele diz que seu estilo é “Ian Dury encontra Lemmy nas encruzilhadas do blues”, e tem uma onda assumidamente Billy Bragg em seu som – dá para perceber isso de cara na poderosa Later fate, uma de suas músicas mais recentes.

THE DRONES, “NIGHTINGALE”. Pós-punk zoeiro com vocais de desenho animado, e som que tem o maior jeitão de terror de desenho animado também – na real é uma canção gótica-shoegaze feita em clima de demo, com gravação envelhecida. Uma das faixas do novo álbum do The Drones, que se chama justamente Nightingale.

CRONOS MATTER, “CELEBRITY BOILED”. Esse projeto se define como um encontro entre Nirvana e Soundgarden – uma banda com guitarras pesadas, vocal dramático e clima ligeiramente cinematográfico e aterrorizante. O grupo afirma que a ideia de Celebrity boiled é falar dos descontentamentos e desilusões modernas – a letra fala sobre a verdadeira máquina de moer carne das redes sociais, em que todo mundo fica se comparando, e também sobre relacionamentos abusivos.

PANKOW_77C, “PRECINT 13 DEATH BRIGAD4S”. Esse projeto audiovisual italiano costuma meter bronca mais em vídeos que se assemelham a games – e dessa vez, no single novo, investem no cyberpunk cheio de erros propositais de gravação, peso eletrônico e ligações pouco usuais, já que William Burroughs e Gilles Deleuze são citados como referências misturadas no caldeirão deles. “Filosofia com batida forte. Sem revivalismos. Sem modismos. Esta é uma insurgência sonora construída sobre suor, distorção e memória. Uma trilha sonora para aqueles que se movem para sobreviver”, definem.

SLY SUGAR, “VIDA LOKA”. Esse grupo veio da Ilha da Reunião (departamento pertencente à França), e une reggae, rock, eletrônicos e tudo que você puder imaginar. Vida loka tem uma expressão em português no título, e letra igualmente em português, lembrando o pop nacional dos anos 1990.

EYAL ERLICH, “SENTIMENTAL CAPE”. Com um monte de singles gravados ao vivo – e preparando um álbum – Eyal faz um som voltado para o indie rock, e para canções que exploram “amor, perdas e questões não respondidas”, sempre “em algum lugar entre a atitude punk suave e a vulnerabilidade de cantor-compositor”, conta.

MI6, “THE MIND MACHINE”. Projeto criado por músicos experientes do som eletrônico e da cena gótica, o MI6 é baseado em “new wave, old wave, cold wave, dark wave, com toques de doom, goth, ebm e punk”, cabendo originais e covers no repertório. The mind machine é o primeiro single, um pós-punk gótico com vocais graves feito pelo integrante Dominique Nuydt. Porrada.

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From the pyre aposta no glam-barroco performático do The Last Dinner Party, com ótimos momentos, mas perde equilíbrio e força na segunda metade.
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Portal, do Balu Brigada, mistura rock, synthpop, house e punk em estreia festeira, certeira na maioria das faixas, sobre dúvidas amorosas.
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Ouvimos: Balu Brigada – “Portal”

Em A very Laufey holiday, Laufey transforma canções natalinas em jazz orquestral elegante, com clima de Hollywood clássico e arranjos mágicos entre nostalgia e sofisticação.
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Ouvimos: Laufey – “A very Laufey holiday” (Santa Claus is coming to town edition)

Emicida revisita raízes com dois discos inspirados nos Racionais, misturando histórias pessoais e interpolações em faixas experimentais, íntimas e contestadoras.
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Ouvimos: Emicida – “Emicida Racional VL.3: As aventuras de DJ Relíquia e LRX” (mixtape) / “Emicida Racional VL.2: Mesmas cores e mesmos valores”

Nigéria Futebol Clube mistura noise e no-wave para confrontar o rock, narrar histórias de negritude e de raiva urbana em dois discos radicais e políticos.
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Ouvimos: Nigéria Futebol Clube – “Entre quatro paredes” / “Hamas” (ao vivo)

Instrumental pesado da Dinamarca, o Town Portal mistura prog, jazz-math-rock e grunge 90s, buscando beleza melódica em riffs densos e climas variados.
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RosGos mistura folk espacial e rock 90s num disco gravado em 5 dias, ao vivo. Clima viajante, tenso e dolorido, entre Brian Eno e Elliott Smith.
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Ouvimos: RosGos – “In this noise”

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Fermentação marca fase quase solo de Bebel Nogueira no Bel Medula: piano minimalista, poesia em foco e experimentações que cruzam jazz, MPB e ritmos brasileiros.
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Vamossive, de Posada, mistura folk nordestino, baião-rock e psicodelia afro-latina, com clima sonhador e percussão tranquila que soa como convite.
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Ouvimos: Posada – “Vamossive”

Como duo, o francês Pamplemousse mistura stoner, punk, grunge, psicodelia e vários experimentos sonoros em Porcelain.
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Ouvimos: Pamplemousse – “Porcelain”

Em Factory reset, Retail Drugs faz eletropunk ruidoso com baixo distorcido e ironia ácida sobre trabalho, redes sociais e a vida real.
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Em Novo testamento, Ajuliacosta faz um manifesto em rap e r&b: existencial, direto e vingativo, criticando machismo, mercado, fama e relações.
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Sea change, segundo disco do Lovepet Horror, mistura pós-punk, dream pop e ecos 80s em clima imersivo, dançante e sombrio, com guitarras ecoadas.
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No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Após seis anos, Of Monsters And Men volta com um disco indie folk mais real e celestial, que fala de saúde mental, amor em desgaste e franqueza emocional.
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