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Noramusique: festa virtual vai pro mundo real nesta sexta

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Durante a pandemia, quando começaram as festas on-line, toquei diversas vezes na Noramusique, uma festa virtual que começou presencial (bem antes da covid-19, claro). Tinha uma onda pós-punk forte na festa – aliás, ainda é um estilo musical bem comum nas festas de rock do Brasil. Mas uma característica que a Noramusique sempre teve, e foi desenvolvendo enquanto as edições da festa foram acontecendo, foi a variedade musical. Você podia começar ouvindo música eletrônica, ver o evento partir para o rock dos anos 1980 e, lá pelas tantas, aparecer um DJ tocando rock clássico, ou hip hop, ou sons novos da música pop, ou até heavy metal, ou música brasileira (já rolou).

A Noramusique vai voltar pro mundo real nesta sexta, às 22h, na Lapa (Rua Teotonio Regadas 13, rua ao lado da Sala Cecilia Meirelles, ingressos aqui), com um time de DJs formado por uma turma que tocou muito nos eventos virtuais: Diego, Helena Hell, Jesse Marmo (conhecido na noite carioca como DJ Kowalsky), Manu, Marpê (direto de BH), Renato Biao e o diretor da festa, Renato Vilarouca. A diferença agora é que as pessoas vão poder conferir a festa ao vivo e muita gente que “se encontrava” virtualmente vai poder se ver ao vivo. Vai rolar também lançamento do clipe da música Hei de amar, do ator e cantor mineiro Renato Luciano.

No período em que a Noramusique existiu virtualmente, ela também foi marcada pelo cruzamento de festas virtuais (eram vários eventos) e pela descoberta de novos DJs. Muita gente que nunca havia tocado em festa nenhuma se descobriu DJ tocando lá – e treinando com os próprios sons que marcaram suas vidas, ou encontrando sons novos. Acabou virando uma espécie de escola (vamos dizer assim) para novos profissionais. Eu mesmo fiz vários sets lá, variando do pós-punk ao rock clássico, e incluindo sons que muita gente conheceu porque leu primeiro no Pop Fantasma.

Para ter só uma ideia do que vai rolar na festa, a Nora tem colocar alguns sets no Mixcloud (opa, tem uns sets meus aí).

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Cinema

Vai sair caixa com as trilhas sonoras dos filmes de John Hughes

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Vai sair caixa com as trilhas sonoras dos filmes de John Hughes

O site Brooklyn Vegan, quando noticiou a caixa Life moves pretty fast – The John Hughes mixtapes, com o repertório dos filmes do diretor norte-americano, lembrou bem: “Algumas pessoas podem argumentar que as trilhas sonoras dos filmes de John Hughes resistiram melhor do que os próprios filmes”. Maldade com o diretor que melhor conseguiu sintetizar a angústia jovem dos anos 1980, em filmes como Gatinhas e gatões, Clube dos cinco e Curtindo a vida adoidado.

A “década perdida” (pelo menos para os países da América Latina, como dizem alguns economistas) pedia um novo tipo de filme jovem, em que até as picardias de produções como Porky’s, do canadense Bob Clark (1981), tinham seu tempo e lugar, desde que reembaladas e exibidas com um verniz mais existencial e (vá lá) inclusivo.

Ainda que se possa alegar que algumas situações envelheceram (e algumas envelheceram muito), que não havia diversidade racial, etc, tinha espaço para o jovem zoeiro e audacioso de Curtindo a vida adoidado, para o choque de tribos de Clube dos cinco e A garota de rosa shocking (este, dirigido por Howard Detch e roteirizado por Hughes), para a decepção com a vidinha besta e burguesa de Ela vai ter um bebê. Eram criações bastante originais para a época, tudo fruto do trabalho de Hughes, um ex-publicitário e ex-colaborador da revista de humor National Lampoon. Tudo embalado pela sensação de que a vida é, sim, apenas um piscar de olhos – como o próprio Ferris Bueller (Matthew Broderick) sentenciou em Curtindo a vida adoidado.

