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Ouvimos: The Dandy Warhols, “Rockmaker”

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Ouvimos: The Dandy Warhols, "Rockmaker"
  • Rockmaker é (pode acreditar) o décimo-segundo álbum de estúdio dos Dandy Warhols, banda norte-americana conhecidíssima por causa do hit Bohemian like you.
  • O grupo formado por Courtney Taylor-Taylor (voz, guitarra, teclado), Peter Holmström (guitarra, backing vocals, teclados, baixo), Zia McCabe (teclados, baixo, percussão, backing vocals, guitarra) e Brent DeBoer (bateria, guitarra, baixo, backings) está vindo ao Brasil – toca no dia 13 de junho, no Carioca Club, em São Paulo. E (pode acreditar também!) está completando 30 anos.
  • O disco tem participações de Frank Black, Slash (Guns N Roses) e Debbie Harry (Blondie).

Dandy Warhols, os caras de Bohemian like you. Aquele hit que você já dançou um trilhão de vezes na pista – se bobear, esteve na semana passada numa festa em que o DJ soltou essa pérola, que soa quase como se o Blur decidisse abraçar uma mescla de rock dançante e toques glam. Problema é que esse é só um lado (e talvez o mais público) do DW, uma banda que sempre teve uma relação de amor e ódio com uma banda bem esquisita, o Brian Jonestown Massacre, e cujos álbuns são pérolas da neo-psicodelia e da variedade. Aquele tipo de disco que começa de um jeito, acaba de outro, e passa por várias nuances sonoras no meio do caminho.

Não custa lembrar que esse Rockmaker marca a volta do grupo para as canções, após o quarteto fazer um álbum de três horas (Tafelmuzik means more when you’re alone, de 2020) que tinha uma faixa de trinta minutos. E não deixa de ser um disco bem maluco e experimental. Rockmaker não tem nenhum hit óbvio como Bohemian like you, que na prática é um dos raros hits óbvios deles. O disco atira para o rock herdado do punk e do glam, com tendências “espaciais” (graças à gravação de vocais e aos ruídos disparados por guitarras e teclados), especialmente no single Danzig with myself (com Frank Black fazendo vocais), em I’d like to help you with your problem (que traz solos de guitarra de Slash e soa como Jimi Hendrix Experience pré-punk), ou em canções loureedianas como Teutonic wine.

Para rolar na pista de dança, o álbum traz a precisão rock-eletrônica de The cross, o punk melódico Love thyself, e o boogie-punk irônico de The summer of hate, com vocais no estilo de Iggy Pop. O lado stoner da banda surge na bizarra Alcohol and cocainemarijuananicotine e na estranheza de Real people. Debbie Harry dá o ar da graça em I will never stop loving you. Uma canção (er) galante, que soa quase como uma vinheta tamanho-família, encerrando o álbum – e poderia ter alguns minutos a menos.

Nota: 7,5
Gravadora: Sunset Blvd/Beat The World

Crítica

Ouvimos: Prisonnier Du Temps – “Prendre le pouvoir par la force”

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Resenha: Prisonnier Du Temps – “Prendre le pouvoir par la force”

RESENHA: Em seu projeto solo Prisonnier Du Temps, Lionel Cadiou cruza oi!, pós-punk, hardcore e skate-punk em faixas de guitarras nervosas, vocais de revolta e espírito de confronto.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8,5
Gravadora: La Vida Es Un Mus
Lançamento: 15 de maio de 2026

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Lionel Cadiou faz parte do Syndrome 81’, banda francesa que uniu estilos como oi! punk e pós-punk. Prisonnier Du Temps é seu “projeto solo”, funcionando quase como um codinome. E o álbum Prendre le pouvoir par la force ganha ares de mudança de atitude sonora, em que faixas como Trahisons et mensonges abrem num clima que chega a lembrar bandas como New Model Army – com violões, microfonias e ataques sonoros. Depois, a faixa embarca na oi! music à maneira de bandas como Angelic Upstarts.

La liberté s’obtient par le sang (“a liberdade é conquistada através do sangue”), sustentada por guitarras nervosas e por uma linha de baixo dominante (além do violão na base), tem a mesma cara guerreira de bandas como Social Distortion, com melodia simples e bem feita. O mesmo clima toma conta de faixas como L’armée des ombres, música ágil e quase pós-punk, e do clima quase gótico de Dans la douleur et les larmes e Le genou à Terre.

