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Cultura Pop

Marc Almond e a última gravação de Nico

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Marc Almond e a última gravação de Nico

A carreira solo de Marc Almond, do duo eletrônico Soft Cell, vem rolando até os dias de hoje. Em 2020 saiu um álbum novo, Chaos and a dancing star. Em 1988, saía seu quarto disco solo, The stars we are, lançado inclusive no Brasil. E que trazia uma surpresa: a última gravação de ninguém menos que Nico, morta em 18 de junho daquele ano.

Marc Almond e a última gravação de Nico

Nico solta a voz em Your kisses burn, música que não chegou a ser um single do álbum. A gravadora e as rádios preferiram Tears run rings e Something’s gotten hold on my heart – essa, versão de uma música gravada pelo cantor americano Gene Pitney em 1967. O disco saiu logo depois da morte de Nico, em setembro de 1988, e, aliás, chegou a fazer certo barulho por conta disso. A canção é bem impressionante, e traz o registro vocal de Nico bem mais grave do que na época do Velvet Underground e de seus primeiros discos solo.

Num papo com o site The Quietus, Almond confessou que levar Nico para o estúdio não foi das tarefas mais fáceis. O cantor conversou com o site quando foi um dos participantes de um tributo ao terceiro disco solo de Nico, Desertshore (1970). Lembrou que sua gravadora na época, a EMI, não era nada favorável a que a cantora participasse do álbum.

>>> Veja também no POP FANTASMA: Drama Of Exile: o disco de Nico que rendeu uma baita confusão

“Quando me tornei músico, ela sempre estava no topo da minha lista de desejos para algum tipo de dueto. Eu estava nervoso para contatá-la e a EMI não era a favor, como você pode imaginar. Queria ter certeza de que ela seria tratada como a lenda e a estrela que sentia que ela era”, conta, dizendo que a EMI recusou certas exigências dela (ele não detalha quais são). E que a cantora ainda estava catatônica com a heroína.

“Ela era adorável, embora frágil, e nós jogamos sinuca, bebemos chá e conversamos por muito tempo. Acabou sendo um pouco complicado demais, orquestral demais para ela. Ela começou a se deteriorar com o passar do dia e a metadona fez efeito. Ela ainda conseguiu emitir aquela voz maravilhosa. Fizemos planos para uma gravação melhor e mais adequada”, recorda. Planos esses que nunca se concretizaram.

>>> Veja também no POP FANTASMA: Nico lança o disco Desertshore na TV, em 1971

“Nico era uma figura misteriosa, enigmática. Tinha aquela grande conexão musical e artística com Velvet Underground e Andy Warhol, coisas pelas quais eu era obcecado na escola. E, claro, aquela voz intrigante, maravilhosa, fria e remota, mas quente ao mesmo tempo”, recordou Marc. “Ela fez um som que eu nunca tinha ouvido antes – talvez algum tipo de punk gótico Marlene Dietrich. A primeira vez que ouvi sua música foi com o The Velvet Underground, mas comprei (os discos solo) Desertshore, The marble index e The end e gostei mais deles. Também havia sua associação musical com Brian Eno, o que a tornava mais intrigante”, contou.

Ficou bonito pra burro ou não?

Detalhe que The stars we are ainda tinha mais dois convidados, que apareceram apenas nas faixas extras do CD e do cassete. O próprio Gene Pitney aparecia para cantar Something’s gotten hold on my heart com Marc. Na época, Gene, que tinha sido grande nos anos 1960, estava meio sumido da carreira, cuidando dos filhos.

>>> Veja também no POP FANTASMA: Evening Of Light: Nico e Iggy Pop num clipe de terror gótico

A outra convidada era a cantora berlinense Agnes Bernelle, que tinha 64 anos na época, e vivia em Dublin havia vários anos. Além de cantora de cabaré, ela tinha se notabilizado como uma das mais célebres anti-propagandistas da Segunda Guerra: fazia transmissões de rádio como colaboradora das Operações Especiais Britânicas, com o objetivo de confundir as tropas alemãs. Bernelle morreu aos 75 anos, em fevereiro de 1999. E já foi assunto do POP FANTASMA.

>>> Saiba como apoiar o POP FANTASMA aqui. O site é independente e financiado pelos leitores, e dá acesso gratuito a todos os textos e podcasts. Você define a quantia, mas sugerimos R$ 10 por mês.

Cultura Pop

No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

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Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.

Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)

Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.

Mais Pop Fantasma Documento aqui.

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Cultura Pop

No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

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No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a "Jagged little pill"

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).

Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

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Cultura Pop

No nosso podcast, Radiohead do começo até “OK computer”

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Radiohead no nosso podcast, o Pop Fantasma Documento

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. Para abrir essa pequena série, escolhemos falar de uma banda que definiu muita coisa nos anos 1990 – aliás, pra uma turma enorme, uma banda que definiu tudo na década. Enfim, de técnicas de gravação a relacionamento com o mercado, nada foi o mesmo depois que o Radiohead apareceu.

E hoje a gente recorda tudo que andava rolando pelo caminho de Thom Yorke, Jonny Greenwood, Colin Greenwood, Ed O’Brien e Phil Selway, do comecinho do Radiohead até a era do definidor terceiro disco do quinteto, OK computer (1997).

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: reprodução internet). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.

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