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Cultura Pop

Ecomundo 92: Roger Daltrey e David Gilmour num esquecido festival de rock da Colômbia

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Ecomundo 92: Roger Daltrey e David Gilmour num esquecido festival de rock da Colômbia

Com o The Who definitivamente confirmado no Rock In Rio, sabia-se que era a estreia da banda no Brasil e na América Latina. O que pouca gente se lembrava é que Roger Daltrey, vocalista do grupo, já tinha se apresentado na Colômbia, em 1992, em condições extremamente adversas. Foi num festival de rock que não deu certo, encabeçado por David Gilmour (Pink Floyd). Era o Concerto Mundial Por La Vida, que aconteceu dentro de um foro ambientalista chamado Ecomundo 92 (nada a ver com a brasileira Eco 92).

Olha aí David Gilmour e Roger Daltrey tocando Who are you, do Who, no estádio Pascual Guerrero, em Cáli.

O mestre de cerimônias do vídeo acima é Chucho Merchán, baixista colombiano que conseguiu fama no eixo EUA-Europa tocando com Eurythmics, Pretenders, George Harrison, Pete Townshend, David Gilmour, Bryan Adams e outros. Foi ele o organizador do show do Ecomundo 92. Ele já havia organizado em 1986 no Royal Albert Hall, em Londres, um espetáculo com vários artistas para arrecadar fundos para as vítimas da erupção do vulcão Nevado del Ruiz (em Tolima, Colômbia, novembro de 1985). Nessa ocasião, deu certo e uma bela quantia em dinheiro foi arrecadada.

No caso do Ecomundo, dirigido por Chucho a pedido de amigos ligados à ecologia, tudo foi dando errado. A Noisey hispânica bateu um belo papo com ele para rastrear toda a confusão da história, que aconteceu numa Colômbia estragada pelo tráfico de drogas e flagelada pela violência.

“(O Ecomundo 92) aconteceu um momento difícil porque (o traficante) Pablo Escobar estava matando todo mundo. Tive muitos problemas, especialmente com o empresário de David Gilmour, porque ele estava com medo que a banda fosse sequestrada”, confessou Chucho.

Esse é o cartaz do show.

Ecomundo 92: Roger Daltrey e David Gilmour num esquecido festival de rock da Colômbia

Ao chegar a seu país com alguns dos convidados, Chucho descobriu que não havia dinheiro para transporte ou comida. E viu um dos amigos que o havia procurado para organizar o show fora atacado fisicamente. Muito depois, Chucho descobriu que ele era ligado às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia.

O resultado foi que o músico arcou sozinho financeiramente com o evento. E ficou à frente de um festival que acabou mal tendo divulgação. O momento que você viu lá em cima, com Daltrey e Gilmour, foi presenciado por dois mil gatos pingados num estádio que poderia receber 30 mil pessoas.

Cinco dias antes do Ecomundo 92, para piorar, o Guns N Roses havia tocado na Colômbia, o que prejudicou demais as vendas de ingressos do festival – Chucho acredita até hoje que tudo foi armado de propósito para ferrar o Ecomundo. Que acabou acontecendo, com seu organizador fazendo de tudo para manter os músicos ingleses numa bolha enquanto o país explodia.

https://www.youtube.com/watch?v=EMiZ3OiS3YA

Fuçando pelo YouTube dá pra achar outros vídeos do show, como David Gilmour tocando Run like hell, do The Wall (1979) do Pink Floyd.

Confortably numb, também do The wall.

Essa é You know I’m right, de seu disco solo About face, de 1984. No meio, Gilmour para tudo e recomeça, devido a problemas técnicos. Quem viu o show, diz que o som estava horroroso.

Um vídeo do soundcheck do evento.

Mais de Roger Daltrey, dessa vez com Behind blue eyes.

A reportagem completa sobre o evento, com entrevistas com Chucho e Phil Manzanera. Phil, falando em espanhol, comenta sobre a banda espanhola Heroes Del Silencio, que ele produziria no ano seguinte, no álbum El espíritu del vino (em 1994, Phil produziu Severino, dos Paralamas do Sucesso).

Chucho ainda hoje, continua trabalhando como produtor e tem carreira solo. Nesse mesmo ano, lançou El poder sagrado de la vida. Mas na época, ele demorou para se reerguer após o Ecomundo 92. No mesmo papo com a Noisey, diz que passou dez anos sem cartão de crédito. Mas que o pior era ver que o festival tinha sido esquecido e não fora exatamente um marco. De qualquer jeito, o YouTube acabou dando uma relembrada num evento que, hoje, poderia passar despercebido.

Pauta do amigo Leandro Saueia

Cultura Pop

George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

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George Harrison (Reprodução YouTube)

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)

Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube

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“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).

O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).

Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.

A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.

A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.

Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.

Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.

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Cultura Pop

No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

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Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.

Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)

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Cultura Pop

No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

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No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a "Jagged little pill"

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).

Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.

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