>>> Leia também no Pop Fantasma: Quando teve uma sitcom do Ferris Bueller

Live moves pretty fast, a caixa em questão, é a primeira compilação oficial de músicas de todos os filmes de John Hughes, incluindo aqueles que ele dirigiu ou apenas escreveu o roteiro. Sai em 11 de novembro pela Demon Music e vai ser vendida em vários formatos: box com LPs, CDs, etc, incluindo canções que estavam nos filmes mas acabaram não aparecendo nas trilhas sonoras.

Entre as bandas que apareciam nas trilhas, New Order, The Smiths, Echo & The Bunnymen, Simple Minds, Oingo Boingo, OMD, The Psychedelic Furs, Simple Minds, e várias outras que, muitas vezes, chegaram ao grande público por aparecem num filme dele. Ou já estavam virando “tendência” e foram pinçadas quando as agendas bateram, como foi o caso do New Order com Shellshock e Elegia em A garota de rosa shocking – um filme que ainda tinha na trilha Smiths com Please, please, let me get what I want e Echo & The Bunnymen com Bring on the dancing horses, gravada especialmemte para a trilha.

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Teve também o caso de Don’t you forget about me, da trilha de Clube dos cinco – aquela famosa música que o Simple Minds não queria gravar de jeito nenhum, mas acabou gravando. E virou o maior hit deles. Você já leu sobre isso aqui.

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Notícias

Inscrições no edital Aceleração LabSonica chegando ao fim!

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Inscrições no edital Aceleração LabSonica chegando ao fim!

A Oi Futuro e o Estúdio Toca do Bandido estenderam a data limite para inscrições no edital Aceleração LabSonica 2.0 Toca do Bandido, que tem como proposta alavancar a carreira de novos artistas e bandas independentes.

Inicialmente previsto para o dia 29 de julho, o prazo final foi prorrogado para o dia 7 de agosto, às 17h, para que mais artistas de todo Brasil possam se inscrever no site do Estúdio.

O ciclo proposto pelo segundo programa de aceleração da LabSonica, em parceria com a Toca do Bandido, inclui jornada de diagnóstico de carreira, mini curso de music business, workshop de planejamento estratégico, pitching, além de mentorias individuais promovidas por especialistas da indústria da música.

Ao final da capacitação, os selecionados participarão de uma residência artística na qual farão um songcamp e produzirão um EP com três faixas e uma Live Session. Os dois produtos serão lançados pelo Selo Toca Discos.

Para se inscreverem, bandas e artistas solo precisam ter um ano comprovado com lançamentos e registros de shows. Dos seis artistas selecionados, quatro serão do estado do Rio de Janeiro e dois de demais estados brasileiros.

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O projeto tem patrocínio do Governo do Estado do Rio de Janeiro, Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa, Lei Estadual de Incentivo à Cultura e Oi, com apoio cultural do Oi Futuro e realização da Toca do Bandido.

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Cultura Pop

Entrevista: Nicole Laurenne (The Darts) fala sobre carreira e disco novo

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Entrevista: Nicole Laurenne (The Darts) fala sobre carreira e disco novo

Fato: Se você ainda não ouviu falar em Nicole Laurenne, então você não tem nenhum apreço por Garage Rock. Afinal, essa talentosa cantora, instrumentista (e pasmem, juíza nas horas vagas!) já tocou em inúmeras bandas do estilo como o Love Me Nots, Motobunny, Zero Zero que fizeram turnês por várias partes do mundo, e hoje está aí com o The Darts, grupo que conta só com mulheres na sua formação e cujo som enérgico atraiu a atenção de ninguém menos que a lenda do punk rock Jello Biafra, que lançou seu álbum de estreia I like you but not like that pelo seu renomado selo Alternative Tentacles.

Às vésperas de lançar seu mais novo trabalho, intitulado Snake oil, entramos em contato com a simpática Nicole, sem dúvida uma das artistas mais boa praça com quem tivemos a oportunidade de conversar, e trocamos ideia sobre diversos assuntos, inclusive sobre a minha banda Stemphylium (que ela ouviu e, modéstia a parte, adorou!). Divirta-se:

Oi, Nicole! Antes de mais nada, me permita dizer que estou muito feliz por ter a oportunidade de te entrevistar, eu realmente adoro o som do The Darts! Conte-nos por favor sobre seu início na música: Quais foram as suas primeiras influências e qual foi o primeiro show que você viu ao vivo?

