I heard it through the grapevine, aquele hit de Marvin Gaye. Nada disso: a música transformada em hit pelo cantor em 1968 foi composta pela dupla Norman Whitfield e Barrett Strong. E já tinha ganhado duas gravações antes da de Marvin. A primeira foi de Gladys Kinight & The Pips, em dezembro de 1967, a segunda de Smokey Robinson & The Miracles. Em compensação, foi Gaye quem fez a versão-assinatura da canção e a imortalizou. Compare todas aí.

A gravação de Marvin, que completa 50 anos em 1968, foi tão importante que mudou até o nome do disco em que foi lançada. O álbum saiu inicialmente como In the groove e acabou ganhando esse nome mesmo, I heard it through the grapevine. Inicialmente, até Berry Gordy desacreditou que a música faria sucesso. Acabou sendo convencido pelos DJs que começaram a tocar a música no rádio e a transformaram em hit. Antes, tinha dito textualmente a Whitfield que não gostara da canção, e a destinou apenas para a tal primeira gravação de Gladys, que passou batida.

E nas últimas semanas, para relembrar o aniversário da morte de Marvin Gaye (ocorrido dia 1º de abril), sites como o Open Culture e o Boing Boing recordaram I heard it through com os vocais do cantor isolados. Uma música que nem precisa de acompanhamento de instrumentos. E que nasceu de momentos tensos no estúdio, já que Gaye foi forçado por Norman Whitfield, também produtor da faixa, a cantar vários tons acima do seu. Os dois discutiram bastante no estúdio, mas saiu essa belezinha aí.