O Prisonnier investe também em climas abertos e de pura roda na plateia, como Dernier regard, punk para ouvir com os braços pra cima – caindo no skate-punk e no hardcore em Et jusqu’à la mort, gravada em meio a uma parede de som. Berrando como um sindicalista, Lionel convoca à revolta geral fazendo guitarras soarem como sirenes em Bout de nervs – que encerra tudo promovendo a melhor união oi! + pós-punk do álbum.

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Ouvimos: Changing Places In The Fire – “Changing Places In The Fire”

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Resenha: Changing Places In The Fire - “Changing Places In The Fire”

RESENHA: Na estreia, a banda venezuelana radicada nos EUA Changing Places In The Fire cruza prog-metal, math rock, nu metal e grunge para falar de exílio, falta de perspectivas e deslocamento.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8
Gravadora: Wild Thing Records
Lançamento: 24 de julho de 2026

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O Changing Places In The Fire é uma banda venezuelana radicada nos Estados Unidos – só isso já dá pano pra manga e assunto pra vários discos. A banda foi para lá fugindo da porradaria, provavelmente antes do aperto geral do governo Trump, e o próprio nome do grupo já indica o dilema entre a cruz e a caldeirinha. Um dilema que domina quase todas as faixas de Changing Places In The Fire, a estreia deles, com faixas falando diretamente sobre exílio (The epiphany tree) e falta de perspectivas (A case against the world).

Já o som do Changing Places In The Fire é um prog-metal bem feito, que capricha em beats quebrados, às vezes próximos do math rock – como em The epiphany tree e no clima pós-punk + nu metal de A reason to fall. Tem muita coisa que caminha para o lado do metalzão cromado (as ótimas guitarras de The fury and the sound e Home). Além de uma balada metálica (Into the unknown) e climas próximos do metal-grunge (Learn to die), e de coisas bem progressivas, como a balada sintetizada e fantasmagórica Black oceans, e a tranquila The door left behind.

Não chega a ser uma proposta original, mas o Changing Places une momentos de cara própria em meio a lembranças de bandas como Tool e Avenged Sevenfold – é um metal progressivo acessível e que valoriza mais a emoção do que a técnica ou a construção de atmosferas. Tanto que dá pra achar riffs econômicos em faixas como A case against the world, valorizando momentos de simplicidade em meio à elaboração mesmo em músicas quase psicodélicas como As if you were free.

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Ouvimos: Anaïs Sylla – “Exil”

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Resenha: Anaïs Sylla – “Exil”

RESENHA: Em seu disco de estreia, Exil, Anaïs Sylla transforma a experiência do exílio em pop sofisticado, cruzando ritmos afro-caribenhos, reggae, r&b, ambient e folk malinês.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 9
Gravadora: Alá Comunicação e Cultura
Lançamento: 21 de agosto de 2026

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Exil, nome do álbum de estreia da franco-suíça-senegalesa Anaïs Sylla, foi tirado de Exil, filme do cineasta Tony Gatlif – uma obra sobre pessoas errantes, que passam por culturas e identidades diferentes. Anaïs, radicada no Brasil, começou a pensar o disco na época da pandemia, quando o “exílio” que geralmente é feito entre países e novas culturas, virou uma obrigatoriedade que deveria ser vivida dentro de casa.

Acabou se tornando uma usina pessoal de criação rítmica e melódica, em que efeitos sonoros, violões, percussões e vocais macios unem-se em canções pop de clima afro e caribenho, como em Minha irmã (com Anelis Assumpção), Regard croisés, Rêver (com Jota.Pê e Caê) e o reggae De bouche à bouche. Em alguns momentos, Exil lembra o começo da carreira de Céu, mas com outras ideias rítmicas no lugar do samba-jazz eletrônico.

O som também abarca r&b ultratexturizado (Silhouette), um ambient viajante e leve (La mer) e o folk do Mali de Je chantrai pour toi (com Tiganá Santana). Exil traz tambem Anaïs lembrando do tempo em que cantou com João Donato na versão de Lugar comum em francês (Endroit commun), e fazendo pop sofisticado e marítimo em Traverséé.

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