Cultura Pop
Lendas urbanas históricas 7: Palhaços macabros

Voltamos com o sétimo capítulo da nossa série sobre lendas urbanas, começando lá pelos anos 1980 e prosseguindo com as lendas que fazem a turma mais nova morrer de medo (essas lendas existem?). E tem umas histórias aí sobre uns palhaços bem assustadores e que nada têm a ver com aquela turma que faz todo mundo dar risada…
A LENDA DOS PALHAÇOS MACABROS
Atenção: se você sofre de coulrofobia – medo ou aversão a palhaços – por favor, pule esta matéria. Este é o tipo de lenda que nos faz pensar que nem todo palhaço é simpático.
Aliás, quem tem fobia a palhaços diz que eles parecem ser dissimulados por trás da maquiagem. Que escondem quem realmente são. E aliás é exatamente isso que provoca o medo e aversão a estes personagens. Mais: de nada importa se é o palhaço Pirulito, se é o Bozo, a vovó Mafalda, o Atchim, o Espirro. Nem se o Ronald McDonald oferecer lanches com sobremesa de graça. Tem gente que não quer saber de olhar para essas caras de palhaço, pintas de palhaço etc.
Pensando bem, ao fazer a pesquisa para esta matéria, entendi o motivo. Segundo historiadores, os palhaços eram bem populares no mundo ocidental do final do século XIX até os anos 1970. Personagens de circos e parques de diversões, os simpáticos palhaços atraíam crianças, jovens e até adultos para os seus números de mágicas, acrobacias e cenas atrapalhadas. Porém, lá por 1964, começaram a espalhar medo e pânico.
Tal mudança repentina deu-se por começarem lendas urbanas sobre palhaços macabros à espreita de crianças e mulheres em locais como parques, perto de escolas etc. Não se sabe quem eram estes palhaços, ou se eram pegadinhas. Mas houve um alvoroço em torno da aparição deles em mídias locais, sendo que o primeiro local a reportar a aparição deles foi Massachusetts, em 1981.
Segundo a primeira lenda urbana, carros do tipo caminhonete com vários palhaços de aspecto assustador, perseguiram crianças. Ou tentaram leva-las à força para o interior do veículo. Psiquiatras tentam explicar a origem da histeria coletiva em relação aos palhaços, que outrora pareciam amistosos.
PALHAÇOS PERIGOSOS?
Em plena era de transição para o neoliberalismo e o moralismo do governo do presidente Ronald Reagan (1981-1989), nos Estados Unidos, muitas mães ficaram paranoicas com medo de pedófilos, assassinos em série e, eventualmente, de espiões russos ou terroristas árabes. Tudo que era desconhecido tornou-se uma ameaça.
Sobre os palhaços, o país inteiro ainda estava se recuperando de uma história macabra ocorrida nos anos 1970 envolvendo um homem acima de qualquer suspeita que se vestia de palhaço para eventos de caridade. Esse sujeito, de forma chocante, revelou-se um homem frio que molestava e matava meninos e adolescentes.

Embora a polícia tivesse provas de que, durante a prática de seus crimes hediondos, o empresário do ramo da construção John Wayne Gacy não estava caracterizado de Pogo, sua personagem circense, o pavor relacionado a palhaços perversos estava instalado na sociedade americana. Qualquer semelhança ao palhaço Pennywise, que fazia as crianças de uma pequena cidade desaparecer no livro IT, o palhaço assassino do escritor Stephen King não é mera coincidência. Aliás, em diversas entrevistas na época do lançamento de seu livro (em 1986) e também quando o filme baseado no livro saiu em 1990, King afirmou que fora influenciado pelo maléfico Gacy e seu “dark side” Pogo. Mas não foi só ele…
VAI UM BIG MAC AÍ?
Curiosamente, Stephen King também se baseou no palhaço Ronald McDonald, garoto propaganda na rede de fast food Mc Donald’s, para construir a personagem Pennywise. Mas o seu real propósito era uma crítica ao palhaço Bozo, na época um grande sucesso na TV americana (e também na TV brasileira através de licenciamento da marca, protagonizado por vários atores na extinta TVS e depois no SBT).
Pogo, o verdadeiro palhaço assassino, atualmente está nas paredes de alguns colecionadores de arte excêntricos. Gacy pintou vários quadros nos 14 anos em que esteve preso (em 1994 levou pena de morte com uma injeção letal). Estes quadros valem cerca de US$ 12 mil. O dinheiro dos leilões vai para entidades que protegem e dão suporte às vítimas de pedofilia.
NOTÍCIAS POPULARES
Muitas lendas urbanas envolvendo palhaços macabros surgiram desde então mundo afora. Em 1993 este assunto foi até destaque no jornal Notícias Populares, pois muitas pessoas haviam se deparado com uma gangue de palhaços que arrastavam crianças para uma van.

E parecia que a população ocidental estava enfrentando melhor as suas fobias a palhaços, uma vez que, por décadas, o assunto parecia enterrado. Parecia. Só que em 2014 a aparição de estranhos palhaços com feições diabólicas começou a pipocar mundo afora.
Perseguições a mulheres em estradas, crianças desaparecendo em parques, pessoas sendo esfaqueadas por loucos vestidos de palhaços… Foi um fenômeno de trend topics na internet. Desta vez, entretanto, havia filmagens e fotos destes palhaços.
Autoridades de países como Reino Unido, Estados Unidos e Alemanha disseram que alguns delinquentes estavam se aproveitando de uma campanha de marketing para tocar o terror. Aliás, ninguém sabe até hoje qual seria o propósito da tal campanha. Do mesmo modo que estes palhaços macabros apareceram, misteriosamente foram minguando – ou quase.
Dizem por aí que eles ressurgiram em 2020 mais assustadores do que nunca. Antropólogos e psiquiatras justificam dizendo que se trata do pânico causado pela pandemia do novo coronavírus. Mas pelo sim, pelo não se por acaso algum deles aparecer na sua frente… saia correndo!
Confira as outras lendas da série aqui.
Cultura Pop
No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.
Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)
Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.
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No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).
Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
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No nosso podcast, Radiohead do começo até “OK computer”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. Para abrir essa pequena série, escolhemos falar de uma banda que definiu muita coisa nos anos 1990 – aliás, pra uma turma enorme, uma banda que definiu tudo na década. Enfim, de técnicas de gravação a relacionamento com o mercado, nada foi o mesmo depois que o Radiohead apareceu.
E hoje a gente recorda tudo que andava rolando pelo caminho de Thom Yorke, Jonny Greenwood, Colin Greenwood, Ed O’Brien e Phil Selway, do comecinho do Radiohead até a era do definidor terceiro disco do quinteto, OK computer (1997).
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: reprodução internet). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
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