Eu cresci estudando piano clássico, sem ter muita exposição ao rock ou ao pop. A primeira canção pop que me deixou doida quando criança foi, estranhamente, Rich girl do Hall & Oates. Hahahahaha, por favor, não conte pra ninguém! Então mais tarde eu cresci e virei fã do Journey. Ccomo pianista que era, achava demais ver aquele piano vermelho de cauda enorme rodando num gigantesco palco… Eu estava assistindo MTV tarde da noite, desci as escadas com o maior cuidado para meus pais não acordarem, acho que foi um momento realmente decisivo pra mim… também mantenha isso entre nós, hahahahaha!).

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Então comecei a me apaixonar pelo som da Sinead O’ Connor, The Police, Prince, mas a verdade é que eu continuava muito mais envolvida com a música clássica, tocando Mozart em concertos acompanhada de orquestras sinfônicas e por aí vai. Participei de alguns trios de jazz durante algum tempo e adorava. Eu nunca tinha ido num show de rock até chegar à faculdade em Michigan com meus amigos. Eu sempre amei compor músicas, fossem elas clássicas ou pop, desde muito jovem. Após um bom tempo eu conheci o guitarrista do Love Me Nots e ele me apresentou ao garage rock. Me apaixonei de imediato pela sonoridade, pela vibe e por ser bem aberto ao uso do teclado. As três primeiras grandes influências que me vêm à mente são o The Animals, The Seeds, ? And The Mysterians.

Antes do The Darts você fez parte de várias outras bandas como o Love Me Nots, Zero Zero e o Motobunny. Como foi essa experiência e por que essas bandas acabaram?

O Love Me Nots foi uma experiência incrível, eram músicos maravilhosos! Trabalhamos muito duro e conhecemos o mundo juntos, fomos contratados por um selo europeu e gravamos com Jim Diamond, que também produziu o White Stripes e o Dirtbombs, em Detroit. Vivi um sonho por praticamente uma década! Enquanto o Love Me Nots seguia em frente, eu comecei a me aventurar mais pelo lado da música eletrônica e graças a esse interesse surgiu o Zero Zero. Ao vivo nós usávamos bateria eletrônica e algumas bases pré-gravadas e eu tocava baixo num teclado Moog e tudo o mais num teclado Roland.

Depois colaboramos com nossos amigos de longa data da banda The Wolly Bandits e criamos o Motobunny, meio que um supergrupo que gravou um álbum com Jim Diamond, fez videos muito legais, assinou com uma gravadora nos EUA e teve um forte patrocínio da Roland. Eu até toquei algumas vezes com uma Key tar (o “teclado Roupa Nova” dos anos 1980, que o grupo carioca usava nos programas de TV) que a Roland me deu! Eu fui casada com o guitarrista de todos esses projetos, mas infelizmente nosso casamento não sobreviveu a elas. Entre alguns problemas internos e o fim do meu casamento, essas bandas acabaram chegando ao fim e o The Darts nasceu.

Como você conheceu as outras integrantes da banda?

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Christina Nunez, nossa baixista, tocou no Love Me Nots por vários anos, então já tínhamos muitas afinidades, tanto de personalidade quanto musicalmente. Nós sempre conversamos sobre a ideia de ter uma banda só de garotas e, quando o Love Me Nots chegou ao fim, achamos que seria uma excelente oportunidade de fazer isso acontecer. Me aproximei de duas instrumentistas em Los Angeles que achei que seriam boas aquisições; a guitarrista Michelle Balderrama (Brainspoon) e a baterista Rikki Styxx (Dollyrots, Two Tens, Death Valley Girls). Nossos caminhos se cruzaram tantas vezes ao longo dos anos durante minhas turnês que acabou sendo uma escolha óbvia. Em apenas algumas semanas, eu e Michelle já havíamos composto um EP e estávamos prontas pra gravar.

Como vocês conheceram Jello Biafra e acabaram na Alternative Tentacles? Como é trabalhar com ele?

