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Som

Emitt Rhodes ao vivo na BBC em 1971

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Tem gente colocando comentários nesse vídeo dizendo que sonhava em ver essas cenas há mais de duas décadas. Apareceram no YouTube essa semana imagens do vídeo do cantor e compositor americano Emitt Rhodes se apresentando em 1971 no célebre programa Old Grey Whistle Test, show musical apresentado pela BBC entre 1971 e 1988. Astro do power pop que ouviu direitinho as lições dos Beatles (de Paul McCartney, em especial), ele lançava naquele ano seu terceiro e melhor disco, Mirror. Foi lá cantar Really wanted you e Love will stone you.

https://www.youtube.com/watch?v=FL4Tcw77LNo

Apesar de fazer um som bastante acessível e de ter conquistado fãs naquele período (seu primeiro disco chegou ao 29º posto na Billboard), Emitt não estourou e mal chegou a virar cult. Mais conhecido por ter sido um dos primeiros artistas a investir em discos gravados em estúdio caseiro – mesmo contratado por um selo de tamanho considerável, o Dunhill, que lançara o Steppenwolf, ele produzia, gravava e tocava tudo em seus discos – Rhodes largou o mercado da música após o quarto LP, Farewell to paradise (1973). A partir daí concentrou-se no trabalho como técnico de som e trabalhou por vários anos nos estúdios da gravadora Elektra.

Um dos motivos que fizeram Rhodes ficar insatisfeito com o mercado fonográfico foi o fato de ter assinado um inacreditável contrato com o selo Dunhill que o obrigava a gravar seis discos em quatro anos. Não era uma situação tranquila, em se tratando de um sujeito extremamente controlador com seu processo de trabalho. Numa de suas raras entrevistas recentes, Emitt disse não gostar de nenhum de seus discos. “Eu não gosto do que eu faço!”, contou.

Para piorar um pouco, antes da carreira solo, Rhodes tinha sido obrigado a gravar várias músicas para a gravadora A&M. Tudo porque sua ex-banda, o Merry-Go-Round, encerrou atividades após assinar contrato com o selo, sem lançar nada. Apesar da trabalheira do músico, a gravadora manteve as canções engavetadas. Assim que Rhodes conseguiu algum barulho na mídia com o primeiro disco pela Dunhill, a A&M decidiu pôr na loja as tais músicas, no álbum The american dream, e quebrou as pernas do debute de Rhodes. Os fãs ficaram bastante confusos.

Emitt manteve-se na ativa durante todo esse tempo e viu ondas de interesse e desinteresse por seu trabalho. Em 2009 teve lançado um documentário sobre sua trajetória, The one-man Beatles, dirigido pelo italiano Cosimo Messeri. Naquele mesmo ano, voltou a gravar, mas os resultados dos novos encontros em estúdio só chegariam às lojas em 2016 com o disco Rainbow ends. O primeiro disco dele desde 1973.

Rhodes não tem feito muitas aparições ao vivo e tem dado poucas entrevistas. Uma fonte bacana para saber do histórico dele e ter acesso a novidades (quando aparecem) é o site oficial dele. Lá dá para ver fotos raras e textos detalhados sobre cada disco

Crítica

Ouvimos: The Cribs – “Selling a vibe”

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Selling a vibe mostra o The Cribs superando crises com indie, power pop e pós-punk: disco de garagem, maturidade e clima claro de vitória.

RESENHA: Selling a vibe mostra o The Cribs superando crises com indie, power pop e pós-punk: disco de garagem, maturidade e clima claro de vitória.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 9
Gravadora: Sonic Blew / PIAS
Lançamento: 9 de janeiro de 2026

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Embalado numa capa que parece saída de um álbum lançado por uma gravadora de baixo orçamento nos anos 1970- ou daqueles LPs de jazz, bossa nova e coletâneas de hits pop dados como presente por empresas a seus clientes no fim do ano -, Selling a vibe, nono disco da banda britânica The Cribs, soa como uma declaração de vitória. Ou como um relato dos últimos passos dados pelo grupo.

Brigas na justiça com sua antiga equipe de gerenciamento, desiusões com a vida de rockstar, vitórias que, analisando de perto, se pareciam mais com derrotas… Pelo menos nada disso foi capaz de enterrar o ânimo desse grupo formado por três irmãos (dois deles gêmeos) e que volta tendo bem pouco a ver com a estileira ruidosa que marcou seus primeiros discos. Num espelho da evolução de bandas como Ride e Slowdive, Gary, Ryan e Ross Jarman localizam-se entre o indie rock dos anos 2000, o power pop e o pós-punk, deixando o ponteiro bater em alguma dessas direções a cada momento do disco.

Selling a vibe investe bastante em sons que parecem ter sido feitos na garagem, mas terminados com calma num estúdio – rola com Dark luck e If our paths never crossed, ambas as canções com clima herdado do glam rock. Rola também com a balada blues da faixa-título, com o Weezer elegante de A point too hard to make e em Never the same, que tem fineza punk herdada do The Jam. Summer seizure é pós-punk reaproveitando o lado feliz de bandas como The Cure e New Order. Self respect é som gelado e maquínico com lembranças do Cure e surpresas na melodia. E Looking for the wrong guy é a tentativa de fazer uma balada lo-fi, com ruídos, beat eletrônico rudimentar e gravação-mixagem crua.

