Connect with us

Cultura Pop

E os 35 anos de Faith, de George Michael?

Published

on

E os 35 anos de Faith, estreia solo de George Michael?

Para quem não é fã (ainda) de George Michael, curte histórias um tanto quanto tortas da música pop, e quer conhecer Faith, seu primeiro disco solo (lançado em 30 de outubro de 1987), uma boa introdução é tentar entender o que foi acontecendo com a carreira do cantor entre os anos 1980 e 1990. Ao lançar o segundo álbum, Listen without prejudice volume 1 (1990), Michael radicalizou. Concedeu apenas seis entrevistas promocionais para divulgar o álbum. Anunciou o lançamento de uma biografia, Bare, escrita por Tony Parsons, para esclarecer boatos que eram publicados a todo momento pela imprensa britânica (sobre casos amorosos, homossexualidade, uso de drogas, etc).

O novo disco era mais pra baixo, menos dançante, não tinha foto de George Michael na capa, e ele não aparecia nos clipes de Praying for time e Freedom 90. Nesse último, aliás, várias supermodelos dublavam a letra, e vários ícones ligados à época de Faith eram incinerados e destruídos, como o violão de George. O clipe abria com a visão interna de um moderníssimo aparelho de CD, assim como o de Faith começava com o rolar de discos numa jukebox.

Em tempos de moralismo imenso, George contou, nas poucas entrevistas que deu em 1990, a respeito do uso de ecstasy (um escândalo na época). Também brindava repórteres com declarações ora bastante lúcidas a respeito do mercado da música, ora autorreferentes e meio soberbas (“não há quem possa competir comigo”, disse, provavelmente esquecendo de Madonna, Prince, Michael Jackson e até da vocação de seu próprio país para produzir surpresas pop).

>>> Aliás, temos um episódio do nosso podcast Pop Fantasma Documento sobre George Michael. Ouça aqui.

Poderia ter sido algo no qual David Bowie assinaria embaixo. A ideia, bastante clara, era chamar a atenção para a música de George Michael, não para a imagem – muito embora, homens e mulheres de todas as idades jamais tenham esquecido as várias modelos encenando Freedom. E chamava até mais atenção para Faith, disco de estreia no qual o ex-Wham agia como controlador de todos os processos, numa dedicação de fazer Todd Rundgren morrer de inveja.

Tido como um cantor sem substância, como um personagem de tabloides, ou um ícone bombado pela MTV por radicais fãs britânicos de rock, Michael compôs e produziu todo o material de sua estreia solo, trabalhou e retrabalhou todas as faixas ao longo de um ano, fez arranjos e tocou vários instrumentos. O “ouça sem preconceitos” do segundo disco poderia servir para embandeirar canções que há estavam no mercado havia três anos. Mas já não era necessário, porque Faith havia sido um sucesso monumental. Número um na parada Billboard 200, singles como Father figure e Faith alcançando o número um nas paradas, a imagem de Michael com um violão, posando ao lado de uma jukebox, entrando para a iconografia pop rapidamente.

Faith era um disco de r&b com letras confessionais, sexuais e inconclusivas. Cada letra do álbum soava como um personagem diferente ligado à vida e à imagem recém-construída de George Michael, com tons andróginos surgindo aqui e ali – na época, Michael tinha uma namorada e se considerava bissexual, embora mantivesse o assunto em sigilo. O gospel Father figure, com versos como “eu serei sua figura paterna/serei seu pregador e professor” mexia quase nos mesmos vespeiros de Like a prayer, de Madonna, e tinha sido criado originalmente como uma faixa mais dançante do que se ouve no disco. O single Faith, aberto com um riff de órgão, unia fé, amor e perdas de uma maneira que deixaria Marvin Gaye impressionado.

As duas partes de I want your sex, cuja letra era uma espécie de hino à monogamia, vieram de experiências de estúdio com baterias eletrônicas, e de um redesenho numa música que inicialmente seria bem mais acelerada. Acabou virando um r&b gospel turbinado, a cara da dance music do fim dos anos 1980, um som que fãs de Mick Jagger e futuros adoradores de Come together, do Primal Scream, só estranhariam se fossem (enfim) preconceituosos. Já a balada One more try, concebida e finalizada em oito horas (!), revisitava antigas feridas emocionais. Influências de Prince podiam ser achadas em Hard day e Monkey. E o jazz Kissing a fool, que quase foi o título do disco – e encerrava o álbum – trazia George lidando com a fama e a busca de um novo amor.

Mesmo querendo que o ouvissem com mais atenção, Michael não poderia nem reclamar da crítica musical, que aderiu a Faith de cara, pelo menos nos Estados Unidos – já em seu país, o cantor reclamava de ter sido tratado como “um cantorzinho pop peso leve”. Mas George enfrentou censura nas rádios por causa de I want your sex (anunciada por alguns radialistas apenas na base do “vamos ouvir a nova música de George Michael”) e, devido às letras mais ou menos bem endereçadas de Faith, estava mesmo enfrentando mais intromissões em sua vida pessoal do que podia aguentar.

O sucesso do primeiro disco acabaria redefinindo uma série de detalhes em sua carreira. E é a partir do primeiro álbum que se deve entender verdadeiramente tudo o que moveria George Michael a partir de então. Ouça no volume máximo.

Cultura Pop

No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Published

on

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.

Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)

Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.

Mais Pop Fantasma Documento aqui.

Continue Reading

Cultura Pop

No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

Published

on

No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a "Jagged little pill"

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).

Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.

Mais Pop Fantasma Documento aqui.

Continue Reading

Cultura Pop

No nosso podcast, Radiohead do começo até “OK computer”

Published

on

Radiohead no nosso podcast, o Pop Fantasma Documento

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. Para abrir essa pequena série, escolhemos falar de uma banda que definiu muita coisa nos anos 1990 – aliás, pra uma turma enorme, uma banda que definiu tudo na década. Enfim, de técnicas de gravação a relacionamento com o mercado, nada foi o mesmo depois que o Radiohead apareceu.

E hoje a gente recorda tudo que andava rolando pelo caminho de Thom Yorke, Jonny Greenwood, Colin Greenwood, Ed O’Brien e Phil Selway, do comecinho do Radiohead até a era do definidor terceiro disco do quinteto, OK computer (1997).

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: reprodução internet). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.

Mais Pop Fantasma Documento aqui.

Continue Reading
Advertisement