“Mangue é uma atitude, não limita só a uma batida. No lado ecológico é algo super fértil”. Morto no carnaval de 1997, no dia 2 de fevereiro, Chico Science acabou ganhando na época um especial da MTV no qual a emissora repassava todo o material que tinha disponível sobre ele em seus arquivos.

O programa tinha desde imagens importantíssimas do show do grupo no Hollywood Rock, em 1986, até trechos da cobertura das gravações de Da lama ao caos (1993), com Chico contando como foi conhecer o produtor Liminha, e explicando que o disco teria “dez ou doze” músicas. Ou imagens do cantor no Recife, com um caranguejo na mão, lembrando que na adolescência catava os bichinhos para vender, juntava com a grana que seus pais lhe davam e ia para os bailes de periferia. “Foi aí que conheci James Brown, black music…”, recordou.

Para quem morou ou vive no Recife, tem imagens de cortar o coração: Chico Science, dando uma de repórter do MTV No Ar, navegando num barco pelo Rio Capibaribe e mostrando aos espectadores o Edifício Capibaribe, “um dos primeiros prédios residenciais do Recife, e é especial para mim porque morei lá”. Ele também vai ao Largo São José e entrevista feirantes e moradores. “Se você gosta de boa informação, good vibes, música, sexo… Você é um mangue boy, você é uma mangue girl”, diz. Numa matéria de bastidores comandada por Fabio Massari, Chico ainda diz que a situação da banda ainda era de começo. “Muita diversão e grana zero”, brincou.

Aliás, lá pelos trinta minutos do vídeo, aproveite para saber tudo que Chico tinha a dizer sobre Afrociberdelia e sobre cada faixa do segundo e último disco dele com a Nação Zumbi. “Afrociberdelia anuncia a chegada do próximo século. O que podem fazer garotos dos subúrbios mais distantes do Brasil, um estágio da diversão”, conta.