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Beck: o que já dá pra esperar do álbum “Ride lonesome”

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Beck - Foto: Autumn De Wilde / Divulgação

RESUMO: As primeiras faixas de Ride lonesome indicam um Beck mais introspectivo, próximo de álbuns Sea change e Morning phase, com violões, orquestrações e antigos parceiros de estúdio.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Autumn De Wilde / Divulgação

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Ride lonesome, novo álbum de Beck previsto para 18 de setembro, começa a se desenhar como um disco bastante diferente da fase mais eletrônica e pop do músico. É o primeiro álbum de material totalmente inédito desde Hyperspace, de 2019, e as três músicas já apresentadas (Ride lonesome, In the night e agora o folk Disappearing act, herdadíssimo da musicalidade de David Crosby) apontam para um Beck novamente interessado em violões, arranjos atmosféricos, orquestrações e canções de tom mais introspectivo.

O próprio título já dá uma pista. Ride lonesome sugere movimento e solidão ao mesmo tempo, e as primeiras faixas divulgadas parecem trabalhar justamente nessa região: personagens em trânsito, relações que escapam, distâncias e uma espécie de melancolia sem necessariamente desembocar em desespero. Disappearing act, por exemplo, transforma a ideia de alguém que desaparece em uma canção delicada, construída sobre violão e orquestração, com uma produção que privilegia espaço e textura.

Aliás, algumas coisas indicam que o Beck que vem aí é bastante linkado a discos “de autor” como Sea change (2002) e Morning phase (2014), e que essa aventura nova do cantor já foi anunciada com o lançamento, em janeiro, da coleção de covers e lados B Everybody’s gotta learn sometime.

Bom, não é apenas uma impressão causada pelas músicas. Nigel Godrich, que produziu e/ou trabalhou na mixagem de alguns dos momentos mais importantes daquela fase, volta a participar do projeto, desta vez na mixagem. E Beck reuniu novamente músicos que ajudaram a construir sua sonoridade justamente em discos como Mutations (1998), Sea change e Morning phase: Smokey Hormel (guitarra), Joey Waronker (bateria), Justin Meldal-Johnsen (baixo), Roger Joseph Manning Jr (teclados e piano) e Jason Falkner(guitarra).

Isso não significa, porém, que Ride lonesome seja apresentado como uma volta ao passado. Beck diz que reencontrar aqueles músicos e o antigo ambiente de gravação acabou revelando novos sons e texturas emocionais. Há, portanto, uma tentativa de usar uma formação conhecida para produzir alguma coisa diferente.

As primeiras reações da imprensa reforçam essa leitura. A Mojo falou em transformar dor em beleza, enquanto a Uncut destacou o caráter pessoal das canções. Até agora, o disco parece caminhar para um Beck menos preocupado em demonstrar versatilidade e mais interessado em explorar estados emocionais.

Depois de anos circulando entre eletrônica, pop, funk e colaborações, Ride lonesome pode representar uma espécie de reencontro com o Beck compositor. Um músico que voltou a olhar para aquela linguagem – agora com três décadas a mais de experiência e uma banda que conhece profundamente seu som. Mais, só ouvindo. E seguem aí a capa e a lista de faixas de Ride lonesome.

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Capa do álbum Ride Lonesome, de Beck

LISTA DE FAIXAS

01. Ride lonesome
02. Run away
03. In the night
04. Failed words
05. Bleed
06. Disappearing act
07. For your love
08. Slow canyon
09. It ends right here
10. Falling through my hands
11. If you don’y know what love is
12. Beyond the light

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Os Alquimistas e akaStefani lembram romances punks em “Tu”

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Os Alquimistas e akaStefani lembram romances punks em “Tu”

RESUMO: Em Tu, o trio sul-mato-grossense Os Alquimistas mistura punk e garage rock para contar uma história de amor e noites intermináveis, ao lado de akaStefani. A faixa antecipa seu primeiro álbum, previsto para 2026.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Divulgação

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Um romance entre dois punks que se conheceram no colégio, noites que parecem não acabar e aquela impressão de que o relacionamento está por um fio. Pode ser uma história só ou várias lembranças misturadas. É mais ou menos por aí que vai Tu, single dos Alquimistas, trio de Campo Grande (MS) que prepara seu primeiro álbum completo depois de mais de uma década de atividade.