Jello foi DJ num show que o Love Me Nots fez em Los Angeles há alguns anos. Ele tocou nossos discos naquela noite e até subiu no palco pra cantar com a gente, foi completamente surreal! Mais tarde, nessa mesma noite, nós conversamos sobre política e sobre música durante um bom tempo e acho que meio que criamos uma conexão. Alguns anos depois, seu empresário o arrastou para assistir a um show do The Darts em San Francisco, e aparentemente ele não estava muito a fim porque não achou que pudesse ser tão legal quanto o Love Me Nots. Mas no final ele estava conosco na mesa onde vendíamos nosso merchandise dizendo pra gente o quanto amou nosso show e antes que déssemos conta, lançamos um compacto por sua gravadora.

Depois disso, demos a ele um álbum completo e foi assim que I like you, but not like that de 2019 veio ao mundo. Ele nos deixou muito à vontade pra fazermos o disco, o máximo que ele fez foram algumas sugestões de efeitos vocais para o nosso produtor durante a mixagem. Acabamos de terminar também nosso mais novo trabalho, Snake oil, que será lançado em breve. Jello se ofereceu para ajudar nas gravações e claro que aceitamos. Ele esteve conosco durante todo o processo, ajudando a escolher as músicas, fazer ajustes e arranjos diferentes para tornar as músicas as melhores possíveis, ouvindo com atenção cada fase da mixagem e da masterização, até a ordem das músicas ele ajudou a escolher! Ele também adicionou um toque final, mas ele é segredo por enquanto, hahaha! Ele é um verdadeiro artista que sabe do que gosta e que trabalha muito arduamente para chegar ao resultado que imagina. É uma fantástica experiência tê-lo ao nosso lado nesse projeto e eu tenho certeza que Snake oil será nosso melhor disco, fácil!

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Como é fazer parte de uma banda só de garotas num mundo tão sexista? Como vocês lidam com isso?

Nós mulheres somos super fortes e resilientes. Não queremos ser conhecidas por sermos uma banda de garotas, mas sim por sermos boas profissionais e competentes no que nos propomos a fazer. As pessoas quando nos veem pela primeira vez pensam todo tipo de coisas (não podemos controlar isso, mas sinceramente nem queremos isso também), porém quando estamos no palco nós sempre surpreendemos. Tentamos sempre ser cuidadosas, responsáveis e todas aquelas coisas as quais muitos músicos não dão a mínima. Nós queremos que o mundo veja que nós somos artistas que devem ser levados a sério e até agora temos conseguido. Após os nossos shows, é muito raro o dono de um clube ou um promotor de eventos não estreitar laços conosco e nos convidar novamente para outros eventos. Mesmo quando fazemos bobagem no palco, nós damos a volta por cima e tudo termina bem. Tenho muito orgulho de todas as integrantes dessa banda!

Você realizou um dos sonhos da minha vida ao fazer uma turnê pelos EUA com o Damned. Como foi essa experiência? E se você tivesse a chance de escolher um artista para uma turnê, quem seria?

Excursionar com o The Damned foi um sonho!! Tocamos com eles por todos os EUA em locais grandes, e nos divertimos muito brincando com a banda e com a equipe nos bastidores. Eles são pessoas muito tranquilas, divertidas e incrivelmente bons no que fazem. Toda noite era como se nós tivéssemos ingressos na primeira fila pra ver o melhor show de todos os tempos! Dave Vanian me convidou várias vezes para subir no palco e fazer backing vocals e dançar com eles, foi realmente algo que nós nunca conseguiremos esquecer e mal podemos esperar pra fazer isso de novo algum dia!

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O que você conhece de música brasileira?

Receio que não conheça muita coisa… Mas sei que há várias bandas legais de garage rock na América do Sul e eu estou sempre pronta pra descobrir coisas novas!

Você tem duas filhas, como elas lidam com a distância já que você está sempre em turnê? A propósito, falando nelas, ouvi dizer que as duas também estão envolvidas com música, elas ouvem as mesmas coisas que você? Elas também tem interessem em seguir esse caminho?

Minhas filhas cresceram numa casa grande cercadas de equipamentos de estúdio, piamos, instrumentos e várias pessoas compondo, não tinha como elas escaparem! Desde muito novinhas eu coloquei um piano no quarto delas e ensinei o máximo que pode de teoria musical, aulas de canto, etc. Elas aprenderam rápido s e todas as duas hoje tocam, cantam e compõem maravilhosamente bem. Eu tive muita sorte de ter minha família por perto quando elas eram jovens e, claro, de ter um emprego que me dava auxílio creche quando necessário. Fazer turnês sempre requeriam muito planejamento, mas pra elas era como se eu estivesse saindo a negócios. Sem contar que eu também me programava de modo a evitar ficar longos períodos longe. Elas levaram tudo numa boa e, espero que elas estejam orgulhosas de mim por fazer o que amo fazer.

