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Cultura Pop

1991 foi mesmo maravilhoso, não foi?

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1991 foi mesmo maravilhoso, não foi?

Escolher os discos que fazem parte de uma série de “tantos discos do ano tal” é complicado. Especialmente se esse ano é 1991. Foi o ano de Nevermind, do Nirvana, de Achtung baby, do U2, de Dangerous, de Michael Jackson.

Nós do POP FANTASMA demos nossa contribuição ao assunto fazendo uma série com 14 discos de 1991 e pulamos justamente esses três – que vão estar na nossa série de “várias coisas que você já sabia sobre…”, cuja nova temporada começa em março. Mas tivemos a oportunidade de recordar as trajetórias e os sucessos de vários lançamentos inesquecíveis da época. Fizemos uma seleção bem variada e tratamos de, na maioria das vezes, unir um nacional e um internacional.

Pega aí um resuminho do que rolou:

“OUT OF TIME”, R.E.M.: “O R.E.M. era uma banda deslocada o suficiente para causar dúvidas sérias no vocalista Michael Stipe sobre se ele queria realmente aquele sucesso todo que viria com Out of time, seu sétimo disco, lançado em 12 de março de 1991. Havia quem nem tivesse escutado o álbum e já classificasse a banda como ‘acabada’.

“MAIS”, MARISA MONTE: “Após um começo em que cantava músicas dos outros, ela voltava como compositora e tentava descobrir sua turma. Que era formada por alguns dos Titãs (Nando Reis era seu namorado e Arnaldo Antunes e Branco Mello apareciam nos créditos do álbum) e por Ed Motta (segunda voz de Ainda lembro, por sinal parceria com Nando)”.

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“LOVELESS”, MY BLOODY VALENTINE. “Ele seguiu a trilha dos discos problemáticos dos anos 1990, em que o artista pira, resolve fazer ‘o melhor disco do mundo’ e por muito pouco não tem que ser tirado do estúdio na base da pancada. Only shallow virou hit”.

“OS GRÃOS”, OS PARALAMAS DO SUCESSO. “Não foi o plot twist que a banda esperava em sua história. Não tanto quanto Vamo batê lata, disco ao vivo (com um single CD de brinde) lançado em 1995, e que devolveu de vez a banda às paradas.

“TEN”, PEARL JAM. “O Pearl Jam aposentou o nariz-erguido da turma alternativa dos anos 1980 e mostrou-se como uma banda de rock “clássico” com guitarras em alto volume (e muita influência do Who e de Neil Young) e altos solos”.

“TUDO AO MESMO TEMPO AGORA”, TITÃS. “Os Titãs decidiram alugar uma casa para transformar em estúdio provisório e cuidaram eles mesmos da produção do disco. A ideia inicial do álbum chegou a ser algo como ‘vamos fazer um disco só para nós’”.

“SCREAMADELICA”, PRIMAL SCREAM. “O terceiro disco do Primal Scream, lançado em 23 de setembro de 1991, resolvia um dilema pesado na história do grupo. Liderada por um ex-integrante do Jesus & Mary Chain, a banda tateou entre vários estilos nos primeiros anos sem ter uma cara própria”.

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“V”, LEGIÃO URBANA. V é ‘o disco progressivo da Legião Urbana’. Renato Russo era fã do estilo e os próprios Dado (guitarra) e Marcelo Bonfá (bateria) também curtiam os climas elaborados de bandas como Yes e Emerson, Lake & Palmer”.

“METALLICA”, METALLICA. “O material vinha bem mais leve, introspectivo e confessional, inspirado tanto pelas letras de artistas como John Lennon, quanto pela grandiloquência das baladas country. O clima nos bastidores contribuía para isso”.

“ARISE”, SEPULTURA. “Inicialmente a banda anunciou que seria um disco ‘rápido e pesado’, na linha do hit Inner self, de Beneath the remains”.

“THE LOW END THEORY”, A TRIBE CALLED QUEST. “É redefinidor ao extremo. É também o disco de Jazz (We’ve got), declaração de princípios do grupo, que acabou dando dores de cabeça para Phife Dawg”.

“DE LA SOUL IS DEAD”, DE LA SOUL. “Os primeiros sucessos do gangsta rap já começavam a surgir logo assim que 3 feet chegou às lojas, e o trio era geralmente tido como uma reação àquilo tudo. Ou como uma caminho neopsicodélico no universo do hip hop”.

“BANDWAGONESQUE”, TEENAGE FANCLUB. “Disputou as atenções da crítica pelo posto de ‘melhor disco de 1991’ com Nevermind, do Nirvana. Até hoje é comum achar gente que gosta mesmo é do álbum da banda escocesa, além de pessoas que conseguem lembrar exatamente o que estavam fazendo quando viram o clipe de Star sign pela primeira vez”.

