Connect with us

Cultura Pop

Peraí, quem é esse tal de Hugo Santana?

Published

on

Se você precisava de uma música maluca e de uma história mais bizarra ainda para o dia de hoje, tente essa: o cantor alagoano Hugo Santana, espécie de galã feio dos anos 1960 e 1970 (1m90 e vocais empostadíssimos), soltando todos os “errrrres” abolerados possíveis numa canção pop irresistível, Astrologia. Esse single saiu em 1973.

Se você nunca escutou falar de Hugo na vida, não se sinta mal: a história desse cantor, ator e apresentador é tão misteriosa que não há detalhes sobre como e onde e QUANDO ele morreu. Sabe-se que ele nasceu em Palmeira dos Índios, Alagoas, em 5 de dezembro de 1936, e que antes de fazer carreira no rádio, passou por um período meio vida louca: foi expulso do colégio, jogava sinuca, vadiava, brigava.

A vida de Hugo dava um belo longa-metragem no estilo Faroeste caboclo: na adolescência, ele foi levado a um reformatório, tomou contato com a música e se endireitou. Trabalhou até num armazém em Recife, que pertencia a uns tios. Depois resolveu seguir num pau-de-arara direto para o Rio, onde morou com outro tio e foi trabalhar numa companhia de seguros. A vida estava tranquila demais e Hugo resolveu se virar sozinho. Morou nas ruas de Copacabana, foi tintureiro, lavador de carros, porteiro de cinema. Até que aproveitando os tais conhecimentos de música que adquiriu na escola correcional, foi fazer testes em rádios. Se deu bem a ponto de ir parar nas Emissoras Associadas de São Paulo, recomendado por ninguém menos que Cassiano Gabus Mendes.

Boa parte do que você precisa saber sobre a vida de Hugo está neste artigo bem completinho do site História de Alagoas, que traz uma pesquisa bastante detalhada sobre a vida de Hugo Santana. Não custa lembrar que Hugo, antes de qualquer coisa, foi um artista “completo”, do tipo que canta, dança, representa, apresenta, aparece na TV, rádio e cinema. Atuou em telenovelas da TV Excelsior, excursionou em países como Uruguai e Argentina. Em 1962 gravou um 78 rpm pela Continental e estreou sua carreira discográfica. Em 1967, virou empregado da (sabia dessa?) Globo, onde fez a novela Anastácia, a mulher sem destino, ao lado de um time que incluía Leila Diniz e Aracy Cardoso. Anos depois, chegou a trabalhar em produções da emissora, como a série Plantão de polícia.

Hugo, diz o texto que linkamos acima, era um sujeitinho difícil. Nos anos 1960, já era envolvido em boatos de que estava deixando alguns colegas putos da vida, porque falava mal deles pelas costas – a história chegou a aparecer numa coluna Mexericos da Candinha. Durante momentos variados da sua carreira, vários amigos e ex-colegas relatavam que ele arrumava confusões, fazia grosserias com colegas e, em vários momentos, se comportava como uma pessoa intratável. Um tempo depois, era visto em eventos evangélicos (Hugo teria chegado a apresentar um programa como pastor, ainda nos anos 1970). Nos últimos anos, teve que lidar com as consequências de uma doença grave.

Se você chegou até aqui, então pega aí um dos discos que Hugo gravou no auge do sucesso, De momento a momento (Odeon, 1966). Uma das raras coisas que jogaram dele no YouTube.

https://www.youtube.com/watch?v=87Jhsl4hDmU

Via Brazil By Music

Ricardo Schott é jornalista, radialista, editor e principal colaborador do POP FANTASMA.

Continue Reading

Cultura Pop

George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

Published

on

George Harrison (Reprodução YouTube)

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)

Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube

  • Quer receber nossas descobertas musicais direto no e-mail? Assine a newsletter do Pop Fantasma e não perca nada.

“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).

O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).

Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.

A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.

A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.

Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.

Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.

  • Gostou do texto? Seu apoio mantém o Pop Fantasma funcionando todo dia. Apoie aqui.
  • E se ainda não assinou, dá tempo: assine a newsletter e receba nossos posts direto no e-mail.
Continue Reading

Cultura Pop

No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Published

on

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.

Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)

Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.

Mais Pop Fantasma Documento aqui.

Continue Reading

Cultura Pop

No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

Published

on

No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a "Jagged little pill"

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).

Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.

Mais Pop Fantasma Documento aqui.

Continue Reading

Acompanhe pos RSS