Crítica
Ouvimos: Daughter, “Middle farm session” (EP)

- Middle Farm session é uma sessão ao vivo do grupo britânico Daughter, gravada no Middle Farm Studios, perto de Dartmoor, na Inglaterra. O EP tem 7 faixas originalmente presentes no álbum Stereo mind game (2023).
- A banda foi formada em 2010 em Londres por Elena Tonra, Igor Haefeli e Remi Aguilella, que estão no Daughter até hoje.
Stereo mind game (2023) é considerado o disco mais felizinho do Daughter até agora – e, de fato, trata-se de um registro bem menos sombrio do que os anteriores dessa banda londrina. No EP Middle Farm session, o trio de Elena Tonra, Igor Haefeli e Remi Aguilella volta ao repertório do álbum e revê sete faixas de Stereo de maneira semiacústica, em versões gravadas no estúdio Middle Farm.
As novas versões reveem algumas canções de maneira pouco mais minimalista do que no original – como em Future lover, que substitui a guitarra base por violões e põe o baixo bem mais na linha de frente, como numa canção do The Cure (que aliás deve ter sido a grande referências do grupo nessa faixa). Party continua marcial, e com clima calmo dado pelas guitarras – ameaçando um dream pop graças aos vocais de Elena, e ganhando um tom que une R.E.M., Suzanne Vega e Cocteau Twins. Os ruídos na abertura do pós-punk To rage ficam mais evidentes e tornam-se distorções, com clima cortado pelo piano circular, quase meditativo.
Já Be your own way e a dançante e introvertida Dandelion são basicamente a transposição do original para um clima mais orgânico, sem tantas novidades. O mesmo rola com o folk introvertido de Isolation, em clima triste. Neptune torna-se uma balada em tom de oração, com vocais altos e doces, mais humanizada que o original do álbum anterior. Vale bastante acompanhar a session no YouTube, para ver a banda tocando ao vivo para eles mesmos.
Nota: 7,5
Gravadora: 4AD
Lançamento: 21 de janeiro de 2025
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Crítica
Ouvimos: Makeshift Art Bar – “Marionette” (EP)

RESENHA: Makeshift Art Bar mistura jungle, industrial, ska e eletrônica pesada em Marionette, EP intenso, caótico e cheio de tensão.
Texto: Ricardo Schott
Nota: 8,5
Gravadora: Heist or Hit
Lançamento: 26 de junho de 2026
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Vindo da Irlanda do Norte, o Makeshift Art Bar é uma banda interessada em porrada, caos e ousadia: Marionette, o segundo EP, une sons eletrônicos e peso sem soar parecido com o Ministry ou com qualquer outra banda craque do estilo.
O som de faixas como Chocolate é basicamente um jungle distorcido e imagético, gravado como se fosse uma trilha de filme – dá para imaginar uma pista de dança escura bombando. Crows é um blues industrial porradeiro, em que o ritmo parece dado por várias correntes rangendo, enquanto a letra fala sobre incertezas e falta de paz.
- Ouvimos: Data Animal – Future of ghosts
Marionette é um EP curtinho, com duas faixas em cada metade. Discipline tem ares de Laibach e de Alien Sex Fiend – une música sombria, clima hi-energy, peso e ondas de pavor. Servant, no final, é um ska demoníaco e pesado, em que temas como controle mental e manipulação se tornam cada vez mais apavorantes.
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Crítica
Ouvimos: Bleeder – “Marble station” (EP)

RESENHA: Bleeder une pós-punk, post-rock e experimentalismo em Marble station, EP que transforma duas covers em viagens sonoras densas e sombrias.
Texto: Ricardo Schott
Nota: 8,5
Gravadora: Escho
Lançamento: 5 de junho de 2026
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Direto da Dinamarca, o Bleeder é o projeto musical de Peter Peter, mais conhecido como autor de trilhas de filmes de ação e crime. No EP Marble station, ele se cerca de amigos, como Elias Ronnelfelt (do Iceage), para unir pós-punk e experimentalismo roqueiro histórico.
Marble station tem quatro faixas, mas o clima é de ocupação sonora, abrindo com a faixa-título. São nove minutos de música em que as guitarras vão tomando conta de um jeitão até meio emo – mas com piano luminoso e clima perdido, quase de post-rock, em que o peso vai chegando aos poucos. Here comes the dead, a outra autoral do álbum, é metal post-rock, em clima sombrio e sonhador.
O repertório de Marble station é complementado por duas covers. Boy / girl, de Lydia Lunch, vira hardcore ruidoso e eletrônico, com ares de Ministry, mas ganhando até uma percussão. If not this time, música da pioneira banda experimental estadunidense Fifty Foot Hose, é psicodelia sombria sessentista. Loucura sonora mapeada.
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Crítica
Ouvimos: Jokas – “Ispiridiguiberto”

RESENHA: All Jokers vira Jokas e lança Ispiridiguiberto. São 16 minutos de punk e hardcore irônicos, pesados e maduros, entre zoeira, crítica e boas melodias.
Texto: Ricardo Schott
Nota: 8
Gravadora: Lixo-O-Rama Discos
Lançamento: 28 de junho de 2026
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Falamos outro dia de um álbum de onze minutos, mas tá aí a banda paulista Jokas quase na mesma linha. Ispiridiguiberto, o primeiro álbum do grupo, tem oito faixas e uma duração pouca coisa menos extravagante (16 minutos) que Magazine, o tal disco curto do YHWH Nailgun. O Jokas, que vem de Campinas (SP), é “das antigas”: é o clássico grupo punk All Jokers com outro nome, mas com a mesma receita irônica e ruidosa.
Ispiridiguiberto, primeiro álbum com o nome novo, oscila entre punk californiano e hardcore para falar de vida no limite (Vida de doidão), ruindades do mundo (Fuck this shit, a faixa-título), amores (She couldn’t wait, em clima meio The Clash, meio NOFX). Tem zoeira em tom surf-punk, A bosta, e hardcore em clima guerrilheiro, Come join us – completando com a beleza punk de Goodbye, grey sky e Sweet perfection. Som com peso, vocais bacanas e maturidade nas composições.
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