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“ZEZÉ DI CAMARGO & LUCIANO”, ZEZÉ DI CAMARGO & LUCIANO. “A música que transformaria o primeiro disco da dupla num sucesso, É o amor, foi composta rapidamente por Zezé após um desentendimento com a esposa Zilu. Foi incluída no LP na última hora e enviada em seguida a uma rádio de Goiânia”.

(ah, sim: há um tempinho, lembramos que a MTV Brasil fez uma série de dropes lembrando o que aconteceu naquele ano de 1991 – confira aqui).

Tem conteúdo extra desta e de outras matérias do POP FANTASMA em nosso Instagram.

Cultura Pop

Relembrando o 120 Minutes da MTV em site e clipes

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Relembrando o 120 Minutes da MTV em site e clipes

Tá faltando gente pra fazer isso com os programas de música do Brasil – ok, dá mais trabalho, enfim. Lá fora tem uma turma bastante dedicada a recordar os bons tempos do 120 minutes, programa “de música alternativa” da MTV que misturava novos lançamentos, entrevistas, bate-papos reveladores e apresentadores especiais (gente como Lou Reed e Henry Rollins).

O programa durou de 1986 a 2000 (foi encerrado pelo canal sem alarde) e foi substituído por um programa análogo chamado Subterranean, além de dois retornos à telinha, no canal associado MTV 2. Entre os apresentadores titulares, gente como JJ Jackson, Martha Quinn e Adam Curry. Agora, a lista de músicas que foram lançadas pela atração e que hoje são tidas e havidas como clássicos, assusta. Tem Smells like teen spirit (Nirvana), Under the milky way (The Church), Kool thing (Sonic Youth), Mandinka (Sinead O’Connor), World shut your mouth (Julian Cope), Seattle (Public Image Ltd), Just like heaven (The Cure) e outras, umas mais, outras menos conhecidas.

A novidade é que um sujeito chamado Chris Reynolds subiu no YouTube uma playlist chamada 120 minutes full archive, com supostamente todos os clipes que foram lançados pela atração.

E uma radialista chamada Tyler Marie criou um site que traz tudo (ou quase tudo) sobre o programa: quem apresentou cada edição, os convidados, os clipes que foram apresentados, etc. “A partir de nossa página inicial , você pode navegar por 27 anos de playlists de 120 Minutos da MTV e seu sucessor, Subterranean“, explica ela. “Este projeto começou em 2003 como o site não-oficial do 120 Minutes, quando o programa ainda estava no ar na MTV2. Surgimos com a ideia de postar a playlist toda semana, porque a MTV não o fazia”, completa.

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Aqui no Pop Fantasma, a gente já recordou o dia, em 1986, que Lou Reed foi um dos apresentadores do programa. Só que chegou usando óculos escuros quase cobrindo o rosto todo, falando com voz grave, de cara amarrada, e disposto quase a encher um convidado da atração de porrada – ninguém menos que Mark Josephson, um dos criadores do New Music Seminar, painel de música que serviu de modelo para vários music conferences ao redor do mundo, reunindo bandas, novos artistas, CEOs de gravadoras, gente de mídia, etc. Mas ele também deu uma de fan boy quando entrevistou a iniciante Suzanne Vega e apresentou clipes.

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Cinema

Tangarella: uma pornochanchada com Jô Soares e Paulo Coelho (!)

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A carreira de Jô Soares como ator incluiu um filme que pediu para ser trash e ficou três vezes na fila: Tangarella, a tanga de cristal era uma pornochanchada soft lançada em 1976, dirigida e escrita por Lula Campello Torres, e que tinha o humorista interpretando uma espécie de mordomo trapalhão (Erasmo), meio viciado em participar de concursos, que trabalhava para uma família disfuncional e falida, e que complementava a renda trabalhando como consultor sentimental numa revista.

A grande curiosidade é a participação de ninguém menos que Paulo Coelho (!), naquele que talvez seja seu único papel no cinema, interpretando Avelar, um garotão meio vida-torta. Numa das cenas, Paulo aparece sentadão numa poltrona, lendo um exemplar da revista Vampirella. Por acaso, Cachorro urubu, parceria dele com Raul Seixas, aparece na trilha do filme (na interpretação de Raul no disco Krig ha bandolo, de 1973).

Tangarella: pornochanchada de 1975 com Jô Soares e Paulo Coelho (!)

A tal família esquisita era o prato principal do filme. Lucio Tangarella (Jardel Filho), um marido abusivo, viciado em jogo, violento com a mulher e a filha, Sandra – que assiste a todas as brigas dos pais. Ele fica viúvo e casa-se com Luísa Maria (Lidia Mattos), uma dondoca também viúva, que tem três filhos, Âncora (Regina Torres), Alvorada (Fanny Rose) e o tal Avelar. Sem grana por causa do vício em jogo do marido, Luisa sai em busca de um empregado que não saiba fazer nada direito, para que ela possa pagar bem pouco a ele. Erasmo, que mal consegue carregar objetos sem se atrapalhar, é contratado.

