Cultura Pop
Here my dear: a fase problemática de Marvin Gaye

Deixar de pagar pensão alimentícia é crime e dá cadeia. O soulman Marvin Gaye passou maus bocados por deixar de se ater a esse detalhe básico. Ele se divorciara em 1975 de Anna Gordy – irmã de Berry Gordy, dono de sua gravadora, a Motown Records. Na época, falhou com o pagamento da pensão de seu filho Marvin Gaye III, ficou sem dinheiro para custear o divórcio e quase foi preso. Alegou que sua ex-mulher era gastadora compulsiva, reclamou que a ex-esposa fazia chantagem emocional usando o filho… Por outro lado Gaye dava trabalho a Anna com traições, comportamento abusivo e muitos gastos com cocaína (que chegavam a 500 pratas por dia).
Os apelos de Gaye não adiantaram muito. O cantor passou um tempo sumido, depois fez uma turnê só para levantar uns trocos, mas não estava funcionando. Por fim, ele e seu advogado propuseram à Anna a gravação de um disco só para dividir metade dos royalties com ela e deixá-lo com o nome limpo. Esse disco, duplo, ganhou o irônico título de Here my dear. E vai fazer 40 anos daqui a quase um ano: saiu em 15 de dezembro de 1978.
A princípio, Marvin não estava muito animado com a ideia de ter uma baita trabalheira fazendo um disco para depois sua mulher ficar com metade da grana. O cantor estava prestes a sair da Motown e chegou a dizer que seria um álbum “nem bom, nem ruim”. Só que conforme o trabalho foi avançando, ele começou a ficar animado com a ideia de escrever um LP inteiro sobre sua mulher. Incluindo o casamento, as brigas, o divórcio, a redescoberta do amor. E foi o que fez, muito embora Here my dear esteja longe de ser um disco 100% baixo astral.
Em When did you stop loving me, when did I stop loving you, por exemplo, Gaye detalha toda a história do casamento, da ascensão à queda. Acusa a ex-mulher de uma série de responsabilidades e (vá lá) ainda expõe o que vê como tendo sido suas culpas no fracasso da relação. A música aparece em três versões no disco. Já Anger fala de raiva e de sentimentos entalados na garganta, seja no relacionamento com Anna, seja em outras relações. E o disco ainda tem uma Anna’s song, uma canção de amor na qual se colocava como um cara que “fazia dinheiro” pensando no sorriso da esposa. Na capa dupla, o divórcio do casal Anna-Gaye era representado por um jogo de tabuleiro no estilo Monopoly.
O conteúdo de Here my dear era tão pessoal e intransferível que a ex-mulher chegou a pensar em processar Marvin por invasão de privacidade. Declarou que se sentia humilhada pelo conteúdo do disco. “Não sei se o disco invade a privacidade dela. Teria que ouvi-lo de novo. Mas no amor e na guerra vale tudo”, chegou a afirmar o cantor.
Tem um artigo bem interessante sobre Here my dear aqui, por sinal.
Acima, tem o trecho de um documentário sobre Marvin em que o assunto é justamente Here, my dear. O cantor e produtor Bobby Taylor diz ter rido bastante ao ouvir que Gaye, seu amigo de infância, faria um disco para pagar a pensão do filho. “Aí ele me faz esse disco chamado Here, my dear, que vendeu seis cópias”, brincou. “Era o disco mais engraçado que eu já tinha ouvido na vida. Perguntei: ‘Marvin, o que você está tentando fazer?’ E ele: ‘Eu, uh, só estou fazendo o que o juiz pediu”.
De fato, Here my dear pegou poeira nas lojas. Pouca gente ligou para as lamúrias de Marvin. Para não deixar nenhuma margem de dúvida, a Motown divulgou o disco na televisão com esse comercial aqui. Here my dear era vendido aos fãs de Gaye como uma “excursão musical pelo amor, pelo casamento, pela dor e pelo divórcio”. E isso em plena era de felicidade da disco music. Apesar disso, o disco foi puxado por um single relativamente alegre, A funky space reincarnation. É esse aí embaixo.
Here my dear saiu no Brasil pela Top Tape (lembra disso?) em vinil, em 1978 mesmo. E pode ser ouvido em streaming. Pega aí.
Cultura Pop
No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.
Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)
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Cultura Pop
No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).
Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
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Cultura Pop
No nosso podcast, Radiohead do começo até “OK computer”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. Para abrir essa pequena série, escolhemos falar de uma banda que definiu muita coisa nos anos 1990 – aliás, pra uma turma enorme, uma banda que definiu tudo na década. Enfim, de técnicas de gravação a relacionamento com o mercado, nada foi o mesmo depois que o Radiohead apareceu.
E hoje a gente recorda tudo que andava rolando pelo caminho de Thom Yorke, Jonny Greenwood, Colin Greenwood, Ed O’Brien e Phil Selway, do comecinho do Radiohead até a era do definidor terceiro disco do quinteto, OK computer (1997).
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: reprodução internet). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
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