Cultura Pop
Meddle, do Pink Floyd, fez 50 anos!

Meddle, sexto disco do Pink Floyd (e que fez 50 anos no dia 31 de outubro), foi o primeiro álbum da banda no qual você começa a perceber o quanto praticamente TUDO o que veio depois deles deve ao grupo inglês. De nomões da MPB a bandas como U2, Pearl Jam, Blur, Stone Temple Pilots e até luminares do experimentalismo e do pós-punk (boa parte deles adoraria ter feito uma música com linhas de baixo como as de One of these days).
Meddle, igualmente, foi o disco que marcou a entrada do Pink Floyd, em definitivo, no mundo do mainstream – ou seja, aquele universo em que você pode fazer o que quer, desde que saiba que nem sempre vai poder fazer isso. Atom heart mother (1970), o disco anterior, já tinha feito sucesso a ponto das lojas de discos ficarem cobertas de pôsteres com a capa “da vaca”, aberta (falamos tudo sobre esse disco aqui).
O grupo estava começando a ganhar mais grana com os shows (“pela primeira vez ganhávamos mais do que nossos roadies”, brincou o guitarrista David Gilmour) e lotava todos os espaços (sempre enormes) pelos quais passava. Atom heart mother, a suíte de mais de vinte minutos do grupo que ocupava todo o lado A do disco anterior, ainda ocupou os shows do grupo até 1972. Mas começou a aparecer numa versão redux e sem a orquestra que muitas vezes, acompanhava a banda.
Para ter uma ideia do efeito antes-e-depois que ainda acometia o Pink Floyd antes de Meddle, em 1971, o surfista e diretor de cinema californiano George Greenough encontrou a banda durante um show deles na Austrália. Ele tinha começado a fazer um filme levemente autobiográfico, Crystal voyager, mostrando sua busca por novas (e enormes) ondas. O filme teve roteiro escrito por ele e direção feita por David Elfick, que naquele mesmo ano lançaria um filme de surf, Morning of the Earth.
O tal encontro com o PF teria sacramentado o uso de Echoes, uma das músicas que estavam sendo gravadas para Meddle, nesse filme. Acabou que Greenough foi um dos últimos diretores não-mainstream a conseguir se aproveitar do talento do Pink Floyd para compor trilhas sonoras (tem mais sobre isso, além do filme, aqui).
Meddle veio de mais mudanças técnicas no dia a dia de David Gilmour (guitarra, voz), Roger Waters (baixo, voz), Richard Wright (teclados, voz) e Nick Mason (bateria). A banda se meteu no estúdio AIR, de George Martin (que tinha uma exótica mesa de 62 canais) para transferir suas fitinhas de oito pistas, gravadas no Abbey Road.
No começo, havia bem pouca objetividade: a banda, ao lado do engenheiro de som John Leckie, começou a trabalhar em mais um projeto experimental chamado Household objects – aquele famoso disco nunca lançado em que o Pink Floyd tentava extrair música de garrafas de cerveja, isqueiros, jornais sendo rasgados e outras coisas. A coisa não andava e foi largada de lado pelo grupo. Depois, a banda entrou na pira de botar cada integrante tocando uma música diferente, no mesmo tom, sem que ninguém soubesse o que o outro estava tocando. O resultado seria mixado em fita. Todo mundo achou o resultado horroroso e deixaram de lado.
O clima de “estamos perdidos” no Pink Floyd era tão intenso que a banda começou a gravar umas fitas com os nomes de “nada”, “nada 1”, “nada 2”. Echoes, no esplendor de seus 23 minutos, chegou a se chamar O retorno do filho de nada na fase de trabalho. Essa música foi ganhando experimentações com caixas Leslie e dois gravadores com a mesma fita de rolo.
Junto disso, falou mais alto a nerdice do Pink Floyd com timbragens e a obsessão pelo “som perfeito”, que todo mundo gostaria de escutar. Aliás, mesmo quem não fosse fã de rock progressivo e quisesse um disco para botar na vitrola e relaxar em casa. Tanto que nos anos 1970, você achava discos do PF ao lado de álbuns como Os clássicos que todos gostam e Música pop na flauta mágica de fulano nas discotecas de muita gente.
O conceito de Atom heart mother apareceu invertido em Meddle: lado A com cinco faixas curtas, lado B com a quilométrica Echoes. Outra diferença é que o disco era bem mais focado e as faixas pequenas não soavam como fillers, trazendo melodias mais radiofônicas e (surpresa!) um bom humor que parecia ter ido embora com a saída do ex-líder Syd Barrett.
Entre as novidades, tinha a torcida do Liverpool FC (zoação com Waters, torcedor do Arsenal) cantando o hino futebolístico You’ll never walk alone em Fearless. Tinha também a felicidade hippie-chique da alegre e jazzística San Tropez. E os latidos de Seamus, cachorro de estimação do cantor e guitarrista do Humble Pie, Steve Marriott, em Seamus. Nem John Leckie acreditou quando descobriu que, apesar da obsessão em fazer um disco de fácil compreensão, aquilo tinha ido parar no álbum concluído. Aiás, no filme Live at Pompeii a música aparecia com participação de um doguinho convidado que não era Seamus (falamos disso aqui).
Mesmo com o clima interplanetário de muita coisa do Meddle, Roger Waters ainda dava entrevistas dizendo que não gostava do rótulo de “rock espacial” dado ao Floyd (afinal, era a banda de Astronomy domine e Interstellar overdrive). A letra de Echoes tinha mais a ver com o dia a dia de Waters, das observações que ele fazia de pessoas andando pelas ruas (após ter se mudado com a mulher para a parte Oeste de Londres), e da necessidade de comunicação entre todos.
Ainda assim, era o Pink Floyd sendo Pink Floyd: em maio de 1971, no meio das gravações de Meddle (que duraram de janeiro a agosto), a banda fez show no Crystal Palace Bowl, em Londres, com direito a explosões de bombas e a um polvo inflável (!) saindo de um lago ali por perto. Quando o disco saiu, ganhou fama de “melhor álbum da banda até o momento”. Era mesmo.
Cultura Pop
No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.
Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)
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Cultura Pop
No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).
Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
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Cultura Pop
No nosso podcast, Radiohead do começo até “OK computer”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. Para abrir essa pequena série, escolhemos falar de uma banda que definiu muita coisa nos anos 1990 – aliás, pra uma turma enorme, uma banda que definiu tudo na década. Enfim, de técnicas de gravação a relacionamento com o mercado, nada foi o mesmo depois que o Radiohead apareceu.
E hoje a gente recorda tudo que andava rolando pelo caminho de Thom Yorke, Jonny Greenwood, Colin Greenwood, Ed O’Brien e Phil Selway, do comecinho do Radiohead até a era do definidor terceiro disco do quinteto, OK computer (1997).
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: reprodução internet). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
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