O que a madame não contava era que Lucio desaparecesse e deixasse a esposa com o três filhos, com o mordomo e… com a filha Sandra, já adolescente (e interpretada por Alcione Mazzeo). Ela sofre bullying da família e é tratada como uma criada. Até que surge na história um garotão interiorano, rico e meio outsider, Muniz Palacio (interpretado pelo designer de capas de discos e editor do jornal alternativo Presença, Antonio Henrique Nitzche) e algumas coisas mudam.

Tangarella foi lançado discretamente, em cinemas do Rio e de São Paulo, e foi considerado um filme “leve”, liberado para jovens de 14 anos. É uma produção que dá vontade de socar as paredes de tão trash, mas é um filme bem legal – aliás é uma boa indicação para quem curte ver imagens antigas do Rio de Janeiro, já que aparecem lugares como a Lapa, o Largo da Carioca, o Túnel do Pasmado (mesmo local em que o personagem de Roberto Carlos já havia entrado com um helicóptero no filme Em ritmo de aventura, de 1967) e até o Carnaval carioca (que dá sentido à tal “tanga de cristal” do título).

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Lula Campello Torres é um cineasta sobre o qual há bem pouca informação – na Globo, em 1991, ele escreveu uma minissérie chamada Meu marido, ao lado de Euclydes Marinho, que foi assistente de direção em Tangarella. O filme foi todo montado como se fosse uma espécie de documentário ou novelinha de rádio “com imagens”, já que um narrador (Aloysio Oliveira, dublador de filmes da Disney e criador do selo bossa-nova Elenco) vai explicando toda a história. As aparições do já saudoso Jô Soares são quase sempre de rolar de rir, especialmente quando ele participa de uma maratona de corredores sambistas, ou quando se veste de fada madrinha para ajudar Sandra.

Pega aí antes que tirem do YouTube.

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Cinema

Vai sair caixa com as trilhas sonoras dos filmes de John Hughes

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Vai sair caixa com as trilhas sonoras dos filmes de John Hughes

O site Brooklyn Vegan, quando noticiou a caixa Life moves pretty fast – The John Hughes mixtapes, com o repertório dos filmes do diretor norte-americano, lembrou bem: “Algumas pessoas podem argumentar que as trilhas sonoras dos filmes de John Hughes resistiram melhor do que os próprios filmes”. Maldade com o diretor que melhor conseguiu sintetizar a angústia jovem dos anos 1980, em filmes como Gatinhas e gatões, Clube dos cinco e Curtindo a vida adoidado.

A “década perdida” (pelo menos para os países da América Latina, como dizem alguns economistas) pedia um novo tipo de filme jovem, em que até as picardias de produções como Porky’s, do canadense Bob Clark (1981), tinham seu tempo e lugar, desde que reembaladas e exibidas com um verniz mais existencial e (vá lá) inclusivo.

Ainda que se possa alegar que algumas situações envelheceram (e algumas envelheceram muito), que não havia diversidade racial, etc, tinha espaço para o jovem zoeiro e audacioso de Curtindo a vida adoidado, para o choque de tribos de Clube dos cinco e A garota de rosa shocking (este, dirigido por Howard Detch e roteirizado por Hughes), para a decepção com a vidinha besta e burguesa de Ela vai ter um bebê. Eram criações bastante originais para a época, tudo fruto do trabalho de Hughes, um ex-publicitário e ex-colaborador da revista de humor National Lampoon. Tudo embalado pela sensação de que a vida é, sim, apenas um piscar de olhos – como o próprio Ferris Bueller (Matthew Broderick) sentenciou em Curtindo a vida adoidado.

>>> Leia também no Pop Fantasma: Quando teve uma sitcom do Ferris Bueller

Live moves pretty fast, a caixa em questão, é a primeira compilação oficial de músicas de todos os filmes de John Hughes, incluindo aqueles que ele dirigiu ou apenas escreveu o roteiro. Sai em 11 de novembro pela Demon Music e vai ser vendida em vários formatos: box com LPs, CDs, etc, incluindo canções que estavam nos filmes mas acabaram não aparecendo nas trilhas sonoras.

Entre as bandas que apareciam nas trilhas, New Order, The Smiths, Echo & The Bunnymen, Simple Minds, Oingo Boingo, OMD, The Psychedelic Furs, Simple Minds, e várias outras que, muitas vezes, chegaram ao grande público por aparecem num filme dele. Ou já estavam virando “tendência” e foram pinçadas quando as agendas bateram, como foi o caso do New Order com Shellshock e Elegia em A garota de rosa shocking – um filme que ainda tinha na trilha Smiths com Please, please, let me get what I want e Echo & The Bunnymen com Bring on the dancing horses, gravada especialmemte para a trilha.

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Teve também o caso de Don’t you forget about me, da trilha de Clube dos cinco – aquela famosa música que o Simple Minds não queria gravar de jeito nenhum, mas acabou gravando. E virou o maior hit deles. Você já leu sobre isso aqui.

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