Cultura Pop
A música que Dick Dale fez em homenagem a Belo Horizonte

Dick Dale, aliás Richard Anthony Monsour, seu nome verdadeiro, costumava dizer que surf music era uma coisa, “Dick Dale music” era outra coisa. Ele se considerava um guitarrista antes de ser apenas um músico – chegou a afirmar que músicos, na verdade, eram sujeitos como Eddie Van Halen. “Dick Dale é uma coisa que vem da selva, que toca o que sente”, afirmou o guitarrista morto aos 81 anos no domingo (17), em papo com Marcos Bragatto em 1997 na revista Rock Press, republicado no site Rock Em Geral.
Em seu auge, Dick tinha sido um músico revolucionário a ponto de atrair a atenção de Leo Fender, dono da marca de guitarras que leva seu sobrenome. Animado com a surf music do garoto – que surfava e, ao tocar nas cordas com leveza, tentava imitar o som das ondas – ele insistiu para que Dick usasse um de seus produtos mais recentes, a Fender Stratocaster. Dick tocava tão alto que Leo passou a desenvolver amplificadores especiais para ele
No papo abaixo, com legendas automáticas em inglês, Dick descreve sua relação com Leo Fender e a parceria que foram desenvolvendo até que a “Dick Dale music” virasse o que se tornou. A parceria com a Fender levou Dale a experimentar – e destruir, com som nas alturas – mais de 50 amplificadores. O apelido “pai do heavy metal” não veio por acaso, embora ele não ligasse para rótulos.
Tida como o maior hit de Dale, Misirlou costuma ser definida como “uma música composta por Dick Dale”. Não é: trata-se de uma canção tradicional grega que já tinha sido recolhida por vários compositores e arranjadores, e cuja primeira versão nem os pesquisadores mais atentos têm certeza de qual é. Dale a escutava desde bem pequeno (nascido em Boston, o músico tem ascendência libanesa) e gravou a música em single pela primeira vez em 1962.
Foi Misirlou que, por intermédio do filme Pulp fiction, de Quentin Tarantino, animou uma das mais recentes “voltas” de Dale ao circuito, no fim dos anos 1990. O guitarrista voltou de vez a excursionar e ganhou novo público.
Numa dessas, veio parar no Brasil, numa turnê que passou/não passou pelo Rio. Havia um show agendado no Imperator, em 4 de julho de 1997, com abertura da banda paulistana Los Sea Dux. Apesar do certo agito entre fãs novos e antigos, Dick não tocou: foi avisado no hotel em que estava hospedado que o show havia sido cancelado pela baixa procura prévia de ingressos. Falava-se em quatro tíquetes vendidos antecipadamente. Fãs contam que Dick foi até lá e pediu desculpas pessoalmente pelo cancelamento a todos os presentes.

A turnê também tinha uma data agendada em Belo Horizonte. A capital mineira encantou tanto Dick Dale que, na passagem de som, ele compôs um tema chamado Belo Horizonte e resolveu tocar a música lá mesmo, no show. É essa música aí, gravada por ele em 2001 no disco Spacial disorientation.
Ao vivo com a mesma canção, em 2015.
Dick se considerava mais um cara que “toca o que sente” do que um músico, apesar de ter influenciado meio mundo – inclusive Jimi Hendrix, que teria composto 3rd stone from the sun para ele, quando soube que Dale, nos anos 1960, estava com câncer terminal (ele venceu a doença de forma, segundo o próprio guitarrista, “milagrosa”). Exigia que seus músicos não bebessem nem usassem drogas “para manter o sistema aberto” – e porque mudava coisas em cima da hora nas músicas. “É como pintar, é o que Salvador Dali fez, é sobre isso que é a minha música. Quando eu toco, não sigo um roteiro. Tudo está totalmente fora da minha cabeça e eu não toco a mesma música da mesma maneira duas vezes. Eu nem consigo lembrar como tocou na noite passada”, contou o músico aqui.
E isso aí é Dick com Stevie Ray Vaughan em 1987 tocando Pipeline. Foi mais um retorno do guitarrista que rolou graças ao cinema, já que a aparição dos dois guitarristas rolou na comédia americana De volta à praia.
Cultura Pop
No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.
Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)
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Cultura Pop
No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).
Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
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Cultura Pop
No nosso podcast, Radiohead do começo até “OK computer”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. Para abrir essa pequena série, escolhemos falar de uma banda que definiu muita coisa nos anos 1990 – aliás, pra uma turma enorme, uma banda que definiu tudo na década. Enfim, de técnicas de gravação a relacionamento com o mercado, nada foi o mesmo depois que o Radiohead apareceu.
E hoje a gente recorda tudo que andava rolando pelo caminho de Thom Yorke, Jonny Greenwood, Colin Greenwood, Ed O’Brien e Phil Selway, do comecinho do Radiohead até a era do definidor terceiro disco do quinteto, OK computer (1997).
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: reprodução internet). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
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