Elas são gêmeas, porém têm gostos musicais completamente diferentes. Uma curte música clássica e jazz, toca baixo acústico muito bem e canta brilhantemente como uma cantora lounge dos anos 1940. Ah, e também estuda para se tornar uma neurocientista! Já a outra tinha uma banda quando estava no colégio chamada Le Zets (com Bob Hoag, que produziu o The Darts, na bateria!), mas ela entrou na faculdade de psicologia e a música ficou em segundo plano nesse momento da sua vida. Torço muito para que aconteça uma reunião do Le Zets num futuro próximo, eles eram muito divertidos ao vivo, ela como vocalista era super carismática e tinha uma presença de palco incrível! Ela tem uma veia roqueira muito forte, recentemente foi num show do King Gizzard e virou fã da banda de imediato, mas ela é muito centrada na sua carreira e ano que vem deve terminar seu mestrado. Tenho mesmo muito orgulho delas!

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Além de ser cantora e mãe, você também trabalha como juíza. Como conciliar coisas tão diferentes?

É uma vida corrida, sem dúvida! Ser funcionária pública tem diversas vantagens e desvantagens quando você tenta ser uma artista profissional, mas não posso reclamar; tenho benefícios generosos e um período de férias muito bom. Contanto que eu planeje minhas turnês e meu tempo livre com bastante antecedência e cuidado, sempre terá alguém querendo trabalhar com a gente. Eu sou uma pessoa muito afortunada e eu nunca dei isso como garantido. Meu salário me permite fazer um pé de meia razoável para realizar meus objetivos, musicalmente falando.

Eu recomendo a todo músico iniciante que organize suas finanças e tenha um plano financeiro que lhes permita ter criatividade e liberdade para fazer o que quiserem pois, na maioria absoluta dos casos, música infelizmente não paga as contas. Ter uma segunda carreira foi um tremendo suporte pra mim, pois não precisei tocar em casamentos ou fazer um som que não curto; economizei e assim consegui criar minhas crianças com tranquilidade, financiar turnês e gravações para minhas bandas sem depender de ninguém e nem me afogar em dívidas. Além disso, sempre é bom para o artista sair um pouco do mundo da música e mergulhar em perspectivas diferentes.

Alguma chance de uma turnê no Brasil? E qual mensagem você gostaria de deixar para os fãs brasileiros?

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Nós amaríamos fazer shows na América do Sul. O problema é que todas nossas turnês nos últimos anos foram interrompidas devido a covid. Está sendo trágico para todos na indústria musical, isso é fato. Porém, assim que o mundo voltar à normalidade, vou a todos os lugares possíveis! Rádios e podcasts brasileiros têm sido muito legais com a gente, portanto gostaríamos de ir aí e retribuir pessoalmente a gentileza!

Por último, mas não menos importante, gostaria de saber sua opinião sobre algumas bandas brasileiras, ok? Vamos a elas:

GANGRENA GASOSA – “CAMBONOS FROM HELL”. Não sou fã de hardcore ou heavy metal, infelizmente, mas tenho certeza que nossa baixista Christina vai se amarrar! Ah, o videoclipe é bem legal!

MATANZA – “ELA ROUBOU MEU CAMINHÃO”. Uau, por essa eu não esperava! Soa como algo vindo diretamente daqui do coração dos EUA! Eu também não sou muito fã de música country, mas com certeza essas caras são muito bons no que fazem!

STEMPHYLIUM – “ELA TÁ TLISTE” (sim, leitores, minha banda! Quis fazer um jabazinho, foi mal): Eu realmente gostei, sem brincadeira!

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AUTORAMAS – “VOCÊ SABE”. Essa é BEM legal! Adoraria ouvir essa música com uma guitarra mais “envenenada”, mas gostei muito mesmo assim!

DEAD BILLIES – “INVASION OF BODY SNATCHERS”. Essa é bem divertida! E os rapazes são bem bonitinhos! Obrigada por me apresentar a tanta coisa legal!

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