A música foi composta por Bo Loro, integrante da banda, e akaStefani, artista e produtora musical que ele conhece desde os tempos da cena punk de Campo Grande, e que passou por bandas como Duo Chipa e Manobra Feroz. As guitarras ficaram a cargo do cearense Edson Van Gogh, músico que já trabalhou com Cidadão Instigado, Jonnata Doll e os Garotos Solventes e Lirinha.

Em Tu, Os Alquimistas mostram seu lado mais ligado ao punk e ao rock de garagem, com referências que incluem Ramones, Johnny Thunders & The Heartbreakers e Fidlar. A gravação ainda tem uma curiosidade: um sino de verdade, que estava no Estúdio 45, onde o disco foi registrado, acabou entrando na música.

O título faz referência a uma composição de Edson Vander, artista admirado por Bo Loro. Lançada em 18 de setembro, a faixa antecipa o álbum homônimo do grupo, que reúne influências de psicodelia, punk, garagem e música brasileira, incluindo referências sul-mato-grossenses.

Formado em 2013 por Leotta, Perim e Bo Loro, o trio lançou em 2019 o EP Cidade pequena, que recebeu uma indicação ao Prêmio Dynamite de Música Independente na categoria Revelação. A banda também já passou por festivais como Grito do Rock, Campão Cultural e Som da Concha, além de ter feito shows no Rio e em São Paulo.

O primeiro álbum dos Alquimistas foi gravado com a colaboração do produtor Anderson Rocha, que já havia trabalhado com a banda no EP de estreia. O disco tem lançamento previsto para 2026 e contará com edição em vinil, atualmente em fabricação em São Paulo.

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Wagner Almeida troca carreira solo pelo slowcore do Sempre Te Falam

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Wagner Almeida (Sempre Te Falam): Foto: Cauã Medeiros / Divulgação

RESUMO: O mineiro Wagner Almeida estreia o Sempre Te Falam com uma session de quatro faixas que misturam slowcore, post-rock e ruídos intimistas. O projeto terá lançamentos exclusivos no Bandcamp e YouTube.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Cauã Medeiros / Divulgação

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O músico mineiro Wagner Almeida já havia aparecido aqui no Pop Fantasma com o álbum solo Com cuidado (2023) – um passeio pelas possibilidades não apenas de estilos como shoegaze e guitar rock, mas também pelas vibes herdadas de bandas como Smashing Pumpkins. Agora, ele decidiu encerrar sua carreira solo e recomeçar com o projeto Sempre Te Falam – uma fase nova em que Wagner mantém uma onda narrativo, lo-fi e intimista, mas aposta agora em sonoridades mais intensas, que passeiam por estilos ruidosos e introspectivos como slowcore e pelo post-rock.

Uma boa mostra disso está na session Sempre Te Falam – Ao vivo no Estúdio Central, realizada no estúdio mineiro em 30 de maio. Wagner (guitarra e voz), Mateus Gregs (guitarra), João Carvalho (baixo), Fábio de Carvalho (sintetizador) e João Pedro Fernandes (bateria) dedicam-se a quatro faixas intensas e fechadas, algumas com diferentes segmentos e andamentos. As letras apontam para incertezas da vida.

As faixas iniciais do projeto são Kaury Seymour, Novaclean, Tão normal e Sota-capitão. O próprio Wagner editou o vídeo, que foca numa captação de imagens bem próxima do experimental e do marginal. Um detalhe: Wagner está interessado em maneiras novas de disponibilizar seu material, e as músicas do Sempre Te Falam sairão exclusivamente em seu Bandcamp e seu YouTube.

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Tem robô aí! Raye enfrenta 1,8 milhão de inscrições para show de 5 mil lugares (!)

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Tem robô aí! Raye enfrenta 1,8 milhão de inscrições para show de 5 mil lugares (!)

