Connect with us

Crítica

Ouvimos: Courting, “Lust for life”

Published

on

Ouvimos: Courting, “Lust for life”

Não cabia na home do Pop Fantasma, mas o nome completo do terceiro álbum desse grupo de Liverpool é Lust for life or: How to thread the needle and come out the other side to tell the story. (“Desejo de viver ou: Como passar pelo fio da agulha e sair do outro lado para contar a história”). Dono de uma discografia pequena, mas já cheia de peculiaridades, o Courting volta com um disco que tem ar de mixtape: oito faxas, 25 minutos, experimentações sonoras arriscadas e união de eletrônica com rock.

É nessa onda de “experimentações sonoras arriscadas” e “união de eletrônica com rock”, aliás, que o Courting quase mata seu terceiro disco. Se você esperar curtir outras canções com clima igual aos singles (Namcy, Pause at you e After you), encontra logo na abertura a vinheta Roolback intro, um misto de som barulhento com loop de violino fiddler, que dura 48 segundos. E serve de introdução para Stealth roolback, uma espécie de krautrock meio torto – na real, um rock eletrônico e gritado, que poderia ter o mesmo uso que o grunge descerebrado Tourette’s teve no álbum In utero, do Nirvana (1993), mas aqui é o começo de um álbum.

  • Apoie a gente e mantenha nosso trabalho (site, podcast e futuros projetos) funcionando diariamente.

Bom, o Courting não está na era do CD (em que discos de 70 minutos com vinhetas-besteirol eram padrão), Lust for life é bem curto, e custa consideráveis minutos para que chegue o single Pause at you – pós-punk percussivo, intenso, parecendo um encontro da Gang of Four com o Kaiser Chiefs, e que não consegue nem ser atrapalhado por um uso meio desnecessário de voz com autotune.

Namcy é um rock cheio de atitude, o encontro perfeito entre The Killers e The Cure. Eleven sent (This time) traz o grupo atualizando o britpop noventista, em linhas vocais e versos. Vale dizer que o Courting entrega punk rock de qualidade em After you e Likely place for them to be – esta última, com riff intermitente, e um clima que soa como a boa e velha no-wave transformada em algo mais palatável, igual ao que uma turma enorme anda fazendo com o shoegaze hoje em dia. Aí vale o tempo dedicado a ouvir o disco, como rola também com o quilométrico conto pós-punk de Lust for life, faixa dividida em três partes, soando como as maluquices do Ultravox nos primeiros três álbuns.

Se o Courting não existisse, faria falta – mas sei lá quem convenceu o grupo a fazer de Lust for life um LP para quem não gosta do formato álbum.

Nota: 6,5
Gravadora: Lower Third/PIAS
Lançamento: 14 de março de 2025.

Crítica

Ouvimos: Septik – “World of turmoil” (EP)

Published

on

Resenha: Septik – “World of turmoil” (EP)

RESENHA: No novo EP, World of turmoil, o Septik mistura crossover, thrash metal, punk e metalcore em faixas rápidas e agressivas, com referências a Megadeth, Sepultura, Ratos de Porão e Metallica.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8
Gravadora: REDSUN Records
Lançamento: 27 de agosto de 2026

  • Quer receber nossas descobertas musicais direto no e-mail? Assine a newsletter do Pop Fantasma e não perca nada.

Com um álbum e alguns EPs e singles na bagagem, o Septik vem de Houston e aposta em sons extremamente rápidos, agressivos e ríspidos em seu novo EP, World of turmoil. Mesmo podendo ser definida como “crossover”, pelo cruzamento entre metal e punk a banda tem até alguma ligação com climas mais clássicos do metal, embora vá fundo numa receita anárquica para unir tudo.

Tipo na curta Oblivion, que abre em clima de metalzão, tem algo de Megadeth (a banda de Dave Mustaine volta e meia surge como referência em algumas guitarras do disco) mas encerra com arrotos, lamentos e um clima de possessão demoníaca. Mind the silence tem algo de rap nos vocais e ganha até certo suingue, com uma cara punk vindo depois. A faixa-título tem vocais rappeados e um clima meio metalcore.

O final de World of oblivion expõe influências de Sepultura e Ratos de Porão, e do metal dos anos 1990 em geral – Without a trace tem muito de Dead embryonic cells, do Sepultura. Dá até para ver algo de Metallica no refrão de Vanish point, embora a principal onda da música seja ter um beat quase punk, bem ágil. Como o rock dos anos 1990 tem se tornado o paraíso idealizado de um monte de bandas e artistas (do rock e do pop), normal o metal ir pelo mesmo caminho. No caso do Septik, vem dando certo.

  • Gostou do texto? Seu apoio mantém o Pop Fantasma funcionando todo dia. Apoie aqui.
  • E se ainda não assinou, dá tempo: assine a newsletter e receba nossos posts direto no e-mail.

