Cultura Pop
Headbanger Odiado: Humor de metaleiro

Fãs dedicados de qualquer tipo de música ou de artista têm certa fama de perderem o senso de humor quando o alvo da piada é o estilo musical, ou o artista que eles mais curtem. Muitas vezes não é bem assim. O servidor público carioca Paulo Almeida, 41 anos, vem tendo sua experiência com o assunto depois que passou a juntar memes e bizarrices sobre o universo do heavy metal no canal Headbanger Odiado (que tem página do Facebook e perfil do Instagram). Batemos um papo com Paulo, que mantém as contas entre zoações e um ou outro meme que gera polêmica entre fãs e não-fãs de metal.
https://www.instagram.com/p/Bt3fFWfAPaH/
POP FANTASMA: Algumas das piadas que você coloca no Instagram fazem brincadeiras com o lance expectativa-realidade ligado a quem curte metal, como a pessoa que esta no trabalho sorrindo e ao mesmo tempo ouve Ratos de Porão. Você acha que ainda há muito preconceito e idealização contra quem ouve som pesado?
HEADBANGER ODIADO: Bem, acredito que ainda existem algumas idealizações e rótulos pra quem curte o heavy metal. Porém vejo que alguma coisa mudando, uma melhor aceitação. Algo avançou. Gosto de dar uma pincelada nesse assunto para humor, mas também tentando dar um toque, um aviso à galera mais jovem, que começou há pouco tempo no meio.
https://www.instagram.com/p/BuJ6IiMARNQ/
Você já teve a oportunidade de colocar a trilha de um churrasco de família e meter sons como Napalm Death e Gorgoroth? Já soube de histórias de alguém que fez isso? Bem, é quase impossível isso… rs. É um saco a gente ir num churrasquinho e ter de ouvir sertanejo universitário, funk ou algo pop. A comida chega a engasgar. Mas eu tenho uma galera de mais de vinte anos de amizade e, pelo menos, duas vezes ao ano fazemos nosso churrasco metal, que carinhosamente chamamos de “Fidelíssima Tertúlia”. E onde a gente tira o atraso: Immortal, Death, Municipal Waste, Obituary e por aí vai… É tipo nossa vingança pelo ano inteiro de música ruim. E o engraçado que nossas famílias comparecem e nem ligam. Talvez detestem o som, mas os comes e bebes a galera chega juntinho.
https://www.instagram.com/p/BvHicoGAbnv/
Como chegam as piadas que você coloca lá? Você mesmo cria os memes? Eu tenho um grande amigo de vinte anos, que faz parte da galera que citei na resposta anterior chamado Diego Baldraco, que contribui muito com o perfil/page, tanto na parte gráfica tanto nas piadas. E ele mora no Paraná. Da minha parte, o lance surge principalmente das minhas experiências nesses anos ouvindo som, aliado aos clichês e rótulos que acho importante citar. Os memes, eu costumo usar os clássicos combinando com minha mente louca. Às vezes, posto algo de outros. É “kibe”, mas faço questão de citar a fonte/criador do meme. Meu lema é: ficou engraçado, já valeu! Porém evito o máximo de fazer piadas com teor politico e machista. Gostaria de citar que minha filha Diana de 10 anos me ajuda muito nos memes, na parte gráfica, principalmente. Sabe como são essas crianças… Informática pra eles é bem fácil! Rs.
https://www.instagram.com/p/Bt-xZhVAtGP/
Como os fãs de metal reagem a um canal que mistura humor e heavy metal? Nesses seis anos de perfil ainda não tive problemas, nem no Instagram, Facebook ou Twitter. No máximo, uma discussão, sempre respeitando a visão do seguidor e faço questão de explicar que é zoeira, nada ofensivo. Uma vez fiz um meme no qual subi o tom na questão da mulher na cena. E uma colega de anos me deu toque e excluí a postagem na hora. Esse feedback é importantíssimo para manter a página com um norte a seguir.
https://www.instagram.com/p/BuNafdPAtAS/
Há alguma banda de heavy metal que você considere engraçada? Ou alguma que você ache que não tem humor algum? Vou citar o Manowar (como banda que tem humor)… Quando vejo as capas deles, principalmente nos anos 80, acho muito engraçado sua postura 110% metal e tal. Adoro o som deles e ouço direto. Mas esse marketing que eles usam eu acho hilário. Banda sem graça… Talvez o Sepultura e suas tretas entre Paulo Jr e Andreas x Cavalera Brothers. Coisa chata e sem futuro, pois todos perdem com essa cisão: eles mesmos, os fãs, produtores…
O Abbath é uma banda boa para criar memes? Não a banda. E sim o Sr. Olve Eikemo, vulgo Abbath Doom Occulta. Rs. Só de ver a maquiagem dele já imagino pandas, gatos e cachorros… É uma caricatura ambulante. Um meme pronto! E, pelo que me parece, ele nem liga pra isso, pois continua com suas caras, bocas e poses. E o tombo dele foi hilário, lembra? No marketing, toda publicidade é boa, né? O cara quer continuar fazendo os shows dele, gravando álbum, receber os royalties e que se dane o resto. Rs.
https://www.instagram.com/p/BwHXZatgxAS/
Dá pra fazer piada com temas delicados como os assassinatos no meio das bandas de black metal da Noruega? Ou igrejas vandalizadas? Não teve ninguém que reclamou? Sinceramente acho um desperdício ter acontecido tudo aquilo na Noruega. Suicídio, assassinato, prisões, desavenças. Fico imaginando como seria se Varg Vikernes não fosse preso, se Euronymous e outros estivessem vivos. Talentos foram desperdiçados. O foco poderia ter sido mais a música e menos atitude. Muita coisa foi perdida com esse lance do Inner Circle.
https://www.instagram.com/p/BwS6D2Rgluh/
(acima: meme polêmico do Headbanger Odiado, jogado no ar no dia do incêndio na catedral de Notre Dame)
Sobre o meme do Burzum, por incrível que pareça, foi o segundo mais clicado do Instagram e até agora ninguém me questionou nas redes. Isso se explica na premissa que no meio há muitos ateus e pagãos. Por isso que não houve rejeição. Tento não entrar muito nesse tema de religião, mas o Diego (autor do meme) viu a oportunidade e foi pontual. E apoio sempre. Temos nossos clichês e particularidades que precisam ser citados, não para humilhação ou esculacho e sim pra diversão e algumas risadas. Como disse Habib Bourguiba (político tunisiano, um dos responsáveis pela independência da Tunísia): “Feliz aquele que pode rir de si mesmo. Ele nunca deixa de se divertir”.
https://www.instagram.com/p/BwHu_FOgx7t/
Cultura Pop
George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)
Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube
- Quer receber nossas descobertas musicais direto no e-mail? Assine a newsletter do Pop Fantasma e não perca nada.
“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).
O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).
Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.
A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.
Ver essa foto no Instagram
A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.
Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.
Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.
- Gostou do texto? Seu apoio mantém o Pop Fantasma funcionando todo dia. Apoie aqui.
- E se ainda não assinou, dá tempo: assine a newsletter e receba nossos posts direto no e-mail.
Cultura Pop
No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.
Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)
Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.
Mais Pop Fantasma Documento aqui.
Cultura Pop
No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).
Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.
Mais Pop Fantasma Documento aqui.








