O final traz a tristeza beatle de Distractions e o soul-rock (com evocações do Khruangbin) de Brothers won’t break – cuja letra soa como superação e celebração após as quedas e tempestades. Na real, esse clima de superação é bem o clima de todas as letras, como na ressaca de rockstar em A point too hard to make, nas falsidades mercadológicas da faixa-título, e a vontade de deixar umas pessoas nefastas para trás em If our paths never crossed – essa última, concluido ao final que “aquelas noites foram apenas um feitiço a ser quebrado”. Quebrou, e os Cribs voltaram com força e ótimas canções.

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Crítica

Ouvimos: The Mönic e Eskröta – “Ao vivo no Palco Supernova” (EP ao vivo) / FBC – “Assaltos e batidas” (ao vivo)

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EP ao vivo une The Mönic e Eskröta no Rock in Rio com peso e atitude; FBC leva Assaltos e batidas ao Circo Voador em versões expandidas.

RESENHA: EP ao vivo une The Mönic e Eskröta no Rock in Rio com peso e atitude; FBC leva Assaltos e batidas ao Circo Voador em versões expandidas.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8,5 (The Mönic / Eskröta) e 9 (FBC)
Gravadoras: Sony Music (The Mönic / Eskröta) e Xeque-Mate (FBC)
Lançamentos: 22 de julho de 2025 (The Mönic / Eskröta) e 12 de dezembro de 2025 (FBC)

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Registros ao vivo nunca deixaram de ser populares no Brasil – mas vêm se tornando menos comuns após o fim da onda do DVD, transformando-se em live sessions ou “projetos audiovisuais” para o YouTube. Muita coisa é filmada e nunca lançada (ouviu-se falar de lançamentos ao vivo da turnê final do Skank e do encontro dos sete Titãs, por exemplo), algumas são separadas em vários clipezinhos, e vai por aí.

O encontro das bandas The Mönic e Eskröta, no Palco Supernova do Rock In Rio, demorou quase um ano para sair nas plataformas – hoje pode ser ouvido e assistido em vídeo nelas, embora cada vídeo tenha ganhado uma vinheta do selo Filtr Music Brasil que dá uma interrompida no processo. Chega em clima histórico, por unir duas bandas predominantemente femininas de som pesado (no caso do The Mönic, hoje a banda é só de mulheres após a saída do baterista Thiago Coiote, que tocou no show) e celebrar o respeito à figura da mulher nos universos do punk e do metal, ainda repletos de machismo.

No EP, The Mönic lidera a tarde com músicas como Atear e Kamikaze, do álbum Cuidado você (2023, resenhado aqui), e em seguida o Eskröta radicaliza de vez com Grita, Playbosta e Mosh feminista. Vale também por mostrar o Palco Supernova como um espaço bem charmoso para conhecer bandas novas. Já o rapper-funkeiro-popstar mineiro FBC solta no YouTube e nos aplicativos de música a contrapartida ao vivo de seu disco Assaltos e batidas (2025, resenhado aqui), só que gravado ao vivo no Circo Voador, no Rio, em 22 de agosto.

Com um disco bem curto para divulgar (Assaltos e batidas não tem nem meia hora), FBC turbinou o repertório do álbum ao lado de uma banda que inclui DJ e músicos em clima de jazz + MPB + soul – daí cada música ressurge bastante esticada e elaborada. Cabana Terminal ganha tom de música de filme policial, Quem sabe onde está Jimmy Hoffa? vira bossa-jazz sombria, vibes próximas do Clube da Esquina pairam sobre A cosmologia corporativa do senhor Arthur Jansen. Intros instrumentais alongam várias faixas – Você pra mim é lucro foi uma das que mais cresceram com as mudanças.

Tanto The Mönic / Eskrota quanto FBC acabam levando política, rua e atitude para o palco e para os registros ao vivo. Vale citar que, no caso de FBC, o público também contribui ao lembrar de um recente protesto feito pelo rapper nas redes sociais. Som, peso e briga.

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Ouvimos: Guimarães – “O tempo entre nós” (EP)

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Guimarães mistura pop, maracatu, rock e black music em EP lo-fi, caseiro e eclético, que vai do darkwave ao dream pop jazz.

RESENHA: Guimarães mistura pop, maracatu, rock e black music em EP lo-fi, caseiro e eclético, que vai do darkwave ao dream pop jazz.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8
Gravadora: Independente
Lançamento: 16 de dezembro de 2025

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Com duração e formato mais de maxi-single do que de EP, O tempo entre nós é o novo lançamento de Guimarães, ou Gabriel Guimarães – músico e produtor pernambucano que vem lançando EPs e singles desde 2019, e que vem do bairro da Bomba do Hemetério.

Influenciado por uma mescla de pop, maracatu, rock e black music, Guimarães trilha seu novo EP num esquema eclético musicalmente e bem lo-fi, com os synths, a programação de bateria e os vocais graves de Na calada da noite abrindo o repertório em clima quase darkwave. Mas segue com a psicodelia da vinheta Chá de fita (Interlúdio N. 1) e os teclados voadores de Puro suco, dream pop lisérgico marcado pelo eco nos vocais – e encerrado com um baixo-e-bateria lembrando New Order e Joy Division.

Da cor dos teus olhos, que encerra o EP, larga de vez qualquer clima escuro e invade a área da bossa-jazz-dream pop – tem algo de Radiohead tocando jazz, ou algo do tipo. O material, bastante despojado, foi todo gravado no quarto do músico, e o foco é na sujeira sonora lado a lado com as melodias.

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