RESUMO: Raye tenta separar fãs reais de cambistas e bots após receber 1,8 milhão de inscrições para um show de 5 mil lugares. O caso lembra a polêmica dos supostos fãs artificiais do Geese.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução

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A cantora pop Raye virou uma história de sucesso daquelas que dão até gosto de acompanhar. Depois de brigar com sua antiga gravadora porque não conseguia lançar um álbum, a cantora britânica resolveu seguir por conta própria, estourou nas paradas, ganhou seis Brit Awards numa noite só e virou uma das grandes estrelas do pop atual. Agora, está descobrindo um dos lados mais irritantes dessa popularidade: tentar vender ingressos para fãs de verdade num mundo cheio de cambistas e robôs.

A confusão começou com o anúncio de This symphony may contain hope, apresentação especial marcada para 23 de outubro no Royal Albert Hall, em Londres – e que faz parte do ciclo de divulgação do disco This music may contain hope (resenhado aqui). São apenas 5 mil ingressos disponíveis. O problema? Mais de 1,8 milhão de pessoas se inscreveram para tentar comprar uma entrada. Sim, você leu certo.

Raye, cujo nome verdadeiro é Rachel Keen, contou nesta terça (13) que ela e sua equipe estão precisando analisar manualmente as inscrições para tentar separar os fãs reais dos cambistas e das contas automatizadas. A ideia era justamente evitar uma pré-venda tradicional, que poderia facilitar a vida de quem compra ingressos aos montes para revendê-los por preços absurdos.

“É um mundo novo em que estamos vivendo. Nunca tinha visto robôs nessa escala”, escreveu a cantora no Instagram (via The Independent). “Não sei o que o futuro reserva para a venda de ingressos, mas sei que essa experiência abriu muito meus olhos.”

Ela também prometeu discutir novas maneiras de lidar com o problema. “Eu e minha equipe vamos pensar muito seriamente no que podemos fazer no futuro”.

Os fãs selecionados receberão por e-mail um link e um código para participar da pré-venda. Se sobrarem ingressos, eles serão oferecidos ao público em geral. A preocupação de Raye é que as entradas cheguem às mãos de quem realmente pretende assistir ao show, pagando o preço original.

E olha que o sucesso dela não veio exatamente de bandeja. Depois de anos enfrentando dificuldades com sua gravadora, a cantora rompeu o contrato e lançou My 21st century blues em 2023. O disco chegou ao segundo lugar da parada britânica, entrou na lista do Mercury Prize e rendeu seis troféus no Brit Awards de 2024, incluindo o de álbum do ano.

De lá para cá, Raye emplacou mais um número um com Where is my husband!, depois do sucesso de Escapism, e foi atração principal dos festivais Reading e Leeds. Seu segundo álbum, This music may contain hope, mistura soul, blues, jazz, R&B, hip-hop e pop, com 17 faixas que falam de desilusões amorosas, autoestima e esperança, num clima de filme musical das antigas. É esse repertório que vai aparecer no Royal Albert Hall.

Aliás, a história de Raye lembra outra discussão recente, só que com uma diferença importante. No caso da cantora, os robôs são suspeitos de atrapalhar a venda de ingressos. Já o Geese, banda estadunidense que virou uma das grandes sensações do indie rock, precisou responder a suspeitas de que contas artificiais estariam ajudando a fabricar sua popularidade.

A confusão envolveu a Chaotic Good, empresa de marketing digital que trabalhou em campanhas para o Geese e para a carreira solo do vocalista Cameron Winter. A companhia utilizava redes de perfis e publicações no TikTok para aumentar a circulação de conteúdos musicais. Quando a história veio à tona, começaram as perguntas sobre quantos daqueles fãs eram reais.

Em entrevista à Rolling Stone, Winter resolveu brincar com a situação. “Parecia uma explicação razoável. A gente ficou tipo: ‘Meu Deus, tudo isso é falso’. Estávamos em pânico. Aí fomos até nossa gravadora por e-mail e perguntamos: ‘Há quanto tempo todos os nossos fãs são falsos, seus filhos da puta?’”

Segundo o cantor, a explicação recebida foi que a Chaotic Good havia sido contratada para divulgar vídeos de shows, e não para criar comentários ou fãs falsos. “Eram posts de baixa qualidade no TikTok, usados para impulsionar o algoritmo. Eles nos mostraram alguns exemplos, e isso me fez sentir melhor porque eram muito ruins”, contou. Já o baixista Dominic DiGesu foi ainda mais direto: “Venham ao show e me digam quantos bots vocês viram”.

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