Continue Reading

Crítica

Ouvimos: Elli Ott- “The how to sing tape”

Published

on

Resenha: Elli Ott- “The how to sing tape”

RESENHA: No álbum The how to sing tape, Elli Ott explora cordas, objetos e falhas de gravação para criar uma mistura de folk, ruído e experimentação, entre o meditativo e o caótico.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 7,5
Gravadora: Bud Tapes
Lançamento: 21 de julho de 2026

  • Quer receber nossas descobertas musicais direto no e-mail? Assine a newsletter do Pop Fantasma e não perca nada.

Ligado ao selo de K7s Drongo Tapes, de Seattle, Elliott Hansen – o popular Elli Ott – é um cara do ruído e da tentativa-e-erro. The how to sing tape, disco lançado também em fita K7, é quase um Quinteto Violado de um cara só, mas voltado menos para o tocar violão e mais para o “violar tocão”.

Ele fricciona vários objetos contra as cordas e faz uma espécie de ruído falsamente meditativo, em faixas como How to sing, a cantada e letrada Will I have to beg you for it? e Meditation on the little black cat (nessa, as cordas do instrumento parecem se romper e causam pequenas rupturas na própria faixa – e em alguns momentos, as cordas parecem estar sendo tocadas por algo operado com pedal).

Essa experimentação sem nenhum mapa transforma o instrumento numa interferência (Pumpkin center lament pt 1) e vai seguindo até chegar a algo quase meditativo (Shrimplicity, Untitled). O lado mais “musical” do disco passa por temas folk tocados com certa delicadeza (Dr Olive’s dream e a luminosa Long sea, que chega a lembrar coisas de bandas como Hot Tuna). Uma viagem válida.

  • Gostou do texto? Seu apoio mantém o Pop Fantasma funcionando todo dia. Apoie aqui.
  • E se ainda não assinou, dá tempo: assine a newsletter e receba nossos posts direto no e-mail.

Continue Reading

Crítica

Ouvimos: Brandon Flowers – “Thrasher”

Published

on

Resenha: Brandon Flowers – “Thrasher”

RESENHA: No terceiro disco solo, Brandon Flowers mergulha no country de Nashville, entre Johnny Cash e Willie Nelson, mas letras ingênuas e constrangedoras tornam Thrasher uma experiência curiosa.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 7
Gravadora: Island Records
Lançamento: 21 de agosto de 2026

  • Quer receber nossas descobertas musicais direto no e-mail? Assine a newsletter do Pop Fantasma e não perca nada.

Sabe aquela velha discussão sobre “separar o artista da obra”? Sim, como se artista e obra fossem coisas diferentes, e como se não fosse possível amar um artista apesar de, na vida pessoal (o que inclui opiniões, convivência, votos políticos e até ocorrências policiais), ele ser um babaca? Bom, em seu terceiro disco solo, Brandon Flowers, cantor do The Killers, parece estar interessado em outro tipo de discussão: como faz pra separar um artista dele próprio?

Pra começar, novidade: se você curte mais a onda “sensível” e narrativa da banda de Brandon (exposta em discos ds Killers como Sam’s town, de 2006, e Pressure machine, de 2021), há grandes chances de você curtir Thrasher. Que é basicamente um disco de country andarilho, com pinta de Nashville, e lembranças de artistas como Johnny Cash, Willie Nelson, Waylon Jennings, Elvis Presley e Dolly Parton. Uma lembrança que rola não apenas nas melodias como nas letras, cheias daquelas historietas épicas do estilo.

Esse “estado de espírito” country já saía da musicalidade de Brandon faz tempo – a turma indie, que ama hits dos Killers como Somebody told me, talvez nem desconfie que Flowers é de Las Vegas, é membro praticante da Igreja Mórmon e não gosta de álcool nem de drogas (até café e chá o rapaz evita). Vai daí que Thrasher é um disco definitivamente lindo, apesar de Brandon, como letrista de country, ajudar a transformar tudo numa experiência bem ingênua e constrangedora em vários momentos. Na real, nada muito diferente das histórias de orgulho e vida fora-da-lei contadas por vários nomões do estilo em vários momentos.

Tipo em Does it ever cross your mind?, um gospel bem esquisito no qual ele diz entender a vida como “desígnios de deus”, e que tem um verso pra lá de “oi?”: “eu poderia ter nascido em Bangladesh / mas não nasci, nasci aqui / com jujubas suficientes na minha cesta / para te pedir para fazer um pedido a uma estrela”. Muita informação para o pobre cérebro de qualquer pessoa: essa referência a Bangladesh não tá meio estranha, não? Jujubas? Cesta?

