Cultura Pop
Discos de 1991 #14: “Zezé di Camargo & Luciano”, Zezé di Camargo & Luciano

A história da dupla Zezé di Camargo & Luciano é muito bem coberta pelo filme Dois filhos de Francisco, de Breno Silveira. Pouca gente sabia disso em 1991, mas a dupla de Mirosmar José di Camargo com o irmão adolescente Welson David de Camargo (o Luciano) já era a terceira tentativa de Zezé de dar certo. O autor de É o amor já tivera uma experiência traumatizante com a morte do irmão Emival, com quem tivera uma dupla que não decolou (Camargo & Camarguinho).
Durante a primeira nova onda de sertanejo jovem, na segunda metade dos anos 1980, Zezé conseguiu um contrato com o selo 3M. Gravou dois discos solo epônimos em 1986 e 1988 – no segundo deles, aparecia na capa posando de Gary Numan/David Bowie brasuca. Fez aparições na TV, conseguiu algum sucesso com Nem dormindo eu consigo te esquecer, mas a coisa não andou. A virada (e o terceiro ato) só aconteceria no mesmo ano de Nevermind, do Nirvana, quando, gravando já o primeiro álbum com o irmão mais novo, o cantor ouviu do produtor que “faltava um hit”.
A música que transformaria o primeiro disco da dupla num sucesso, É o amor, foi composta rapidamente por Zezé após um desentendimento com a esposa Zilu. Foi incluída no LP na última hora e enviada em seguida – é o que diz o filme de Breno Silveira – a uma rádio de Goiânia, a Terra FM. A canção virou um grande sucesso, em especial após o pai dos dois, seu Francisco, distribuir fichas telefônicas a amigos e pedir a eles que ligassem para a emissora.
Para É o amor, fez igualmente diferença o fato de, no fim do governo Sarney, várias concessões de rádio terem sido oferecidas como moeda política – evidentemente, essas emissoras iriam tocar sucessos populares, e não o último single de alguma banda do Rio ou e SP. O hit de Zezé & Luciano foi pulando de frequência em frequência até chegar ao Domingão do Faustão, o que alavancou mais ainda as vendas do disco de estreia da dupla.
Zezé di Camargo & Luciano, primeiro de uma longa fileira de álbuns epônimos lançados pela dupla (a regra foi quebrada em 2010, curiosamente com um CD duplo com título em inglês, Double face) saiu em 19 de abril de 1991. Era basicamente um disco de baladas, guarânias e gêneros parecidos. Tinha um flerte sério com o country em A estrela só e ainda trazia Eu te amo, uma versão (feita por Roberto Carlos) de And I love her, dos Beatles – esta, a música que abriu espaço para a dupla em trilhas de novelas, com o LP de Perigosas peruas, de Carlos Lombardi (Globo, 1992).
No fim das contas, a estreia da dupla chegou a quase dois milhões de cópias. O Brasil já havia passado por febres como RPM, Blitz, Secos & Molhados, Ritchie, Titãs, Rita Lee. Mas foi aí que o Brasil entendeu de vez que sertanejo é música pop.
Outros discos de 1991 aqui.
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Cultura Pop
George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)
Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube
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“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).
O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).
Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.
A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.
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A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.
Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.
Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.
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Cultura Pop
No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.
Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)
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Cultura Pop
No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).
Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.
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