Bom, a guitarra no final dessa faixa é linda – aliás, Brandon realmente foi a Nashville gravar o disco e convocou lendas como Bruce Bouton (pedal steel) e Charlie McCoy (gaita), além da talentosíssima Margo Price (backing vocals). Essa sensação de “er…” invade faixas boas como o country gospel One of us, o baladão a la Kenny Rogers Tiger’s blood, o clima pé-de-pano de Plans, a bela dor de corno (literalmente) de In a heartbeat… Você ouve, até gosta da melodia, mas o “conjunto da obra” dá uma sensação bem estranha. Angel, por sua vez, é a tentativa de construir uma história sobre racismo nos Estados Unidos – consegue fazer algum sentido, com alguma dificuldade.

An American dream, no final, parece… Bom, dá a ligeira impressão de que Brandon queria fazer uma letra cola-cacos, no estilo de David Bowie, e acabou concebendo um fudevu de casserole com versos como “fui buscado por Elvis em um Tesla Model X / um modelo 68 de couro preto / ele estava limpo e sóbrio / e riu quando perguntei se tudo aquilo valia a pena”. Isso é bem pouco se comparado ao péssimo gosto da letra de Miss America, na qual Brandon tenta se colocar no lugar de uma menina que cresceu sofrendo abusos. Musicalmente, é até fácil entender Thrasher como um bom disco, mas as letras deixam qualquer um sem palavras.

  • Gostou do texto? Seu apoio mantém o Pop Fantasma funcionando todo dia. Apoie aqui.
  • E se ainda não assinou, dá tempo: assine a newsletter e receba nossos posts direto no e-mail.

 

Continue Reading

Acompanhe pos RSS

Resenha: Septik – “World of turmoil” (EP)
Crítica4 minutos ago

Ouvimos: Septik – “World of turmoil” (EP)

Resenha: Elli Ott- “The how to sing tape”
Crítica4 minutos ago

Ouvimos: Elli Ott- “The how to sing tape”

Rafael Panke (Afterhourless) - Foto: Divulgação
Urgente22 minutos ago

Afterhourless transforma guerra nuclear em shoegaze romântico em “Magnetic”

Surfe cruza MPB e psicodelia no single duplo "Saudades tropicais - Volume 1"
Urgente10 horas ago

Surfe cruza MPB e psicodelia no single duplo “Saudades tropicais – Volume 1”

Johnny Mafia (Foto: Maxime e Valentin Tanchaud / Divulgação)
Urgente10 horas ago

Johnny Mafia: clichês do rock pesado e clima inusitado em “Colorful”

Ed Sheeran (Foto: Globalite Magazine / Wikimedia Commons)
Urgente17 horas ago

Ed Sheeran ficou sem todos os artistas que iriam abrir sua turnê. Entenda o rolo.

Carlinhos Carneiro (Foto: Gabriel Not / Divulgação)
Urgente18 horas ago

Carlinhos Carneiro transforma “Tony Ramos” em som com cara de anos 1990

New Order (Foto: Divulgação)
Urgente19 horas ago

Gillian Gilbert (New Order): “Stephen Morris está bem. Sou eu que estou com câncer”

[The] Music of Sound - Foto: Divulgação
Urgente21 horas ago

[The] Music of Sound transforma gentileza em dream pop cinematográfico

Resenha: Brandon Flowers – “Thrasher”
Crítica21 horas ago

Ouvimos: Brandon Flowers – “Thrasher”

Resenha: Kombi – “Tormento” (EP)
Crítica23 horas ago

Ouvimos: Kombi – “Tormento” (EP)

Angine de Poitrine tem música nova. E apresenta o som no programa de Jimmy Fallon
Urgente1 dia ago

Angine de Poitrine tem música nova. E apresenta o som no programa de Jimmy Fallon

Resenha: Magnólia – “Ternura e violência”
Crítica1 dia ago

Ouvimos: Magnólia – “Ternura e violência”

Resenha: Brigitte Calls Me Baby – “Irreversible”
Crítica1 dia ago

Ouvimos: Brigitte Calls Me Baby – “Irreversible”

Urgente1 dia ago

Gaê transforma a espera num filme musicado, no single “Antecipações”

Dona Helena ironiza a meritocracia no post-rock de “Seu Antônio S/A”
Urgente1 dia ago

Dona Helena ironiza a meritocracia no post-rock de “Seu Antônio S/A”

Marcelo Lobato - Foto: Rodrigo Ferraz / Divulgação
Urgente2 dias ago

“Produto do grito”: Marcelo Lobato transforma berro do parto em reflexão sobre desigualdade

Oasis confirma Live ’27 com shows na Europa e Estados Unidos; Manchester terá 11 datas
Urgente2 dias ago

Oasis confirma Live ’27 com shows na Europa e Estados Unidos; Manchester terá 11 datas